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Lista de Filmes com o Arquétipo do Anti-Herói: 8 personagens que desafiam o conceito de herói

Da solidão de Travis Bickle à redenção de Logan, esta lista de filmes com o arquétipo do anti-herói reúne protagonistas moralmente ambíguos, imperfeitos e frequentemente contraditórios que transformaram o cinema.

O arquétipo do anti-herói ocupa um espaço particular na história do cinema. Em vez de protagonistas guiados por virtudes tradicionais, esses personagens costumam carregar defeitos, traumas, vícios, impulsos violentos, egoísmo ou códigos morais próprios. Ainda assim, são eles que conduzem a narrativa e fazem o público acompanhar suas decisões.

Uma boa lista de filmes com o arquétipo do anti-herói não precisa reunir apenas personagens violentos ou criminosos. O conceito é muito mais amplo. Um anti-herói pode ser alguém que tenta fazer a coisa certa pelos motivos errados, um criminoso que demonstra algum senso de humanidade, um justiceiro que ignora as regras ou simplesmente uma pessoa profundamente falha que acaba ocupando o centro da história.

É justamente essa contradição que torna o arquétipo tão interessante.

Nesta seleção, estão filmes de diferentes décadas e gêneros que apresentam interpretações distintas do anti-herói, passando pelo drama psicológico, crime, ficção científica, faroeste, ação e cinema baseado em histórias em quadrinhos.

O que é o arquétipo do anti-herói?

O anti-herói é um protagonista que não corresponde ao modelo clássico de herói.

O herói tradicional normalmente apresenta características como coragem, altruísmo, disciplina, senso de justiça e disposição para sacrificar os próprios interesses pelos outros. O anti-herói, por outro lado, pode agir por vingança, sobrevivência, dinheiro, ressentimento, egoísmo ou interesses pessoais.

Isso não significa necessariamente que ele seja um vilão.

A diferença fundamental está na posição que ocupa dentro da narrativa. O anti-herói pode cometer atos moralmente questionáveis e continuar sendo o personagem cuja trajetória acompanhamos.

Em muitos casos, a história utiliza essa contradição para questionar a própria ideia de justiça.

Por que o anti-herói funciona tão bem no cinema?

O arquétipo permite que o roteiro explore personagens mais próximos das contradições humanas.

Um protagonista perfeito pode ser inspirador, mas um personagem cheio de defeitos costuma oferecer mais espaço para conflito dramático. O público pode discordar de suas decisões, condenar suas atitudes e, ao mesmo tempo, compreender suas motivações.

Essa ambiguidade também permite diferentes interpretações.

O espectador pode terminar um filme sem saber exatamente se deve admirar, condenar ou simplesmente compreender o protagonista.

É nesse território moralmente indefinido que o anti-herói encontra sua força.


Taxi Driver: o anti-herói consumido pela solidão

Entre os exemplos mais conhecidos do arquétipo está Taxi Driver, drama psicológico dirigido por Martin Scorsese e protagonizado por Robert De Niro.

A história acompanha Travis Bickle, um veterano que trabalha como motorista de táxi durante a noite em Nova York. Isolado e incapaz de estabelecer relações sociais estáveis, ele desenvolve uma visão cada vez mais perturbadora sobre a cidade e sobre as pessoas que vivem nela.

Travis não é apresentado como um herói convencional. Sua percepção da realidade é profundamente subjetiva, e sua tentativa de combater aquilo que considera corrupção transforma-se progressivamente em uma obsessão.

O anti-herói de Taxi Driver

O grande mérito do personagem está na ausência de uma resposta simples.

Travis deseja encontrar um propósito, mas sua busca por significado passa pela violência. Ele acredita estar enxergando problemas que os demais ignoram, porém sua solução para esses problemas é cada vez mais extrema.

O filme não transforma automaticamente essa violência em heroísmo.

Essa diferença é fundamental para compreender o arquétipo do anti-herói. Travis ocupa o centro da narrativa, mas isso não significa que todas as suas atitudes sejam justificadas.

Análise

A direção utiliza a cidade como extensão da mente do protagonista. As ruas noturnas, os ambientes decadentes e a fotografia contribuem para uma sensação permanente de desconforto.

