Lista dos melhores filmes das Maurícias: 10 obras para conhecer o cinema mauriciano
Uma seleção de filmes que revelam diferentes faces das Maurícias, entre dramas sociais, histórias familiares, comédias, thrillers e obras que retratam as transformações culturais e econômicas do arquipélago.
Introdução
A Lista dos melhores filmes das Maurícias ajuda a descobrir uma cinematografia ainda pouco conhecida pelo público brasileiro, mas que possui obras capazes de abordar temas universais a partir de uma perspectiva profundamente ligada ao Oceano Índico. O cinema mauriciano combina influências africanas, indianas, europeias e crioulas, refletindo a própria formação multicultural da sociedade das Maurícias.
Embora a produção cinematográfica local tenha enfrentado dificuldades para estabelecer uma indústria contínua, cineastas mauricianos desenvolveram trabalhos relevantes em diferentes formatos. Entre eles estão dramas sobre desigualdade social, histórias relacionadas ao fim da economia açucareira, comédias sobre identidade e envelhecimento, além de thrillers ambientados em uma sociedade marcada por conflitos familiares e transformações econômicas.
Nesta Lista dos melhores filmes das Maurícias, o critério principal é a relevância cinematográfica, cultural e histórica das obras. A seleção também procura apresentar diferentes períodos e estilos, permitindo compreender como o cinema do país evoluiu.
Como surgiu o cinema das Maurícias?
A história cinematográfica das Maurícias é relativamente recente quando comparada às grandes indústrias cinematográficas mundiais. Produções domésticas já eram realizadas de maneira esporádica desde meados do século XX, mas foi principalmente a partir das décadas seguintes que surgiram iniciativas para estruturar o setor.
A criação de instituições de desenvolvimento cinematográfico contribuiu para estimular produções locais e também para atrair equipes estrangeiras interessadas nas paisagens da ilha. Ao mesmo tempo, festivais dedicados aos curtas-metragens ajudaram novos diretores a experimentar diferentes linguagens.
O resultado é uma cinematografia que frequentemente trabalha com orçamentos modestos, mas encontra força justamente na proximidade com seus personagens, paisagens e conflitos sociais.
Outro aspecto importante é a diversidade linguística. Francês, inglês e crioulo mauriciano aparecem em diferentes produções, enquanto a herança cultural indiana também exerce influência sobre personagens, famílias e ambientes.
Lista dos melhores filmes das Maurícias
1. Bénarès
Entre os títulos fundamentais da Lista dos melhores filmes das Maurícias, Bénarès ocupa uma posição especial por sua importância histórica.
Dirigido e escrito por Barlen Pyamootoo, o longa acompanha dois jovens que deixam sua aldeia e percorrem a ilha em uma jornada aparentemente simples, mas que acaba funcionando como uma observação da sociedade mauriciana. A viagem transforma-se em uma experiência marcada por encontros, desejos, frustrações e uma sensação constante de deslocamento.
Um dos elementos mais importantes é o uso do crioulo mauriciano. A escolha linguística aproxima o filme da realidade cotidiana da população e ajuda a construir uma identidade cinematográfica própria.
A narrativa não depende de grandes acontecimentos. Seu interesse está justamente na atmosfera, nas conversas e na maneira como os personagens observam o mundo ao redor.
Por que assistir?
Bénarès é indicado principalmente para quem deseja conhecer o cinema mauriciano de caráter autoral. É um filme contemplativo, interessado mais na experiência dos personagens do que em uma sucessão convencional de acontecimentos.
Ficha técnica
- Título brasileiro: Bénarès
- Título original: Bénarès
- Ano: 2005/2006
- País: Maurícias e França
- Direção: Barlen Pyamootoo
- Roteiro: Barlen Pyamootoo
- Elenco: Davidsen Kamanah, Sandra Faro, Jérôme Boulle, Kristeven Mootien, Vanessa Li Lun Yuk e Danielle Dalbert
- Gênero: Drama
- Duração: aproximadamente 75 a 80 minutos
- Idioma: Crioulo mauriciano
- Produção: Artcam International
Nota
⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de Bénarès
O bonequinho assiste em silêncio, com os braços apoiados no queixo, completamente envolvido pela viagem dos personagens e pelas pequenas descobertas feitas ao longo do caminho.
