Lista dos melhores filmes da Dinamarca: 10 obras essenciais do cinema dinamarquês
Uma seleção de grandes produções da Dinamarca reúne clássicos de Carl Theodor Dreyer, o impacto do Dogma 95, dramas de Thomas Vinterberg, obras de Lars von Trier e filmes que levaram o cinema dinamarquês ao reconhecimento internacional.
A Lista dos melhores filmes da Dinamarca revela uma cinematografia muito mais ampla do que os estereótipos associados ao cinema escandinavo. Ao longo de décadas, diretores dinamarqueses construíram uma tradição marcada por dramas psicológicos, questões religiosas, conflitos familiares, dilemas morais, humor ácido, violência urbana e experiências formais que influenciaram cineastas de diferentes países.
Do rigor espiritual de Ordet, clássico de 1955 dirigido por Carl Theodor Dreyer, ao impacto internacional de Another Round, vencedor do Oscar de melhor filme internacional, a produção cinematográfica da Dinamarca passou por diferentes fases sem perder uma característica recorrente: a disposição para colocar personagens diante de conflitos humanos difíceis.
Esta Lista dos melhores filmes da Dinamarca também passa obrigatoriamente pelo Dogma 95, movimento criado por Lars von Trier e Thomas Vinterberg em 1995. A proposta valorizava recursos simples, filmagens em locação, câmera na mão e maior atenção às atuações e à força dramática das histórias. Festen, de Vinterberg, tornou-se um dos exemplos mais importantes dessa transformação.
A seleção abaixo não representa uma classificação absoluta. São dez filmes de períodos, estilos e propostas diferentes que ajudam a compreender a dimensão do cinema dinamarquês.
O que torna o cinema dinamarquês tão marcante?
Antes de conhecer a Lista dos melhores filmes da Dinamarca, é importante entender alguns elementos que aparecem repetidamente nessa cinematografia.
O primeiro é a valorização do conflito humano. Mesmo quando existe uma grande produção, o centro da narrativa normalmente continua sendo uma pessoa diante de uma decisão, uma crise familiar, uma questão de fé ou um problema moral.
Outro aspecto importante é a disposição para abordar temas desconfortáveis. Abuso, culpa, intolerância, religião, alcoolismo, violência, desigualdade e exclusão social aparecem em diferentes períodos do cinema do país.
A tradição também passa pela literatura, pelo teatro e por uma forte preocupação com a linguagem cinematográfica. Em Ordet, por exemplo, Dreyer transforma uma peça teatral em uma experiência visual baseada em silêncio, composição e longos planos.
Décadas depois, o Dogma 95 buscaria praticamente o caminho oposto: retirar parte do aparato tradicional do cinema para aproximar a câmera dos personagens.
O resultado é uma cinematografia em que obras visualmente muito diferentes podem compartilhar a mesma preocupação com a condição humana.
Lista dos melhores filmes da Dinamarca
1. Ordet (1955)
Poucos títulos são tão importantes para compreender a história do cinema dinamarquês quanto Ordet.
Dirigido por Carl Theodor Dreyer e baseado na peça de Kaj Munk, o filme acompanha uma família rural marcada por conflitos religiosos. Entre os filhos do patriarca estão Mikkel, que perdeu a fé, e Johannes, que acredita ser uma espécie de encarnação de Cristo. O conflito se torna ainda mais intenso quando Anders se apaixona por Anne, pertencente a uma família de orientação religiosa diferente.
A narrativa poderia facilmente transformar a religião em uma disputa simplista entre personagens certos e errados. Dreyer, porém, prefere investigar a relação entre fé, dúvida, razão e amor.
Direção e linguagem visual
A câmera de Dreyer é extremamente controlada. Em vez de cortes rápidos ou movimentos constantes, o diretor constrói cenas com enquadramentos precisos e movimentos mínimos.
O preto e branco não funciona apenas como característica histórica. A fotografia cria uma atmosfera austera, adequada à vida rural e à dimensão espiritual da história.
O silêncio também tem função dramática. Muitas cenas parecem suspensas no tempo, permitindo que expressões faciais, pausas e pequenos gestos adquiram enorme importância.