Robert De Niro constrói uma interpretação contida e perturbadora, fazendo com que o silêncio do personagem seja tão importante quanto suas explosões.

Nota

⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de Taxi Driver

O bonequinho começa o filme sentado sozinho no banco traseiro de um táxi, olhando a cidade pela janela. Conforme a história avança, ele vai ficando cada vez mais inquieto. No final, está com os olhos arregalados, tentando entender se acabou de assistir a uma história de justiça ou de autodestruição.


O Poderoso Chefão: quando o protagonista abandona seus princípios

Poucos filmes apresentam uma transformação moral tão marcante quanto O Poderoso Chefão.

A produção acompanha a família Corleone e, especialmente, Michael Corleone, inicialmente apresentado como alguém que deseja manter distância dos negócios criminosos da família.

O arco de Michael é justamente o que aproxima a obra do arquétipo do anti-herói.

Ele começa tentando construir uma identidade separada daquela de seu pai. Porém, acontecimentos violentos fazem com que passe a participar cada vez mais das atividades da família.

Uma transformação sem retorno

Michael não simplesmente descobre que sempre foi criminoso.

Sua trajetória é construída gradualmente.

Cada decisão parece inicialmente uma resposta necessária a uma situação específica. O problema é que cada escolha abre caminho para outra ainda mais extrema.

O resultado é uma transformação profunda.

O personagem deixa de ser apenas alguém tentando proteger a família e passa a assumir uma posição de poder que exige violência, manipulação e controle.

Análise

O roteiro funciona porque a transformação não acontece de maneira instantânea. O público consegue acompanhar cada etapa da mudança.

A obra também questiona a relação entre família, lealdade, poder e moralidade.

Michael pode justificar suas ações como proteção dos seus familiares, mas a própria estrutura da história mostra como essa justificativa pode se transformar em instrumento para perpetuar um sistema de violência.

Nota

⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de O Poderoso Chefão

O bonequinho começa de terno branco, sorrindo discretamente e acreditando que está apenas de passagem pela história da família. Pouco a pouco, troca o sorriso por uma expressão séria e termina sentado em uma enorme cadeira, olhando para o espectador como quem percebeu que entrou em uma situação muito maior do que imaginava.


Laranja Mecânica: o protagonista que transforma a violência em identidade

Laranja Mecânica, dirigido por Stanley Kubrick, leva o conceito de anti-herói para uma zona ainda mais desconfortável.

Alex é um jovem extremamente violento que pratica crimes ao lado de seu grupo. Diferentemente de muitos anti-heróis, sua personalidade inicialmente não depende de uma justificativa nobre.

Ele simplesmente gosta do poder proporcionado pela violência.

O que torna Alex um anti-herói?

A resposta está justamente na maneira como o filme coloca o espectador dentro da perspectiva do protagonista.

Alex é o centro da narrativa. É através dele que conhecemos aquele universo. Isso não transforma suas ações em corretas, mas cria uma relação narrativa complexa entre personagem e público.

A obra também apresenta uma segunda questão: até que ponto um indivíduo continua sendo moralmente responsável quando seu comportamento é artificialmente controlado?

O filme não oferece uma resposta confortável.

Análise

A direção combina música clássica, composição visual estilizada e violência para criar uma experiência deliberadamente contraditória.

A estética elegante entra em choque com as ações do protagonista.

Esse contraste ajuda a construir uma das características mais importantes do arquétipo do anti-herói: a possibilidade de separar a função narrativa do personagem de qualquer aprovação moral sobre aquilo que ele faz.

Nota

⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de Laranja Mecânica

O bonequinho assiste ao filme sentado na poltrona, inicialmente curioso. Depois da primeira sequência de violência, coloca as mãos sobre os olhos. Quando percebe que ainda faltam muitos minutos de filme, puxa uma cadeira para mais longe da televisão.


Os Imperdoáveis: redenção e violência

O faroeste Os Imperdoáveis, dirigido e estrelado por Clint Eastwood, apresenta um anti-herói envelhecido que tenta deixar seu passado para trás.

William Munny foi um pistoleiro violento. Quando a história começa, porém, ele vive uma existência muito diferente, tentando criar os filhos após a morte da esposa.

A necessidade financeira o leva novamente para uma situação de violência.

