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Lista dos melhores filmes da África do Sul

Lista dos melhores filmes da África do Sul

Conheça uma seleção de grandes filmes sul-africanos, entre dramas históricos, produções sobre o apartheid, ficção científica, comédias, romances e histórias que retratam diferentes faces da sociedade da África do Sul.

O cinema da África do Sul possui uma trajetória marcada por contrastes. Ao mesmo tempo em que produziu comédias populares e aventuras reconhecidas internacionalmente, o país também construiu uma cinematografia profundamente ligada à história do apartheid, às desigualdades sociais, às questões raciais, à identidade cultural e ao processo de transformação vivido depois de 1994.

Esta lista dos melhores filmes da África do Sul reúne obras de diferentes períodos e estilos, procurando representar justamente essa diversidade. Há títulos premiados internacionalmente, produções independentes, filmes históricos e obras que utilizam gêneros como ficção científica e comédia para abordar questões essencialmente sul-africanas.

Entre os destaques estão Tsotsi, District 9, The Gods Must Be Crazy, Yesterday, Sarafina! e The Wound.

Por que o cinema da África do Sul é tão importante?

A produção cinematográfica sul-africana não pode ser dissociada da história do próprio país. Durante décadas, o apartheid estabeleceu uma estrutura institucionalizada de segregação racial que afetou profundamente a vida social, econômica e cultural.

O cinema tornou-se uma forma de registrar conflitos, denunciar injustiças, preservar memórias e também imaginar uma sociedade diferente.

Depois do fim do apartheid, novas gerações de cineastas passaram a explorar temas que vão além da divisão racial. Pobreza, violência urbana, sexualidade, xenofobia, desigualdade, religião, família, juventude e identidade cultural passaram a ocupar espaço cada vez maior.

Por isso, uma lista dos melhores filmes da África do Sul precisa incluir produções bastante diferentes entre si.

1. Tsotsi

Lançado em 2005 e dirigido por Gavin Hood, Tsotsi acompanha um jovem criminoso que vive em um bairro periférico de Joanesburgo.

Depois de um assalto violento, Tsotsi encontra um bebê dentro do carro roubado. A presença inesperada da criança transforma completamente a dinâmica da narrativa.

O grande mérito do filme está em evitar uma transformação simplista. O protagonista não se torna imediatamente uma pessoa diferente. O roteiro constrói gradualmente o conflito entre a violência que aprendeu a utilizar para sobreviver e a possibilidade de desenvolver responsabilidade e afeto.

A cidade também funciona quase como personagem. Os espaços urbanos, os bairros pobres e a distância entre diferentes realidades econômicas ajudam a explicar o comportamento do protagonista sem transformar suas ações em algo justificável.

A atuação de Presley Chweneyagae é fundamental para essa construção. Seu personagem fala pouco, mas demonstra muito por meio de expressões, movimentos e mudanças de comportamento.

O filme venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro, então chamado de melhor filme em língua estrangeira, na cerimônia de 2006.

Temas de Tsotsi

A obra trabalha pobreza, violência, abandono, responsabilidade, infância e possibilidade de transformação.

Um dos aspectos mais interessantes é que o bebê não funciona apenas como elemento sentimental. Ele obriga Tsotsi a encarar a fragilidade de outra pessoa e, consequentemente, sua própria humanidade.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de Tsotsi

O bonequinho começa assustado com a brutalidade do protagonista, passa boa parte do filme sentado na ponta da cadeira e termina emocionado, olhando para a tela em silêncio.


2. District 9

Poucos filmes conseguiram transformar questões históricas da África do Sul em ficção científica de maneira tão direta quanto District 9.

Dirigido por Neill Blomkamp e lançado em 2009, o filme imagina uma enorme população alienígena confinada em uma área segregada nos arredores de Joanesburgo.

A premissa utiliza extraterrestres como uma metáfora para questões relacionadas à segregação, deslocamento populacional e xenofobia. A força da ideia está justamente na inversão de perspectiva: os seres considerados estranhos são aqueles submetidos à exclusão.

