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Lista dos melhores filmes de Taiwan

Lista dos melhores filmes de Taiwan: 12 obras essenciais do cinema taiwanês

Uma seleção de grandes filmes de Taiwan atravessa décadas, gêneros e estilos, reunindo clássicos da Nova Onda Taiwanesa, dramas familiares, romances, thrillers, histórias de amadurecimento e produções contemporâneas premiadas.

O cinema de Taiwan construiu uma identidade própria ao longo de várias décadas, combinando transformações sociais, conflitos familiares, memória histórica, juventude, solidão e mudanças culturais. Para quem procura uma Lista dos melhores filmes de Taiwan, existe uma variedade impressionante de obras capazes de apresentar diferentes fases dessa cinematografia.

A Lista dos melhores filmes de Taiwan precisa ir muito além dos títulos mais populares. O país produziu obras fundamentais de cineastas como Edward Yang, Hou Hsiao-hsien, Tsai Ming-liang e Ang Lee, além de revelar novas gerações de diretores que continuam renovando o cinema taiwanês.

Nesta seleção, estão reunidos clássicos indispensáveis e produções mais recentes. A proposta não é estabelecer uma classificação definitiva, mas apresentar filmes de diferentes épocas que ajudam a compreender a riqueza e a diversidade do cinema de Taiwan.

Lista dos melhores filmes de Taiwan

Entre dramas históricos, romances, histórias familiares, produções de amadurecimento e filmes de gênero, estes são alguns dos títulos que merecem atenção:

  1. A Brighter Summer Day
  2. A City of Sadness
  3. Yi Yi
  4. Eat Drink Man Woman
  5. The Puppetmaster
  6. Vive l’Amour
  7. Rebels of the Neon God
  8. Cape No. 7
  9. You Are the Apple of My Eye
  10. A Sun
  11. Marry My Dead Body
  12. Left-Handed Girl

A seleção percorre praticamente quatro décadas de produção e mostra como o cinema taiwanês passou da observação histórica e social da Nova Onda para narrativas contemporâneas sobre família, identidade, juventude e vida urbana.


A Brighter Summer Day

Poucos filmes representam tão bem a dimensão histórica e artística do cinema de Taiwan quanto A Brighter Summer Day, de Edward Yang.

Lançado em 1991, o longa acompanha adolescentes em Taiwan no início dos anos 1960, período marcado por tensão política, transformações sociais e forte presença de comunidades juvenis. A história parte de um caso real de violência juvenil e transforma o episódio em uma ampla observação sobre família, amizade, masculinidade, juventude e perda da inocência.

Com 237 minutos, A Brighter Summer Day utiliza sua duração para construir um universo extremamente detalhado. O espectador acompanha personagens que amadurecem enquanto a sociedade ao redor deles também parece atravessar uma mudança profunda.

A direção de Edward Yang evita transformar a história em um simples filme policial. A violência é consequência de relações sociais, inseguranças, disputas territoriais e conflitos emocionais.

Análise

A fotografia trabalha com ambientes noturnos, interiores, ruas e espaços escolares, criando uma sensação constante de memória. A escuridão não funciona apenas como elemento visual: ela também representa a incerteza de uma geração que tenta descobrir seu lugar.

O filme também é importante para entender a chamada Nova Onda Taiwanesa, movimento cinematográfico que valorizou histórias cotidianas e personagens comuns para discutir grandes transformações históricas.

Ficha técnica

InformaçãoDetalhe
TítuloA Brighter Summer Day
Título originalGuling jie shaonian sharen shijian
Ano1991
PaísTaiwan
DireçãoEdward Yang
RoteiroEdward Yang, Alex Yang, Lai Ming-tang e Hung Hung
ElencoChang Chen, Lisa Yang, Chang Kuo-Chu, Elaine Jin
GêneroDrama, crime, amadurecimento
Duração237 minutos
FotografiaChang Hui-kung e Longyu Zhang
MontagemChen Bo-wen
Trilha sonoraHongda Zhang

Nota

⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de A Brighter Summer Day

O bonequinho começa sentado, olhando tranquilamente para a tela. Depois de quatro horas, continua acordado, mas com aquela expressão de quem acabou de atravessar uma década inteira da vida dos personagens.


A City of Sadness

A City of Sadness, dirigido por Hou Hsiao-hsien, é um dos grandes filmes históricos produzidos em Taiwan.