O impacto do final
O desfecho transforma Ordet em uma experiência que pode ser interpretada tanto religiosamente quanto cinematograficamente.
Dreyer não trata o acontecimento final apenas como uma resposta narrativa. O verdadeiro interesse está na maneira como o milagre altera a relação entre os personagens e obriga o espectador a reconsiderar tudo aquilo que foi discutido anteriormente sobre fé e racionalidade.
Ficha técnica
- Título brasileiro: A Palavra
- Título original: Ordet
- Ano: 1955
- País: Dinamarca
- Direção: Carl Theodor Dreyer
- Roteiro: Carl Theodor Dreyer, baseado na peça de Kaj Munk
- Elenco: Henrik Malberg, Emil Hass Christensen, Preben Lerdorff Rye, Birgitte Federspiel
- Gênero: Drama
- Duração: 126 minutos
- Fotografia: Henning Bendtsen
- Montagem: Edith Schlüssel
- Trilha sonora: Poul Schierbeck
- Produção: Carl Theodor Dreyer e equipe de produção da Palladium
- Classificação indicativa: Não aplicável de maneira uniforme às diferentes exibições atuais
Reconhecimento
Ordet recebeu o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1955 e permanece como uma das obras mais estudadas da cinematografia dinamarquesa.
Avaliação
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Ordet
O bonequinho começa sentado em silêncio, cruza os braços e observa cada conversa religiosa com expressão desconfiada. Quando chega ao final, levanta lentamente, tira o chapéu e permanece alguns segundos olhando para a tela, tentando decidir se acabou de assistir a um drama religioso ou a um milagre cinematográfico.
2. A Festa de Babette (1987)
A Festa de Babette, dirigido por Gabriel Axel, é uma das obras mais delicadas desta Lista dos melhores filmes da Dinamarca.
A história acompanha Babette, uma refugiada francesa que passa a trabalhar para duas irmãs idosas em uma comunidade extremamente religiosa. Quando recebe uma quantia inesperada de dinheiro, decide preparar um grande jantar para a pequena comunidade.
O que parece ser simplesmente uma história sobre culinária transforma-se em uma reflexão sobre prazer, generosidade, repressão e capacidade de perdoar.
A comida como linguagem
A grande força do filme está na transformação de uma refeição em acontecimento dramático.
Os personagens inicialmente enxergam os prazeres materiais com desconfiança. A comida, o vinho e a sofisticação culinária parecem incompatíveis com os princípios rígidos da comunidade.
Babette, entretanto, demonstra que uma experiência sensorial também pode ser uma forma de oferecer amor.
A preparação do jantar funciona como uma espécie de ritual. Cada prato contribui para desmontar gradualmente as barreiras entre os convidados.
Um filme sobre generosidade
A protagonista não busca simplesmente reconhecimento. Seu gesto é uma forma de expressão artística e afetiva.
Essa característica impede que A Festa de Babette seja reduzido a um filme gastronômico.
A culinária é apenas o instrumento utilizado para falar sobre algo maior: a possibilidade de entregar aos outros aquilo que temos de mais valioso.
Ficha técnica
- Título brasileiro: A Festa de Babette
- Título original: Babettes gæstebud
- Ano: 1987
- País: Dinamarca
- Direção: Gabriel Axel
- Roteiro: Gabriel Axel, baseado em obra de Karen Blixen
- Elenco: Stéphane Audran, Birgitte Federspiel, Bodil Kjer
- Gênero: Drama
- Duração: 102 minutos
- Fotografia: Henning Kristiansen
- Montagem: Finn Henriksen
- Trilha sonora: Per Nørgård
- Produção: Just Betzer, Bo Christensen e Benni Korzen
- Classificação indicativa: Pode variar conforme a exibição
Reconhecimento
O longa entrou para a história ao conquistar o Oscar de melhor filme estrangeiro, tornando-se o primeiro filme dinamarquês vencedor da categoria.