O formato de falso documentário, combinado com câmeras de segurança e cenas tradicionais de ação, cria uma estética bastante particular.

A produção também surpreende pela maneira como transforma o próprio protagonista. Wikus começa representando o sistema que controla os alienígenas, mas sua experiência pessoal altera progressivamente sua percepção sobre aqueles que antes tratava como inferiores.

Ficção científica com identidade sul-africana

Embora tenha elementos de blockbuster, District 9 mantém uma forte identidade local.

Joanesburgo não é simplesmente um cenário genérico. A cidade é parte essencial da atmosfera do filme.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de District 9

O bonequinho começa curioso, arregala os olhos durante as primeiras aparições dos alienígenas e termina completamente empolgado com a mistura de ficção científica, crítica social e ação.


3. The Gods Must Be Crazy

A comédia The Gods Must Be Crazy, lançada em 1980 e dirigida por Jamie Uys, tornou-se uma das produções sul-africanas de maior alcance internacional.

A história começa quando uma garrafa de refrigerante cai de um avião em uma comunidade que vive de maneira bastante diferente da sociedade industrializada. O objeto, inicialmente interpretado como um presente, acaba gerando conflitos.

A partir dessa premissa, o filme constrói uma comédia de choque cultural.

O humor físico é uma das principais características da produção, mas existe também uma reflexão sobre consumo, propriedade e a relação entre diferentes modelos de sociedade.

Ao mesmo tempo, a representação dos povos indígenas deve ser observada dentro do contexto histórico da produção, pois algumas escolhas podem ser consideradas estereotipadas sob perspectivas contemporâneas.

Nota: ⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de The Gods Must Be Crazy

O bonequinho passa boa parte da sessão gargalhando, tentando entender como uma simples garrafa conseguiu causar tanta confusão e balançando a cabeça diante das situações absurdas.


4. Yesterday

O drama Yesterday, dirigido por Darrell Roodt e lançado em 2004, apresenta uma história profundamente humana sobre uma mulher que descobre estar infectada pelo HIV.

A protagonista vive em uma comunidade rural e precisa enfrentar não apenas a doença, mas também o preconceito e as dificuldades provocadas pela falta de informação.

O filme se destaca por contar uma história de grande impacto sem depender de excesso de melodrama.

A relação entre Yesterday e sua filha é o centro emocional da narrativa. A preocupação da mãe com o futuro da criança transforma uma história individual em um retrato de uma geração afetada pela epidemia de HIV/AIDS.

A produção foi o primeiro longa-metragem comercial produzido integralmente em língua zulu a receber uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de Yesterday

O bonequinho fica inicialmente atento, depois bastante emocionado e termina com os olhos marejados, abraçando virtualmente a família retratada na história.


5. Invictus

Dirigido por Clint Eastwood, Invictus acompanha um período importante da história sul-africana após a eleição de Nelson Mandela.

Morgan Freeman interpreta Mandela, enquanto Matt Damon interpreta o jogador de rúgbi François Pienaar.

O roteiro concentra-se na Copa do Mundo de Rúgbi de 1995 e na maneira como o esporte foi utilizado como elemento de aproximação em um país ainda profundamente dividido.

A produção não pretende apresentar todo o processo político de transição da África do Sul. Seu foco está na relação entre liderança, esporte, identidade nacional e reconciliação.

Um dos elementos mais interessantes é a percepção de Mandela sobre símbolos. Para ele, aquilo que representava determinada parcela da população poderia ser transformado em instrumento de união.

Um filme sobre esporte e política

Invictus utiliza o esporte para discutir questões muito maiores do que uma partida de rúgbi.

Nota: ⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Invictus

O bonequinho começa concentrado, passa a torcer durante as partidas e termina de pé, comemorando como se estivesse na arquibancada.


6. Sarafina!

Sarafina!, lançado em 1992, mistura musical e drama político para retratar a juventude negra durante o apartheid.

