Lista dos melhores filmes da Suécia: 10 obras essenciais do cinema sueco
Conheça uma seleção de grandes filmes suecos que atravessam gerações, do cinema existencial de Ingmar Bergman ao humor ácido de Ruben Östlund, passando pelo terror, drama, comédia e histórias de amadurecimento.
O cinema sueco possui uma das tradições mais reconhecidas da Europa. Uma lista dos melhores filmes da Suécia precisa, portanto, ir muito além de produções contemporâneas ou de títulos conhecidos internacionalmente: ela passa por diferentes épocas, estilos, diretores e maneiras de representar a sociedade, a família, a religião, a solidão e os conflitos humanos.
A cinematografia sueca ganhou projeção mundial especialmente a partir da segunda metade do século XX, quando Ingmar Bergman transformou questões filosóficas e psicológicas em experiências cinematográficas de enorme força. Décadas depois, cineastas como Lasse Hallström, Lukas Moodysson, Tomas Alfredson e Ruben Östlund ampliaram essa tradição com abordagens bastante diferentes.
Nesta lista dos melhores filmes da Suécia, a seleção reúne dez produções que ajudam a compreender a diversidade do cinema sueco. Há clássicos em preto e branco, dramas familiares, histórias de amadurecimento, terror, sátira social e comédias dramáticas.
A proposta não é estabelecer uma classificação definitiva, mas apresentar filmes fundamentais para quem deseja conhecer o cinema da Suécia e descobrir algumas de suas obras mais influentes.
Lista dos melhores filmes da Suécia
1. O Sétimo Selo
Lançado em 1957, O Sétimo Selo é uma das obras mais emblemáticas do cinema sueco e um dos filmes que definiram a carreira de Ingmar Bergman.
A história acompanha o cavaleiro Antonius Block, interpretado por Max von Sydow, que retorna das Cruzadas e encontra a Europa devastada pela peste. No caminho, ele se depara com a própria Morte, interpretada por Bengt Ekerot, e propõe uma partida de xadrez como tentativa de prolongar sua existência.
O argumento aparentemente fantástico serve como ponto de partida para uma investigação sobre fé, silêncio divino, mortalidade e sentido da vida.
História e roteiro
A partida de xadrez contra a Morte tornou-se uma das imagens mais reconhecíveis da história do cinema. Porém, reduzir O Sétimo Selo a essa imagem seria ignorar a riqueza do restante da obra.
O filme contrapõe personagens profundamente atormentados a figuras mais simples, como o casal de artistas de teatro Jof e Mia. Enquanto o cavaleiro procura respostas metafísicas, os artistas representam uma possibilidade de felicidade cotidiana.
Essa oposição é essencial. Bergman não apresenta apenas um mundo dominado pela morte. Ele também mostra pequenas manifestações de afeto, solidariedade e esperança.
Direção e fotografia
A direção utiliza paisagens suecas, sombras fortes e contrastes de preto e branco para construir uma atmosfera medieval e quase alegórica.
A fotografia de Gunnar Fischer transforma a paisagem em parte da narrativa. O céu, as árvores, as praias e os rostos dos personagens parecem constantemente lembrar que todos estão submetidos à mesma condição humana.
Temas
Entre os principais temas estão:
- mortalidade;
- religião;
- dúvida espiritual;
- medo da morte;
- busca por significado;
- culpa;
- esperança;
- solidariedade.
A força do filme está justamente em não oferecer respostas fáceis.
Prêmios e reconhecimento
O Sétimo Selo tornou-se uma referência internacional do cinema de Bergman e ajudou a consolidar o prestígio do cinema sueco fora do país.
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de O Sétimo Selo
O bonequinho está sentado diante de um tabuleiro de xadrez, completamente concentrado, tentando descobrir como vencer uma partida que ninguém deveria aceitar jogar.
2. Persona
Se O Sétimo Selo representa o Bergman mais filosófico, Persona representa uma de suas experiências mais radicais.
Lançado em 1966, o filme acompanha Alma, uma enfermeira interpretada por Bibi Andersson, encarregada de cuidar de Elisabet Vogler, uma atriz interpretada por Liv Ullmann que deixou repentinamente de falar.
As duas se isolam em uma casa à beira-mar, onde a relação entre cuidadora e paciente começa a se transformar.
Uma história sobre identidade
O silêncio de Elisabet é o ponto de partida para uma investigação sobre identidade, personalidade e representação.