Lançado em 1989, o longa acompanha uma família durante um dos períodos mais traumáticos da história moderna taiwanesa. A narrativa começa no final da década de 1940 e utiliza a experiência familiar para abordar mudanças políticas, violência, identidade e memória.

A obra venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza e se tornou uma referência internacional do cinema taiwanês.

História e temas

Em vez de apresentar a história política de maneira didática, Hou Hsiao-hsien observa seus efeitos sobre pessoas comuns. O drama familiar funciona como uma janela para acontecimentos maiores.

A incomunicabilidade também é fundamental. Personagens que não conseguem expressar plenamente seus pensamentos tornam-se representantes de uma sociedade marcada por rupturas.

Fotografia e direção

A câmera frequentemente permanece distante dos personagens, permitindo que acontecimentos importantes ocorram dentro do mesmo quadro sem montagem excessivamente explicativa.

Essa escolha cria uma experiência contemplativa e exige atenção do espectador. O silêncio possui tanto peso quanto os diálogos.

Ficha técnica

InformaçãoDetalhe
TítuloA City of Sadness
Título originalBeiqing chengshi
Ano1989
PaísTaiwan
DireçãoHou Hsiao-hsien
RoteiroWu Nien-jen e Chu T’ien-wen
ElencoTony Leung Chiu-wai, Xin Shufen, Chen Sung-young, Jack Kao
GêneroDrama histórico
Duração157 minutos
FotografiaChen Hwai-en
MontagemLiao Ching-sung
Trilha sonoraS.E.N.S.

Nota

⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de A City of Sadness

O bonequinho permanece imóvel durante boa parte do filme, não porque esteja dormindo, mas porque está completamente absorvido por uma história em que até o silêncio parece carregar décadas de sofrimento.


Yi Yi

Se A Brighter Summer Day representa a juventude, Yi Yi representa a vida adulta em toda sua complexidade.

Lançado em 2000, o filme acompanha três gerações de uma família de classe média em Taipei. O engenheiro NJ enfrenta problemas profissionais e sentimentais enquanto sua esposa passa por uma crise pessoal e os filhos observam o mundo a partir de perspectivas completamente diferentes.

Edward Yang transforma situações aparentemente banais em questões existenciais.

O olhar infantil

Um dos grandes méritos do roteiro é mostrar que crianças e adultos enxergam o mesmo mundo de maneiras diferentes.

O jovem Yang-Yang, por exemplo, possui uma curiosidade que o leva a questionar aquilo que os adultos aceitam como normal. Sua maneira de observar as pessoas se transforma em uma espécie de espelho da própria sociedade.

Direção

A composição dos enquadramentos é rigorosa. Janelas, portas, espelhos e corredores frequentemente separam personagens que estão fisicamente próximos, reforçando a ideia de distância emocional.

O filme recebeu o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes de 2000.

Ficha técnica

InformaçãoDetalhe
TítuloYi Yi
Título originalYi Yi
Ano2000
PaísTaiwan/Japão
DireçãoEdward Yang
RoteiroEdward Yang
ElencoWu Nien-jen, Elaine Jin, Issey Ogata, Kelly Lee, Jonathan Chang
GêneroDrama
Duração173 minutos
FotografiaYang Wei-han
MontagemChen Bo-wen
Trilha sonoraPeng Kai-Li

Nota

⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de Yi Yi

O bonequinho está sentado ao lado da janela, pensativo, tentando descobrir por que uma história aparentemente simples sobre uma família consegue falar tanto sobre a própria existência.


Eat Drink Man Woman

Ang Lee apresenta em Eat Drink Man Woman uma das combinações mais eficientes entre gastronomia, humor e drama familiar.

A história acompanha um chef aposentado e suas três filhas adultas. O ritual do jantar dominical, inicialmente apresentado como tradição familiar, transforma-se gradualmente em espaço para revelações, conflitos e mudanças.

O roteiro

O grande trunfo está na maneira como o roteiro utiliza a comida como linguagem emocional.

Os personagens nem sempre conseguem dizer o que sentem, mas o preparo de uma refeição, a disposição dos pratos e a reunião à mesa comunicam aquilo que permanece escondido.

O filme também discute a tensão entre tradição e modernidade, especialmente através das escolhas profissionais e afetivas das filhas.