A protagonista é uma estudante que passa a questionar a estrutura de segregação existente no país e encontra na educação e na música formas de expressão e resistência.

O filme é particularmente importante por utilizar apresentações musicais para representar sentimentos coletivos.

A música deixa de ser apenas entretenimento e transforma-se em linguagem política.

Whoopi Goldberg participa da produção, enquanto a presença de artistas sul-africanos dá ao filme uma forte ligação com a cultura local.

Nota: ⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Sarafina!

O bonequinho fica emocionado nas canções, indignado diante das injustiças e termina empolgado, acompanhando mentalmente as coreografias.


7. Zulu

Lançado em 1964, Zulu é um épico de guerra ambientado no conflito entre forças britânicas e guerreiros zulus no século XIX.

A produção ficou conhecida pelas grandes cenas de batalha e pela dimensão épica de sua narrativa.

Embora tenha sido realizado dentro de uma perspectiva cinematográfica britânica, o filme permanece relevante para compreender como a história sul-africana foi representada no cinema internacional.

As sequências de combate são especialmente impressionantes considerando o período em que foram filmadas.

Ao mesmo tempo, espectadores contemporâneos podem perceber limitações na maneira como determinados personagens e conflitos são apresentados.

Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de Zulu

O bonequinho fica escondido atrás do sofá durante as batalhas, espiando a tela entre os dedos e comemorando cada grande cena de ação.


8. Cry Freedom

Dirigido por Richard Attenborough e lançado em 1987, Cry Freedom dramatiza acontecimentos relacionados ao ativista Steve Biko e à luta contra o apartheid.

Denzel Washington interpreta Biko, enquanto Kevin Kline interpreta o jornalista Donald Woods.

A estrutura narrativa permite acompanhar o conflito inicialmente a partir de um personagem branco que gradualmente passa a compreender a dimensão da realidade vivida pela população negra.

Essa escolha facilita a entrada do espectador na história, mas também significa que parte da narrativa é filtrada pela experiência de Woods.

O filme permanece relevante pelo registro cinematográfico de um período extremamente importante da história sul-africana.

Nota: ⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Cry Freedom

O bonequinho assiste sério, fica indignado com determinadas situações e termina a sessão pensativo, sem vontade de levantar imediatamente do sofá.


9. A Dry White Season

A Dry White Season, de 1989, acompanha um homem branco que passa a questionar a realidade do apartheid depois de acontecimentos envolvendo pessoas próximas.

A produção é importante porque explora o processo de ruptura de alguém inicialmente integrado a uma sociedade profundamente desigual.

Em vez de tratar o apartheid apenas como pano de fundo histórico, o filme mostra como uma estrutura política pode influenciar relações familiares, trabalho, justiça e relações pessoais.

A direção de Euzhan Palcy combina drama político e suspense, criando uma narrativa progressivamente mais tensa.

Nota: ⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de A Dry White Season

O bonequinho começa tranquilo, fica cada vez mais tenso e termina completamente sério, encarando os créditos finais.


10. Mandela: Long Walk to Freedom

Baseado na autobiografia de Nelson Mandela, Mandela: Long Walk to Freedom acompanha diversas fases da vida do líder sul-africano.

Idris Elba interpreta Mandela, enquanto Naomie Harris interpreta Winnie Mandela.

O longa passa pela juventude, pela atuação política, pela prisão e pelos acontecimentos que levaram à transformação política do país.

Uma das maiores dificuldades de uma cinebiografia tão abrangente é condensar décadas de acontecimentos em pouco mais de duas horas. Por isso, determinados períodos recebem mais atenção do que outros.

Ainda assim, a produção oferece um panorama acessível da trajetória pessoal e política de Mandela.

Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de Mandela: Long Walk to Freedom

O bonequinho acompanha a história com atenção, fica emocionado em alguns momentos e termina de pé, refletindo sobre a longa trajetória apresentada.


11. The Wound

O drama The Wound, também conhecido pelo título original Inxeba, foi lançado em 2017 e dirigido por John Trengove.