Alma fala constantemente, enquanto Elisabet permanece em silêncio. Aos poucos, porém, a divisão aparentemente clara entre as duas começa a desaparecer.
O espectador passa a questionar onde termina uma personalidade e começa a outra.
Direção e linguagem visual
Persona é particularmente importante pela maneira como utiliza primeiros planos, cortes abruptos, sobreposições de imagens e rupturas da narrativa tradicional.
A fotografia em preto e branco de Sven Nykvist é fundamental para essa experiência. Os rostos ocupam grande parte da tela, fazendo com que pequenas mudanças de expressão adquiram enorme importância.
Atuações
Bibi Andersson e Liv Ullmann sustentam praticamente todo o filme. A atuação de ambas depende muito menos de grandes movimentos e muito mais de olhares, pausas, silêncios e alterações quase imperceptíveis na postura.
Essa contenção aumenta a sensação de desconforto psicológico.
Significado
O filme pode ser interpretado como uma reflexão sobre identidade, comunicação, fama, intimidade e o próprio ato de representar.
Não existe uma única interpretação obrigatória. Essa abertura é justamente uma das razões pelas quais Persona continua sendo discutido décadas depois de seu lançamento.
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Persona
O bonequinho está olhando para a tela em silêncio, depois olha para o próprio reflexo e começa a se perguntar se ainda sabe quem é.
3. Morangos Silvestres
Também lançado em 1957, Morangos Silvestres apresenta uma abordagem mais contemplativa do cinema de Ingmar Bergman.
O protagonista é Isak Borg, um médico idoso que viaja de carro para receber uma homenagem acadêmica. Durante o percurso, lembranças, sonhos e encontros com diferentes pessoas fazem com que ele reveja sua própria vida.
O título original, Smultronstället, está associado a um lugar especial carregado de memória e significado afetivo.
Uma viagem física e emocional
O deslocamento pela Suécia funciona simultaneamente como viagem geográfica e jornada interior.
O passado de Isak retorna por meio de sonhos e lembranças. O protagonista começa a perceber que sua vida profissionalmente bem-sucedida não significa necessariamente que tenha construído relações afetivas satisfatórias.
A obra transforma o envelhecimento em uma oportunidade de revisão pessoal.
Fotografia
A fotografia de Gunnar Fischer trabalha com uma composição elegante em preto e branco. Os sonhos são particularmente importantes para estabelecer uma atmosfera estranha e inquietante.
Uma das sequências mais memoráveis envolve um relógio sem ponteiros, imagem que sintetiza a preocupação do protagonista com a passagem do tempo.
Atuações
Victor Sjöström oferece uma atuação marcada pela economia de gestos. O personagem não precisa explicar constantemente o que sente; sua expressão e seu comportamento revelam progressivamente o peso das experiências acumuladas.
Bibi Andersson também se destaca ao interpretar personagens ligados às memórias e ao passado do protagonista.
Importância
Morangos Silvestres é uma excelente porta de entrada para quem procura uma obra de Bergman menos centrada no terror existencial explícito e mais interessada em memória, arrependimento e reconciliação.
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Morangos Silvestres
O bonequinho está viajando no banco do passageiro, olhando pela janela e lembrando de coisas que jurava ter esquecido.
4. Fanny e Alexander
Fanny e Alexander, lançado em 1982, é uma das grandes sínteses da carreira de Ingmar Bergman.
O filme acompanha os irmãos Fanny e Alexander e sua extensa família. A primeira parte apresenta um ambiente familiar caloroso, repleto de festas, comida, teatro e convivência. Depois da morte do pai, a mãe das crianças se casa novamente com o rígido bispo Edvard Vergérus.
A mudança altera completamente a vida dos irmãos.
Família, infância e imaginação
A infância é apresentada de maneira ambígua. Há alegria, fantasia e liberdade, mas também existem medo, violência psicológica e repressão.
Alexander possui uma imaginação extremamente fértil, e o filme não estabelece uma fronteira rígida entre realidade e fantasia.
Esse aspecto permite que a experiência infantil seja representada não apenas pelo que acontece objetivamente, mas também pela maneira como uma criança interpreta acontecimentos assustadores.
Direção e fotografia
A fotografia de Sven Nykvist é um dos grandes destaques. Cores quentes predominam nos momentos de conforto familiar, enquanto os ambientes associados ao bispo são mais frios e opressivos.
O contraste visual ajuda a transformar os espaços em extensões dos sentimentos dos personagens.