Um homem tentando escapar do próprio passado

Munny é interessante porque não deseja simplesmente ser um criminoso.

Ele sabe quem foi.

Também sabe que mudou.

O problema é que seu passado não desapareceu.

A narrativa coloca o personagem diante da possibilidade de retornar àquilo que tentou abandonar, fazendo da violência uma espécie de memória que nunca foi completamente apagada.

O anti-herói no faroeste

O gênero tradicionalmente trabalhou com personagens moralmente ambíguos, mas Os Imperdoáveis desconstrói a imagem romântica do pistoleiro.

A violência não é apresentada apenas como aventura.

Ela tem consequências.

Essa abordagem torna o protagonista particularmente interessante dentro de uma lista de filmes com o arquétipo do anti-herói, porque Munny representa o personagem que tenta mudar, mas descobre que determinadas circunstâncias podem despertar novamente aquilo que acreditava ter enterrado.

Nota

⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de Os Imperdoáveis

O bonequinho começa o filme em cima de um cavalo, sonolento e aparentemente tranquilo. Depois percebe que o passado do protagonista voltou para cobrar a conta. A partir daí, coloca um chapéu de cowboy e passa o restante da sessão olhando para os lados.


Clube da Luta: identidade, revolta e autodestruição

Clube da Luta, dirigido por David Fincher, apresenta um protagonista cuja relação com o próprio mundo é marcada por insatisfação, vazio e alienação.

O personagem central leva uma vida aparentemente funcional, mas sente que existe algo profundamente errado em sua existência.

A chegada de Tyler Durden altera completamente essa dinâmica.

Um anti-herói dividido

A força do filme está na maneira como a identidade do protagonista é utilizada para questionar consumo, masculinidade, rotina, trabalho e pertencimento.

O personagem não é um herói que pretende salvar a sociedade.

Ele procura escapar de uma vida que considera insatisfatória.

O problema é que a rebeldia que surge como resposta ao vazio rapidamente pode assumir uma dimensão destrutiva.

A estética do anti-herói

A fotografia, a montagem e a direção contribuem para uma atmosfera agressiva e instável.

O filme utiliza sua linguagem visual para fazer o espectador compartilhar a sensação de desorientação do protagonista.

Essa escolha torna a experiência especialmente adequada ao arquétipo do anti-herói, pois a própria narrativa parece resistir a oferecer uma figura moralmente segura para o público seguir.

Nota

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Clube da Luta

O bonequinho começa sentado no sofá reclamando da própria vida. Depois levanta, entra em uma briga e passa o resto do filme tentando descobrir por que tomou aquela decisão. No final, está olhando para a tela completamente confuso.


Taxi Driver e a fronteira entre anti-herói e vilão

A diferença entre anti-herói e vilão pode parecer evidente, mas o cinema frequentemente trabalha justamente na zona intermediária.

Em Taxi Driver, por exemplo, Travis não pode ser reduzido a um simples protagonista malvado.

Ele possui sentimentos, desejos e uma necessidade genuína de encontrar algum tipo de significado para a própria existência.

O problema está na maneira como transforma essa necessidade em ação.

Essa característica é recorrente no arquétipo do anti-herói: a motivação pode ser compreensível enquanto os métodos utilizados pelo personagem são moralmente indefensáveis.


Coringa: quando o anti-herói se transforma em símbolo

Coringa, de 2019, apresenta Arthur Fleck, um homem socialmente isolado que vive em uma Gotham marcada por desigualdade, violência e indiferença.

O filme acompanha sua transformação gradual e utiliza o personagem para discutir abandono social, humilhação, violência e busca por reconhecimento.

Arthur Fleck é um anti-herói?

Essa classificação é mais controversa do que em outros exemplos.

Arthur não se encaixa perfeitamente no modelo clássico de anti-herói, principalmente porque sua trajetória se aproxima progressivamente da figura do antagonista.

Ainda assim, sua função como protagonista e a maneira como o público acompanha sua transformação colocam a obra dentro da tradição de histórias sobre personagens moralmente ambíguos.

O filme é particularmente importante para entender como o cinema contemporâneo utiliza protagonistas que não foram concebidos para representar virtudes heroicas.

