A história dos primeiros livros, leitores, resenhas e registros da maior rede social brasileira dedicada à leitura
Antes de Goodreads, antes da explosão dos aplicativos de leitura e antes de transformar a estante de livros em uma espécie de perfil social, o Brasil já tinha uma rede criada especificamente para quem gostava de ler.
Seu nome era Skoob.
Lido ao contrário, Skoob é simplesmente books, palavra inglesa para “livros”. A ideia parecia simples: criar uma rede social na qual o principal elemento do perfil não fosse uma fotografia, uma frase ou uma lista de amigos, mas a própria biblioteca do usuário.
A pessoa poderia informar quais livros já havia lido, quais estava lendo, quais queria ler, quais havia abandonado, quais desejava comprar, quais possuía e quais poderia trocar.
Ao redor dessa estante virtual nasceram resenhas, avaliações, comentários, amizades, grupos, trocas de livros, rankings e uma enorme comunidade de leitores.
O mais interessante é que o Skoob começou de uma maneira extremamente pequena.
O projeto foi criado pelo analista de internet e sistemas Lindenberg Moreira, no Rio de Janeiro, inicialmente para resolver uma necessidade pessoal e de seus colegas: compartilhar experiências sobre livros.
A rede entrou no ar no final de dezembro de 2008, com apenas algumas centenas de usuários. Em poucos meses, já tinha dezenas de milhares de leitores.
E, ao contrário de várias redes sociais antigas cuja primeira publicação desapareceu completamente, o Skoob deixou alguns vestígios muito antigos preservados no próprio site.
Um deles é particularmente valioso: uma resenha publicada pelo próprio Lindenberg em 30 de janeiro de 2009, apenas algumas semanas depois do nascimento da plataforma.
Essa é uma das melhores pistas atualmente disponíveis para reconstruir os primeiros dias do Skoob.
O que era o Skoob?
O Skoob não nasceu como uma simples base de dados de livros.
Desde o início, sua proposta era combinar catálogo bibliográfico + estante pessoal + rede social.
Cada usuário podia montar sua própria estante virtual e indicar diferentes relações com cada livro.
Entre as categorias existentes estavam:
- lidos;
- lendo;
- quero ler;
- relendo;
- abandonados;
- favoritos;
- desejados;
- emprestados;
- disponíveis para troca.
O usuário também podia avaliar livros com estrelas, escrever resenhas e visualizar o que outras pessoas estavam lendo.
Uma reportagem do Jornal do Brasil publicada em março de 2009 descreveu o serviço como uma mistura de rede social com catálogo de livros e destacou justamente a possibilidade de acompanhar as estantes dos outros usuários.
O Skoob ainda possuía um recurso chamado paginômetro, que contabilizava a quantidade de páginas lidas pelo usuário com base nos livros registrados como lidos.
Era uma maneira curiosa de transformar um hábito normalmente privado — ler — em uma atividade social e mensurável.
1. Novembro de 2008 — nasce a ideia do Skoob
A história começa antes de o primeiro usuário entrar.
Segundo entrevista publicada pela Gazeta do Povo, Lindenberg Moreira teve a ideia do Skoob em novembro de 2008, quando trabalhava como analista de internet em uma universidade no Rio de Janeiro.
A intenção inicial era criar uma rede para trocar experiências de leitura sobre livros técnicos com seus colegas de trabalho.
A ideia não nasceu, portanto, de um grande plano empresarial.
Era uma necessidade concreta:
“Como reunir pessoas que trabalham com internet e gostam de livros em um mesmo ambiente?”
A resposta foi uma rede social especializada.
Essa origem é importante porque explica por que o Skoob tinha uma arquitetura diferente das redes sociais tradicionais.
Em vez de começar pelo usuário e depois perguntar o que ele queria publicar, começava pelo livro.
O livro era o centro.
O usuário vinha depois.
2. Dezembro de 2008 — o Skoob entra no ar
As fontes históricas apresentam pequenas diferenças na data exata de lançamento.
Algumas registram 30 de dezembro de 2008; outras tratam o serviço como lançado em 1º de janeiro de 2009 ou simplesmente como uma plataforma que surgiu na virada de 2008 para 2009.