Duas versões
Fanny e Alexander possui uma versão cinematográfica e uma versão televisiva significativamente mais longa. A versão exibida nos cinemas possui cerca de 188 minutos, enquanto a versão integral para televisão ultrapassa cinco horas.
Essa diferença muda consideravelmente a experiência narrativa, já que a versão longa desenvolve mais personagens e situações familiares.
Prêmios
O reconhecimento internacional foi enorme. Fanny e Alexander recebeu seis indicações ao Oscar e venceu quatro, incluindo Melhor Filme Internacional, Fotografia, Direção de Arte e Figurino.
O resultado colocou a produção entre os filmes suecos mais premiados da história do cinema.
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Fanny e Alexander
O bonequinho está emocionado na sala de jantar, cercado por uma família barulhenta, enquanto tenta não chorar quando as luzes se apagam.
5. Minha Vida de Cachorro
Lasse Hallström mostrou uma faceta diferente do cinema sueco com Minha Vida de Cachorro, drama de 1985 baseado no romance de Reidar Jönsson.
A história acompanha Ingemar, um garoto que enfrenta mudanças familiares e acaba enviado para morar com parentes em uma pequena comunidade.
O resultado é um filme de amadurecimento que combina tristeza, humor e ternura.
Infância sem sentimentalismo excessivo
O grande mérito de Minha Vida de Cachorro está na forma como apresenta acontecimentos difíceis através da perspectiva de uma criança.
Ingemar não compreende completamente tudo o que acontece ao seu redor. Para lidar com situações dolorosas, ele cria comparações, histórias e pequenas fantasias.
A experiência do protagonista é, portanto, simultaneamente inocente e melancólica.
Atuações
Anton Glanzelius conduz o filme com uma atuação naturalista. O personagem consegue ser engraçado e vulnerável sem parecer construído para provocar emoções fáceis.
Os adultos também possuem personalidades próprias, evitando que a narrativa se transforme simplesmente em uma história de criança cercada por adultos bons ou maus.
Reconhecimento internacional
Minha Vida de Cachorro foi indicado ao Oscar em categorias importantes, incluindo roteiro adaptado e direção, contribuindo para ampliar a presença do cinema sueco no circuito internacional.
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de Minha Vida de Cachorro
O bonequinho está sentado na calçada, segurando um brinquedo velho, tentando fazer cara de quem está tudo bem enquanto claramente não está.
6. Juntos
O cinema sueco também possui uma forte tradição de comédia social, e Juntos, dirigido por Lukas Moodysson em 2000, é um ótimo exemplo.
A história se passa em 1975, em uma comunidade alternativa de Estocolmo. Diferentes personagens vivem juntos enquanto tentam colocar em prática ideais políticos, afetivos e sociais.
Comédia e crítica social
Juntos não trata seus personagens como representantes perfeitos de uma determinada ideologia.
Ao contrário, a graça nasce justamente das contradições entre aquilo que os moradores defendem e aquilo que realmente conseguem praticar.
Questões como relacionamento aberto, política, vegetarianismo, igualdade, ciúme e convivência são apresentadas através de situações cotidianas.
Personagens
O elenco é grande, mas os personagens possuem características bastante distintas. Isso cria uma espécie de laboratório social no qual diferentes visões de mundo entram em conflito.
O filme também evita transformar a comunidade em uma simples caricatura.
Existe afeto entre as pessoas, mesmo quando elas discutem ou cometem erros.
Estilo
A direção aposta em uma estética naturalista, com câmera próxima dos personagens e ritmo que privilegia a convivência.
A sensação é de acompanhar um grupo de pessoas durante um período importante de suas vidas, e não simplesmente assistir a uma história convencional com começo, meio e fim.
Nota: ⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de Juntos
O bonequinho está sentado no chão da sala comunitária, rindo de uma discussão política que começou séria e terminou em uma briga sobre quem lavaria a louça.
7. De Volta à Montanha
O título internacional De Volta à Montanha, conhecido originalmente como Turist e internacionalmente como Force Majeure, representa uma das obras mais importantes do cinema sueco contemporâneo.
Lançado em 2014 por Ruben Östlund, o filme acompanha uma família sueca durante férias em uma estação de esqui nos Alpes franceses.
Tudo muda quando uma avalanche aparentemente ameaça atingir o restaurante onde a família está almoçando.
Uma crise familiar
O acontecimento dura poucos minutos, mas suas consequências dominam todo o restante da narrativa.
O comportamento do pai durante a emergência gera uma ruptura na imagem que sua esposa possui dele. A partir daí, o filme passa a investigar questões de responsabilidade, masculinidade, vergonha e autopreservação.
