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Lista dos melhores Filmes de 1900

Lista dos melhores Filmes de 1900

Uma seleção dos filmes mais importantes e inventivos de 1900, ano em que o cinema começou a transformar experiências simples em narrativas, truques visuais e novas formas de linguagem cinematográfica.

O ano de 1900 ocupa um lugar especial na história do cinema. Ainda estamos diante de filmes extremamente curtos, em sua maioria com poucos minutos de duração, sem som sincronizado e frequentemente construídos a partir de uma única ideia visual. Mesmo assim, a produção daquele período já apresentava experimentos que ajudariam a definir recursos fundamentais da linguagem cinematográfica.

Esta Lista dos melhores Filmes de 1900 reúne obras que se destacam não apenas pelo entretenimento que ainda conseguem proporcionar, mas também pela importância histórica, criatividade, inovação técnica e influência que exerceram sobre o desenvolvimento do cinema.

Entre os destaques estão experiências pioneiras de montagem, truques de câmera, efeitos especiais, animação, ficção fantástica, comédia visual e até a primeira aparição cinematográfica conhecida de Sherlock Holmes.

É importante lembrar que escolher os melhores filmes de 1900 é uma tarefa diferente de selecionar grandes produções modernas. Em 1900, um filme podia durar apenas alguns segundos e, ainda assim, representar uma descoberta significativa para a linguagem audiovisual. Por isso, a seleção considera principalmente criatividade, inovação, importância histórica e qualidade da experiência cinematográfica.

Os melhores Filmes de 1900

1. Joan of Arc

Entre os grandes destaques de 1900 está Joan of Arc, dirigido por Georges Méliès.

Com aproximadamente dez minutos, a obra apresenta uma escala narrativa consideravelmente maior do que a habitual nos primeiros anos do cinema. A produção dramatiza episódios da trajetória de Joana d’Arc utilizando cenários elaborados, figurinos, composição teatral e uma série de truques visuais.

A importância de Joan of Arc está justamente na combinação entre narrativa histórica e fantasia cinematográfica. Méliès não estava interessado apenas em registrar acontecimentos diante da câmera. Seu objetivo era construir imagens que não poderiam existir daquela mesma maneira no palco ou na realidade.

A produção também é relevante por sua utilização de cenas coloridas à mão, recurso que contribuía para aumentar o caráter espetacular da apresentação.

História e estilo

A narrativa acompanha momentos da vida de Joana d’Arc, desde acontecimentos relacionados à sua missão até sua captura e execução. Em vez de buscar realismo documental, Méliès transforma a história em uma sucessão de tableaux cinematográficos.

Cada quadro funciona quase como uma pintura em movimento. O espectador observa acontecimentos apresentados de maneira frontal, mas a imaginação visual compensa a simplicidade da câmera.

O resultado é uma obra que demonstra como o cinema estava começando a perceber que poderia contar histórias maiores.

Direção e efeitos

A direção de Georges Méliès é o principal atrativo. Seus cenários artificiais, aparições, transformações e mudanças de ambiente antecipam uma tradição que posteriormente seria fundamental para o cinema fantástico.

Mesmo com recursos extremamente limitados quando comparados às produções atuais, Joan of Arc demonstra uma compreensão muito avançada do potencial ilusório da câmera.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de Joan of Arc

O bonequinho fica empolgado e maravilhado, acompanhando cada transformação como se tivesse descoberto uma máquina do tempo capaz de transportar o espectador para os primórdios do cinema.


2. The Enchanted Drawing

Poucos filmes conseguem demonstrar de maneira tão direta a magia dos primeiros truques cinematográficos quanto The Enchanted Drawing, dirigido por J. Stuart Blackton.

Com aproximadamente um minuto e meio, a produção apresenta um desenho que aparentemente ganha vida diante do espectador. Objetos desenhados passam a interagir com o personagem, criando uma brincadeira entre desenho e realidade.

O conceito parece simples atualmente, mas era extremamente significativo naquele momento.

O nascimento de uma nova linguagem

A grande força de The Enchanted Drawing está na exploração da transformação.