Uma reportagem contemporânea do Jornal do Brasil é particularmente útil porque descreve a situação do site nos primeiros meses: o Skoob teria entrado no ar inicialmente para apenas 300 usuários.
Outra publicação de fevereiro de 2009 também registrava que o site havia começado com aproximadamente 300 usuários e alguns poucos livros cadastrados.
Portanto, a formulação historicamente mais segura é:
o Skoob nasceu no fim de dezembro de 2008, na virada para 2009, inicialmente como uma rede pequena e restrita ao círculo de amigos do fundador.
3. Os primeiros 300 usuários
Os primeiros usuários do Skoob não chegaram por uma grande campanha publicitária.
Eram principalmente amigos e pessoas próximas dos criadores.
Lindenberg posteriormente explicou que havia inicialmente aberto a plataforma apenas para seus amigos, mas que alguém acabou divulgando o endereço no Orkut.
A partir daí, o crescimento deixou de ser controlável.
Uma reportagem da Gazeta do Povo registra justamente essa virada: o fundador abriu o serviço inicialmente para conhecidos, alguém divulgou a novidade no Orkut e o Skoob começou a receber usuários de fora do grupo original.
Esse detalhe é fundamental.
O Skoob cresceu pelo mesmo mecanismo que impulsionava várias comunidades brasileiras daquela época:
boca a boca + blogs + Orkut.
Não houve necessidade de uma campanha milionária.
Os próprios leitores fizeram a divulgação.
4. Os primeiros livros do Skoob
Aqui aparece uma das informações mais preciosas sobre o nascimento da plataforma.
Em uma reportagem do Jornal do Brasil publicada em 13 de março de 2009, Lindenberg Moreira explicou que, como criador do sistema, ele próprio foi o primeiro responsável por cadastrar livros.
A reportagem registra que a gênese do catálogo esteve em três títulos:
- Marley e Eu;
- O Caçador de Pipas;
- O Código Da Vinci.
Isso não significa necessariamente que esses três livros tenham sido os primeiros registros técnicos em ordem de banco de dados.
Mas significa que existe uma declaração contemporânea do fundador identificando essas obras como a gênese do catálogo do Skoob.
É uma diferença importante.
Uma coisa é saber qual registro recebeu o menor ID.
Outra é saber quais livros o próprio criador utilizou para começar a construir a biblioteca da plataforma.
5. Janeiro de 2009 — os primeiros registros de livros começam a aparecer
A estrutura atual do Skoob preserva registros antigos de cadastro.
Um exemplo é A Semente da Vitória, de Nuno Cobra.
Na página atual do livro, o histórico registra:
Lindenberg — cadastrou em 26/01/2009 às 19:03:06.
Esse registro é extremamente importante.
Ele demonstra que o banco de dados atual ainda conserva pelo menos parte dos metadados de sua primeira fase.
Mais importante ainda: o cadastro ocorreu praticamente no primeiro mês de existência do serviço.
Isso transforma páginas de livros atuais em verdadeiras pequenas cápsulas arqueológicas.
O Skoob não preservou apenas as páginas dos livros.
Em alguns casos, preservou também quem os cadastrou e quando.
6. 30 de janeiro de 2009 — uma das primeiras resenhas preservadas
Cinco dias depois do registro de A Semente da Vitória, aparece outro documento histórico extraordinário.
Na página de Alta Performance em Sites Web, de Steve Souders, existe uma resenha assinada por Lindenberg Moreira com data de:
30/01/2009.
O fundador avaliou o livro com 4 estrelas, classificando-o como “Muito bom”.
Essa publicação é uma das evidências mais antigas que conseguimos localizar de uma interação textual do próprio fundador dentro do Skoob.
O conteúdo da resenha também combina perfeitamente com a origem profissional do projeto.
O livro tratava justamente de performance de sites, CSS, JavaScript, Ajax, imagens e otimização web — assuntos diretamente relacionados ao universo profissional de Lindenberg.
Portanto, esse registro é mais do que uma simples resenha.
É uma fotografia do tipo de leitor que estava ajudando a construir o Skoob em seus primeiros dias.
7. O primeiro catálogo era muito menor do que o atual
Em fevereiro de 2009, o Skoob ainda estava em uma fase extremamente inicial.