Ficha técnica

InformaçãoDetalhe
TítuloEat Drink Man Woman
Título originalYin shi nan nu
Ano1994
PaísTaiwan/Estados Unidos
DireçãoAng Lee
RoteiroAng Lee, James Schamus e Wang Hui-Ling
ElencoSihung Lung, Yang Kuei-mei, Wu Chien-lien, Wang Yu-wen
GêneroDrama, comédia
DuraçãoAproximadamente 123 minutos
FotografiaJong Lin
MontagemAng Lee e Tim Squyres
Trilha sonoraMader

Nota

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Eat Drink Man Woman

O bonequinho está faminto, emocionado e olhando para a mesa de jantar como se tivesse descoberto que assistir a um filme também pode dar fome.


The Puppetmaster

Em The Puppetmaster, Hou Hsiao-hsien transforma a vida de um artista tradicional em uma reflexão sobre memória e história.

O filme acompanha o mestre de marionetes Li Tian-lu desde sua infância até o final da ocupação japonesa de Taiwan.

A obra utiliza elementos autobiográficos e históricos para mostrar como grandes acontecimentos políticos atingem indivíduos que simplesmente tentam sobreviver e preservar sua arte.

Uma biografia diferente

O longa não segue uma estrutura convencional de biografia. Em vez de transformar o protagonista em um herói tradicional, Hou observa sua trajetória com distância.

A utilização de relatos, encenações e momentos performáticos cria uma fronteira interessante entre memória e representação.

Ficha técnica

InformaçãoDetalhe
TítuloThe Puppetmaster
Título originalXimeng rensheng
Ano1993
PaísTaiwan
DireçãoHou Hsiao-hsien
RoteiroChu T’ien-wen e Wu Nien-jen
ElencoLi Tian-lu, Lim Giong, Tsai Chen-nan
GêneroDrama histórico, biografia
Duração142 minutos
FotografiaMark Lee Ping-bin
MontagemInformação não confirmada com segurança
Trilha sonoraChen Ming-chang

Nota

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de The Puppetmaster

O bonequinho assiste em silêncio, quase hipnotizado pelas marionetes e pelas lembranças de um homem que atravessou uma das épocas mais turbulentas de Taiwan.


Vive l’Amour

Vive l’Amour, de Tsai Ming-liang, é uma experiência cinematográfica muito diferente dos dramas familiares de Ang Lee ou Edward Yang.

Lançado em 1994, o filme acompanha três pessoas que, por diferentes motivos, acabam utilizando o mesmo apartamento vazio em Taipei.

A solidão é o verdadeiro protagonista.

Cinema da espera

Tsai Ming-liang utiliza planos longos, poucos diálogos e movimentos mínimos para criar uma atmosfera de isolamento.

O filme venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza, mas sua narrativa deliberadamente lenta pode exigir maior paciência.

A ausência de comunicação entre os personagens é justamente o ponto central da obra. Eles estão próximos fisicamente, mas emocionalmente permanecem separados.

Ficha técnica

InformaçãoDetalhe
TítuloVive l’Amour
Título originalAiqing wansui
Ano1994
PaísTaiwan
DireçãoTsai Ming-liang
RoteiroTsai Ming-liang, Tsai Yi-chun e Yang Pi-ying
ElencoYang Kuei-mei, Lee Kang-sheng, Chen Chao-jung
GêneroDrama
Duração118 minutos
FotografiaLiao Pen-jung e Lin Ming-kuo
MontagemSung Shia-cheng
Trilha sonoraInformação não confirmada com segurança

Nota

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Vive l’Amour

O bonequinho está sentado sozinho em um banco, olhando para o vazio. Ele não está dormindo. Está apenas entrando no clima do filme.


Rebels of the Neon God

Rebels of the Neon God marcou a estreia de Tsai Ming-liang na direção de longas-metragens.

Lançado em 1992, o filme acompanha jovens de Taipei que parecem não encontrar lugar em uma cidade cada vez mais impessoal.

Scooters, fliperamas, chuva, apartamentos, ruas e espaços comerciais formam um retrato urbano bastante particular.

Juventude e alienação

O longa trabalha com personagens que estão fisicamente próximos, mas emocionalmente isolados.

A cidade moderna aparece como um espaço de oportunidades e, simultaneamente, de desconexão. Essa contradição seria aprofundada em outros trabalhos de Tsai Ming-liang.

Ficha técnica

InformaçãoDetalhe
TítuloRebels of the Neon God
Título originalQing shaonian Nezha
Ano1992
PaísTaiwan
DireçãoTsai Ming-liang
RoteiroTsai Ming-liang
ElencoWang Yu-wen, Chen Chao-jung, Lee Kang-sheng
GêneroDrama
Duração106 minutos
FotografiaLiao Pen-jung
MontagemWang Chi-yang
Trilha sonoraHuang Shu-jun

Nota

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Rebels of the Neon God

O bonequinho está acordado, mas encostado na parede, observando a chuva cair e se perguntando por que Taipei parece tão grande quando ninguém consegue realmente se encontrar.


