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Lista dos melhores filmes do Uruguai

Lista dos melhores filmes do Uruguai: 8 obras essenciais do cinema uruguaio

Conheça uma seleção de grandes filmes do Uruguai, de clássicos contemporâneos a produções premiadas internacionalmente, que ajudam a entender a identidade, o humor, a memória e as transformações da sociedade uruguaia.

O cinema uruguaio ocupa um espaço particular na produção latino-americana. Com uma indústria relativamente pequena, o país desenvolveu uma cinematografia marcada por histórias intimistas, personagens comuns, humor melancólico, observação social e uma forte relação com Montevidéu e com as paisagens do interior.

Esta Lista dos melhores filmes do Uruguai reúne oito produções que representam diferentes momentos e tendências dessa cinematografia. A seleção passa pela comédia dramática independente, pelo cinema de autor, pelo drama histórico, pelo amadurecimento psicológico e por histórias ambientadas em pequenas comunidades.

Mais do que simplesmente reunir filmes premiados, a proposta é mostrar como o cinema uruguaio encontrou força justamente naquilo que poderia parecer pequeno: uma fábrica quase falida, um emprego sem perspectivas, uma visita papal, uma paixão silenciosa, uma sessão de cinema, uma adolescência sem rumo ou anos de confinamento político.

Lista dos melhores filmes do Uruguai: quais obras merecem atenção?

Não existe uma classificação universal capaz de determinar quais são definitivamente os melhores filmes uruguaios. O cinema do país possui características muito variadas, e obras de diferentes épocas podem se destacar por motivos completamente diferentes.

Ainda assim, alguns títulos se tornaram referências importantes. Entre eles estão 25 Watts, Whisky, O Banheiro do Papa, Gigante, A Vida Útil, Uma Noite de 12 Anos, Os Tubarões e A História Quase Verdadeira de Pepita, a Pistolera.

Cada produção apresenta uma faceta diferente do país.


1. 25 Watts

Lançado em 2001, 25 Watts é um dos filmes fundamentais para compreender a renovação do cinema uruguaio no início do século XXI.

Dirigido por Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll, o longa acompanha três jovens durante um sábado em Montevidéu. A história praticamente não depende de grandes acontecimentos. O interesse está nos diálogos, nas pequenas frustrações, nas amizades e na sensação de que os personagens estão presos entre a adolescência e uma vida adulta que ainda não sabem como enfrentar.

Essa aparente falta de objetivo é justamente o motor da narrativa.

História

Leche, Javi e Seba atravessam um dia marcado por encontros, conversas, conflitos amorosos, relações familiares e situações banais. O roteiro transforma acontecimentos cotidianos em matéria cinematográfica.

O resultado é uma comédia dramática de baixo orçamento que encontra humor em situações reconhecíveis e constrói uma imagem bastante específica da juventude urbana uruguaia.

Direção e estilo

A direção de Rebella e Stoll aposta em uma linguagem econômica, com fotografia em preto e branco e forte atenção aos espaços urbanos. A câmera acompanha os personagens sem tentar transformar suas vidas em algo maior do que são.

O filme conquistou prêmios internacionais, incluindo o Tiger Award no Festival de Roterdã e o prêmio de melhor primeira obra no Festival de Havana.

Atuações

Daniel Hendler, Jorge Temponi e Alfonso Tort formam o trio central. O desempenho dos atores combina naturalidade, humor e uma certa inadequação que combina perfeitamente com os personagens.

Ficha técnica

  • Título brasileiro: 25 Watts
  • Título original: 25 Watts
  • Ano: 2001
  • País: Uruguai
  • Direção: Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll
  • Roteiro: Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll
  • Elenco: Daniel Hendler, Jorge Temponi e Alfonso Tort
  • Gênero: Comédia dramática
  • Duração: aproximadamente 92 minutos
  • Fotografia: Bárbara Álvarez
  • Montagem: Fernando Epstein
  • Produção: Fernando Epstein e Inés Peñagaricano
  • Idioma: Espanhol

O bonequinho de 25 Watts

O bonequinho começa assistindo meio largado no sofá, mas rapidamente abre um sorriso ao perceber que o filme consegue transformar até uma conversa aparentemente inútil em uma pequena aventura. No fim, está acordado e divertidamente contemplativo.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas


2. Whisky

Se 25 Watts apresentou uma juventude sem rumo, Whisky voltou sua atenção para personagens mais velhos e para uma solidão silenciosa.