Uma reportagem publicada em 25 de fevereiro de 2009 informava que o serviço já tinha mais de 10 mil usuários e aproximadamente 15 mil livros cadastrados.
A diferença em relação ao Skoob moderno é gigantesca.
Hoje, o catálogo é composto por milhões de registros e a plataforma funciona como uma gigantesca base social de livros, autores e leitores.
Naquele momento, entretanto, o catálogo estava sendo construído praticamente junto com os usuários.
Se um livro não estivesse cadastrado, o próprio leitor podia incluí-lo.
Uma matéria publicada pela Universidade Federal de Sergipe em setembro de 2009 registra justamente essa característica: como muitos livros ainda não estavam no banco de dados, os próprios usuários podiam cadastrá-los com título, autor, editora, ISBN, capa e informações gerais.
Ou seja:
o catálogo do Skoob foi construído colaborativamente.
8. Fevereiro de 2009 — o Skoob explode no Orkut
O crescimento foi extremamente rápido.
Segundo o Jornal do Brasil, o Skoob havia começado com apenas 300 usuários.
Durante o Carnaval de 2009, a plataforma alcançou aproximadamente 10 mil usuários, depois de ter passado por uma fase em que tinha cerca de 4 mil.
Outra reportagem, publicada em 25 de fevereiro, já registrava mais de 10 mil cadastrados e 15 mil livros.
O crescimento havia ocorrido em apenas cerca de três meses.
A principal ferramenta de divulgação foi o próprio comportamento social dos usuários.
As pessoas compartilhavam a novidade em:
- blogs;
- comunidades do Orkut;
- conversas entre leitores;
- redes de amigos.
O Skoob encontrou um nicho que praticamente não tinha uma grande plataforma brasileira especializada.
9. Março de 2009 — mais de 15 mil leitores e uma comunidade já ativa
Em 13 de março de 2009, o Jornal do Brasil publicou uma extensa reportagem sobre o Skoob.
Naquele momento, a rede já tinha mais de 15 mil usuários, mais de 18 mil livros cadastrados e aproximadamente 320 mil pageviews por dia.
A plataforma já permitia:
- avaliações;
- resenhas;
- comentários;
- diários de leitura;
- amizades;
- recados;
- etiquetas de livros;
- favoritos;
- livros abandonados;
- livros desejados;
- livros disponíveis para troca;
- acompanhamento do número de páginas lidas.
O site também calculava a compatibilidade entre as estantes de dois usuários.
Essa função é particularmente interessante.
Imagine dois leitores visitando os perfis um do outro.
O Skoob podia mostrar o quanto suas bibliotecas tinham em comum.
Era uma maneira de transformar gosto literário em uma espécie de DNA social.
10. A primeira grande disputa literária do Skoob
Nos primeiros meses, até os rankings do Skoob já começavam a produzir suas próprias histórias.
Um dos primeiros fenômenos registrados foi a disputa entre fãs de Crepúsculo e Harry Potter.
Segundo a reportagem do Jornal do Brasil, Crepúsculo começou dominando o ranking dos livros mais lidos.
Quando fãs de Harry Potter perceberam a situação, fizeram uma campanha para que os usuários cadastrassem os livros da série como lidos.
O resultado foi uma mudança no ranking.
A partir daquele momento, os livros de Harry Potter passaram a dominar a lista.
Esse episódio é importante porque demonstra que os usuários já estavam descobrindo uma característica fundamental de qualquer rede social:
os sistemas de classificação também podem virar espaços de competição comunitária.
Não era apenas uma lista automática.
Era uma disputa entre fandoms.
Quem foi o primeiro usuário do Skoob?
Aqui a situação é diferente de redes como Reddit ou Mastodon.
Não existe uma documentação pública que permita afirmar categoricamente:
“este foi o primeiro usuário do Skoob.”
Lindenberg Moreira é, naturalmente, o fundador e um dos primeiros participantes.
Além disso, a própria documentação jornalística deixa claro que ele foi responsável pelos primeiros cadastros de livros.
Mas isso não significa que seu perfil tenha necessariamente recebido o primeiro ID de usuário.
O sistema poderia ter criado registros administrativos ou outros cadastros durante o desenvolvimento.
