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A empregada CRÍTICA

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A Empregada – Crítica

Introdução

Lançado em 2007, A Empregada (título original: La Nana) é um filme chileno dirigido por Sebastián Silva, que explora as complexas relações de classe, poder e intimidade em uma casa de uma família rica. O filme foca na história de Raquel (interpretada por Catalina Saavedra), uma empregada doméstica que trabalha para uma família de classe média alta há muitos anos. A trama se desenrola quando uma nova empregada é contratada e Raquel se vê desafiada em suas crenças, sentimentos e papel na casa. A obra, que foi amplamente elogiada por sua análise de classe social, relações de poder e a natureza humana, oferece uma reflexão profunda sobre a dinâmica entre empregados e empregadores, além de tratar de temas como solidão, resistência e a busca por identidade.


Aspectos Positivos

  1. A Performance de Catalina Saavedra

O grande destaque de A Empregada é a atuação de Catalina Saavedra, que interpreta Raquel, uma mulher aparentemente rígida e autoritária, mas que aos poucos revela camadas de vulnerabilidade e complexidade. Sua performance é impressionante, conseguindo transmitir a tensão interna da personagem com sutileza. Raquel é uma mulher de poucas palavras, mas com uma presença avassaladora, e Saavedra consegue mostrar todas as nuances dessa personagem, que ao mesmo tempo desperta empatia e, por vezes, desconforto no espectador.

A construção da personagem é feita de forma brilhante, transformando Raquel de uma figura quase monstruosa em alguém cuja dor e solidão são compreendidas, mas não totalmente justificadas. Saavedra, com sua habilidade, torna a personagem rica e multifacetada, uma das mais complexas da cinematografia latino-americana recente.

  1. A Dinâmica das Relações de Classe

O filme faz um excelente trabalho ao explorar as tensões e desigualdades presentes na relação entre empregador e empregado, especialmente no contexto da classe média alta chilena. O roteirista e diretor Sebastián Silva aborda com muita sensibilidade e sem didatismo a questão das hierarquias sociais e como elas afetam a vida cotidiana. O olhar de Raquel sobre a família que ela serve, e sobre sua própria posição dentro da casa, é explorado de maneira complexa e realista, revelando as frustrações e os pequenos ressentimentos que muitas vezes ficam ocultos nas relações de trabalho.

A introdução de uma nova empregada, que se torna uma espécie de rival para Raquel, traz à tona essas questões de poder, autoridade e reconhecimento, fazendo com que o filme revele as dinâmicas sociais que muitas vezes são invisíveis aos olhos dos que estão envolvidos diretamente nessas relações.

  1. Tensão e Construção de Personagem

A narrativa de A Empregada é notavelmente comedida, sem apelar para dramatizações excessivas. A tensão vai crescendo lentamente ao longo do filme, à medida que Raquel lida com suas próprias inseguranças, ressentimentos e sua maneira de lidar com a nova funcionária, que começa a desafiar seu posto na casa. A construção dessa tensão sem pressa de alcançar um clímax é uma das qualidades que mais se destacam na direção de Sebastián Silva.

A trama se desenrola em torno da forma como Raquel lida com os outros, com os membros da família, com seus próprios sentimentos de inadequação e, ao mesmo tempo, com a necessidade de afirmar sua autoridade. Esse processo psicológico é fascinante de acompanhar, o que confere ao filme uma sensibilidade única em lidar com questões de identidade e poder.


Aspectos Negativos

  1. Ritmo Lento

Uma das críticas mais comuns a A Empregada é seu ritmo, que pode ser considerado lento por parte do público mais acostumado a filmes com uma narrativa mais dinâmica. O filme leva seu tempo para desenvolver os personagens e a trama, o que pode desmotivar aqueles que buscam uma história mais ágil ou mais “acontecimento por acontecimento”. Embora o ritmo seja parte do que torna o filme tão imersivo e eficaz na construção do drama psicológico, ele pode não ser atraente para todos os tipos de espectadores.

  1. Limitação do Enredo

Embora o filme trate de questões muito relevantes e tenha uma direção precisa, A Empregada poderia ter explorado um pouco mais a fundo as relações com os outros membros da família para dar uma sensação mais ampla do impacto das dinâmicas de classe e poder. Embora a personagem de Raquel seja bem trabalhada, as outras figuras do elenco, como a família da casa, acabam sendo um tanto unidimensionais e servem mais como pano de fundo para a jornada de Raquel. A falta de profundidade desses personagens secundários pode fazer o filme parecer um pouco fechado em sua própria microcosmo.

  1. Ambiguidade Moral

Embora o filme aborde questões interessantes, ele também deixa o público com uma sensação de ambiguidade moral. O comportamento de Raquel, que muitas vezes se apresenta como antipática e autoritária, é difícil de justificar completamente. Embora haja uma explicação para sua atitude, a falta de um arco redentor ou um desfecho mais claro pode deixar alguns espectadores com a sensação de que a personagem não teve uma evolução significativa. A falta de uma resolução emocionalmente satisfatória pode ser frustrante para quem espera uma conclusão mais clara para a jornada de Raquel.


Conclusão

La Nana (A Empregada) é um filme profundamente humano, que explora questões sociais, psicológicas e emocionais com uma abordagem contida, mas impactante. A interpretação de Catalina Saavedra é o grande ponto alto da obra, trazendo vida a uma personagem complexa e cheia de contradições. Embora o filme trate com maestria da dinâmica entre empregada e empregador, ele também nos coloca frente a frente com questões mais amplas de classe social, identidade e o peso das relações de poder.

Apesar de seu ritmo mais lento e de algumas limitações no enredo, A Empregada é um filme que se destaca por sua profundidade e sensibilidade, sendo um excelente exemplo de cinema latino-americano. A obra é um estudo minucioso da solidão, da resistência e das pequenas revoluções cotidianas, que muitos podem encontrar na sua luta por respeito e dignidade.


Nota Final: 8/10

Com uma direção sensível, uma atuação impressionante de Catalina Saavedra e uma reflexão interessante sobre as relações de classe, A Empregada é um filme que vale a pena ser assistido, especialmente para aqueles que apreciam narrativas mais sutis e introspectivas. A construção lenta e cuidadosa dos personagens e suas dinâmicas tornam-no um retrato fiel de um sistema de relações profundamente enraizado, onde a desigualdade social se revela em pequenas tensões e gestos cotidianos.

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Publicado em:Diário do Flogão - Previsão do Futuro e do Passado | Máquina do Tempo Online

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