O espectador vê algo que deveria permanecer preso ao papel ultrapassar os limites do desenho. Essa ideia estabelece uma das bases conceituais da animação cinematográfica: objetos estáticos podem adquirir movimento e comportamento por meio da manipulação da imagem.

A obra é frequentemente associada aos primeiros experimentos de animação registrados em película convencional.

Por que ainda vale a pena assistir?

O curta funciona quase como uma demonstração de laboratório. Não depende de uma trama complexa. Sua proposta é apresentar uma impossibilidade e permitir que o público descubra como a câmera pode torná-la convincente.

Para quem está pesquisando a história do cinema, The Enchanted Drawing é particularmente interessante porque mostra a passagem entre fotografia em movimento e cinema como ferramenta de transformação.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de The Enchanted Drawing

O bonequinho fica de olhos arregalados, tentando descobrir em que momento o desenho deixou de ser desenho e virou cinema.


3. Grandma’s Reading Glass

Grandma’s Reading Glass, dirigido por George Albert Smith, é uma das obras fundamentais de 1900 para compreender a evolução da montagem e do close-up.

A premissa é bastante simples: uma criança utiliza uma grande lente de aumento para observar diferentes objetos. O que transforma a experiência é a maneira como a câmera apresenta aquilo que está sendo visto.

Um passo importante para a linguagem cinematográfica

O filme alterna uma visão mais ampla da cena com imagens aproximadas do objeto observado. Essa construção cria uma relação entre personagem, instrumento e ponto de vista.

Hoje, esse recurso parece absolutamente natural. Em 1900, porém, a possibilidade de mostrar uma determinada imagem como extensão da visão de um personagem representava uma evolução importante.

Grandma’s Reading Glass demonstra que o cinema poderia fazer mais do que registrar pessoas diante de uma câmera parada. Ele poderia controlar a atenção do espectador.

Fotografia e montagem

A utilização do enquadramento circular para representar o campo de visão da lente também contribui para a experiência. O público não apenas observa o menino; passa a observar aquilo que ele observa.

Essa diferença parece pequena, mas representa uma transformação fundamental: a câmera começa a assumir uma função narrativa.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Grandma’s Reading Glass

O bonequinho fica curioso, inclinando-se para frente e tentando enxergar através da enorme lente junto com o protagonista.


4. The One-Man Band

Georges Méliès aparece novamente entre os grandes destaques de 1900 com The One-Man Band.

A ideia é praticamente uma piada visual: um único músico aparentemente se multiplica até formar uma pequena orquestra.

A graça está menos na narrativa e mais na demonstração do poder da montagem e da exposição múltipla.

O homem que vira uma orquestra

Méliès interpreta todos os integrantes do conjunto, criando a impressão de que vários personagens idênticos ocupam o mesmo espaço.

Para produzir o efeito, foram utilizadas múltiplas exposições, técnica que exigia planejamento e precisão.

O resultado é extremamente inventivo para a época.

The One-Man Band também revela uma característica essencial do cinema de Méliès: a tecnologia nunca aparece apenas como ferramenta técnica. Ela é transformada em espetáculo.

Humor visual

O curta possui uma lógica próxima à magia de palco. O público sabe que existe um truque, mas a diversão está justamente em observar a impossibilidade acontecer.

Esse modelo influenciaria profundamente o cinema de fantasia e a comédia visual das décadas seguintes.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de The One-Man Band

O bonequinho fica empolgado, contando quantas versões do músico apareceram na tela antes de desistir e simplesmente aplaudir.


5. Sherlock Holmes Baffled

Para os interessados na história das adaptações literárias, Sherlock Holmes Baffled possui enorme importância.

Dirigido por Arthur Marvin, o curta de aproximadamente meio minuto é considerado a primeira aparição cinematográfica conhecida do personagem Sherlock Holmes.

A produção apresenta Holmes diante de um ladrão que consegue aparecer e desaparecer misteriosamente, deixando o famoso detetive completamente confuso.

Um Sherlock Holmes diferente

Não espere encontrar aqui o investigador sofisticado das adaptações posteriores.

O objetivo de Sherlock Holmes Baffled é utilizar o personagem como ponto de partida para uma gag cinematográfica.