2. Les enfants de Troumaron
Se existe um filme essencial para compreender as desigualdades presentes na sociedade mauriciana, Les enfants de Troumaron merece atenção especial.
Dirigido por Harrikrisna Anenden e Sharvan Anenden, o drama acompanha quatro jovens que vivem em uma região pobre de Port Louis. Cada personagem enfrenta uma situação diferente, mas todos compartilham a dificuldade de encontrar perspectivas de futuro.
Sadiq sonha em ser poeta, Eve tenta sobreviver em circunstâncias extremamente difíceis, Clélio convive com a violência e a revolta, enquanto Savita procura uma saída para uma realidade que parece limitar suas escolhas.
O roteiro aborda pobreza, desigualdade, violência, sexualidade, falta de oportunidades e conflitos entre diferentes segmentos da sociedade.
O filme ganhou reconhecimento internacional, incluindo o prêmio de melhor filme no Africa Movie Academy Awards e distinções em festivais africanos.
Análise
A principal força de Les enfants de Troumaron está na maneira como os problemas sociais são apresentados por meio de personagens concretos.
Em vez de transformar a pobreza em simples pano de fundo, a produção coloca seus jovens protagonistas no centro da narrativa. A cidade torna-se praticamente um personagem adicional, determinando os limites dentro dos quais eles precisam tomar decisões.
Ficha técnica
- Título brasileiro: Os Filhos de Troumaron
- Título original: Les enfants de Troumaron
- Ano: 2012
- País: Maurícias
- Direção: Harrikrisna Anenden e Sharvan Anenden
- Roteiro: Ananda Devi
- Elenco: Kitty Philips, Roshan Hassamal, Kristeven Mootien, Vinaya Sungkur, Thierry Françoise e Palmesh Cuttaree
- Gênero: Drama
- Duração: aproximadamente 92 minutos
- Fotografia: Piotr Jaxa
- Montagem: Catherine Le Mignant-Labye
Nota
⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de Les enfants de Troumaron
O bonequinho começa sentado normalmente, mas rapidamente abandona a pipoca. No final, está de pé, sério e pensativo, tentando digerir tudo o que acabou de testemunhar.
3. Lonbraz Kann
Poucos filmes representam tão bem as transformações econômicas e sociais das Maurícias quanto Lonbraz Kann.
Dirigido por David Constantin, o longa acompanha trabalhadores de uma antiga usina de açúcar diante do encerramento das atividades. A mudança não significa apenas perder um emprego: representa o desaparecimento de uma forma inteira de vida.
Marco, Bissoon e seus amigos construíram suas existências em torno da indústria açucareira. Quando a fábrica fecha, o espaço que conheciam começa a ser transformado para receber novos empreendimentos imobiliários.
A cana-de-açúcar, portanto, deixa de ser apenas parte da paisagem e passa a simbolizar memória, identidade e pertencimento.
Direção e fotografia
David Constantin utiliza a paisagem das Maurícias de maneira bastante diferente da imagem turística tradicional.
Em vez de apresentar somente praias, mar azul e resorts, Lonbraz Kann mostra campos, trabalhadores, construções e comunidades ameaçadas pela transformação econômica.
A fotografia reforça o contraste entre o passado e o futuro: de um lado, a paisagem rural ligada à cana; do outro, o desenvolvimento imobiliário que avança sobre ela.
O filme recebeu reconhecimento internacional, incluindo prêmio de roteiro no Festival Internacional de Cinema de Durban e dois prêmios técnicos no Africa Movie Academy Awards.