Östlund não precisa de grandes discursos para criar desconforto. Pequenas situações sociais são suficientes.
Humor desconfortável
O humor de De Volta à Montanha nasce da dificuldade que os personagens têm de admitir aquilo que fizeram.
O espectador percebe a contradição antes dos próprios personagens, e isso transforma conversas aparentemente banais em momentos extremamente tensos.
Fotografia e montagem
A fotografia de Fredrik Wenzel utiliza a arquitetura geométrica da estação de esqui para reforçar a sensação de controle e organização.
Esse ambiente impecavelmente planejado contrasta com o comportamento cada vez mais descontrolado dos personagens.
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de De Volta à Montanha
O bonequinho está segurando uma bandeira de emergência e olhando para a família com aquela expressão de quem pensa: “isso ainda vai dar muita discussão”.
8. O Quadrado
Em 2017, Ruben Östlund ampliou sua crítica às convenções sociais com O Quadrado.
O protagonista, Christian, é o curador de um importante museu de arte contemporânea. Depois que seu celular e sua carteira são roubados, uma sequência de acontecimentos coloca em crise sua vida profissional e pessoal.
Arte e comportamento
O filme utiliza o universo da arte contemporânea para discutir confiança, solidariedade, responsabilidade e desigualdade.
A instalação que dá nome ao filme representa um espaço no qual as pessoas deveriam agir com confiança e responsabilidade em relação umas às outras.
O problema é que a sociedade real dificilmente funciona de maneira tão simples.
Humor e desconforto
O Quadrado mistura situações absurdas com momentos de constrangimento social.
O espectador frequentemente não sabe se deve rir ou ficar desconfortável. Essa ambiguidade é parte central do estilo de Östlund.
Premiações
O filme ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2017 e recebeu indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional.
Também conquistou diversos outros prêmios internacionais, consolidando Ruben Östlund como um dos principais nomes do cinema sueco contemporâneo.
Nota: ⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de O Quadrado
O bonequinho está parado dentro de um quadrado imaginário, olhando para todo mundo ao redor e tentando descobrir se alguém realmente respeita as regras.
9. Deixe Ela Entrar
Para quem procura uma produção sueca de terror, Deixe Ela Entrar, de Tomas Alfredson, é praticamente obrigatório.
Lançado em 2008, o filme acompanha Oskar, um garoto solitário que vive em um subúrbio sueco coberto pela neve. Sua rotina muda quando Eli, uma misteriosa menina, aparece na vizinhança.
O relacionamento entre os dois se transforma gradualmente em uma combinação de amizade, dependência e horror.
Terror diferente
O grande diferencial de Deixe Ela Entrar está na maneira como o vampirismo é incorporado à história.
O filme não depende apenas de sustos. A criatura sobrenatural serve para explorar solidão, bullying, violência, infância e necessidade de pertencimento.
A neve e o silêncio também ajudam a construir uma atmosfera bastante particular.
Fotografia
Hoyte van Hoytema utiliza os ambientes gelados da Suécia para criar uma imagem visualmente bela e, ao mesmo tempo, inquietante.
As cenas noturnas possuem grande importância, mas o terror também aparece em espaços cotidianos, como corredores, piscinas e áreas residenciais.
Recepção
A produção recebeu ampla atenção internacional e conquistou diversos prêmios, incluindo reconhecimento pela direção, roteiro e fotografia no principal prêmio cinematográfico sueco.
A combinação de romance juvenil, drama e horror fez Deixe Ela Entrar ultrapassar os limites tradicionais do gênero.
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Deixe Ela Entrar
O bonequinho está escondido atrás da cortina, tremendo de frio e olhando para a porta enquanto decide se realmente deveria deixar alguém entrar.
10. Um Homem Chamado Ove
Um Homem Chamado Ove, dirigido por Hannes Holm em 2015, mostra outra característica importante do cinema sueco: a capacidade de transformar situações cotidianas em histórias emocionalmente complexas.
O protagonista é Ove, um homem aposentado conhecido pela personalidade extremamente rígida e pelo comportamento aparentemente antipático.
Sua rotina muda quando uma nova família se muda para a vizinhança.
Uma comédia sobre solidão
Embora seja apresentado inicialmente como uma comédia, Um Homem Chamado Ove trabalha intensamente com temas como luto, envelhecimento, amizade e pertencimento.
A narrativa revela gradualmente por que Ove se tornou uma pessoa tão fechada.