A investigação praticamente desaparece para dar lugar ao truque visual.

Essa abordagem é interessante porque mostra como personagens literários conhecidos começaram a ser incorporados à nova linguagem cinematográfica.

Importância histórica

Mesmo sendo extremamente curto, o filme ocupa posição importante na história do cinema por estabelecer uma conexão entre literatura popular e produção audiovisual.

Também demonstra como os primeiros realizadores descobriram rapidamente que personagens conhecidos poderiam ser utilizados para criar situações fantásticas.

Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de Sherlock Holmes Baffled

O bonequinho fica confuso, exatamente como o protagonista, olhando para a tela e procurando pistas que simplesmente desapareceram.


6. As Seen Through a Telescope

Outro trabalho essencial de George Albert Smith é As Seen Through a Telescope.

O curta utiliza um telescópio como dispositivo narrativo para mostrar ao espectador uma visão aproximada daquilo que o personagem está observando.

Ponto de vista e montagem

A obra é especialmente interessante porque estabelece uma relação mais clara entre ação e ponto de vista.

O público acompanha o observador e, em seguida, vê aquilo que está dentro de seu campo de visão. Essa construção é um dos primeiros exemplos de como a montagem pode organizar a percepção do espectador.

As Seen Through a Telescope também utiliza o humor para tornar a experiência mais acessível.

Uma pequena história em poucos planos

Apesar de durar cerca de um minuto, a obra possui começo, desenvolvimento e consequência. O espectador compreende o que está acontecendo por meio da relação entre diferentes enquadramentos.

É justamente essa economia que torna o filme historicamente interessante.

Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de As Seen Through a Telescope

O bonequinho fica curioso, mas desconfiado, olhando para o telescópio e tentando descobrir onde a situação vai terminar.


7. Going to Bed Under Difficulties

Em Going to Bed Under Difficulties, Georges Méliès transforma uma situação cotidiana em uma sucessão absurda de acontecimentos.

Um homem tenta simplesmente tirar a roupa para dormir. O problema é que as roupas parecem possuir vontade própria.

Sempre que ele consegue retirar uma peça, outra aparece.

A lógica do absurdo

O humor de Going to Bed Under Difficulties nasce da repetição.

O personagem acredita que finalmente resolveu o problema, mas a situação recomeça imediatamente. A cada tentativa frustrada, a cena se torna mais exagerada.

Esse mecanismo continua reconhecível em inúmeras formas de comédia contemporânea: estabelecer uma tarefa simples e transformá-la progressivamente em um desastre.

O truque cinematográfico

A produção demonstra como cortes e substituições instantâneas podiam criar a impressão de que objetos apareciam ou desapareciam magicamente.

Méliès transforma uma limitação técnica em linguagem artística.

Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de Going to Bed Under Difficulties

O bonequinho fica morrendo de rir, enquanto o protagonista tenta dormir e percebe que o guarda-roupa parece ter declarado guerra contra ele.


8. A Fantastical Meal

A Fantastical Meal é outro exemplo da capacidade de Georges Méliès de transformar situações banais em espetáculos fantásticos.

A premissa começa de maneira convencional: pessoas se sentam para uma refeição. A partir daí, porém, a realidade começa a se comportar de maneira completamente inesperada.

Mesas mudam de comportamento, objetos desaparecem e elementos sobrenaturais entram em cena.

A cozinha como palco de fantasia

O mérito de A Fantastical Meal está em sua simplicidade.

Méliès não precisa de uma aventura gigantesca. Uma mesa, algumas pessoas e uma série de truques são suficientes para criar uma realidade alternativa.

Essa abordagem demonstra que os efeitos especiais não precisavam estar associados apenas a histórias épicas. O fantástico poderia surgir em qualquer situação cotidiana.

Humor e transformação

O filme funciona como uma pequena demonstração das possibilidades do cinema de truques. Cada transformação é pensada para surpreender o público e manter a dinâmica da apresentação.

Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de A Fantastical Meal

O bonequinho fica assustado e faminto, porque a refeição parece ser a única coisa na sala que não está interessada em permanecer no lugar.