Ficha técnica
- Título brasileiro: Lonbraz Kann
- Título original: Lonbraz Kann
- Ano: 2014
- País: Maurícias
- Direção: David Constantin
- Roteiro: Sabrina Compeyron e David Constantin
- Elenco: Raj Bumma, David Bhowaneedin, Nalini Aubeeluck, Jean-Claude Catheya, Jérôme Boulle e Bernard Li Kwong Ken
- Gênero: Drama
- Duração: 88 minutos
- Fotografia: Sabine Lancelin
- Montagem: Morgane Spacagna
- Idioma: Crioulo mauriciano
- Produção: Caméléon Production, Atopic e Lithops Films
Nota
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Lonbraz Kann
O bonequinho está sentado em uma velha cadeira de madeira, olhando para a tela com expressão melancólica. Quando percebe o que está acontecendo com a antiga paisagem, ele suspira profundamente.
4. Made in Mauritius
Para quem prefere uma experiência mais curta, Made in Mauritius é uma excelente porta de entrada para o cinema do país.
O curta acompanha Bissoon, um agricultor aposentado que descobre que o fusível de seu antigo rádio queimou. Ao procurar uma peça de reposição, ele descobre que o produto deixou de existir e recebe como alternativa um aparelho moderno produzido na China.
A situação aparentemente banal transforma-se em uma pequena sátira sobre globalização, consumo e desaparecimento de objetos e hábitos tradicionais.
Com apenas sete minutos, o filme consegue discutir questões econômicas e culturais sem perder o humor.
Curiosidade
Made in Mauritius foi selecionado para o Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, um dos eventos mais importantes dedicados ao formato.
Ficha técnica
- Título: Made in Mauritius
- Ano: 2009
- País: Maurícias
- Direção: David Constantin
- Roteiro: David Constantin
- Elenco: Raj Bumma e Liang Xi Gui
- Gênero: Comédia dramática
- Duração: 7 minutos
- Idioma: Crioulo mauriciano
- Fotografia: Stephan Bellerose
- Montagem: David Constantin
Nota
⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de Made in Mauritius
O bonequinho começa confuso diante do problema do rádio e termina gargalhando diante da ironia. Quando percebe a crítica à globalização, faz aquele famoso gesto de “agora entendi!”.
5. The Blue Penny
Entre as produções mais recentes da Lista dos melhores filmes das Maurícias, The Blue Penny representa uma tentativa de explorar o thriller dentro de uma produção cinematográfica inteiramente ligada ao país.
O filme acompanha uma grande celebração familiar na qual antigos ressentimentos, segredos e conflitos começam a emergir. O ambiente sofisticado da festa contrasta com as tensões escondidas entre os personagens.
Dirigido por Jon Rabaud, o longa foi seu primeiro filme de longa-metragem e apresenta uma estrutura mais próxima do suspense familiar.
Análise do roteiro
O casamento funciona como uma espécie de espaço fechado onde diferentes relações entram em choque. Conforme informações do passado vêm à tona, a celebração deixa de representar união e passa a revelar divisões.
Essa escolha permite que o filme explore questões de classe, família, poder e memória sem abandonar a estrutura de thriller.
Ficha técnica
- Título: The Blue Penny
- Ano: 2023
- País: Maurícias
- Direção: Jon Rabaud
- Roteiro: Jon Rabaud
- Elenco: Robert Furlong, Clémence Soupe, Christine Gufflet, Rachel de Spéville, Vinaya Sungkur e outros
- Gênero: Thriller
- Duração: 104 minutos
- Fotografia: Olivier Marie
- Trilha sonora: William Ross
Nota
⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas
O bonequinho de The Blue Penny
O bonequinho chega à festa bem vestido, pega um canapé e começa a observar os convidados. Pouco depois, larga o prato e fica olhando para todos com a expressão de quem percebeu que aquela família esconde muita coisa.
6. The Comeback – A Tale Of Irrelevance
A comédia The Comeback – A Tale Of Irrelevance apresenta uma das propostas mais irreverentes entre os filmes associados ao cinema mauriciano.
A história acompanha três antigos astros de Bollywood que foram esquecidos pelo público e desejam recuperar a fama. Para tentar realizar o plano, eles decidem sequestrar uma estrela atualmente famosa durante uma filmagem nas Maurícias.
