Menu fechado

Triângulo do Medo CRÍTICA

LoadingMarcar Para Assistir Mais Tarde

Crítica de Triângulo do Medo (2022)

Triângulo do Medo (Triangle of Sadness), dirigido por Ruben Östlund, é uma sátira feroz e uma crítica mordaz às desigualdades sociais, ao consumismo e aos excessos da alta sociedade. O filme, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes 2022, mistura humor negro com reflexões profundas sobre o comportamento humano em situações extremas. A obra não é para todos, mas para aqueles dispostos a enfrentar seu humor ácido e sua narrativa ousada, o filme oferece uma experiência única e provocadora.

Enredo: O Luxo e o Caos

A história de Triângulo do Medo se desenrola em três atos distintos, todos focados na crítica às relações de poder e hierarquia social, e como essas dinâmicas podem desmoronar quando as convenções da sociedade são postas à prova.

No início, acompanhamos Carl (Harris Dickinson), um modelo, e sua namorada Yaya (Charlbi Dean), uma influenciadora de redes sociais. Eles são convidados a embarcar em um luxuoso cruzeiro de alto padrão, onde a classe alta e as pessoas poderosas convivem em um ambiente de ostentação, consumo desenfreado e aparências. A tripulação, liderada pelo excêntrico Capitão (Woody Harrelson), tem o objetivo de proporcionar uma experiência inigualável aos convidados, mas rapidamente se tornam vítimas de seu próprio excesso.

Após uma série de eventos bizarros, o cruzeiro é atingido por uma tempestade, e o cenário de luxo e perfeição rapidamente se desintegra. O filme transita para o segundo ato, onde a estrutura social da embarcação é completamente desfeita e o caos toma conta. Os passageiros, agora presos em uma ilha remota, se veem forçados a lidar com suas próprias sobrevivências. A verdadeira hierarquia, porém, não se baseia mais em status ou dinheiro, mas em habilidades primárias de sobrevivência.

O terceiro ato do filme é o mais brutal e, ao mesmo tempo, o mais cômico. Aqui, as relações de poder são completamente subvertidas, e aqueles que antes estavam na base da pirâmide social se tornam os mais poderosos. A trama leva o espectador a refletir sobre os valores que estruturam as nossas sociedades e o quão frágeis são essas normas quando confrontadas com a natureza humana básica.

A Crítica Social e o Humor Negro

Uma das maiores forças de Triângulo do Medo está em sua crítica social afiada. Östlund, conhecido por suas reflexões sobre a sociedade moderna e as convenções sociais, usa o humor negro e o absurdo para criticar as desigualdades de classe e as dinâmicas de poder que permeiam as interações humanas, especialmente nas classes mais altas. O filme não economiza nas provocações e usa seu enredo para expor as hipocrisias de uma sociedade obcecada pelo status e pelo consumismo.

O cenário do cruzeiro de luxo serve como um microcosmo da sociedade contemporânea, onde as aparências e o consumo excessivo são o centro de tudo. O Capitão, que teoricamente deveria ser a figura de autoridade, é mostrado como uma figura quase inútil e desinteressada, uma metáfora para como a autoridade tradicional, muitas vezes, perde relevância quando a sobrevivência está em jogo.

O filme também explora a obsessão com a imagem e a superficialidade das redes sociais, com a personagem de Yaya, que, embora sendo uma influenciadora famosa, é retratada como uma mulher vazia e incapaz de lidar com situações além de seu mundo de superficialidade. Ela representa o vazio das promessas de felicidade e realização que muitas vezes são veiculadas pelas mídias sociais.

Além disso, o segundo ato do filme, que se passa durante a tempestade e o naufrágio, é onde a sátira atinge seu ápice. As cenas de caos são tão absurdas quanto hilárias, mas também reveladoras. O próprio luxo e as convenções sociais do cruzeiro são completamente anulados pela tempestade, que não distingue entre ricos e pobres, desmascarando a fragilidade das construções sociais.