Cape No. 7

Depois de uma série de obras contemplativas e intimistas, Cape No. 7 demonstra outra faceta do cinema taiwanês.

Dirigido por Wei Te-sheng, o filme combina romance, comédia, música e memória histórica.

A narrativa acompanha um músico frustrado que retorna à cidade natal e acaba envolvido com uma banda improvisada. Paralelamente, cartas antigas revelam uma história de amor ligada ao período de domínio japonês.

Humor e identidade

O grande diferencial está no equilíbrio entre humor popular e questões históricas.

A música também desempenha função narrativa. As apresentações da banda não servem apenas como entretenimento, mas como representação de uma comunidade tentando recuperar autoestima e identidade.

O filme recebeu diversos prêmios e tornou-se um fenômeno importante dentro do cinema comercial taiwanês.

Ficha técnica

InformaçãoDetalhe
TítuloCape No. 7
Título originalHaijiao qi hao
Ano2008
PaísTaiwan
DireçãoWei Te-sheng
RoteiroWei Te-sheng
ElencoVan Fan, Chie Tanaka, Ethan Juan, Ma Nien-hsien
GêneroRomance, comédia, musical
FotografiaChin Ting-chang
MontagemInformação não confirmada com segurança
Trilha sonoraFred Lu e Lo Chi-Yi

Nota

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Cape No. 7

O bonequinho está empolgado, batendo o pé no ritmo da música e esperando que a banda consiga terminar o show sem transformar o palco em um desastre completo.


You Are the Apple of My Eye

Para quem procura uma porta de entrada mais acessível para o cinema taiwanês, You Are the Apple of My Eye é uma escolha interessante.

O filme de 2011, dirigido por Giddens Ko, acompanha um grupo de estudantes apaixonados pela mesma garota durante os anos escolares.

A narrativa começa como uma comédia juvenil, mas gradualmente transforma-se em uma reflexão sobre amadurecimento e memória.

O romance

O relacionamento entre Ko Ching-teng e Shen Chia-yi funciona porque o roteiro não transforma a adolescência em uma fase perfeita.

Há competição, imaturidade, insegurança e decisões equivocadas. O sentimento permanece importante justamente porque os personagens precisam crescer para compreender aquilo que viveram.

Ficha técnica

InformaçãoDetalhe
TítuloYou Are the Apple of My Eye
Título originalNa xie nian, wo men yi qi zhui de nu hai
Ano2011
PaísTaiwan
DireçãoGiddens Ko
RoteiroGiddens Ko
ElencoKai Ko, Michelle Chen
GêneroRomance, comédia, amadurecimento
DuraçãoAproximadamente 110 minutos
FotografiaPatrick Chou
MontagemLiao Ming-yi
Trilha sonoraInformação não confirmada com segurança

Nota

⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de You Are the Apple of My Eye

O bonequinho está sorrindo, lembrando daquela pessoa da adolescência que provavelmente nunca soube o tamanho do impacto que causou.


A Sun

A Sun, dirigido por Chung Mong-hong, é um drama familiar de grande intensidade emocional.

Lançado em 2019, o filme acompanha uma família que precisa lidar com as consequências das escolhas de seus dois filhos.

A narrativa começa com uma situação envolvendo criminalidade juvenil e amplia gradualmente sua discussão para temas como culpa, expectativas familiares, fracasso e necessidade de afeto.

O significado do título

A luz é um elemento recorrente na obra. O filme contrapõe momentos luminosos a ambientes escuros e utiliza a fotografia para sugerir que felicidade e sofrimento podem coexistir dentro da mesma família.

A direção não oferece respostas simples. Os personagens cometem erros, escondem sentimentos e muitas vezes não sabem como ajudar uns aos outros.

Reconhecimento

A Sun recebeu seis prêmios no Golden Horse Awards de 2019, incluindo Melhor Filme, Direção, Ator, Ator Coadjuvante, Montagem e Prêmio do Público.