Portanto, a resposta mais segura é:
Lindenberg Moreira foi o fundador e um dos primeiros usuários documentados, mas não há evidência pública suficiente para afirmar que ele foi tecnicamente o usuário nº 1.
Qual foi a primeira postagem do Skoob?
Também não é possível identificar com segurança.
Existe uma diferença fundamental entre:
primeiro livro cadastrado;
primeira resenha;
primeiro comentário;
primeiro post social;
primeiro registro no banco de dados.
Essas coisas não são necessariamente iguais.
O que conseguimos provar é que:
- o fundador cadastrou livros nos primeiros dias;
- A Semente da Vitória tem registro de cadastro por Lindenberg em 26 de janeiro de 2009;
- Lindenberg publicou uma resenha em 30 de janeiro de 2009;
- o Skoob já tinha milhares de usuários e milhares de livros em fevereiro e março.
Mas nenhum documento encontrado permite dizer:
“esta foi a primeira postagem da história do Skoob.”
Por isso, não seria correto inventar uma.
Os 10 registros mais antigos da história do Skoob
Como acontece com outras plataformas antigas, a expressão “10 primeiras postagens” precisa ser tratada como uma reconstrução histórica.
Aqui estão os dez registros mais antigos e significativos que conseguimos documentar:
1. Novembro de 2008 — a ideia nasce
Lindenberg Moreira concebe uma rede social para compartilhar experiências de leitura com colegas de trabalho.
2. Final de dezembro de 2008 — o site entra no ar
O Skoob começa sua operação com aproximadamente 300 usuários, ainda dentro do círculo de amigos.
3. Primeiros livros — Marley e Eu, O Caçador de Pipas e O Código Da Vinci
O fundador identifica esses três títulos como a gênese do catálogo do Skoob.
4. 26 de janeiro de 2009 — cadastro de A Semente da Vitória
O registro atual da página do livro conserva Lindenberg como responsável pelo cadastro, com horário de 19:03:06.
5. 30 de janeiro de 2009 — resenha de Alta Performance em Sites Web
Lindenberg publica uma das primeiras resenhas preservadas, avaliando o livro com quatro estrelas.
6. Fevereiro de 2009 — 10 mil usuários
O Skoob ultrapassa a marca de 10 mil cadastrados em aproximadamente três meses de existência.
7. Fevereiro de 2009 — 15 mil livros
A biblioteca colaborativa chega a cerca de 15 mil obras cadastradas.
8. Carnaval de 2009 — explosão de usuários
O Skoob salta de aproximadamente 4 mil para cerca de 10 mil usuários durante o período, impulsionado pelo boca a boca e pela divulgação online.
9. Março de 2009 — mais de 15 mil usuários e 18 mil livros
O Jornal do Brasil registra o crescimento acelerado e uma comunidade já bastante ativa.
10. Março de 2009 — rankings e disputa Harry Potter × Crepúsculo
O comportamento dos usuários já começava a modificar os rankings de livros mais lidos, revelando o surgimento de dinâmicas coletivas dentro da plataforma.
A primeira estante virtual
A grande inovação do Skoob não estava em permitir que alguém escrevesse uma resenha.
Blogs já faziam isso.
Também não estava simplesmente em criar uma lista de livros.
Isso já existia.
O diferencial estava em juntar tudo em uma estante virtual social.
O usuário não dizia apenas:
“Eu gosto deste livro.”
Ele podia dizer:
“Eu li este livro.”
Ou:
“Estou lendo.”
Ou:
“Quero ler.”
Ou:
“Abandonei.”
Ou:
“Tenho este livro.”
Ou:
“Quero trocar.”
A biblioteca pessoal se transformava em uma espécie de identidade pública.
Uma reportagem contemporânea chegou a descrever o Skoob como um ambiente em que o que importava não eram fotos pessoais ou preferências esportivas, mas o que os usuários estavam lendo.
O Skoob transformou leitura em informação social
Essa foi provavelmente a maior contribuição do Skoob.
A leitura tradicionalmente acontece em silêncio.
Uma pessoa pega um livro, senta e lê.
Depois, guarda o livro.
No Skoob, o processo podia continuar.
O leitor registrava:
o livro que terminou;
a nota que deu;
a resenha que escreveu;
o número de páginas;
o próximo livro que queria ler;
as pessoas que tinham gostos semelhantes.