Lançado em 2004, o filme de Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll tornou-se uma das obras uruguaias mais reconhecidas internacionalmente. A produção recebeu o Prêmio do Olhar Original na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes.

História

Jacobo administra uma pequena fábrica de meias em Montevidéu. Solitário e preso a uma rotina rígida, ele mantém uma relação profissional distante com Marta, funcionária que trabalha há décadas no estabelecimento.

Quando seu irmão Herman anuncia uma visita, Jacobo pede a Marta que finja ser sua esposa durante alguns dias.

A situação aparentemente simples cria uma delicada comédia sobre solidão, envelhecimento, rotina e necessidade de afeto.

O que torna Whisky tão especial?

A força está principalmente naquilo que não é dito.

Silêncios, olhares, pequenas mudanças de comportamento e repetições fazem com que o espectador compreenda os personagens sem que o roteiro precise explicar seus sentimentos constantemente.

A fotografia de Bárbara Álvarez reforça essa atmosfera por meio de uma composição cuidadosa, enquanto a direção evita sentimentalismo excessivo.

Temas

O filme aborda:

  • solidão;
  • envelhecimento;
  • relações familiares;
  • rotina;
  • medo da mudança;
  • necessidade de pertencimento;
  • afeto reprimido;
  • dificuldade de comunicação.

Ficha técnica

  • Título brasileiro: Whisky
  • Título original: Whisky
  • Ano: 2004
  • País: Uruguai, Argentina, Espanha e Alemanha
  • Direção: Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll
  • Roteiro: Juan Pablo Rebella, Pablo Stoll e Gonzalo Delgado Galiana
  • Elenco: Andrés Pazos, Mirella Pascual e Jorge Bolani
  • Gênero: Comédia dramática
  • Duração: aproximadamente 100 minutos
  • Fotografia: Bárbara Álvarez
  • Montagem: Fernando Epstein
  • Idioma: Espanhol

O bonequinho de Whisky

O bonequinho passa boa parte do filme sentado, imóvel e observando tudo com atenção. No começo parece estar entediado; depois percebe que os silêncios são parte da graça e termina com aquele pequeno sorriso de quem acabou de descobrir algo por trás de uma história aparentemente simples.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas


3. O Banheiro do Papa

Entre os filmes mais populares associados ao cinema uruguaio está O Banheiro do Papa, produção de 2007 dirigida por César Charlone e Enrique Fernández.

A história se passa em Melo, cidade uruguaia próxima à fronteira com o Brasil, durante a preparação para a visita do papa João Paulo II em 1988.

História

Os moradores acreditam que milhares de peregrinos chegarão à cidade e enxergam no evento uma oportunidade econômica.

Beto, um contrabandista que vive com dificuldades financeiras, imagina uma maneira de ganhar dinheiro com a multidão: construir um banheiro público para atender os visitantes.

A partir dessa ideia, o filme mistura humor, pobreza, esperança e frustração.

Análise

O grande mérito está em não transformar os personagens pobres em simples símbolos de sofrimento.

Beto possui desejos, defeitos, ambições e contradições. Sua tentativa de melhorar de vida é simultaneamente engraçada e dolorosa porque nasce de uma expectativa econômica que pode não se concretizar.

O filme também trabalha muito bem a distância entre aquilo que as pessoas esperam de um grande acontecimento e aquilo que efetivamente acontece quando ele chega.

Contexto social

A obra aborda questões como:

  • desigualdade econômica;
  • esperança de ascensão social;
  • religiosidade;
  • fronteira;
  • trabalho informal;
  • pobreza;
  • expectativas coletivas;
  • relação entre grandes eventos e comunidades pequenas.

Ficha técnica

  • Título brasileiro: O Banheiro do Papa
  • Título original: El baño del Papa
  • Ano: 2007
  • País: Uruguai, Brasil e França
  • Direção: César Charlone e Enrique Fernández
  • Roteiro: César Charlone e Enrique Fernández
  • Elenco: César Troncoso, Virginia Méndez e Mario Silva
  • Gênero: Drama e comédia
  • Duração: aproximadamente 95 minutos
  • Fotografia: César Charlone
  • Idioma: Espanhol

O bonequinho de O Banheiro do Papa

O bonequinho fica rindo das ideias improvisadas de Beto, mas pouco a pouco abandona o sorriso e passa a torcer para que o personagem consiga realizar seu plano. Termina emocionado, segurando uma pequena toalha imaginária.

