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Fanfic — O Filme Que Mudou Tudo
Quando Harry entrou naquele estúdio naquela manhã, não fazia ideia de que sua vida estava prestes a mudar.
O convite parecia simples.
Um novo filme.
Um roteiro diferente de tudo que ele já havia feito.
Uma história de amor.
Mas havia um detalhe que ninguém tinha contado a ele.
O protagonista teria de se apaixonar por outro homem.
Harry leu o roteiro duas vezes antes de fechar as páginas.
— Você tem certeza de que quer fazer isso? — perguntou seu empresário.
Harry ficou alguns segundos em silêncio.
— É justamente por isso que eu quero.
O filme se chamaria Depois da Última Música.
A história acompanhava dois músicos que se conheciam durante a gravação de um álbum e acabavam descobrindo que aquilo que sentiam um pelo outro era muito maior do que qualquer canção.
Para interpretar o outro protagonista, a produção havia escolhido Noah Bennett, um jovem ator britânico que ainda estava começando a carreira.
Harry o conheceu no primeiro dia de ensaio.
Noah entrou na sala carregando o roteiro contra o peito.
— Oi.
Harry levantou os olhos.
— Oi.
Os dois apertaram as mãos.
E demoraram um pouco mais do que deveriam para soltá-las.
— Harry.
— Noah.
— Eu sei.
Harry riu.
— Claro.
Noah também riu.
A tensão desapareceu por alguns segundos.
Até o diretor entrar.
— Muito bem. Vamos começar.
A primeira cena era simples.
Os personagens precisavam se conhecer em um bar vazio depois de um show.
No roteiro, havia apenas algumas falas.
Mas, quando Harry e Noah começaram a interpretar, alguma coisa aconteceu.
Eles simplesmente esqueceram que havia uma equipe inteira observando.
— Você sempre fica depois dos shows? — perguntou Noah, interpretando seu personagem.
Harry respondeu:
— Só quando não quero voltar para casa.
Noah deu um pequeno sorriso.
— E por que você não quer voltar?
Harry sustentou o olhar.
— Talvez porque eu ainda esteja procurando um motivo para ficar.
Silêncio.
O diretor não interrompeu.
Noah se aproximou.
— Talvez você tenha encontrado.
A cena terminou.
Ninguém falou por alguns segundos.
Então o diretor levantou lentamente da cadeira.
— Perfeito.
Harry olhou para Noah.
Noah estava sorrindo.
— Acho que funcionou.
— Acho que sim.
Durante as semanas seguintes, eles passaram cada vez mais tempo juntos.
Ensaiavam de manhã.
Gravavam à tarde.
E, quando as câmeras eram desligadas, continuavam conversando.
Falavam sobre música.
Sobre cinema.
Sobre sonhos.
Sobre as coisas que gostariam de fazer quando tudo aquilo terminasse.
Noah descobriu que Harry gostava de caminhar à noite.
Harry descobriu que Noah ficava nervoso antes de cada cena, mesmo quando parecia completamente seguro.
Certa noite, depois de uma gravação particularmente cansativa, os dois ficaram sozinhos no estúdio.
As luzes estavam quase todas apagadas.
Noah sentou no palco.
Harry sentou ao lado dele.
— Está cansado?
— Muito.
— Eu também.
Noah olhou para ele.
— Mas vale a pena.
Harry sorriu.
— Vale.
Ficaram em silêncio.
Noah respirou fundo.
— Posso te perguntar uma coisa?
— Pode.
— Você acha que o filme vai funcionar?
Harry olhou para o palco vazio.
— Acho que sim.
— Por quê?
Harry virou o rosto.
— Porque parece verdadeiro.
Noah ficou olhando para ele.
— É isso que me assusta.
— O quê?
— O quanto algumas cenas parecem verdadeiras.
Harry não respondeu imediatamente.
O coração dos dois parecia ter ficado mais barulhento naquele silêncio.
— Talvez seja por isso que funcionam — disse Harry.
Noah sorriu.
— Talvez.
Chegou então o dia da cena mais importante do filme.
O beijo.
A equipe havia preparado tudo cuidadosamente.
Câmeras.
Iluminação.
Música.
O cenário representava o apartamento do protagonista.
Na história, depois de meses tentando esconder o que sentiam, os dois finalmente decidiam parar de fugir.
Antes da gravação, Noah estava nervoso.
— Está tudo bem? — perguntou Harry.
— Estou.
— Tem certeza?
Noah sorriu.
— Só estou pensando demais.
Harry colocou a mão sobre o ombro dele.
— Então não pensa.
Noah respirou fundo.
— Fácil falar.
Harry riu.
— Você consegue.
O diretor chamou.
— Gravando!
A câmera começou.
Noah entrou no apartamento.
Harry estava perto da janela.
Os dois se olharam.
Nenhum dos personagens disse nada.
Noah se aproximou.
Harry também.
Eles ficaram frente a frente.
A respiração de ambos mudou.
Então Noah tocou delicadamente o rosto de Harry.
Harry fechou os olhos.
E os dois se beijaram.
O beijo foi breve.
Mas carregava tudo o que os personagens haviam escondido durante meses.
Quando se afastaram, permaneceram próximos.
Testas encostadas.
Olhos fechados.
— Eu estava com medo — disse Noah, seguindo o roteiro.
Harry respondeu:
— Eu também.
— E agora?
Harry sorriu.
— Agora não.
— Corta!
O diretor levantou.
— Excelente.
A equipe começou a se movimentar.
Harry e Noah permaneceram parados por mais alguns segundos.
Então Noah sorriu.
— Acho que essa foi a melhor cena.
Harry concordou.
— Também acho.
Meses depois, o filme ficou pronto.
O trailer foi lançado numa sexta-feira.
Em poucas horas, começou a aparecer em todos os lugares.
As pessoas comentavam sobre a química dos protagonistas.
As cenas românticas viralizaram.
A música principal entrou nas paradas.
E então chegou a estreia.
Harry e Noah caminharam juntos pelo tapete vermelho.
Fotógrafos gritavam seus nomes.
Os flashes iluminavam tudo.
Noah olhou para Harry.
— Preparado?
Harry sorriu.
— Não.
— Ótimo.
— Por quê?
— Porque eu também não.
Os dois riram.
Depois entraram na sala de cinema.
Quando as luzes se apagaram, ninguém falou.
O filme começou.
Na tela, os dois apareceram pela primeira vez.
Harry ouviu algumas pessoas suspirarem.
Durante a cena do primeiro encontro, ouviu risadas.
Durante a primeira discussão, silêncio.
E quando chegou o beijo…
A sala inteira ficou quieta.
Harry olhou rapidamente para Noah.
Noah estava olhando para a tela.
Mas sorria.
No final, quando os créditos começaram, o público levantou.
Aplausos preencheram o cinema.
Harry ficou parado por alguns segundos.
Noah virou-se para ele.
— Conseguimos.
Harry sorriu.
— Conseguimos.
Noah abraçou Harry.
E, naquele momento, Harry percebeu que o filme havia terminado.
Mas a história que ele vivera durante aquelas gravações continuaria sendo uma das mais importantes de sua vida.
Porque algumas histórias são feitas para o cinema.
Outras começam quando as câmeras finalmente param de gravar.
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