Assim, uma atividade individual transformava-se em uma atividade social.
Um artigo acadêmico publicado na revista Palimpsesto descreve justamente o Skoob como uma rede na qual leitores compartilham leituras, escrevem resenhas, publicam comentários, interagem e até trocam livros.
A comunidade começou a cadastrar os próprios livros
Outro elemento essencial da história inicial foi a colaboração.
O Skoob não poderia começar com milhões de títulos cadastrados.
Era necessário construir a base de dados.
Por isso, os próprios usuários podiam adicionar obras ausentes.
Em 2009, essa função era particularmente importante porque o catálogo ainda estava em formação.
Isso criou um efeito de crescimento:
mais usuários → mais livros cadastrados → catálogo melhor → mais utilidade → mais usuários.
A comunidade não apenas consumia o serviço.
Ela ajudava a construir a própria infraestrutura.
O Skoob e o Orkut
É impossível entender o crescimento inicial do Skoob sem mencionar o Orkut.
No fim dos anos 2000, o Orkut era uma das principais portas de entrada para comunidades brasileiras na internet.
Foi justamente ali que o Skoob começou a ser divulgado.
A reportagem da Gazeta do Povo registra que a divulgação inicialmente feita entre amigos acabou escapando para o Orkut, provocando uma adesão muito maior do que os criadores esperavam.
A reportagem do Jornal do Brasil também registra a circulação da novidade em blogs e comunidades literárias do Orkut.
O Skoob, portanto, cresceu dentro do ecossistema social brasileiro da época.
Não precisou substituir o Orkut.
Ele aproveitou o Orkut como canal de descoberta.
O primeiro grande público do Skoob
Nos primeiros meses, o público era formado por uma mistura interessante:
- leitores ocasionais;
- leitores apaixonados;
- estudantes;
- blogueiros literários;
- profissionais ligados à tecnologia;
- fãs de Harry Potter;
- fãs de literatura juvenil;
- leitores de clássicos;
- pessoas interessadas em trocar livros.
Uma reportagem de março de 2009 encontrou usuários com perfis muito diferentes.
Alguns possuíam centenas de livros cadastrados.
Outros tinham acabado de descobrir a plataforma.
Havia ainda pessoas que utilizavam o Skoob para encontrar doadores de livros ou organizar iniciativas de incentivo à leitura.
O conceito de comunidade já estava funcionando.
As editoras perceberam o potencial
O crescimento chamou a atenção do mercado editorial.
Ainda em 2009, editoras começaram a perceber que as redes de leitores poderiam funcionar como canais de divulgação muito específicos.
Um texto reproduzido pelo Observatório da Imprensa registra que editoras como Record e Planeta passaram a enxergar potencial nesses sites, enviando exemplares para promoções e utilizando as próprias comunidades para alcançar leitores interessados em determinados gêneros e autores.
Isso representou uma transformação importante.
O Skoob deixou de ser apenas:
leitores falando com leitores.
Passou também a ser:
leitores + autores + editoras + livros.
A plataforma estava se tornando uma parte da cadeia de circulação da literatura.
O crescimento continuou
O Skoob não parou nos 10 mil usuários.
Uma entrevista posterior com a cofundadora Viviane Lordello registrou que a rede já tinha milhões de usuários e se consolidara como uma das principais redes sociais literárias brasileiras.
Estudos acadêmicos posteriores também acompanharam a evolução da plataforma.
Um artigo publicado em 2020 descreveu o Skoob como uma grande rede de leitores e destacou funcionalidades como estantes, resenhas, vídeos, mensagens privadas, grupos, acompanhamento de autores e editoras e troca de livros.
A lógica original, entretanto, continuou a mesma:
organizar a vida literária do usuário e transformá-la em uma experiência social.
O “paginômetro”
Poucos elementos simbolizam tão bem o Skoob quanto o paginômetro.
Ele transformava o total de páginas dos livros marcados como lidos em um número associado ao perfil do usuário.
Em outras palavras, o Skoob criou uma espécie de contador de leitura.
Do ponto de vista social, isso era poderoso.
Dois leitores poderiam comparar:
- quantidade de livros;
- quantidade de páginas;
- gêneros;
- autores;
- avaliações;
- listas de desejos;
- livros abandonados.