A situação naturalmente sai do controle e permite que o filme brinque com fama, envelhecimento, indústria cinematográfica e a necessidade de continuar relevante em uma profissão baseada fortemente na imagem.
O humor
A produção utiliza o absurdo como principal ferramenta. O sequestro, que poderia servir como ponto de partida para um thriller, transforma-se em uma situação cômica justamente porque os protagonistas estão muito mais preocupados com suas antigas carreiras do que com as consequências de seus atos.
Ficha técnica
- Título: The Comeback – A Tale Of Irrelevance
- Ano: 2019/2020
- País: Maurícias e Índia
- Direção: Sharvan Anenden
- Roteiro: Sharvan Anenden e Ananda Devi
- Elenco: Nalini Aubeeluck, Edeen Bhugeloo, Palmesh Cuttaree e Robert Furlong
- Gênero: Comédia
- Duração: aproximadamente 100 minutos
- Idioma: Inglês
Nota
⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas
O bonequinho de The Comeback – A Tale Of Irrelevance
O bonequinho passa boa parte do filme rindo e balançando a cabeça em incredulidade. Em determinados momentos, parece querer perguntar aos protagonistas: “Vocês realmente acharam que isso daria certo?”.
7. Le Coup parfait
Le Coup parfait merece espaço na Lista dos melhores filmes das Maurícias principalmente por representar o esforço de realizadores e produtores locais para construir uma produção cinematográfica independente.
O projeto está associado a Sada Rajiah, que acumulou funções de interpretação, produção e direção. Sua trajetória ligada ao teatro também ajuda a explicar a presença de uma abordagem bastante popular e próxima do público.
O filme demonstra que a produção mauriciana não se limita ao cinema autoral ou aos dramas sociais. Existe também uma vertente popular interessada em entretenimento e histórias acessíveis.
Importância
Mesmo que não possua a mesma circulação internacional de títulos como Lonbraz Kann, Le Coup parfait é representativo de uma cinematografia que busca produzir suas próprias histórias com profissionais locais.
Ficha técnica
- Título: Le Coup parfait
- Ano: 2018
- País: Maurícias
- Direção: Sada Rajiah
- Produção: Sada Rajiah e equipe local
- Gênero: Longa-metragem de produção mauriciana
Nota
⭐⭐⭐½ 3,5 de 5 estrelas
O bonequinho de Le Coup parfait
O bonequinho permanece acordado, inclina-se para frente e acompanha a história com curiosidade. Não está no limite da cadeira, mas também não pensa em dormir.
8. Lockdown in Mauritius
Lockdown in Mauritius pertence a um período completamente diferente da história recente das Maurícias.
A própria ideia de registrar uma sociedade durante o isolamento provocado pela pandemia transforma o filme em um documento de seu tempo. O confinamento alterou rotinas, relações familiares, circulação pelas cidades e a percepção de espaços que anteriormente pareciam banais.
A produção também mostra como acontecimentos globais podem adquirir características específicas quando observados a partir de uma pequena nação insular.
Análise
O maior interesse está justamente no registro de uma experiência coletiva extraordinária. Mais do que oferecer uma aventura convencional, o filme permite observar como a pandemia afetou o cotidiano mauriciano.
Ficha técnica
- Título: Lockdown in Mauritius
- Ano: 2020
- País: Maurícias
- Direção: Khem Ramphul
- Gênero: Drama
- Contexto: pandemia e confinamento
Nota
⭐⭐⭐½ 3,5 de 5 estrelas
O bonequinho de Lockdown in Mauritius
O bonequinho aparece usando máscara, sentado em casa e olhando pela janela. Continua acordado, mas com aquela expressão universal de quem já está cansado de ouvir a palavra “quarentena”.
9. Mr Sujeewon, The Daredevil
Mais uma obra que ajuda a ampliar a visão sobre a produção cinematográfica das Maurícias é Mr Sujeewon, The Daredevil.
