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Crítica de Ele Está de Volta (2015)
Ele Está de Volta (Er ist wieder da no original) é uma comédia de sátira política dirigida por David Wnendt, baseada no livro homônimo de Timur Vermes. O filme se concentra na reinterpretação de Adolf Hitler (interpretado por Oliver Masucci) em um contexto contemporâneo, após sua “ressurreição” no cenário da Alemanha atual. O protagonista, que se vê de repente em 2014, não entende o mundo moderno e é inicialmente confundido com um comediante interpretando um personagem histórico. O longa gira em torno da reação das pessoas ao encontrá-lo e, eventualmente, sua ascensão à popularidade como um fenômeno da mídia.
Enredo e Abordagem
A premissa do filme pode ser descrita como tanto perturbadora quanto engenhosa. A comédia nasce do contraste entre o caráter ferozmente autoritário de Hitler e a sociedade moderna, com seus avanços tecnológicos, redes sociais e a multiplicidade de pontos de vista. A forma como Hitler reage ao ambiente moderno, sem entender as normas sociais ou a tecnologia, cria situações de grande desconforto e, ao mesmo tempo, humor. O choque cultural é um dos maiores motores da narrativa, à medida que o personagem tenta se adaptar, sendo rapidamente manipulado pelos meios de comunicação e ganhando popularidade de forma inesperada.
O filme mistura ficção com cenas de documentário, onde pessoas reais interagem com o “Hitler moderno”, sem saber exatamente quem ele é, o que adiciona uma camada de crítica social. As reações espontâneas das pessoas ao encontrá-lo são, muitas vezes, mais absurdas do que a própria situação. Ao longo do filme, vemos como a sociedade pode ser facilmente seduzida por figuras carismáticas e perigosas, evidenciando o vazio da política contemporânea e a facilidade com que figuras extremistas podem ganhar destaque, especialmente no contexto de mídias sociais.
Personagens e Interpretação
Oliver Masucci faz um trabalho impressionante ao dar vida a Hitler, oferecendo uma performance que mistura uma recreação fiel do ditador histórico com um tom cômico que tira o espectador de sua zona de conforto. A sua interpretação consegue equilibrar as características ridículas do personagem com uma sombra de sua verdadeira malícia. Ele consegue transmitir as nuances de um homem que, apesar de estar totalmente deslocado, ainda possui uma força e um poder de persuasão perigosos.
A interação de Hitler com outros personagens também é fundamental para o sucesso do filme. A personagem de Katja (interpretada por Katharina Müller-Elmau), que trabalha como sua assistente e se vê gradualmente cativada por ele, oferece uma visão mais pessoal do impacto que essa ressurreição teria sobre as pessoas. A forma como os outros personagens respondem a Hitler, desde o apoio cínico de certos setores da sociedade até os momentos de desconforto e incredulidade, cria um retrato realista, se não chocante, de como uma figura autoritária poderia ressurgir.
Direção e Técnica
David Wnendt tem um controle muito bom sobre o tom do filme. Embora o enredo trate de um tema muito sério e perturbador, ele consegue encontrar um equilíbrio entre o humor ácido e a crítica social. Ao misturar ficção com documentário, o diretor também faz uma análise implacável de como a mídia e o entretenimento moldam a percepção pública. O ritmo do filme, com suas piadas rápidas e cenas que desafiam as normas, mantém o público engajado e consciente da situação de desconforto e ironia em que se encontra.
A cinematografia e a direção de arte também fazem um trabalho eficaz ao retratar uma Alemanha moderna, vibrante, mas ao mesmo tempo imersa em um passado sombrio. A cidade, as ruas, as cores e os objetos de cena reforçam o contraste entre a modernidade e a carga histórica do personagem.
Impacto e Relevância Cultural
Ele Está de Volta não é apenas uma sátira política sobre o fascismo e a mídia, mas também uma reflexão sobre como a sociedade contemporânea lida com figuras extremistas e autoritárias. A ressurreição de Hitler serve como um alerta sobre os perigos do populismo, da falta de reflexão crítica e da normalização de ideias prejudiciais. O filme não tenta ser um estudo histórico profundo, mas utiliza a figura de Hitler para comentar sobre a facilidade com que ideologias perigosas podem ser manipuladas e apresentadas de forma aceitável, particularmente no mundo digital e na era das notícias falsas.
Conclusão
Ele Está de Volta é um filme inteligente, provocativo e desconfortavelmente engraçado, que nos obriga a refletir sobre a sociedade em que vivemos. Ao misturar comédia e crítica política, o longa-metragem de Wnendt faz um excelente trabalho ao destacar as falhas da nossa era e nos lembrar dos perigos do esquecimento histórico. O filme é um retrato satírico, mas também uma advertência sobre a forma como figuras carismáticas podem manipular as massas.
Nota: 8/10
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