9. Faust and Marguerite

Faust and Marguerite, dirigido por Edwin S. Porter, representa outra vertente importante do cinema de 1900: a adaptação de material dramático conhecido para o formato cinematográfico.

Com menos de um minuto, a obra utiliza uma situação derivada da tradição de Fausto para construir uma pequena cena sobrenatural.

Fantasia em poucos segundos

A produção demonstra como o cinema podia condensar uma narrativa complexa em um momento visual específico.

Em vez de tentar reproduzir toda a história de Fausto, Faust and Marguerite seleciona um acontecimento fantástico e o transforma em espetáculo.

Essa estratégia seria extremamente comum no cinema dos primeiros anos.

A importância de Edwin S. Porter

Porter posteriormente teria papel relevante no desenvolvimento do cinema narrativo norte-americano. Aqui, porém, o que chama atenção é a experimentação com truques e transformação visual.

Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de Faust and Marguerite

O bonequinho fica assustado, mas não consegue parar de assistir para descobrir qual será o próximo truque.


10. Grandma’s Reading Glass e a revolução do olhar

Embora já analisado anteriormente, Grandma’s Reading Glass merece uma posição especial nesta Lista dos melhores Filmes de 1900 porque sua contribuição vai além do conteúdo apresentado.

O filme ajuda a compreender uma das grandes transformações do período: a câmera estava deixando de ser apenas um aparelho que registrava uma ação completa e começava a funcionar como instrumento para direcionar o olhar.

Essa mudança seria fundamental para tudo aquilo que o cinema desenvolveria posteriormente.

Por isso, mesmo quando uma produção de 1900 parece extremamente simples para os padrões atuais, ela pode conter uma ideia que se tornaria essencial décadas depois.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Grandma’s Reading Glass

O bonequinho continua curioso, agora usando uma lupa para procurar todos os detalhes escondidos na história do cinema.

O que torna os Filmes de 1900 tão importantes?

A principal característica dos filmes produzidos em 1900 é a experimentação.

O cinema ainda não possuía uma linguagem completamente estabelecida. Não havia uma fórmula definitiva para montagem, enquadramento, continuidade narrativa ou construção de personagens.

Essa ausência de regras permitia que realizadores experimentassem livremente.

Joan of Arc explora a narrativa histórica e o espetáculo visual.

The Enchanted Drawing aproxima cinema e animação.

Grandma’s Reading Glass experimenta com ponto de vista e close-up.

The One-Man Band demonstra o potencial das múltiplas exposições.

Sherlock Holmes Baffled leva um personagem literário para a tela.

As Seen Through a Telescope utiliza o olhar subjetivo como recurso narrativo.

Going to Bed Under Difficulties transforma a montagem em comédia.

A Fantastical Meal transforma uma situação cotidiana em fantasia.

Faust and Marguerite demonstra como o cinema podia condensar narrativas literárias e dramáticas em imagens.

Em conjunto, essas obras mostram que o cinema de 1900 estava muito longe de ser apenas uma câmera registrando acontecimentos.

A importância de Georges Méliès em 1900

Georges Méliès é uma das figuras centrais desta Lista dos melhores Filmes de 1900.

Seu trabalho ajudou a estabelecer o cinema como espaço de imaginação. Em vez de simplesmente filmar uma ação existente, Méliès construía cenários, personagens e acontecimentos especificamente para a câmera.

Em Joan of Arc, ele amplia a dimensão narrativa.

Em The One-Man Band, utiliza múltiplas exposições.

Em Going to Bed Under Difficulties, transforma cortes em efeitos cômicos.

Em A Fantastical Meal, transforma objetos cotidianos em elementos fantásticos.

Sua contribuição é especialmente importante porque estabelece uma distinção que se tornaria fundamental: existe uma diferença entre registrar a realidade e fabricar uma realidade cinematográfica.

A evolução da montagem

Outra característica importante dos filmes de 1900 é a evolução gradual da montagem.

Em produções muito antigas, era comum que toda a ação acontecesse diante da câmera em um único plano. Aos poucos, os realizadores perceberam que diferentes enquadramentos poderiam ser combinados para produzir novas relações.