A história acompanha homens envolvidos em um ritual tradicional de iniciação xhosa e utiliza essa experiência para discutir masculinidade, tradição, desejo, segredo e identidade.

O filme evita respostas fáceis. Seu conflito nasce justamente da tensão entre expectativas sociais e desejos individuais.

A fotografia trabalha bastante com ambientes naturais, isolamento e espaços de difícil acesso, reforçando a sensação de que os personagens estão presos dentro de uma estrutura social que não conseguem controlar completamente.

A produção representou a África do Sul na disputa pelo Oscar de filme estrangeiro e chegou à lista de pré-selecionados.

Nota: ⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de The Wound

O bonequinho assiste em silêncio absoluto, desconfortável em alguns momentos e profundamente curioso com os conflitos de identidade apresentados.


12. Life, Above All

Life, Above All, lançado em 2010, acompanha Chanda, uma menina de 12 anos que precisa enfrentar o preconceito que atinge sua família.

A produção aborda HIV/AIDS, estigma social, superstição, pobreza e solidariedade comunitária.

Um dos maiores méritos do filme está na perspectiva escolhida. Em vez de colocar especialistas ou autoridades no centro da narrativa, o roteiro observa a crise através de uma criança.

Essa escolha aumenta o impacto emocional porque o espectador acompanha a protagonista tentando compreender um mundo adulto cheio de segredos e julgamentos.

Khomotso Manyaka, em sua estreia cinematográfica, sustenta boa parte da força dramática da produção.

O filme foi exibido no Festival de Cannes e representou a África do Sul na disputa pelo Oscar.

Nota: ⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Life, Above All

O bonequinho fica emocionado, segura um lencinho imaginário e permanece acordado até o fim para acompanhar a luta de Chanda.


13. Skoonheid

Skoonheid, conhecido internacionalmente como Beauty, é um drama psicológico dirigido por Oliver Hermanus.

Lançado em 2011, o filme acompanha François, um homem sul-africano que vive uma existência aparentemente organizada enquanto esconde desejos e conflitos pessoais.

A narrativa utiliza desconforto, silêncio e repressão para construir uma história progressivamente mais perturbadora.

A direção evita transformar o protagonista em uma figura simples. O objetivo é explorar seu mundo psicológico e as consequências de desejos reprimidos e de uma identidade construída sob forte pressão social.

Deon Lotz conduz o filme com uma atuação marcada por contenção.

A produção foi exibida na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes e recebeu a Queer Palm.

Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de Skoonheid

O bonequinho fica desconfortável durante boa parte da sessão, olha para os lados como quem precisa processar o que acabou de assistir e termina profundamente pensativo.


14. Four Corners

Four Corners, lançado em 2013 e dirigido por Ian Gabriel, combina drama criminal e história de amadurecimento.

Ambientado na Cidade do Cabo, o filme acompanha personagens conectados por violência, criminalidade, família e dificuldades sociais.

A produção utiliza a cidade de maneira muito eficiente. Os bairros e espaços urbanos não servem apenas como cenário: eles ajudam a estabelecer as relações entre os personagens.

O roteiro trabalha diferentes perspectivas e mostra como escolhas individuais podem ser influenciadas por circunstâncias familiares e sociais.

O filme foi escolhido como representante sul-africano na disputa pelo Oscar de filme estrangeiro.

Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de Four Corners

O bonequinho fica atento durante as cenas criminais, acompanha os conflitos familiares com preocupação e termina querendo conversar sobre os personagens.


15. Jerusalema

Jerusalema, lançado em 2008, apresenta um retrato criminal de Joanesburgo e acompanha Lucky Kunene, um homem que entra no mundo do crime enquanto tenta melhorar sua condição de vida.

O filme combina ação, drama social e criminalidade urbana.

Um dos elementos centrais é a relação entre ascensão econômica e violência. O protagonista deseja mudar de vida, mas escolhe caminhos que o colocam cada vez mais perto de organizações criminosas.

A produção também mostra uma Joanesburgo marcada por diferenças econômicas, especulação imobiliária e disputas territoriais.