Esse mecanismo permite que o público reavalie o personagem conforme novas informações aparecem.
Atuação de Rolf Lassgård
Rolf Lassgård conduz o filme com uma atuação que combina rigidez e vulnerabilidade.
O personagem pode ser irritante em determinados momentos, mas o roteiro permite compreender as experiências que estão por trás de sua postura.
A relação de Ove com os vizinhos funciona como principal motor emocional da história.
Reconhecimento internacional
A produção foi indicada ao Oscar de Filme Internacional e também recebeu indicação na categoria de maquiagem e penteados.
Na Suécia, conquistou dois prêmios Guldbagge em uma edição que recebeu diversas indicações.
Nota: ⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de Um Homem Chamado Ove
O bonequinho está de braços cruzados, reclamando dos vizinhos, mas secretamente feliz porque finalmente tem alguém para conversar.
O que torna o cinema sueco tão especial?
Uma lista dos melhores filmes da Suécia revela que não existe apenas um estilo associado à cinematografia do país.
O cinema sueco pode ser profundamente filosófico, como em O Sétimo Selo e Persona, mas também pode ser sentimental, como em Minha Vida de Cachorro, ou satírico, como em O Quadrado.
Outra característica recorrente é a atenção às relações humanas.
Mesmo quando existe um elemento fantástico, como em Deixe Ela Entrar, o interesse principal frequentemente está nas emoções dos personagens.
Ingmar Bergman e a identidade do cinema sueco
É impossível discutir cinema sueco sem mencionar a influência de Ingmar Bergman.
O diretor transformou questões como fé, morte, casamento, memória, identidade e solidão em matéria cinematográfica.
Filmes como O Sétimo Selo, Morangos Silvestres, Persona e Fanny e Alexander representam momentos muito diferentes de sua filmografia.
O legado do diretor também está relacionado à valorização dos rostos, dos silêncios e das pequenas mudanças emocionais.
O cinema sueco depois de Bergman
A produção sueca não ficou presa ao modelo de Bergman.
Lasse Hallström encontrou uma linguagem própria em Minha Vida de Cachorro, enquanto Lukas Moodysson explorou relações familiares, políticas e afetivas em Juntos.
Já Tomas Alfredson levou o cinema sueco para o terror contemporâneo com Deixe Ela Entrar.
Mais recentemente, Ruben Östlund tornou-se um dos nomes suecos de maior projeção internacional com De Volta à Montanha e O Quadrado.
Essa variedade demonstra que o cinema sueco não depende de um único gênero ou de uma única geração.
Filmes suecos premiados internacionalmente
A força dessa cinematografia também pode ser observada pela presença de produções suecas entre indicados e vencedores de grandes premiações internacionais.
Fanny e Alexander venceu quatro Oscars em 1984. Outros filmes suecos também receberam indicações importantes ao longo das décadas, incluindo Minha Vida de Cachorro, Um Homem Chamado Ove e O Quadrado.
O histórico sueco na categoria internacional do Oscar também inclui quatro vitórias, alcançadas por produções como A Fonte da Donzela, Através de um Espelho, Fanny e Alexander e Pelle, o Conquistador, coprodução sueco-dinamarquesa dirigida por Bille August.
Qual é o melhor filme sueco para começar?
A resposta depende do tipo de cinema que o espectador procura.
Quem deseja conhecer o lado filosófico e existencial pode começar por O Sétimo Selo ou Morangos Silvestres.
Para uma experiência mais experimental, Persona é uma escolha natural.
Quem prefere uma história familiar pode optar por Fanny e Alexander.
Para uma experiência mais leve, Juntos e Um Homem Chamado Ove são alternativas interessantes.
Já quem gosta de terror pode começar por Deixe Ela Entrar.
Para quem prefere o cinema contemporâneo e a sátira social, De Volta à Montanha e O Quadrado mostram como a tradição sueca continua sendo renovada.