O próprio título aponta para uma abordagem centrada em uma figura de personalidade marcante. O filme faz parte de uma produção mauriciana que também inclui documentários, curtas e projetos independentes.
A importância desse tipo de obra está em ampliar o registro audiovisual da vida local para além das histórias ficcionais tradicionais.
Ficha técnica
- Título: Mr Sujeewon, The Daredevil
- Ano: 2014
- País: Maurícias
- Formato: Filme associado à produção cinematográfica mauriciana
Nota
⭐⭐⭐½ 3,5 de 5 estrelas
O bonequinho de Mr Sujeewon, The Daredevil
O bonequinho está empolgado, com os olhos arregalados e praticamente sentado na ponta da cadeira. É o tipo de filme que mantém sua curiosidade funcionando.
10. A Lucy
Fechando a Lista dos melhores filmes das Maurícias, A Lucy representa uma etapa mais antiga do registro cinematográfico ligado ao país.
Produções desse período são especialmente importantes para pesquisadores e espectadores interessados na formação da linguagem audiovisual mauriciana. Elas ajudam a demonstrar que a produção cinematográfica local não começou apenas com os longas contemporâneos mais conhecidos.
Ficha técnica
- Título: A Lucy
- Ano: 1993
- País: Maurícias
- Formato: Produção cinematográfica mauriciana
Nota
⭐⭐⭐ 3 de 5 estrelas
O bonequinho de A Lucy
O bonequinho está acordado, porém tranquilo. Assiste como quem abre uma cápsula do tempo para descobrir como o cinema das Maurícias registrava suas histórias décadas atrás.
O que torna o cinema das Maurícias diferente?
Uma das principais características dessa cinematografia é a mistura cultural.
As Maurícias são uma sociedade formada por diferentes comunidades e tradições. Essa diversidade aparece na linguagem, nos costumes, na religião, na alimentação, na música e nas relações familiares.
O cinema naturalmente absorve essa multiplicidade.
Em Bénarès, a identidade linguística ocupa papel fundamental. Em Les enfants de Troumaron, o foco está nas desigualdades sociais. Já Lonbraz Kann transforma a crise da indústria açucareira em uma reflexão sobre identidade e modernização.
Essa variedade impede que o cinema mauriciano seja reduzido a um único gênero ou estilo.
A importância da cana-de-açúcar
A indústria açucareira possui enorme importância histórica para as Maurícias e aparece direta ou indiretamente em diferentes representações culturais.
Em Lonbraz Kann, a cana torna-se praticamente um símbolo nacional.
O encerramento de uma usina significa muito mais do que a perda de uma atividade econômica. Para os personagens, representa o fim de uma relação com o território e com uma determinada maneira de viver.
Essa perspectiva é particularmente interessante porque contrapõe duas imagens das Maurícias: a ilha turística conhecida internacionalmente e a realidade cotidiana das comunidades que vivem longe dos cartões-postais.
Cinema, desigualdade e juventude
Outro tema recorrente é a dificuldade de ascensão social.
Les enfants de Troumaron é o exemplo mais contundente dessa tendência.
Os protagonistas são jovens que enxergam poucas alternativas para modificar suas condições de vida. O filme utiliza suas experiências individuais para discutir problemas estruturais.
Esse tipo de narrativa também ajuda a desconstruir a ideia de que uma sociedade insular pequena seria necessariamente homogênea ou livre de conflitos sociais.
Cinema mauriciano além das praias
Uma das maiores contribuições dos filmes das Maurícias é justamente apresentar um país que vai muito além de suas paisagens turísticas.
O arquipélago costuma ser associado a praias, hotéis, águas cristalinas e viagens de luxo. O cinema, entretanto, pode mostrar trabalhadores rurais, bairros pobres, conflitos familiares, mudanças urbanas e questões de identidade.
Essa diferença é particularmente evidente em Lonbraz Kann, cuja fotografia evita transformar a ilha em simples cenário paradisíaco.
Também aparece em The Blue Penny, que utiliza o ambiente de uma família privilegiada para construir um thriller sobre conflitos e segredos.