Performances e Personagens

O elenco de Triângulo do Medo entrega uma performance impecável, com destaque para Harris Dickinson e Charlbi Dean, que conseguem transmitir a superficialidade e a futilidade de seus personagens de forma convincente. A química entre os dois é palpável, o que contribui para o contraste entre a sua vida inicial de glamour e a catástrofe que se desenrola a seguir.

Woody Harrelson, como o Capitão do cruzeiro, rouba a cena com sua atuação excêntrica. Seu personagem, um capitão bêbado e preguiçoso, serve como uma crítica ao comportamento de figuras de autoridade que, na realidade, não têm controle ou poder verdadeiro em momentos críticos. A atuação de Harrelson acrescenta uma camada de comédia ao filme, especialmente nas cenas mais absurdas.

O elenco de apoio também é muito bem escolhido, com personagens que representam uma variedade de arquétipos da alta sociedade e da classe trabalhadora, criando um contraste que torna a transição para o caos ainda mais impactante. Cada um desses personagens, em sua maioria, tem um papel crucial no desenrolar da trama, ajudando a refletir as mudanças de poder que ocorrem quando as normas sociais são derrubadas.

O Estilo Visual e a Direção

Em termos de direção, Ruben Östlund faz um trabalho magistral ao criar uma atmosfera de desconforto e tensão, alternando entre momentos de pura comédia e cenas intensas de crítica social. Ele utiliza a longa duração de algumas cenas para explorar a degradação das aparências e a perda de controle que ocorre quando a sociedade se desintegra. O ritmo do filme, apesar de ser deliberadamente lento em certos momentos, ajuda a construir a tensão, preparando o terreno para a explosão de caos que se segue.

A cinematografia é sublime, com planos que capturam tanto a grandiosidade do cruzeiro quanto a claustrofobia do desastre. A mise-en-scène é cuidadosamente planejada, e os espaços são usados de maneira a refletir a opulência inicial e, posteriormente, o caos. A navegação visual entre os momentos de glamour e os de degradação física e social ajuda a aprofundar a mensagem do filme.

Conclusão: Uma Sátira Corajosa e Provocadora

Triângulo do Medo é uma sátira mordaz e afiada que examina as falácias da alta sociedade e as relações de poder que moldam nossas interações sociais. Ruben Östlund oferece um filme que não tem medo de desafiar o espectador, misturando humor negro com um exame profundo das desigualdades de classe e das fragilidades humanas.

Apesar de seu tom provocador e algumas cenas desconfortáveis, o filme se destaca como uma reflexão crítica sobre os valores contemporâneos e a superficialidade da sociedade moderna. Ele pode ser desconcertante para alguns, mas para aqueles dispostos a encarar a crítica social de frente, Triângulo do Medo é uma experiência cinematográfica única e poderosa.

Nota Final: 8/10

Triângulo do Medo é uma obra que desafia as convenções cinematográficas e oferece uma reflexão impiedosa sobre o consumo, a classe e a fragilidade das hierarquias sociais. Embora seu humor e crítica possam ser desconfortáveis, a provocação e o insight que ele oferece fazem com que o filme valha a pena para aqueles que apreciam uma análise crítica do mundo contemporâneo.

Por favor, não esqueça de colocar este link como Referência Bibliográfica em sua Publicação:

Please complete the required fields.




🙏 POR FAVOR COMPARTILHE ISSO 👇

Assistir Online Grátis Triângulo do Medo CRÍTICA, Ver Online de Graça Triângulo do Medo CRÍTICA, Filme Online Grátis Triângulo do Medo CRÍTICA, Assistir Online de Graça Triângulo do Medo CRÍTICA, Filme Completo de Graça Triângulo do Medo CRÍTICA, Assista o que é Triângulo do Medo CRÍTICA? Entenda a notícia sobre o que aconteceu sobre Triângulo do Medo CRÍTICA.

Publicado em:Diário do Flogão - Previsão do Futuro e do Passado | Máquina do Tempo Online

Deixe um comentário

Nova denúncia

Fechar