Grandma’s Reading Glass e As Seen Through a Telescope são exemplos importantes desse processo.

O espectador começa a compreender que uma imagem pode representar aquilo que um personagem está vendo.

Essa ideia parece banal atualmente, mas é uma das bases da linguagem audiovisual.

Efeitos especiais antes dos grandes estúdios

Quando se fala em efeitos especiais, é comum imaginar grandes produções com computadores, maquetes sofisticadas ou enormes equipes técnicas.

Os filmes de 1900 mostram uma realidade completamente diferente.

Muitos efeitos dependiam de:

  • cortes precisos;
  • substituição de objetos;
  • múltiplas exposições;
  • cenários teatrais;
  • truques de câmera;
  • maquiagem;
  • figurinos;
  • atuação corporal;
  • perspectiva;
  • manipulação da película.

The Enchanted Drawing demonstra isso de maneira particularmente clara.

O encanto não vinha de tecnologia sofisticada, mas da capacidade de fazer o público acreditar durante alguns segundos que uma impossibilidade havia acontecido.

Filmes de 1900 e a construção do cinema fantástico

O fantástico ocupa posição privilegiada entre os filmes selecionados.

A Fantastical Meal, Going to Bed Under Difficulties e The One-Man Band mostram como a fantasia podia nascer de situações extremamente simples.

Esse tipo de cinema não precisava explicar detalhadamente como a mágica funcionava.

O efeito era o próprio espetáculo.

A lógica era próxima à de uma apresentação de ilusionismo: o público sabia que estava vendo um truque, mas queria descobrir qual seria a próxima transformação.

Os filmes de 1900 eram realmente filmes?

Sim. Embora muitos sejam classificados atualmente como curtas-metragens, filmes de truques ou experiências cinematográficas, eles já utilizavam elementos que seriam fundamentais para o cinema.

Há narrativa, atuação, composição visual, direção, fotografia, montagem e construção de situações.

O que muda é a escala.

Enquanto um filme contemporâneo pode desenvolver uma história durante duas horas, uma produção de 1900 poderia concentrar toda a sua ideia em menos de dois minutos.

Por isso, assistir a esses trabalhos exige uma mudança de expectativa.

Não faz sentido avaliar Sherlock Holmes Baffled esperando um mistério policial moderno. Da mesma maneira, The Enchanted Drawing não deve ser analisado como se fosse uma animação contemporânea.

O valor dessas obras está também naquilo que elas representam dentro de seu próprio momento histórico.

Curiosidades sobre os Filmes de 1900

O ano de 1900 possui várias particularidades interessantes.

O cinema ainda era uma experiência predominantemente visual

Sem diálogos gravados ou trilhas sonoras sincronizadas, a comunicação dependia principalmente de gestos, composição e ação.

Isso favorecia o desenvolvimento de um humor extremamente físico, perceptível mesmo sem conhecimento de idioma.

Muitos filmes tinham duração inferior a poucos minutos

Produções como The One-Man Band e A Fantastical Meal demonstram como uma única ideia podia sustentar uma obra completa.

Sherlock Holmes já estava no cinema

Sherlock Holmes Baffled é particularmente importante por apresentar uma das primeiras adaptações cinematográficas do personagem criado por Arthur Conan Doyle.

O close-up começava a ganhar força

Grandma’s Reading Glass demonstra como a aproximação da câmera poderia alterar completamente a percepção de um objeto.

O cinema podia criar coisas impossíveis

Os trabalhos de Méliès mostram que a câmera não precisava estar limitada ao mundo real.

Um personagem poderia desaparecer, multiplicar-se, transformar objetos ou enfrentar acontecimentos impossíveis.