Análise

A atuação de Joaquin Phoenix é central para o funcionamento do filme.

A transformação do personagem acontece tanto através de acontecimentos externos quanto pela alteração de sua postura, expressão corporal e relação com o ambiente.

A direção também constrói uma atmosfera urbana opressiva, fazendo com que Gotham pareça menos um cenário de histórias de super-heróis e mais uma cidade realista em processo de deterioração.

Nota

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Coringa

O bonequinho começa assistindo ao filme com uma expressão triste. Depois percebe que a história está ficando cada vez mais desconfortável e abandona a pipoca. No final, está sentado no canto da sala olhando para a televisão em silêncio.


Logan: o anti-herói em busca de redenção

Logan representa uma das interpretações mais emocionais do arquétipo.

O personagem-título é um Wolverine envelhecido, cansado e distante da figura heroica que o público conheceu em outras histórias.

Em vez de buscar grandes batalhas, Logan quer apenas sobreviver e manter distância dos problemas.

Naturalmente, isso não dura.

Um herói cansado que se aproxima do anti-herói

O filme trabalha com a ideia de que uma pessoa pode passar boa parte da vida sendo utilizada como arma e chegar a um ponto em que simplesmente deseja abandonar essa identidade.

Logan é agressivo, sarcástico, impulsivo e frequentemente violento.

Porém, também demonstra uma capacidade crescente de proteger outras pessoas.

Essa combinação aproxima o personagem do arquétipo do anti-herói, especialmente porque sua jornada não é baseada em perfeição moral.

Ele faz o que precisa fazer.

E, muitas vezes, reclama enquanto faz.

A influência do faroeste

A estrutura de Logan dialoga fortemente com o faroeste.

O protagonista é um homem envelhecido, perseguido pelo passado e colocado diante de uma última missão.

A paisagem árida e as viagens pelas estradas reforçam essa sensação.

Nota

⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de Logan

O bonequinho começa o filme cansado, deitado no sofá e pedindo para ninguém incomodá-lo. Quando percebe que Logan terá de voltar à ação, coloca um pequeno curativo no braço e continua assistindo. No final, está abraçado à própria caixa de lenços.


Drive: o homem sem nome e o código próprio

Drive apresenta um protagonista conhecido simplesmente como Motorista.

Durante o dia, ele trabalha como dublê e mecânico; à noite, utiliza suas habilidades de direção para serviços criminosos.

A característica mais interessante é a economia de palavras.

O personagem fala pouco, mas possui um código pessoal bastante definido.

Um anti-herói minimalista

O Motorista não tenta ser um salvador tradicional.

Ele se envolve em uma situação perigosa por causa da relação que desenvolve com sua vizinha e com o filho dela.

A partir desse momento, sua habilidade para a violência passa a ser utilizada para proteger pessoas específicas.

É uma estrutura clássica do arquétipo do anti-herói: o personagem não age necessariamente porque acredita em uma grande causa universal.

Ele age porque alguém passou a importar para ele.

Fotografia e trilha sonora

A fotografia noturna, a iluminação estilizada e a trilha sonora eletrônica ajudam a construir uma atmosfera quase onírica.

A violência também aparece de maneira abrupta, criando contraste com os momentos contemplativos.

O filme utiliza esse contraste para apresentar um protagonista que parece calmo na superfície, mas carrega uma capacidade extremamente perigosa.

Nota

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Drive

O bonequinho coloca uma jaqueta brilhante, entra em um carro e decide dirigir tranquilamente. Cinco minutos depois, percebe que o filme ficou muito mais violento do que esperava e segura o cinto de segurança com as duas mãos.


Deadpool: o anti-herói que transforma a própria história em piada

Deadpool leva o arquétipo para uma direção completamente diferente.

Wade Wilson é mercenário, violento, irreverente e incapaz de seguir regras convencionais de comportamento.

Ao mesmo tempo, possui vínculos afetivos fortes e uma motivação pessoal que conduz sua trajetória.

Humor como ferramenta narrativa

O grande diferencial é a consciência que o personagem demonstra sobre a própria natureza ficcional.

Ele quebra a quarta parede, comenta acontecimentos da história e satiriza convenções do cinema de super-heróis.