Avaliação
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de A Festa de Babette
O bonequinho passa boa parte do filme sentado educadamente, mas quando o banquete começa ele abandona qualquer postura de austeridade. Termina a sessão segurando um guardanapo em uma mão e procurando discretamente onde está a cozinha.
3. Pelle, o Conquistador (1987)
Dirigido por Bille August, Pelle, o Conquistador acompanha um pai e seu filho, imigrantes suecos que chegam à Dinamarca em busca de melhores condições de vida.
A história se passa em um ambiente rural marcado pela pobreza e pela exploração. O pequeno Pelle precisa amadurecer rapidamente enquanto observa o pai enfrentar condições de trabalho extremamente duras.
O filme combina uma narrativa de formação com um retrato social de grande alcance.
Uma história sobre sobrevivência
O título poderia sugerir uma aventura tradicional, mas o verdadeiro “conquistador” é aquele que consegue preservar a esperança.
Pelle está cercado por adultos que perderam parte de seus sonhos. O garoto, porém, continua imaginando uma vida diferente.
A fotografia reforça esse contraste ao apresentar paisagens amplas que não necessariamente significam liberdade. O horizonte existe, mas os personagens continuam presos às circunstâncias econômicas e sociais.
Ficha técnica
- Título brasileiro: Pelle, o Conquistador
- Título original: Pelle Erobreren
- Ano: 1987
- País: Dinamarca e Suécia
- Direção: Bille August
- Roteiro: Bille August, Per Olov Enquist, Bjarne Reuter e colaboradores
- Elenco: Pelle Hvenegaard, Max von Sydow, Erik Paaske, Bjørn Granath
- Gênero: Drama
- Duração: 157 minutos
- Fotografia: Jörgen Persson
- Montagem: Janus Billeskov Jansen
- Trilha sonora: Stefan Nilsson
- Produção: Per Holst e equipes dinamarquesa e sueca
- Classificação indicativa: Pode variar conforme a edição
Reconhecimento
Pelle, o Conquistador venceu a Palma de Ouro em Cannes e posteriormente recebeu o Oscar de melhor filme estrangeiro.
Avaliação
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Pelle, o Conquistador
O bonequinho assiste com os punhos fechados, indignado com cada injustiça sofrida pelos personagens. No final, coloca uma mochila nas costas, olha para o horizonte e decide que também vai conquistar alguma coisa na vida.
4. Festen — Festa de Família (1998)
Poucos filmes representam tão bem a revolução estética do cinema dinamarquês quanto Festen, também conhecido como Festa de Família.
O longa acompanha uma família reunida para comemorar o aniversário de 60 anos do patriarca. O evento, inicialmente apresentado como uma celebração elegante, começa a desmoronar quando uma revelação devastadora é feita durante o jantar.
É o primeiro filme realizado segundo os princípios do Dogma 95 e um dos trabalhos mais importantes de Thomas Vinterberg.
O poder da câmera imperfeita
A estética de Festen é deliberadamente crua.
A câmera portátil, a iluminação natural e a aparência pouco polida ajudam a criar a sensação de que o espectador está dentro daquela festa.
Não existe uma distância confortável entre público e personagens. Quando os conflitos explodem, a câmera permanece próxima.
A família como palco
O filme utiliza uma festa para discutir algo muito maior: a capacidade das famílias de esconder seus próprios traumas.
Os convidados continuam tentando manter alguma aparência de normalidade mesmo quando a situação já se tornou impossível de ignorar.
O humor ácido é importante porque impede que a obra se transforme apenas em um drama pesado. O constrangimento e o absurdo caminham juntos.
Ficha técnica
- Título brasileiro: Festa de Família
- Título original: Festen
- Ano: 1998
- País: Dinamarca
- Direção: Thomas Vinterberg
- Roteiro: Thomas Vinterberg e Mogens Rukov
- Elenco: Ulrich Thomsen, Henning Moritzen, Thomas Bo Larsen, Paprika Steen, Birthe Neumann, Trine Dyrholm
- Gênero: Comédia dramática
- Duração: aproximadamente 105 minutos
- Fotografia: Anthony Dod Mantle
- Montagem: Valdís Óskarsdóttir
- Trilha sonora: predominantemente baseada no som diegético, de acordo com os princípios do Dogma 95
- Produção: Birgitte Hald
- Classificação indicativa: Pode variar conforme a edição
Reconhecimento
Festen recebeu o Prêmio do Júri em Cannes e tornou-se uma referência internacional do Dogma 95.