É uma opção particularmente interessante para quem deseja conhecer um lado mais urbano e contemporâneo do cinema sul-africano.

Nota: ⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Jerusalema

O bonequinho fica empolgado com as perseguições, tenso durante as disputas e termina a sessão fazendo cara de “isso saiu muito mais do controle do que eu imaginava”.


Outros filmes sul-africanos que merecem atenção

Além dos principais títulos desta lista dos melhores filmes da África do Sul, existem diversas outras produções que ajudam a compreender a diversidade da cinematografia do país.

Come Back, Africa

Lançado em 1959, Come Back, Africa é uma obra fundamental do cinema sul-africano ligado ao período do apartheid.

A produção mistura elementos documentais e ficcionais para apresentar a vida da população negra em Joanesburgo.

Nota: ⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Come Back, Africa

O bonequinho assiste com atenção histórica redobrada e termina impressionado com a força documental da obra.


Fiela’s Child

Fiela’s Child, baseado no romance de Dalene Matthee, utiliza a história de uma criança para abordar identidade, pertencimento e divisão racial.

O filme apresenta uma África do Sul profundamente marcada pelas estruturas sociais de sua época.

Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de Fiela’s Child

O bonequinho acompanha a história emocionado e termina querendo saber mais sobre a identidade e o passado dos personagens.


Material

Material, de 2012, mistura comédia e drama para contar a história de um jovem que deseja seguir carreira como comediante enquanto enfrenta as expectativas de seu pai.

O filme utiliza humor para discutir família, tradição, religião, profissão e mudanças culturais.

Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de Material

O bonequinho alterna entre risadas e momentos emocionais, exatamente como o filme alterna comédia e drama.


O que torna esses filmes diferentes?

Uma característica marcante desta lista dos melhores filmes da África do Sul é a variedade.

Não existe apenas um tipo de cinema sul-africano.

District 9 utiliza ficção científica para falar sobre segregação.

Tsotsi transforma um drama criminal em uma história sobre responsabilidade.

The Gods Must Be Crazy usa a comédia para explorar choques culturais.

Yesterday aborda HIV/AIDS a partir de uma perspectiva familiar.

Sarafina! transforma música em expressão política.

The Wound investiga tradição e identidade.

Skoonheid mergulha em repressão e desejo.

Essa variedade é justamente uma das razões pelas quais o cinema do país merece ser explorado para além dos títulos mais conhecidos internacionalmente.

Apartheid no cinema sul-africano

O apartheid aparece direta ou indiretamente em grande parte das obras mais importantes produzidas no país durante as últimas décadas.

Filmes como Cry Freedom, A Dry White Season e Sarafina! apresentam diferentes perspectivas sobre o sistema de segregação.

Depois do fim oficial do apartheid, o cinema passou também a investigar suas consequências.

Essa mudança é perceptível em produções como Tsotsi e District 9, nas quais a desigualdade e a divisão social continuam presentes, mas aparecem dentro de narrativas diferentes.

Cinema sul-africano e identidade

Outro aspecto importante é a presença de diferentes idiomas.

Produções como Yesterday valorizam o zulu, enquanto The Wound utiliza o xhosa e Skoonheid trabalha principalmente com africâner e inglês.

Essa diversidade linguística ajuda a compreender que a África do Sul não possui uma única identidade cultural.

O cinema funciona, portanto, como uma espécie de retrato fragmentado do país: diferentes regiões, comunidades, idiomas, classes sociais e gerações aparecem nas telas.

Ficção científica também faz parte do cinema da África do Sul

Uma das maiores demonstrações da versatilidade cinematográfica do país está em District 9.

O filme prova que questões históricas locais podem ser transformadas em histórias de alcance global.

A ideia de alienígenas confinados em uma área isolada de Joanesburgo parece, inicialmente, uma premissa típica de ficção científica. Entretanto, quanto mais a narrativa avança, mais evidente fica a relação com segregação, preconceito, deslocamento e desumanização.