A leitura ganhou métricas.
E essas métricas passaram a fazer parte da identidade digital do usuário.
Skoob como “Facebook dos livros”
As reportagens da época frequentemente comparavam o Skoob às redes sociais generalistas.
O Jornal do Brasil chegou a descrevê-lo como uma mistura de Orkut com Facebook, mas com a literatura como eixo central.
A comparação ajuda a entender o contexto.
No Orkut, a comunidade era organizada em torno de interesses e amizades.
No Facebook, a identidade estava cada vez mais ligada ao perfil pessoal e ao feed.
No Skoob, o elemento central era outro:
a estante.
Seu perfil era, em grande medida, aquilo que você lia.
O Skoob e os leitores brasileiros
O sucesso inicial também desafiou uma ideia recorrente naquele período: a de que os brasileiros não liam.
A existência de milhares de usuários cadastrando livros, escrevendo resenhas e discutindo obras chamou atenção justamente porque mostrava uma comunidade ativa de leitores.
Em março de 2009, eram mais de 15 mil usuários e 18 mil livros cadastrados.
Pouco tempo depois, o Skoob já seria reconhecido academicamente como uma das principais redes sociais brasileiras voltadas especificamente à leitura.
O que aconteceu com os primeiros registros?
Essa é uma das partes mais fascinantes da arqueologia do Skoob.
Diferentemente de redes sociais encerradas, o Skoob continuou funcionando.
Por isso, alguns registros antigos sobreviveram dentro do próprio sistema.
É possível encontrar páginas atuais de livros com datas de cadastro de 2009.
Um dos exemplos mais antigos localizados é A Semente da Vitória, cadastrado por Lindenberg em 26 de janeiro de 2009.
Também existe a resenha de 30 de janeiro de 2009 em Alta Performance em Sites Web.
Isso faz do Skoob um caso diferente de redes como SkyNerd.
A plataforma conseguiu preservar parte de sua própria história.
Mas ainda não sabemos qual foi o primeiro post
Mesmo com esses registros, é necessário manter a cautela.
Uma resenha de 30 de janeiro não prova que foi a primeira.
Um livro cadastrado em 26 de janeiro não prova que foi o primeiro livro.
E os três livros identificados por Lindenberg como a gênese do catálogo não necessariamente correspondem aos primeiros registros técnicos do banco de dados.
A razão é simples:
o banco de dados atual é o resultado de anos de alterações, edições, migrações e manutenção.
Assim, a reconstrução histórica deve combinar:
- declarações dos fundadores;
- registros com data;
- reportagens contemporâneas;
- páginas preservadas;
- pesquisas acadêmicas.
Quando essas fontes convergem, temos um registro bastante sólido.
Quando não convergem, é melhor deixar a dúvida explícita.
Linha do tempo dos primeiros meses
| Data | Registro |
|---|---|
| Novembro de 2008 | Lindenberg Moreira concebe a ideia do Skoob |
| Final de dezembro de 2008 | Plataforma entra no ar |
| Fim de 2008/início de 2009 | Primeiros cerca de 300 usuários |
| Janeiro de 2009 | Primeiros cadastros de livros e leitores |
| 26 jan. 2009 | Lindenberg cadastra A Semente da Vitória |
| 30 jan. 2009 | Lindenberg publica resenha de Alta Performance em Sites Web |
| Fevereiro de 2009 | Plataforma ultrapassa 10 mil usuários |
| Fevereiro de 2009 | Catálogo chega a cerca de 15 mil livros |
| Carnaval de 2009 | Grande salto de aproximadamente 4 mil para 10 mil usuários |
| 13 mar. 2009 | Mais de 15 mil usuários e mais de 18 mil livros |
| 2009 | Editoras começam a explorar a rede como canal de divulgação |
| 2009 em diante | Skoob se consolida como rede social literária brasileira |
Os primeiros registros do Skoob em perspectiva
Quando colocamos os dez registros lado a lado, fica evidente como a rede cresceu rapidamente.
Em novembro de 2008, era apenas uma ideia de um profissional de tecnologia que queria compartilhar leituras com colegas.
No final daquele ano, havia cerca de 300 usuários.
Em janeiro, os primeiros livros estavam sendo cadastrados.