Os filmes das Maurícias mais importantes para começar
Para quem nunca teve contato com a cinematografia do país, uma boa porta de entrada é começar por obras que apresentam propostas diferentes.
Bénarès funciona como introdução ao cinema autoral e à identidade crioula.
Les enfants de Troumaron é indicado para quem procura um drama social intenso.
Lonbraz Kann é especialmente interessante para quem deseja compreender a relação entre economia, território e identidade.
Made in Mauritius, por sua vez, é uma ótima escolha para quem prefere começar com um curta.
Já The Blue Penny oferece uma alternativa para espectadores interessados em suspense.
Curiosidades sobre o cinema das Maurícias
A língua crioula ganhou espaço no cinema
O crioulo mauriciano possui papel fundamental na construção da identidade cinematográfica local. Bénarès tornou-se particularmente importante nesse contexto por utilizar o idioma como elemento central da produção.
Festivais ajudaram novos cineastas
O desenvolvimento de festivais de curtas-metragens teve papel importante na formação de novos profissionais. Essas iniciativas criaram oportunidades para roteiristas, diretores, produtores, atores e técnicos locais.
David Constantin é um nome importante
David Constantin tornou-se uma das figuras relevantes do cinema mauriciano contemporâneo. Antes de chegar ao longa-metragem com Lonbraz Kann, realizou curtas e documentários.
Seu trabalho frequentemente aborda mudanças sociais e seus efeitos sobre as relações humanas.
As Maurícias também atraem produções estrangeiras
A beleza natural do arquipélago fez com que o país fosse utilizado como cenário para produções internacionais. Entretanto, existe uma diferença importante entre um filme estrangeiro simplesmente rodado nas Maurícias e uma produção que procura representar a sociedade mauriciana.
A Lista dos melhores filmes das Maurícias apresentada aqui prioriza obras relacionadas à cinematografia do próprio país, e não simplesmente filmes internacionais que utilizaram a ilha como locação.
Qual é o melhor filme das Maurícias para cada tipo de espectador?
Para quem procura drama social, Les enfants de Troumaron apresenta uma narrativa centrada em juventude, pobreza e desigualdade.
Para quem prefere cinema autoral, Bénarès oferece uma experiência mais contemplativa.
Para quem quer uma reflexão sobre as transformações das Maurícias, Lonbraz Kann é uma escolha particularmente interessante.
Para quem gosta de comédia, The Comeback – A Tale Of Irrelevance aposta em situações absurdas e personagens ligados ao mundo do cinema.
Para quem prefere suspense, The Blue Penny utiliza conflitos familiares e segredos como motores da história.
Para uma experiência curta, Made in Mauritius consegue apresentar uma ideia completa em apenas alguns minutos.
Vale a pena conhecer o cinema das Maurícias?
Sim, especialmente para quem gosta de cinematografias pouco exploradas e de filmes que apresentam uma sociedade por perspectivas diferentes das produções comerciais mais conhecidas.
A Lista dos melhores filmes das Maurícias mostra que o cinema do arquipélago não depende apenas de paisagens bonitas. Seus principais trabalhos discutem identidade, pobreza, globalização, memória, mudanças econômicas, relações familiares, juventude e pertencimento.
O grande diferencial está justamente na escala humana. Em vez de tentar reproduzir modelos de grandes indústrias, muitos cineastas mauricianos encontram histórias no cotidiano da própria população.
Lonbraz Kann, Les enfants de Troumaron, Bénarès e Made in Mauritius mostram, cada um à sua maneira, que existe uma cinematografia própria sendo construída no Oceano Índico.
Mais do que uma simples lista de filmes, essa seleção funciona como um convite para descobrir uma produção cultural que ainda permanece desconhecida para grande parte do público brasileiro. A diversidade de temas e estilos confirma que as Maurícias possuem histórias cinematográficas que vão muito além da imagem turística tradicional da ilha.
Por: Alexandre lavrador. Opinião do Blogueiro.
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