Nota: ⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas


4. Gigante

Lançado em 2009, Gigante é uma delicada história de amor dirigida por Adrián Biniez.

O protagonista é Jara, um segurança de supermercado que trabalha no turno da noite. Sua vida é marcada pela rotina até que ele passa a observar uma funcionária da limpeza, Julia.

Uma história de amor diferente

A relação não começa com grandes declarações.

Jara observa Julia pelas câmeras de segurança do supermercado e gradualmente passa a acompanhar seus movimentos. O comportamento inicialmente distante do personagem é utilizado para construir uma narrativa sobre timidez, desejo e dificuldade de aproximação.

O filme evita transformar o romance em uma sucessão convencional de encontros.

Fotografia e ambientação

Montevidéu ganha papel importante na narrativa. A cidade aparece como espaço de deslocamento e observação, enquanto supermercados, ruas e ambientes de trabalho reforçam a sensação de repetição.

A rotina não é apenas cenário: ela define a personalidade do protagonista.

Reconhecimento internacional

Gigante foi premiado no Festival de Berlim e também recebeu reconhecimento no Festival de San Sebastián.

Ficha técnica

  • Título brasileiro: Gigante
  • Título original: Gigante
  • Ano: 2009
  • País: Uruguai, Argentina e Alemanha
  • Direção: Adrián Biniez
  • Roteiro: Adrián Biniez
  • Elenco: Horacio Camandule, Leonor Svarcas e Fernando Amaral
  • Gênero: Drama e romance
  • Duração: aproximadamente 88 minutos
  • Fotografia: Álvaro Brechner
  • Montagem: Fernando Epstein
  • Idioma: Espanhol

O bonequinho de Gigante

O bonequinho começa escondido atrás da poltrona, espiando junto com Jara. Aos poucos vai criando coragem para sair e, quando percebe que o romance pode realmente acontecer, fica completamente apaixonado.

Nota: ⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas


5. A Vida Útil

Entre as obras mais cinéfilas desta Lista dos melhores filmes do Uruguai, A Vida Útil ocupa um lugar especial.

Dirigido por Federico Veiroj, o longa acompanha Jorge, homem que passou cerca de 25 anos trabalhando em uma cinemateca e que precisa enfrentar uma transformação radical quando perde o emprego.

Cinema dentro do cinema

O filme funciona simultaneamente como história de personagem e declaração de amor à experiência cinematográfica.

Jorge conhece profundamente o ambiente da cinemateca, mas tem dificuldades para lidar com um mundo exterior que exige novas habilidades e comportamentos.

Essa oposição cria o coração da narrativa.

O significado do título

A expressão “vida útil” pode ser entendida de várias maneiras.

Ela se refere à trajetória profissional de Jorge, mas também questiona a ideia de que uma pessoa deixa de ter valor quando uma determinada função deixa de existir.

O cinema, nesse sentido, torna-se uma metáfora para memória, identidade e passagem do tempo.

Premiação

A produção recebeu reconhecimento em diferentes festivais internacionais, incluindo uma menção especial em San Sebastián e prêmios em eventos cinematográficos da América Latina.

Ficha técnica

  • Título brasileiro: A Vida Útil
  • Título original: La vida útil
  • Ano: 2010
  • País: Uruguai e Espanha
  • Direção: Federico Veiroj
  • Roteiro: Inés Bortagaray, Gonzalo Delgado, Arauco Hernández Holz e Federico Veiroj
  • Elenco: Jorge Jellinek, Manuel Martínez Carril e Paola Venditto
  • Gênero: Drama
  • Duração: aproximadamente 67 minutos
  • Fotografia: Arauco Hernández Holz
  • Montagem: Arauco Hernández Holz e Federico Veiroj
  • Música: Eduardo Fabini, Leo Masliah e Macunaíma
  • Idioma: Espanhol

O bonequinho de A Vida Útil

O bonequinho chega à sessão carregando uma pilha de ingressos antigos. Durante o filme, fica nostálgico e começa a olhar para a própria estante de DVDs. No final, está emocionado e com vontade de assistir a outro filme imediatamente.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas


6. Uma Noite de 12 Anos

Uma Noite de 12 Anos, lançado em 2018, leva o cinema uruguaio para um território muito mais sombrio.