Ficha técnica geral do cinema sueco selecionado
| Filme | Ano | Direção | Gênero | Duração |
|---|---|---|---|---|
| O Sétimo Selo | 1957 | Ingmar Bergman | Drama, fantasia histórica | 96 min |
| Persona | 1966 | Ingmar Bergman | Drama psicológico | 84 min |
| Morangos Silvestres | 1957 | Ingmar Bergman | Drama | 91 min |
| Fanny e Alexander | 1982 | Ingmar Bergman | Drama, fantasia | 188 min na versão cinematográfica |
| Minha Vida de Cachorro | 1985 | Lasse Hallström | Drama, amadurecimento | 101 min |
| Juntos | 2000 | Lukas Moodysson | Comédia dramática | 106 min |
| De Volta à Montanha | 2014 | Ruben Östlund | Comédia dramática | 119 min |
| O Quadrado | 2017 | Ruben Östlund | Comédia, sátira | 151 min |
| Deixe Ela Entrar | 2008 | Tomas Alfredson | Terror, romance, drama | 114 min |
| Um Homem Chamado Ove | 2015 | Hannes Holm | Comédia dramática | 116 min |
Final explicado de O Sétimo Selo
Atenção: esta seção contém spoilers.
No encerramento de O Sétimo Selo, a Morte finalmente alcança o cavaleiro e os demais personagens que acompanhamos durante a história.
A famosa imagem final mostra a Morte conduzindo várias figuras em uma espécie de dança sobre uma colina.
O significado não depende apenas da ideia de que todos morrerão. A sequência também sintetiza a visão do filme sobre a condição humana: independentemente de posição social, crença ou personalidade, todos estão sujeitos ao mesmo destino.
Ao mesmo tempo, o percurso do cavaleiro não foi completamente inútil. Sua busca por respostas talvez não tenha produzido uma solução definitiva para o problema da existência, mas o contato com outras pessoas permitiu que ele encontrasse momentos de significado.
A presença de Jof, Mia e seu filho é particularmente importante porque representa uma forma de vida mais simples e afetiva.
O filme, portanto, não termina simplesmente com a vitória da morte. Ele também sugere que o significado da existência pode estar nos pequenos momentos compartilhados antes dela.
Final explicado de Persona
Atenção: esta seção contém spoilers.
Persona deliberadamente dificulta uma interpretação única da relação entre Alma e Elisabet.
A fusão entre as identidades das duas mulheres pode ser entendida literalmente dentro da lógica psicológica do filme ou como uma representação subjetiva da influência que uma exerce sobre a outra.
O uso de imagens sobrepostas e a famosa composição que aproxima os rostos das protagonistas reforçam essa ideia de identidade fragmentada.
O final não resolve completamente a questão porque a própria obra está interessada na instabilidade da identidade.
Em vez de apresentar uma solução, Persona transforma a dúvida em parte da experiência cinematográfica.
Final explicado de Deixe Ela Entrar
Atenção: esta seção contém spoilers.
No final de Deixe Ela Entrar, Oskar está em uma situação de perigo na piscina quando Eli intervém.
A sequência deixa claro que a relação entre os dois ultrapassou uma simples amizade.
Eli salva Oskar, mas a situação também sugere que o garoto está entrando definitivamente no mundo dela.
O detalhe mais perturbador é que o relacionamento pode repetir um padrão observado anteriormente: Eli precisa de alguém que possa acompanhá-la e ajudá-la em sua existência, enquanto Oskar encontra nela uma figura que o protege de uma realidade na qual se sente vulnerável.
O encerramento pode ser interpretado simultaneamente como uma história de amor juvenil, uma amizade intensa e uma narrativa sobre dependência.
É justamente essa ambiguidade que diferencia Deixe Ela Entrar de um filme convencional de vampiros.
Vale a pena conhecer o cinema sueco?
Para quem procura uma lista dos melhores filmes da Suécia, os dez títulos apresentados oferecem uma amostra bastante ampla da cinematografia do país.
O percurso começa com o cinema existencial de O Sétimo Selo, passa pela experimentação psicológica de Persona, pela memória de Morangos Silvestres, pelo universo familiar de Fanny e Alexander, pela infância de Minha Vida de Cachorro, pela comédia social de Juntos, pelo desconforto familiar de De Volta à Montanha, pela sátira de O Quadrado, pelo terror de Deixe Ela Entrar e pela mistura de humor e emoção de Um Homem Chamado Ove.
O ponto em comum entre obras tão diferentes é a atenção aos personagens e aos dilemas humanos.
Por isso, uma lista dos melhores filmes da Suécia não precisa ser entendida apenas como uma seleção de clássicos. Ela também pode funcionar como um mapa para descobrir diferentes fases de uma cinematografia que continua produzindo histórias originais, provocadoras e emocionalmente complexas.
Para quem deseja começar essa jornada, a lista dos melhores filmes da Suécia oferece pelo menos dez caminhos completamente diferentes para entrar no universo do cinema sueco.
Por: Alexandre lavrador. Opinião do Blogueiro.
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