No fim de janeiro, o próprio fundador já publicava resenhas.
Em fevereiro, eram mais de 10 mil usuários.
Em março, mais de 15 mil.
E a plataforma já tinha mais de 18 mil livros.
Tudo isso aconteceu em poucos meses.
O verdadeiro primeiro registro do Skoob
Se precisarmos escolher um registro histórico mais antigo e seguro, há duas respostas diferentes dependendo do que estamos procurando.
Primeiro registro da ideia
Novembro de 2008, quando Lindenberg Moreira concebeu a rede para compartilhar experiências de leitura com colegas.
Primeiros registros documentados dentro da plataforma
Os registros de livros cadastrados em janeiro de 2009 são os mais antigos encontrados diretamente no Skoob.
Entre eles, destaca-se A Semente da Vitória, cadastrada por Lindenberg em 26 de janeiro de 2009 às 19:03:06.
Primeira resenha preservada que encontramos
A resenha de 30 de janeiro de 2009, escrita por Lindenberg Moreira para Alta Performance em Sites Web, é uma das primeiras interações textuais preservadas diretamente no site.
Primeiro livro da gênese do catálogo
Segundo o próprio fundador, a construção inicial do catálogo começou com:
Marley e Eu, O Caçador de Pipas e O Código Da Vinci.
Portanto, não existe uma única resposta para “qual foi a primeira postagem do Skoob”.
Existem diferentes camadas do nascimento da plataforma.
Onde acompanhar o Skoob atualmente
O Skoob continua disponível como plataforma dedicada a leitores, com busca por livros, autores, editoras e usuários.
Também é possível consultar diretamente alguns dos registros históricos que permanecem preservados no catálogo.
A Semente da Vitória — registro do Skoob
Alta Performance em Sites Web — resenha de Lindenberg Moreira
Conclusão
A história do Skoob começa de maneira quase doméstica.
Não houve um grande lançamento acompanhado por uma campanha nacional.
Havia um profissional de tecnologia, alguns colegas que gostavam de livros e uma ideia simples: criar um lugar onde fosse possível compartilhar experiências de leitura.
No fim de dezembro de 2008, a plataforma começou com aproximadamente 300 usuários.
Poucas semanas depois, o boca a boca, os blogs e principalmente o Orkut fizeram a comunidade crescer de maneira explosiva.
Em janeiro de 2009, os primeiros livros estavam sendo cadastrados.
Em 26 de janeiro, um dos registros antigos preservados mostra Lindenberg Moreira cadastrando A Semente da Vitória.
Em 30 de janeiro, o fundador já publicava uma resenha sobre um livro de tecnologia.
Em fevereiro, eram mais de 10 mil usuários.
Em março, mais de 15 mil.
E a biblioteca colaborativa já ultrapassava 18 mil livros.
O mais interessante é que o Skoob não transformou apenas livros em registros digitais.
Ele transformou o ato de ler em identidade social.
A estante passou a ser um perfil.
A resenha passou a ser uma publicação.
A avaliação passou a ser uma opinião pública.
O número de páginas passou a ser uma métrica.
A lista de desejos passou a ser uma forma de descobrir novos livros.
E leitores que nunca haviam se encontrado passaram a descobrir que tinham bibliotecas semelhantes.
É por isso que, mesmo sem conseguirmos identificar com absoluta certeza o primeiro post ou o primeiro usuário, os registros mais antigos do Skoob revelam claramente como a plataforma nasceu.
Ela começou pequena, entre amigos, na virada de 2008 para 2009.
E em poucos meses já havia se transformado em uma das experiências mais importantes da internet brasileira dedicada exclusivamente à leitura.
Por: Alexandre lavrador. Opinião do Blogueiro.
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Caso o título Primeiras Postagens do Skoob: os 10 registros mais antigos da história da plataforma esteja protegido por direitos autorais, você assistirá, neste artigo, a um filme gratuito disponível no YouTube que seja o mais parecido, sem ferir os direitos autorais de Primeiras Postagens do Skoob: os 10 registros mais antigos da história da plataforma. Aqui no Flogão, funciona de forma semelhante à banca de sucos do Chaves: “-O que parece de limão é de groselha e tem gosto de tamarindo. -Isso isso isso isso...”