Isso permite que Deadpool seja simultaneamente uma aventura de ação e uma paródia do gênero.

Por que ele é um anti-herói?

Porque sua personalidade está muito distante do modelo tradicional.

Deadpool mata, faz piadas em situações inadequadas, toma decisões egoístas e frequentemente age de maneira irresponsável.

Ainda assim, possui sentimentos, lealdade e disposição para colocar a própria vida em risco por pessoas importantes para ele.

Nota

⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de Deadpool

O bonequinho começa a assistir com um balde de pipoca. Cinco minutos depois, está gargalhando. Dez minutos depois, está escondido atrás do sofá. No fim, levanta, aplaude e pergunta quando começa a continuação.


O que esses filmes têm em comum?

Apesar das enormes diferenças entre as histórias, os filmes desta lista de filmes com o arquétipo do anti-herói compartilham algumas características.

1. Protagonistas imperfeitos

Nenhum desses personagens corresponde integralmente ao modelo tradicional de herói.

Eles possuem defeitos importantes e, em alguns casos, comportamentos extremamente questionáveis.

2. Moralidade própria

O anti-herói frequentemente estabelece suas próprias regras.

Isso não significa que essas regras sejam moralmente corretas. Significa apenas que o personagem não utiliza necessariamente os mesmos critérios éticos aceitos pela sociedade.

3. Conflito interno

A maioria dessas histórias funciona porque o protagonista possui uma contradição.

Ele quer alguma coisa, mas existe algo dentro dele que dificulta alcançar esse objetivo.

Essa tensão movimenta a narrativa.

4. Relação complicada com a violência

A violência aparece de maneiras diferentes.

Em alguns filmes, ela é apresentada como consequência da decadência social. Em outros, como ferramenta de sobrevivência, vingança ou proteção.

O importante é que a violência raramente existe apenas para tornar o personagem “durão”.

5. Possibilidade de transformação

O anti-herói geralmente não permanece exatamente igual do começo ao fim.

Ele pode piorar, melhorar, se destruir ou descobrir uma nova razão para continuar vivendo.

A transformação é parte essencial de sua função dramática.


Anti-herói, vilão e herói: qual é a diferença?

A fronteira pode ser subjetiva, mas existem diferenças úteis.

O herói costuma ocupar uma posição moral relativamente positiva e busca objetivos que beneficiam outras pessoas.

O vilão normalmente funciona como força de oposição aos objetivos do protagonista ou representa uma ameaça central à ordem estabelecida pela narrativa.

O anti-herói fica entre essas categorias.

Ele pode ser egoísta, criminoso, violento ou moralmente questionável, mas continua sendo o personagem cuja trajetória sustenta a narrativa.

Essa distinção também explica por que nem todo protagonista violento é automaticamente um anti-herói.

Um personagem pode ser simplesmente um vilão.

O que define o arquétipo é a combinação entre sua função narrativa, suas características morais e a maneira como a história constrói sua relação com o público.


Por que o público gosta de anti-heróis?

A popularidade do arquétipo está ligada à identificação.

Pessoas reais não são completamente boas ou completamente más. Elas possuem contradições, inseguranças, desejos, medos e decisões das quais podem se arrepender.

O anti-herói leva essas características ao extremo cinematográfico.

Quando funciona bem, o personagem provoca uma reação curiosa: o público pode não concordar com suas atitudes, mas quer descobrir o que ele fará em seguida.

Essa é uma das maiores forças narrativas do arquétipo.


Os diferentes tipos de anti-herói no cinema

Não existe apenas um modelo.

O anti-herói solitário

É representado por personagens isolados socialmente, como Travis Bickle em Taxi Driver.

Ele costuma enxergar a sociedade de fora e desenvolver uma visão própria sobre seus problemas.

O anti-herói criminoso

Michael Corleone, de O Poderoso Chefão, representa uma variação em que poder, família e criminalidade se misturam.

O anti-herói redimido

William Munny, de Os Imperdoáveis, exemplifica o personagem que tenta abandonar seu passado.

O anti-herói vingativo

Esse tipo é movido por uma perda, injustiça ou desejo de retribuição.

Sua jornada frequentemente coloca justiça e vingança lado a lado.