Avaliação
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Festen
O bonequinho chega à festa sorrindo, pega um copo e senta perto da mesa. Cinco minutos depois, começa a olhar para a porta. No final, está escondido atrás de uma cortina, torcendo para ninguém lembrar que ele também foi convidado.
5. Ondas do Destino (1996)
Lars von Trier levou seu cinema para uma dimensão ainda mais radical em Ondas do Destino.
A protagonista Bess é uma jovem profundamente religiosa que vive em uma comunidade pequena e conservadora na Escócia. Depois que seu marido sofre um acidente que o deixa gravemente incapacitado, ela começa a acreditar que seus sacrifícios podem ajudá-lo.
O filme transforma amor, fé e sofrimento em uma narrativa extremamente desconfortável.
A interpretação de Emily Watson
Emily Watson estreou no cinema em papel de enorme intensidade emocional. Bess é simultaneamente ingênua, apaixonada, determinada e vulnerável.
A interpretação evita transformar a personagem em uma simples vítima. Ela possui desejos próprios e toma decisões que podem ser interpretadas de maneiras completamente diferentes dependendo da perspectiva do espectador.
Uma estética entre o realismo e o sagrado
A câmera instável e a fotografia granulada aproximam a história do documentário, enquanto os capítulos e as músicas criam uma estrutura quase religiosa.
Essa contradição é essencial para compreender o filme.
O mundo de Bess parece concreto e brutal, mas a personagem o interpreta através de uma lógica espiritual.
Ficha técnica
- Título brasileiro: Ondas do Destino
- Título original: Breaking the Waves
- Ano: 1996
- País: Dinamarca, Suécia, França e outros países europeus
- Direção: Lars von Trier
- Roteiro: Lars von Trier e Peter Asmussen
- Elenco: Emily Watson, Stellan Skarsgård, Katrin Cartlidge, Jean-Marc Barr, Udo Kier
- Gênero: Drama, romance
- Duração: aproximadamente 159 minutos
- Fotografia: Robby Müller
- Montagem: Anders Refn
- Trilha sonora: Joachim Holbek, com utilização marcante de músicas de rock
- Produção: Peter Aalbæk Jensen e Vibeke Windeløv
- Classificação indicativa: Obra destinada ao público adulto
Reconhecimento
Ondas do Destino recebeu o Grande Prêmio do Júri em Cannes e tornou-se um dos filmes mais conhecidos da carreira de Lars von Trier.
Avaliação
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Ondas do Destino
O bonequinho começa sentado normalmente, mas rapidamente percebe que a sessão não será fácil. No decorrer da história, ele passa da apreensão ao choque e termina abraçado a uma caixa de lenços, olhando para os créditos como quem precisa de alguns minutos para se recuperar.
6. Pusher (1996)
Para quem procura uma faceta mais urbana e criminosa na Lista dos melhores filmes da Dinamarca, Pusher é uma escolha fundamental.
O primeiro longa de Nicolas Winding Refn acompanha Frank, um traficante de drogas de Copenhague que perde uma grande quantidade de dinheiro em uma negociação malsucedida e passa a correr contra o tempo para pagar uma dívida.
A história é simples, mas a execução transforma a cidade em um ambiente claustrofóbico.
Copenhague longe do cartão-postal
Pusher apresenta uma Copenhague noturna, suja, perigosa e dominada por pequenos criminosos.
A cidade não é apenas cenário. Ela funciona como extensão psicológica do protagonista.
À medida que Frank perde controle sobre a própria vida, os espaços parecem ficar menores.
O surgimento de uma carreira
O filme também é importante por marcar a estreia de Mads Mikkelsen no cinema.
Seu papel é secundário, mas ajudou a iniciar uma trajetória que posteriormente o levaria a alguns dos maiores filmes dinamarqueses contemporâneos.