Ficha técnica

InformaçãoDetalhe
TítuloA Sun
Título originalYang guang pu zhao
Ano2019
PaísTaiwan
DireçãoChung Mong-hong
RoteiroChung Mong-hong e Chang Yao-sheng
ElencoChen Yi-wen, Ko Shu-chin, Wu Chien-ho, Liu Kuan-ting, Greg Hsu
GêneroDrama familiar
Duração156 minutos
FotografiaNagao Nakashima
MontagemLai Hsiu-hsiung
Trilha sonoraLin Sheng-xiang
Classificação12 anos

Nota

⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de A Sun

O bonequinho passa boa parte do filme sério, olhando para a tela sem piscar. No final, está emocionalmente destruído, mas satisfeito por ter acompanhado aquela família até o último minuto.


Marry My Dead Body

Marry My Dead Body mostra como o cinema taiwanês contemporâneo consegue misturar comédia, investigação policial, fantasia sobrenatural e discussão sobre preconceito.

O protagonista é um policial que acaba envolvido em um casamento sobrenatural com um homem morto. A situação absurda serve de ponto de partida para uma investigação e para a construção de uma relação inicialmente marcada pela resistência.

Mais do que comédia

O humor é uma das principais ferramentas do roteiro, mas o filme não se limita a situações engraçadas.

A relação entre os protagonistas permite abordar homofobia, família, luto e aceitação sem abandonar o ritmo de uma comédia policial.

A produção ganhou o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado no Golden Horse Awards de 2023.

Ficha técnica

InformaçãoDetalhe
TítuloMarry My Dead Body
Título originalGuan yu wo he gui bian cheng jia ren de na jian shi
Ano2023
PaísTaiwan
DireçãoCheng Wei-hao
RoteiroCheng Wei-hao e Sharon Wu
ElencoGreg Hsu, Austin Lin, Gingle Wang
GêneroComédia, fantasia, policial
Duração129 minutos
FotografiaChen Chi-wen
MontagemChen Chun-hung
Trilha sonoraKay Liu

Nota

⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de Marry My Dead Body

O bonequinho começa assustado, passa a rir e termina completamente confuso tentando entender como um casamento com um fantasma virou uma investigação policial.


Left-Handed Girl

Entre as produções mais recentes, Left-Handed Girl representa uma nova geração do cinema taiwanês.

Dirigido por Shih-Ching Tsou, o filme acompanha uma mãe e suas duas filhas depois que a família retorna a Taipei e passa a administrar uma barraca de macarrão em um mercado noturno.

A criança mais nova, I-Jing, é canhota e entra em conflito com uma visão tradicional da família sobre o uso da mão esquerda.

Família e tradição

O filme utiliza uma situação aparentemente simples para discutir educação, tradição, relações entre gerações e expectativas sociais.

A perspectiva infantil também muda a maneira como Taipei é apresentada. O mercado noturno deixa de ser apenas cenário e passa a funcionar como um organismo vivo, cheio de ruídos, luzes, pessoas e pequenas histórias.

Produção e reconhecimento

O longa foi o primeiro filme solo de Shih-Ching Tsou na direção. Sean Baker participou do roteiro, montagem e produção.

Em 2025, Left-Handed Girl foi escolhido para representar Taiwan no Oscar de 2026 e posteriormente entrou na lista de 15 filmes pré-selecionados para Melhor Filme Internacional. Em janeiro de 2026, entretanto, não ficou entre os cinco indicados finais.

Ficha técnica

InformaçãoDetalhe
TítuloLeft-Handed Girl
Título originalZuo zhuo zi nu hai
Ano2025
PaísTaiwan, França, Reino Unido e Estados Unidos
DireçãoShih-Ching Tsou
RoteiroShih-Ching Tsou e Sean Baker
ElencoJanel Tsai, Ma Shih-Yuan, Nina Ye, Brando Huang
GêneroDrama familiar, amadurecimento
Duração108 minutos
FotografiaChen Ke-chin e Kao Tzu-hao
MontagemSean Baker
ProduçãoShih-Ching Tsou, Sean Baker, Mike Goodridge, Jean Labadie e Alice Labadie
Classificação12 anos

Nota

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Left-Handed Girl

O bonequinho está curioso, caminhando pelas ruas do mercado noturno e tentando acompanhar a protagonista enquanto ela descobre que as regras dos adultos nem sempre fazem sentido.


O que torna o cinema de Taiwan tão especial?

Uma das principais características do cinema taiwanês é a capacidade de transformar experiências individuais em retratos de uma sociedade inteira.

Em A City of Sadness, uma família permite observar acontecimentos históricos.