O anti-herói irreverente

Deadpool transforma defeitos morais, violência e egoísmo em elementos de humor.

O anti-herói trágico

Logan representa o personagem marcado pelo passado, pelo envelhecimento e pela consciência de que suas escolhas tiveram consequências.


A importância do arquétipo do anti-herói para o cinema

O anti-herói permitiu que o cinema ampliasse consideravelmente o que poderia ser considerado um protagonista.

Em vez de contar apenas histórias sobre pessoas virtuosas enfrentando vilões, os roteiristas passaram a explorar indivíduos contraditórios enfrentando sociedades igualmente imperfeitas.

Essa mudança abriu espaço para dramas psicológicos, faroestes revisionistas, histórias policiais, filmes de quadrinhos mais adultos e narrativas sobre alienação.

A principal característica do arquétipo é justamente essa capacidade de gerar perguntas.

O espectador não precisa necessariamente gostar do personagem.

Precisa querer entender sua trajetória.


Curiosidades sobre o arquétipo do anti-herói

O conceito não nasceu no cinema moderno. Personagens moralmente ambíguos existem há séculos na literatura, no teatro e em outras formas de narrativa.

O cinema, entretanto, encontrou maneiras particularmente eficazes de transformar essa ambiguidade em experiência visual.

A partir da segunda metade do século XX, personagens menos idealizados ganharam cada vez mais espaço em grandes produções e no cinema autoral.

Filmes como Taxi Driver, Laranja Mecânica e O Poderoso Chefão ajudaram a consolidar diferentes modelos de protagonistas moralmente ambíguos.

Mais tarde, obras como Logan e Deadpool demonstraram que o arquétipo também poderia funcionar dentro do cinema de super-heróis.


Final explicado: por que o anti-herói raramente tem um final simples?

O encerramento de uma história protagonizada por um anti-herói normalmente precisa resolver mais do que o conflito externo.

Também precisa responder o que aconteceu com o próprio personagem.

Em Logan, por exemplo, a jornada é construída em torno da ideia de legado e proteção.

Em Os Imperdoáveis, o passado de Munny retorna de maneira brutal.

Já Taxi Driver deixa uma sensação deliberadamente ambígua, permitindo que o espectador questione a própria interpretação dos acontecimentos.

Isso é característico do arquétipo do anti-herói: o final nem sempre significa que o protagonista se tornou uma pessoa melhor.

Às vezes, significa apenas que finalmente descobrimos quem ele realmente é.


Ficha técnica resumida dos filmes da lista

FilmeAnoDireçãoGênero predominante
Taxi Driver1976Martin ScorseseDrama psicológico
O Poderoso Chefão1972Francis Ford CoppolaCrime e drama
Laranja Mecânica1971Stanley KubrickFicção científica e drama
Os Imperdoáveis1992Clint EastwoodFaroeste e drama
Clube da Luta1999David FincherDrama e suspense
Coringa2019Todd PhillipsDrama psicológico
Logan2017James MangoldAção e drama
Drive2011Nicolas Winding RefnCrime e ação
Deadpool2016Tim MillerAção e comédia

Vale a pena assistir a uma lista de filmes com o arquétipo do anti-herói?

Para quem gosta de personagens complexos, conflitos morais e histórias que não dividem o mundo simplesmente entre bons e maus, uma lista de filmes com o arquétipo do anti-herói oferece uma variedade enorme de experiências.

Táxi Driver, O Poderoso Chefão, Laranja Mecânica, Os Imperdoáveis, Clube da Luta, Coringa, Logan, Drive e Deadpool mostram que o arquétipo pode assumir formas completamente diferentes.

O ponto em comum é a presença de protagonistas que desafiam expectativas.

Alguns procuram redenção. Outros buscam vingança. Alguns querem apenas sobreviver. Outros tentam encontrar algum significado em uma existência que parece ter perdido o sentido.

É justamente essa variedade que mantém o arquétipo do anti-herói tão relevante.

O anti-herói não precisa ser admirável.

Ele precisa ser interessante.

E, quando o roteiro consegue transformar suas contradições em uma jornada convincente, o resultado pode produzir personagens que permanecem na memória do público muito depois dos créditos finais.

Por: Alexandre lavrador. Opinião do Blogueiro.

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