Ficha técnica
- Título: Pusher
- Título original: Pusher
- Ano: 1996
- País: Dinamarca
- Direção: Nicolas Winding Refn
- Roteiro: Nicolas Winding Refn e Jens Dahl
- Elenco: Kim Bodnia, Zlatko Burić, Laura Drasbæk, Mads Mikkelsen
- Gênero: Crime, suspense, drama
- Duração: aproximadamente 105 minutos
- Fotografia: Morten Søborg
- Montagem: Anne Østerud
- Trilha sonora: Povl Kristian e Peter Peter
- Produção: Henrik Danstrup
- Classificação indicativa: Obra destinada ao público adulto
Avaliação
⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de Pusher
O bonequinho começa a sessão tranquilo. Dez minutos depois, verifica se a porta está trancada. No final, está olhando para todos os personagens como se qualquer pessoa na rua pudesse estar atrás dele.
7. A Caça (2012)
A Caça é um dos dramas mais contundentes de Thomas Vinterberg.
Mads Mikkelsen interpreta Lucas, um professor de educação infantil cuja vida muda completamente depois que uma criança faz uma acusação contra ele.
A história examina como uma suspeita pode se transformar em certeza coletiva antes que os fatos sejam devidamente compreendidos.
A força do roteiro
O grande mérito de A Caça está em não depender de grandes reviravoltas artificiais.
O terror surge da reação das pessoas comuns.
Amigos se afastam, vizinhos passam a desconfiar e instituições começam a agir com base em percepções que se tornam cada vez mais difíceis de questionar.
Mads Mikkelsen
A atuação de Mikkelsen é baseada principalmente na contenção.
Lucas não precisa discursar constantemente para comunicar sofrimento. Pequenas alterações no rosto e no comportamento revelam o impacto do isolamento.
O resultado é uma atuação que sustenta grande parte da tensão psicológica do longa.
Ficha técnica
- Título brasileiro: A Caça
- Título original: Jagten
- Ano: 2012
- País: Dinamarca
- Direção: Thomas Vinterberg
- Roteiro: Thomas Vinterberg e Tobias Lindholm
- Elenco: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Annika Wedderkopp, Alexandra Rapaport
- Gênero: Drama psicológico
- Duração: 115 minutos
- Fotografia: Charlotte Bruus Christensen
- Montagem: Anne Østerud e Janus Billeskov Jansen
- Trilha sonora: Nikolaj Egelund
- Produção: Sisse Graum Jørgensen e Morten Kaufmann
- Classificação indicativa: Obra destinada ao público adulto
Reconhecimento
Mads Mikkelsen recebeu o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes por sua interpretação.
Avaliação
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de A Caça
O bonequinho começa acreditando que vai assistir a um drama social. Logo passa a olhar para a tela com os olhos arregalados. No final, está sentado imóvel, indignado com a velocidade com que uma comunidade inteira pode transformar dúvida em condenação.
8. Um Caso Real (2012)
Um Caso Real, dirigido por Nikolaj Arcel, apresenta uma combinação de drama histórico, romance e disputa política.
A história acompanha a rainha Caroline Matilda, o rei Christian VII e o médico Johann Friedrich Struensee, personagem que ganha enorme influência dentro da corte dinamarquesa.
Política e transformação social
O filme usa o romance como porta de entrada para discutir transformações políticas e intelectuais.
Struensee representa ideias iluministas que entram em choque com estruturas tradicionais de poder.
Assim, Um Caso Real consegue funcionar simultaneamente como romance, drama de corte e narrativa política.
A direção de Nikolaj Arcel
A produção apresenta uma escala maior do que os filmes associados ao Dogma 95.
Figurinos, palácios, paisagens e reconstruções históricas ajudam a transportar o espectador para o século XVIII.
Apesar disso, a narrativa permanece concentrada nas relações entre os personagens.