Em A Brighter Summer Day, a adolescência funciona como porta de entrada para compreender uma geração.

Em Yi Yi, uma família de classe média revela dúvidas universais sobre trabalho, casamento, envelhecimento e educação.

Já A Sun utiliza um drama doméstico para discutir culpa, violência, expectativas e afeto.

Essa capacidade de partir do pequeno para alcançar o universal é uma das razões pelas quais o cinema de Taiwan conquistou reconhecimento internacional.

A importância da Nova Onda Taiwanesa

A chamada Nova Onda Taiwanesa foi fundamental para a consolidação do cinema moderno do país.

Diretores como Edward Yang e Hou Hsiao-hsien ajudaram a estabelecer uma linguagem baseada em observação, realismo, personagens cotidianos e reconstrução histórica.

O movimento também rompeu com estruturas narrativas excessivamente convencionais. Silêncios prolongados, planos abertos, elipses e acontecimentos aparentemente banais passaram a ter enorme importância.

A Brighter Summer Day, A City of Sadness, The Puppetmaster, Yi Yi e Vive l’Amour são exemplos fundamentais dessa transformação.


Os melhores filmes de Taiwan por gênero

A Lista dos melhores filmes de Taiwan também pode ser organizada de acordo com o tipo de experiência procurada.

Para quem gosta de dramas históricos

A City of Sadness e The Puppetmaster são excelentes representantes de um cinema preocupado com memória, identidade e acontecimentos políticos.

Para quem prefere dramas familiares

Yi Yi, Eat Drink Man Woman e A Sun exploram conflitos familiares de maneiras muito diferentes.

Para quem gosta de romance

Cape No. 7 combina romance com música e comédia, enquanto You Are the Apple of My Eye aposta em nostalgia adolescente.

Para quem procura cinema mais contemplativo

Vive l’Amour e Rebels of the Neon God são escolhas importantes para conhecer o estilo de Tsai Ming-liang.

Para quem prefere produções contemporâneas

A Sun, Marry My Dead Body e Left-Handed Girl mostram como novas gerações continuam explorando questões sociais e familiares.


Qual é a importância cultural desses filmes?

Os melhores filmes de Taiwan não funcionam apenas como entretenimento. Muitos deles registram transformações profundas da sociedade.

A história política aparece de maneira especialmente forte em A City of Sadness, enquanto a memória pessoal e nacional se encontram em The Puppetmaster.

A urbanização aparece em Rebels of the Neon God. A modernização das relações familiares é central em Yi Yi.

Enquanto isso, Left-Handed Girl observa a sociedade contemporânea através da experiência de uma criança e de sua família.

Essa variedade demonstra por que é difícil reduzir o cinema taiwanês a um único estilo.


Lista dos melhores filmes de Taiwan: por onde começar?

Para quem nunca assistiu a uma produção taiwanesa, uma boa porta de entrada pode ser Eat Drink Man Woman, por sua combinação de drama, humor e gastronomia.

Quem prefere romance pode começar por You Are the Apple of My Eye.

Para uma experiência histórica, A City of Sadness apresenta uma das obras mais importantes da cinematografia taiwanesa.

Quem deseja conhecer Edward Yang pode escolher Yi Yi, enquanto A Brighter Summer Day oferece uma experiência mais longa e historicamente abrangente.

Para uma produção recente, Marry My Dead Body mostra a capacidade do cinema taiwanês de misturar gêneros, enquanto Left-Handed Girl apresenta uma perspectiva contemporânea sobre família, infância e tradição.

Conclusão

A Lista dos melhores filmes de Taiwan revela uma cinematografia muito mais diversa do que uma simples associação com dramas contemplativos poderia sugerir.

Há épicos históricos como A Brighter Summer Day, dramas políticos como A City of Sadness, retratos familiares como Yi Yi e A Sun, romances como You Are the Apple of My Eye, musicais como Cape No. 7, experimentações urbanas como Rebels of the Neon God e produções contemporâneas de gênero como Marry My Dead Body.

Mais importante do que escolher um único vencedor é perceber como essas obras, produzidas em épocas diferentes, apresentam diferentes imagens de Taiwan. Algumas olham para o passado; outras observam a juventude, a família, a cidade, a solidão ou as mudanças culturais do presente.

É justamente essa diversidade que faz do cinema taiwanês uma das cinematografias asiáticas mais interessantes para quem deseja descobrir histórias que combinam identidade local com temas universais.

Por: Alexandre lavrador. Opinião do Blogueiro.

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