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Crítica de Às Vezes Quero Sumir (2021)
Às Vezes Quero Sumir é um drama psicológico sensível e tocante que explora temas de saúde mental, solidão e a luta interna de uma pessoa em busca de um sentido para a vida. Dirigido por Caio Sóh, o filme é uma adaptação da obra homônima de Samuel Oliveira, e apresenta uma narrativa honesta e crua sobre o sofrimento emocional, a depressão e a tentativa de reconexão com o mundo. Ao contrário de outros filmes que abordam questões semelhantes, Às Vezes Quero Sumir não tenta oferecer respostas fáceis, mas sim provoca reflexões profundas sobre o vazio existencial e o impacto da solidão na vida de um indivíduo.
A História: Um Grito Silencioso
O filme segue a trajetória de Gabriel (interpretado por João Pedro Zappa), um jovem que luta contra a depressão e o sentimento de desamparo. Gabriel não é um personagem vilanizado pelo seu sofrimento, mas sim um reflexo da luta silenciosa de muitas pessoas que enfrentam questões relacionadas à saúde mental. Ele vive uma vida que parece desconectada de tudo e todos, em um mundo que lhe parece sem sentido.
A história não é marcada por grandes eventos externos, mas pela intensa jornada interna do protagonista. Ele vive em um estado de isolamento e introspecção, o que o torna cada vez mais distante das pessoas ao seu redor, incluindo sua família e amigos. Seu trabalho, sua relação com os outros e até mesmo suas atividades diárias não têm mais significado para ele, criando um cenário de desesperança que se reflete na falta de propósito de sua vida.
Em meio a essa rotina, Gabriel tenta lidar com a dor de uma forma silenciosa, se afastando ainda mais de tudo e todos. No entanto, o filme não foca apenas no sofrimento; ao contrário, ele se dedica a mostrar a complexidade da experiência humana e a busca por algum tipo de significado em meio à tempestade emocional.
A Performance dos Atores
O maior destaque de Às Vezes Quero Sumir é, sem dúvida, a performance de João Pedro Zappa no papel de Gabriel. O ator consegue transmitir com precisão a angústia, o vazio e a luta interna de seu personagem, trazendo uma profundidade rara e emocional para um papel que exige muita sensibilidade. A maneira como Zappa comunica as emoções de Gabriel sem palavras, apenas com gestos e olhares, cria uma empatia instantânea com o público.
Outro ponto de destaque é a atuação de atores coadjuvantes como Cássia Kis, que interpreta a mãe de Gabriel, trazendo à tona uma faceta da dor não apenas do protagonista, mas também daqueles ao seu redor, que sentem a dificuldade de lidar com um ente querido que não consegue se abrir sobre seu sofrimento.
O elenco como um todo se destaca por sua capacidade de dar vida aos personagens, com performances que parecem verdadeiras e naturais, evitando os estereótipos muitas vezes associados a filmes sobre saúde mental.
A Direção e a Estética
Caio Sóh, o diretor, faz um trabalho excelente ao criar uma atmosfera de desconforto e solidão, que permeia o filme do início ao fim. Ele utiliza de uma cinematografia minimalista, com planos longos e closes intimistas, para transmitir o sentimento de aprisionamento que o personagem principal vivencia. A fotografia do filme utiliza uma paleta de cores frias, o que ajuda a criar a sensação de vazio e desesperança. O uso da luz é sutil, com cenas muitas vezes em que a penumbra parece dominar, refletindo a luta interna de Gabriel.
Além disso, a direção opta por uma narrativa que privilegia os silêncios e os momentos de introspecção. O filme não se apressa em explicar ou julgar o comportamento do protagonista, mas cria um espaço seguro para que o espectador compreenda sua dor. Essa escolha estética ajuda a mergulhar o público na mente do personagem, proporcionando uma experiência mais visceral e emocional.
Temas Centrais: Saúde Mental e Isolamento
Às Vezes Quero Sumir não se limita a ser apenas um drama sobre depressão. O filme explora com profundidade a desconexão entre as pessoas e como o isolamento emocional pode ser um reflexo de questões mais complexas, como a pressão social, o medo de se mostrar vulnerável e a sensação de inadequação.
O filme também traz à tona a dificuldade em se comunicar sobre a saúde mental. Gabriel, assim como muitas pessoas que enfrentam problemas semelhantes, tem dificuldade em expressar seu sofrimento de maneira clara, o que agrava seu sentimento de solidão. Isso é algo com o qual muitas pessoas podem se identificar: o medo de ser julgado, a falta de compreensão por parte dos outros e a vergonha de admitir a fragilidade emocional.
A obra também faz uma crítica social sutil sobre a pressão de ser bem-sucedido ou feliz, uma pressão que muitas vezes impede que as pessoas se abram sobre suas dificuldades e busquem ajuda. O filme ilustra bem como as expectativas externas podem criar uma barreira entre os indivíduos e o apoio que eles precisam.
O Impacto Emocional
Às Vezes Quero Sumir é um filme que provoca uma reflexão profunda sobre os sentimentos de inadequação e desespero que muitas pessoas enfrentam, mas também sobre a importância da empatia e da escuta. O filme nos lembra da necessidade de dar atenção ao próximo, de se abrir para os sentimentos e de procurar ajuda quando necessário.
Em sua construção, o filme consegue equilibrar a dor e a beleza, oferecendo ao espectador uma experiência emocionalmente rica. Embora o filme trate de temas pesados, ele não se entrega ao melodrama, mas sim a uma reflexão honesta e necessária sobre o sofrimento humano e a busca por significado.
Conclusão: Um Retrato Crível da Luta Interna
Às Vezes Quero Sumir é um filme necessário, especialmente em tempos em que questões de saúde mental são cada vez mais debatidas, mas ainda envoltas em tabus. Ao trazer à tona uma abordagem sensível e introspectiva sobre a depressão e o isolamento, o filme não apenas emociona, mas também ilumina a importância de dar atenção a aqueles ao nosso redor que possam estar enfrentando lutas silenciosas.
Com performances poderosas e uma direção cuidadosa, o filme é uma obra introspectiva e sombria que, ao mesmo tempo, oferece uma esperança tênue, que é refletida nas sutis interações dos personagens e no espaço para a cura e reconexão.
Nota Final: 8,5/10
Às Vezes Quero Sumir é um filme que atinge profundamente o espectador, oferecendo um olhar realista e humano sobre a saúde mental, ao mesmo tempo em que apresenta uma jornada emocional intensa e envolvente.
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