Ficha técnica geral da seleção

FilmeAnoPaísDireçãoDuração aproximadaGênero
Joan of Arc1900FrançaGeorges Méliès10 minFantasia, drama histórico
The Enchanted Drawing1900Estados UnidosJ. Stuart Blackton1 min 30 sFantasia, animação, comédia
Grandma’s Reading Glass1900Reino UnidoGeorge Albert Smithcerca de 2 minCurta, experimental
The One-Man Band1900FrançaGeorges Mélièscerca de 2 minComédia, fantasia
Sherlock Holmes Baffled1900Estados UnidosArthur Marvincerca de 30 sMistério, fantasia, comédia
As Seen Through a Telescope1900Reino UnidoGeorge Albert Smithcerca de 1 minComédia
Going to Bed Under Difficulties1900FrançaGeorges Mélièscerca de 1 min 30 sComédia, fantasia
A Fantastical Meal1900FrançaGeorges Mélièscerca de 2 minComédia, fantasia
Faust and Marguerite1900Estados UnidosEdwin S. Portermenos de 1 minFantasia, drama

Qual é o melhor filme de 1900?

Dentro desta Lista dos melhores Filmes de 1900, não existe uma única forma de medir qualidade. Cada produção apresenta uma contribuição diferente.

Para quem procura narrativa histórica e espetáculo visual, Joan of Arc é um dos trabalhos mais completos da seleção.

Para quem se interessa pela origem da animação, The Enchanted Drawing é especialmente significativo.

Para compreender a evolução da montagem, Grandma’s Reading Glass e As Seen Through a Telescope são fundamentais.

Para observar o potencial dos efeitos especiais, The One-Man Band e Going to Bed Under Difficulties oferecem exemplos particularmente divertidos.

E para quem deseja conhecer o início das adaptações cinematográficas de personagens famosos, Sherlock Holmes Baffled é uma escolha histórica.

Vale a pena assistir aos Filmes de 1900?

Sim, especialmente para quem gosta de história do cinema.

A experiência é diferente daquela proporcionada por filmes contemporâneos. Algumas obras podem parecer extremamente simples, enquanto outras surpreendem justamente pela inventividade.

O maior desafio é abandonar a expectativa de encontrar histórias desenvolvidas segundo os padrões atuais.

Os filmes de 1900 devem ser observados também como experimentos. Cada truque, corte, enquadramento e transformação representa uma tentativa de descobrir o que aquela nova tecnologia era capaz de fazer.

Nesse sentido, The Enchanted Drawing, Grandma’s Reading Glass, The One-Man Band e Joan of Arc continuam interessantes porque permitem observar o cinema descobrindo a si próprio.

Para quem esta lista é recomendada?

A Lista dos melhores Filmes de 1900 é especialmente indicada para:

  • estudantes de cinema;
  • pesquisadores de história audiovisual;
  • fãs de cinema mudo;
  • interessados em Georges Méliès;
  • pessoas que gostam de efeitos especiais antigos;
  • admiradores de animação;
  • fãs de Sherlock Holmes;
  • interessados na evolução da montagem;
  • colecionadores e pesquisadores de filmes históricos;
  • espectadores curiosos sobre os primeiros anos do cinema.

Quem estiver começando a estudar cinema pode inclusive assistir aos filmes em sequência, observando como cada produção resolve um problema diferente.

Conclusão

A Lista dos melhores Filmes de 1900 revela um momento em que o cinema ainda estava descobrindo suas próprias possibilidades.

Não havia ainda a estrutura industrial que dominaria décadas posteriores, nem a linguagem cinematográfica plenamente consolidada. Havia, porém, curiosidade, experimentação e uma disposição impressionante para transformar a câmera em ferramenta de imaginação.

Joan of Arc mostra que o cinema já podia contar histórias relativamente ambiciosas.

The Enchanted Drawing aponta para o futuro da animação.

Grandma’s Reading Glass e As Seen Through a Telescope ajudam a construir a linguagem do olhar.

The One-Man Band, Going to Bed Under Difficulties e A Fantastical Meal provam que o humor e a fantasia já faziam parte da identidade cinematográfica.

E Sherlock Holmes Baffled demonstra que a relação entre cinema e personagens populares começou praticamente junto com a própria consolidação da narrativa cinematográfica.

Assistir aos filmes de 1900, portanto, é mais do que voltar no tempo. É acompanhar o nascimento de ideias que continuariam evoluindo durante todo o século XX e chegariam ao cinema contemporâneo de formas que seus primeiros realizadores provavelmente jamais poderiam imaginar.

Por: Alexandre lavrador. Opinião do Blogueiro.

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