Ficha técnica
- Título brasileiro: Um Caso Real
- Título original: En kongelig affære
- Ano: 2012
- País: Dinamarca, Suécia, Alemanha e República Tcheca
- Direção: Nikolaj Arcel
- Roteiro: Nikolaj Arcel e Rasmus Heisterberg
- Elenco: Mads Mikkelsen, Alicia Vikander, Mikkel Boe Følsgaard
- Gênero: Drama histórico, romance
- Duração: 137 minutos
- Fotografia: Rasmus Videbæk
- Montagem: Kasper Leick e Mikkel E.G. Nielsen
- Trilha sonora: Cyrille Aufort e Gabriel Yared
- Produção: Meta Louise Foldager, Sisse Graum Jørgensen e Louise Vesth
- Classificação indicativa: Pode variar conforme a edição
Avaliação
⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de Um Caso Real
O bonequinho coloca uma peruca de época, senta em uma cadeira imaginária da corte e passa a sessão inteira tentando descobrir quem está tramando contra quem. Quando os créditos sobem, ele ainda está tentando organizar mentalmente a árvore genealógica.
9. Dançando no Escuro (2000)
Lars von Trier mistura melodrama, musical e tragédia em Dançando no Escuro.
Björk interpreta Selma, uma imigrante tcheca que trabalha em uma fábrica nos Estados Unidos. Ela está perdendo a visão e tenta economizar dinheiro para garantir o tratamento do filho, que pode enfrentar um problema semelhante.
A narrativa transforma a imaginação musical da protagonista em uma espécie de refúgio psicológico.
O contraste entre realidade e fantasia
As cenas realistas são frequentemente ásperas e desconfortáveis. Quando Selma imagina números musicais, entretanto, o filme muda de energia.
A música não elimina os problemas. Ela permite que a personagem os experimente de outra maneira.
Esse contraste torna Dançando no Escuro particularmente interessante porque o musical, tradicionalmente associado à fantasia e ao escapismo, é transformado em instrumento para aprofundar uma tragédia.
Björk
A atuação de Björk é inseparável da identidade do filme.
Sua Selma possui uma inocência quase infantil, mas também uma determinação que se torna cada vez mais dolorosa conforme a história avança.
A própria música participa da construção da personagem.
Ficha técnica
- Título brasileiro: Dançando no Escuro
- Título original: Dancer in the Dark
- Ano: 2000
- País: Dinamarca
- Direção: Lars von Trier
- Roteiro: Lars von Trier
- Elenco: Björk, Catherine Deneuve, David Morse, Peter Stormare, Jean-Marc Barr
- Gênero: Drama musical
- Duração: 139 minutos
- Fotografia: Robby Müller
- Montagem: Molly Malene Stensgaard e François Gedigier
- Trilha sonora: Björk
- Produção: Vibeke Windeløv, Peter Aalbæk Jensen e equipe internacional
- Classificação indicativa: Obra destinada ao público adulto
Reconhecimento
Dançando no Escuro venceu a Palma de Ouro em Cannes em 2000, enquanto Björk recebeu o prêmio de melhor atriz.
Avaliação
⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de Dançando no Escuro
O bonequinho começa dançando alegremente, convencido de que encontrou um musical. Aos poucos, a dança desaparece, o sorriso também e, quando percebe, ele está sentado no escuro olhando para os créditos sem dizer uma palavra.
10. Druk: Mais uma Rodada (2020)
Fechando a Lista dos melhores filmes da Dinamarca, Druk: Mais uma Rodada representa uma das fases mais recentes e internacionalmente reconhecidas do cinema de Thomas Vinterberg.
O filme acompanha quatro professores que decidem testar uma teoria segundo a qual manter determinado nível de álcool no organismo poderia melhorar a vida social e profissional.
A experiência inicialmente parece funcionar.
O problema é que o grupo começa a ultrapassar os limites do próprio experimento.
Uma comédia que esconde um drama
A grande qualidade de Druk: Mais uma Rodada está na capacidade de mudar de tom.
Existem momentos genuinamente engraçados, mas o humor gradualmente dá lugar a questões sobre envelhecimento, casamento, trabalho, amizade e necessidade de recuperar o entusiasmo pela vida.
O álcool funciona como elemento narrativo, mas o filme não se limita a discutir bebida.