Dirigido por Álvaro Brechner, o filme dramatiza os anos de prisão e isolamento enfrentados por três integrantes do movimento Tupamaro durante a ditadura uruguaia, entre eles José Mujica, Mauricio Rosencof e Eleuterio Fernández Huidobro.

História

Os protagonistas são submetidos a longos períodos de confinamento, isolamento e violência psicológica.

A narrativa concentra-se menos na ação política e mais na experiência física e mental de permanecer preso durante anos.

Direção

Brechner constrói boa parte da tensão a partir do espaço limitado.

Corredores, celas, paredes e ambientes escuros tornam-se elementos narrativos. O espectador experimenta uma sensação constante de confinamento.

Essa escolha faz com que o filme dependa muito das atuações.

Atuações

Antonio de la Torre interpreta José Mujica, enquanto Chino Darín e Alfonso Tort interpretam Mauricio Rosencof e Eleuterio Fernández Huidobro.

O trio consegue transmitir diferentes formas de reagir ao isolamento: resistência, desespero, imaginação, amizade e tentativa de preservar a própria identidade.

Temas abordados

  • ditadura uruguaia;
  • repressão política;
  • isolamento;
  • resistência;
  • amizade;
  • memória;
  • sobrevivência;
  • liberdade.

Ficha técnica

  • Título brasileiro: Uma Noite de 12 Anos
  • Título original: La noche de 12 años
  • Ano: 2018
  • País: Uruguai, Espanha, Argentina e França
  • Direção: Álvaro Brechner
  • Roteiro: Álvaro Brechner
  • Elenco: Antonio de la Torre, Chino Darín, Alfonso Tort, Soledad Villamil e César Troncoso
  • Gênero: Drama histórico
  • Duração: aproximadamente 122 minutos
  • Fotografia: Carlos Catalán
  • Montagem: Irene Blecua
  • Idioma: Espanhol

O bonequinho de Uma Noite de 12 Anos

Aqui o bonequinho não está simplesmente sentado. Ele permanece imóvel, assustado e completamente concentrado na tela. Ao final, levanta devagar, respira fundo e fica alguns minutos em silêncio.

Nota: ⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas


7. Os Tubarões

Lançado em 2019, Os Tubarões representa uma geração mais recente do cinema uruguaio.

Dirigido por Lucía Garibaldi, o filme acompanha Rosina, uma adolescente de 14 anos que vive em uma pequena localidade costeira onde surge o rumor de uma possível presença de tubarões no mar.

Adolescência e desejo

O elemento mais importante da história não é necessariamente o perigo marítimo.

A ameaça dos tubarões funciona como uma espécie de espelho para o período de transformação vivido pela protagonista.

Rosina começa a experimentar sentimentos, desejo, curiosidade e impulsividade, enquanto tenta compreender a própria relação com o mundo ao redor.

Estilo

A diretora utiliza a paisagem costeira como parte da narrativa. O mar, as praias e os espaços vazios ajudam a construir uma atmosfera de expectativa.

A natureza parece tranquila, mas existe constantemente a possibilidade de alguma coisa romper essa tranquilidade.

Premiação

A produção recebeu diversos reconhecimentos internacionais, incluindo o prêmio de direção na mostra World Cinema Dramatic do Festival de Sundance e outras distinções em festivais internacionais.

Ficha técnica

  • Título brasileiro: Os Tubarões
  • Título original: Los tiburones
  • Ano: 2019
  • País: Uruguai, Argentina e Espanha
  • Direção: Lucía Garibaldi
  • Roteiro: Lucía Garibaldi
  • Elenco: Romina Bentancur, Federico Morosini, Fabián Arenillas e Valeria Lois
  • Gênero: Drama
  • Duração: 80 minutos
  • Fotografia: Germán Nocella
  • Montagem: Sebastián Schjaer
  • Música: Fabrizio Rossi e Miguel Recalde
  • Idioma: Espanhol

O bonequinho de Os Tubarões

O bonequinho começa olhando para o mar com desconfiança. Depois fica curioso, inquieto e passa o filme inteiro tentando descobrir onde está o perigo. No final, continua olhando para trás antes de sair da sala.

Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas


8. A História Quase Verdadeira de Pepita, a Pistolera

Para completar a Lista dos melhores filmes do Uruguai, vale voltar aos anos 1990 com A História Quase Verdadeira de Pepita, a Pistolera, dirigido por Beatriz Flores Silva.

Lançado em 1993, o longa apresenta uma narrativa baseada em uma figura criminosa real e combina drama, humor e observação social.

História

A personagem central é uma pequena assaltante que vive uma existência bastante diferente da imagem tradicional de uma grande criminosa.

A narrativa aposta na construção de personagens e no cotidiano, evitando transformar a protagonista em uma caricatura.

A força do roteiro

A obra se destaca pela maneira como observa o ambiente social e pela atenção à linguagem cotidiana de Montevidéu.

O humor ajuda a tornar a história acessível, mas existe também uma camada de crítica social e de retrato de uma população vivendo em circunstâncias econômicas difíceis.

Importância histórica

A História Quase Verdadeira de Pepita, a Pistolera é especialmente importante para entender a trajetória do cinema uruguaio anterior à explosão internacional de títulos como 25 Watts e Whisky.

Ficha técnica

  • Título brasileiro: A História Quase Verdadeira de Pepita, a Pistolera
  • Título original: La historia casi verdadera de Pepita la Pistolera
  • Ano: 1993
  • País: Uruguai
  • Direção: Beatriz Flores Silva
  • Roteiro: Ariel Caldarelli, Beatriz Flores Silva e Janos Kovasci
  • Elenco: María Inés Flores, Margarita Musto, Alberto Sobrino, Nelson Albano e Eduardo Migliónico
  • Gênero: Drama
  • Duração: 66 minutos
  • Fotografia: René Rojo
  • Música: Gonzalo Moreira e Gustavo Ripa
  • Idioma: Espanhol

O bonequinho de A História Quase Verdadeira de Pepita, a Pistolera

O bonequinho entra na sessão esperando uma história policial tradicional, mas rapidamente fica surpreso com o humor e com a humanidade dos personagens. Termina acordado, curioso e querendo conhecer mais sobre o cinema uruguaio dos anos 1990.

Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas


O que os melhores filmes do Uruguai têm em comum?

Apesar das diferenças entre as produções desta Lista dos melhores filmes do Uruguai, algumas características aparecem repetidamente.

Personagens comuns

Muitos filmes uruguaios preferem acompanhar pessoas comuns em situações extraordinárias ou aparentemente banais.

Em Whisky, um homem solitário administra uma pequena fábrica. Em Gigante, um segurança vive uma paixão silenciosa. Em A Vida Útil, um funcionário de cinemateca precisa reinventar sua existência.

O cotidiano deixa de ser pano de fundo e passa a ser o próprio assunto.

Humor melancólico

Outro elemento recorrente é a mistura de humor e tristeza.

Os personagens podem estar enfrentando problemas financeiros, solidão, falta de perspectivas ou mudanças importantes, mas o roteiro encontra situações engraçadas nesses mesmos momentos.

Esse equilíbrio evita que os filmes se tornem excessivamente pessimistas.

Montevidéu como personagem

A capital uruguaia aparece de diferentes maneiras.

Ruas, bairros residenciais, fábricas, supermercados, cinemas, bares e espaços de trabalho ajudam a construir uma identidade visual.

Em alguns casos, a cidade praticamente funciona como uma extensão dos personagens.

Histórias pequenas com temas grandes

Uma das características mais interessantes da cinematografia uruguaia é a capacidade de transformar uma situação aparentemente pequena em uma discussão ampla.

Um banheiro pode representar esperança econômica.

Uma fábrica pode representar uma vida inteira de solidão.

Uma cinemateca pode representar a passagem do tempo.

Um supermercado pode se transformar no cenário de uma história de amor.

Uma praia pode representar a descoberta da adolescência.

Essa capacidade de encontrar significado no cotidiano é uma das razões pelas quais os filmes uruguaios conseguem ultrapassar as fronteiras do próprio país.