Esse tipo de combinação ajudou a colocar o cinema sul-africano em evidência entre produções internacionais de grande público.

Filmes da África do Sul para começar

Para quem nunca assistiu a uma produção sul-africana, alguns caminhos diferentes podem funcionar.

Quem gosta de ação e ficção científica pode começar por District 9.

Quem prefere dramas criminais pode escolher Tsotsi ou Jerusalema.

Para quem procura história e política, Cry Freedom, A Dry White Season e Mandela: Long Walk to Freedom oferecem perspectivas diferentes.

Quem prefere comédia pode experimentar The Gods Must Be Crazy.

Já quem procura dramas humanos pode optar por Yesterday ou Life, Above All.

Ficha técnica geral da cinematografia sul-africana

A produção cinematográfica do país apresenta grande variedade de gêneros, idiomas e formatos. Entre os filmes desta seleção existem dramas, comédias, musicais, filmes históricos, produções criminais, ficção científica e cinebiografias.

Também há diferentes modelos de produção. Algumas obras foram desenvolvidas principalmente dentro da indústria sul-africana, enquanto outras receberam participação internacional, especialmente em projetos históricos ou de maior orçamento.

Essa característica ajuda a explicar por que o cinema da África do Sul consegue transitar entre produções essencialmente locais e obras com alcance internacional.

Recepção e importância internacional

A presença de filmes sul-africanos em grandes festivais e premiações internacionais demonstra que a cinematografia do país ultrapassou há muito tempo suas fronteiras.

Tsotsi ganhou o Oscar.

The Wound, Life, Above All e Skoonheid tiveram participação em importantes festivais internacionais.

Yesterday recebeu indicação ao Oscar.

District 9 conseguiu ainda uma combinação incomum: utilizar uma questão profundamente relacionada à história sul-africana dentro de uma produção de ficção científica com grande alcance comercial.

Lista dos melhores filmes da África do Sul: resumo da seleção

FilmeAnoGênero principalNota
Tsotsi2005Drama criminal⭐⭐⭐⭐⭐
District 92009Ficção científica⭐⭐⭐⭐⭐
The Gods Must Be Crazy1980Comédia⭐⭐⭐⭐½
Yesterday2004Drama⭐⭐⭐⭐⭐
Invictus2009Drama esportivo⭐⭐⭐⭐½
Sarafina!1992Musical/drama⭐⭐⭐⭐½
Zulu1964Guerra⭐⭐⭐⭐
Cry Freedom1987Drama histórico⭐⭐⭐⭐½
A Dry White Season1989Drama político⭐⭐⭐⭐½
Mandela: Long Walk to Freedom2013Biografia/drama⭐⭐⭐⭐
The Wound2017Drama⭐⭐⭐⭐½
Life, Above All2010Drama⭐⭐⭐⭐½
Skoonheid2011Drama psicológico⭐⭐⭐⭐
Four Corners2013Crime/drama⭐⭐⭐⭐
Jerusalema2008Crime/drama⭐⭐⭐⭐½

Conclusão

A lista dos melhores filmes da África do Sul revela uma cinematografia muito mais ampla do que os filmes históricos sobre Nelson Mandela ou apartheid.

Há espaço para ficção científica em District 9, para crime em Tsotsi e Jerusalema, para comédia em The Gods Must Be Crazy, para musical em Sarafina! e para dramas humanos extremamente intimistas como Yesterday.

O elemento que conecta boa parte dessas produções é a capacidade de transformar experiências locais em histórias universais. Violência, preconceito, família, identidade, desigualdade, amor, ambição, tradição e esperança aparecem sob diferentes perspectivas.

Por isso, conhecer o cinema sul-africano é também conhecer diferentes períodos e faces da própria África do Sul. De grandes produções históricas a filmes independentes, a cinematografia do país oferece histórias capazes de divertir, emocionar, provocar reflexão e apresentar ao público realidades que raramente aparecem sob uma única perspectiva.

Por: Alexandre lavrador. Opinião do Blogueiro.

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