O verdadeiro tema é a dificuldade de encontrar equilíbrio entre responsabilidade e desejo de viver intensamente.
Mads Mikkelsen e a sequência final
Mads Mikkelsen interpreta Martin, um professor que perdeu parte da conexão com seus alunos, sua profissão e sua família.
Sua transformação ao longo da história é gradual.
O desempenho ganha força justamente porque Martin não é apresentado como um homem completamente diferente no final. Ele continua carregando seus problemas, mas recupera uma parcela de energia que parecia perdida.
Ficha técnica
- Título brasileiro: Druk: Mais uma Rodada
- Título original: Druk
- Ano: 2020
- País: Dinamarca
- Direção: Thomas Vinterberg
- Roteiro: Thomas Vinterberg e Tobias Lindholm
- Elenco: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Lars Ranthe, Magnus Millang
- Gênero: Comédia dramática
- Duração: aproximadamente 116 minutos
- Fotografia: Sturla Brandth Grøvlen
- Montagem: Anne Østerud e Janus Billeskov Jansen
- Trilha sonora: diversos temas e músicas utilizados ao longo da narrativa
- Produção: Sisse Graum Jørgensen e Kasper Dissing
- Classificação indicativa: Obra destinada ao público adulto
Reconhecimento
Druk: Mais uma Rodada venceu o Oscar de melhor filme internacional em 2021 e recebeu outras importantes indicações internacionais, incluindo uma indicação para Thomas Vinterberg na categoria de direção.
Avaliação
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Druk: Mais uma Rodada
O bonequinho começa a sessão sério e cansado. Depois de alguns minutos, começa a sorrir. Perto do final, levanta da cadeira e ensaia alguns passos de dança. Quando os créditos terminam, ele volta a sentar e pensa cuidadosamente sobre as escolhas da própria vida.
O que é o Dogma 95 e por que ele é importante para o cinema dinamarquês?
O Dogma 95 foi criado em 1995 pelos cineastas Lars von Trier e Thomas Vinterberg e se tornou um dos movimentos cinematográficos mais influentes do cinema europeu contemporâneo.
A proposta defendia uma redução deliberada dos recursos tradicionais do cinema.
Entre os princípios estavam a utilização de locações reais, câmera na mão, restrições à iluminação artificial e rejeição de diversos recursos destinados a produzir uma aparência excessivamente controlada.
A ideia não era simplesmente economizar dinheiro.
O movimento pretendia recolocar a atenção na história, nos atores e nos ambientes.
Festen é provavelmente o exemplo mais emblemático dessa filosofia.
O impacto ultrapassou a Dinamarca. Outros cineastas passaram a experimentar câmeras digitais, locações reais, equipes menores e estilos menos convencionais.
Mesmo filmes posteriores que não seguem formalmente as regras do movimento carregam parte dessa herança.
Carl Theodor Dreyer e as origens da tradição dinamarquesa
Nenhuma Lista dos melhores filmes da Dinamarca estaria completa sem Carl Theodor Dreyer.
Antes do Dogma 95, Dreyer já havia desenvolvido uma linguagem cinematográfica profundamente autoral.
Em Ordet, sua câmera é disciplinada e os movimentos são econômicos.
A preocupação com religião também atravessa outros trabalhos do diretor.
Dreyer demonstrou que um cinema visualmente simples poderia ser formalmente sofisticado e emocionalmente poderoso.
Sua influência pode ser percebida não apenas na Dinamarca, mas também na história do cinema europeu.
Lars von Trier e a internacionalização do cinema dinamarquês
Lars von Trier ocupa posição central na história moderna do cinema dinamarquês.
Sua filmografia atravessa diferentes gêneros e estilos. Ele trabalhou com suspense, drama, musical, ficção científica e experimentações narrativas.
Dançando no Escuro demonstra sua capacidade de desconstruir o musical, enquanto Ondas do Destino utiliza o melodrama para discutir fé, sofrimento e amor.
Sua importância também está relacionada à criação do Dogma 95 ao lado de Thomas Vinterberg.