O cinema uruguaio e a identidade latino-americana

A produção cinematográfica do Uruguai também se beneficia de sua posição geográfica e cultural.

O país mantém relações históricas e culturais profundas com Argentina e Brasil, e várias produções contam com coproduções internacionais.

Isso permite que cineastas uruguaios trabalhem com diferentes estruturas de produção sem abandonar histórias profundamente relacionadas à realidade local.

O resultado é uma cinematografia simultaneamente nacional e internacional.


Do cinema independente ao reconhecimento internacional

Uma característica importante do cinema uruguaio contemporâneo é a capacidade de produções relativamente pequenas alcançarem grandes festivais.

25 Watts chamou atenção internacional ainda no início dos anos 2000.

Poucos anos depois, Whisky recebeu uma importante distinção em Cannes.

Gigante foi reconhecido em Berlim.

A Vida Útil percorreu importantes festivais internacionais.

Os Tubarões mostrou a força de uma nova geração de cineastas.

Já Uma Noite de 12 Anos demonstrou que o cinema uruguaio também poderia tratar de episódios históricos de enorme dimensão sem abandonar uma abordagem centrada nos indivíduos.


Comparação entre os filmes selecionados

FilmeAnoPrincipal característicaNota
25 Watts2001Juventude e cotidiano⭐⭐⭐⭐⭐
Whisky2004Solidão e relações humanas⭐⭐⭐⭐⭐
O Banheiro do Papa2007Humor e desigualdade⭐⭐⭐⭐½
Gigante2009Amor e timidez⭐⭐⭐⭐½
A Vida Útil2010Cinema e passagem do tempo⭐⭐⭐⭐⭐
Uma Noite de 12 Anos2018Ditadura e resistência⭐⭐⭐⭐½
Os Tubarões2019Adolescência e desejo⭐⭐⭐⭐
A História Quase Verdadeira de Pepita, a Pistolera1993Crime e retrato social⭐⭐⭐⭐

Qual filme uruguaio escolher para começar?

A resposta depende do tipo de experiência procurada.

Quem gosta de histórias de juventude e humor cotidiano pode começar por 25 Watts.

Para uma experiência mais contemplativa, Whisky é uma escolha natural.

Quem prefere uma combinação de humor, emoção e crítica social pode optar por O Banheiro do Papa.

Já Gigante atende melhor quem procura uma história romântica pouco convencional.

Para cinéfilos, A Vida Útil oferece uma experiência especialmente ligada à própria cultura cinematográfica.

Quem prefere dramas históricos pode escolher Uma Noite de 12 Anos.

Para uma perspectiva contemporânea sobre adolescência e desejo, Os Tubarões é uma alternativa interessante.

E quem deseja conhecer uma obra anterior à consolidação internacional do cinema uruguaio pode procurar A História Quase Verdadeira de Pepita, a Pistolera.


Conclusão

A Lista dos melhores filmes do Uruguai revela uma cinematografia que raramente precisa de grandes espetáculos para produzir histórias marcantes.

Os filmes selecionados percorrem juventude, velhice, amor, solidão, pobreza, memória, ditadura, desejo, trabalho e cinema. São histórias muito diferentes, mas existe entre elas uma característica comum: a atenção aos detalhes.

25 Watts transforma um sábado aparentemente sem importância em retrato de uma geração. Whisky encontra drama em silêncios e gestos mínimos. O Banheiro do Papa transforma uma promessa de riqueza em reflexão sobre esperança e desigualdade. Gigante constrói romance a partir da timidez. A Vida Útil fala sobre envelhecimento e reinvenção através do amor pelo cinema. Uma Noite de 12 Anos transforma a história política em experiência humana. Os Tubarões utiliza o mar para falar sobre amadurecimento. E A História Quase Verdadeira de Pepita, a Pistolera mostra a riqueza do cinema uruguaio antes de sua projeção internacional mais recente.

Em conjunto, esses títulos ajudam a compreender por que o cinema uruguaio se tornou uma das cinematografias latino-americanas mais interessantes para quem procura filmes humanos, autorais e atentos às pequenas histórias que existem por trás dos grandes acontecimentos.

Por: Alexandre lavrador. Opinião do Blogueiro.

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