Thomas Vinterberg e o novo cinema dinamarquês
Thomas Vinterberg aparece duas vezes com destaque nesta seleção.
Festen representa sua fase inicial e experimental, enquanto A Caça e Druk: Mais uma Rodada mostram um diretor capaz de trabalhar com estruturas cinematográficas mais convencionais sem abandonar seus principais interesses.
Família, responsabilidade, culpa, relações sociais e a dificuldade de encontrar equilíbrio aparecem repetidamente em sua obra.
Quais são os temas mais comuns nos melhores filmes dinamarqueses?
Os filmes desta Lista dos melhores filmes da Dinamarca apresentam histórias muito diferentes, mas alguns temas se repetem.
Fé e dúvida
Ordet transforma a fé em conflito dramático.
Ondas do Destino investiga a relação entre religião e sacrifício.
Família e aparência social
Festen demonstra como uma família pode construir uma fachada de normalidade enquanto esconde acontecimentos traumáticos.
Julgamento coletivo
A Caça investiga os perigos de uma sociedade que transforma suspeita em condenação.
Pobreza e desigualdade
Pelle, o Conquistador utiliza uma história de infância para mostrar relações de exploração e desigualdade.
Liberdade e excesso
Druk: Mais uma Rodada transforma uma experiência com álcool em reflexão sobre envelhecimento, liberdade e responsabilidade.
Qual filme dinamarquês escolher para começar?
Para quem nunca assistiu ao cinema dinamarquês, a escolha pode depender do estilo preferido.
Quem gosta de clássicos e cinema contemplativo pode começar por Ordet.
Para quem prefere dramas familiares intensos, Festen apresenta uma experiência particularmente concentrada.
Quem procura drama psicológico, A Caça é uma escolha natural.
Para quem prefere histórias de crime, Pusher apresenta uma versão mais sombria da Dinamarca.
Quem gosta de romances históricos pode experimentar Um Caso Real.
Para uma mistura de humor, drama e reflexão existencial, Druk: Mais uma Rodada oferece uma das portas de entrada mais acessíveis para o cinema dinamarquês contemporâneo.
Final explicado: por que esses filmes permanecem importantes?
Não existe um único estilo capaz de definir o cinema da Dinamarca.
Ordet utiliza o silêncio e a composição rigorosa.
A Festa de Babette transforma uma refeição em uma celebração da generosidade.
Pelle, o Conquistador utiliza uma narrativa de formação para discutir desigualdade.
Festen desmonta a fachada de uma família.
Ondas do Destino questiona os limites da fé e do sacrifício.
Pusher transforma Copenhague em um labirinto criminal.
A Caça investiga o perigo do julgamento coletivo.
Um Caso Real combina romance e transformação política.
Dançando no Escuro transforma o musical em tragédia.
E Druk: Mais uma Rodada questiona até que ponto uma pessoa pode recuperar a vontade de viver sem perder o controle da própria vida.
É justamente essa diversidade que torna a Lista dos melhores filmes da Dinamarca tão interessante. O cinema dinamarquês não depende de uma fórmula única. Ele pode ser contemplativo ou frenético, religioso ou secular, realista ou experimental, engraçado ou devastador.
Mais do que apresentar uma sequência de títulos famosos, esta seleção mostra uma tradição cinematográfica construída sobre personagens complexos e perguntas difíceis. Da obra de Dreyer às experiências do Dogma 95 e aos dramas contemporâneos de Vinterberg, a Dinamarca construiu uma presença internacional desproporcional ao tamanho de seu país.
Para quem deseja descobrir o cinema dinamarquês, esses dez filmes oferecem um percurso que atravessa mais de seis décadas e diferentes gerações de cineastas — do preto e branco de Ordet à energia contemporânea de Druk: Mais uma Rodada.
Para quem pesquisa a Lista dos melhores filmes da Dinamarca, o ponto mais importante é justamente esse: não existe apenas um cinema dinamarquês, mas várias gerações de autores que encontraram maneiras diferentes de transformar conflitos humanos em grandes experiências cinematográficas.
Por: Alexandre lavrador. Opinião do Blogueiro.
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