Lista dos melhores Filmes de 1928: 10 obras essenciais do cinema mudo
Confira uma seleção dos melhores Filmes de 1928, com clássicos de diferentes países e gêneros que ajudaram a transformar a linguagem cinematográfica e permanecem relevantes quase um século depois.
O ano de 1928 ocupa um lugar especial na história do cinema. A indústria estava no meio de uma transformação profunda: o cinema sonoro começava a ganhar espaço comercial, enquanto os grandes realizadores da era muda ainda exploravam de maneira extraordinária aquilo que a imagem, a montagem, a expressão corporal e a música poderiam transmitir sem diálogos gravados.
Esta Lista dos melhores Filmes de 1928 reúne obras que continuam importantes por motivos muito diferentes. Há dramas psicológicos, comédias físicas, épicos históricos, romances, filmes experimentais e produções que anteciparam técnicas que seriam desenvolvidas durante as décadas seguintes.
Entre os destaques estão A Paixão de Joana d’Arc, A Turba, O Vento, Marinheiro de Água Doce, O Homem da Câmera e O Circo.
A seleção também mostra como 1928 foi um ano de enorme diversidade artística. Algumas dessas produções foram sucessos populares; outras tiveram reconhecimento maior apenas posteriormente. Em comum, todas ajudam a explicar por que o cinema produzido naquele período continua sendo estudado, restaurado e redescoberto.
Por que 1928 foi tão importante para o cinema?
O cinema de 1928 estava entre duas eras. Os filmes mudos ainda eram predominantes, mas a chegada dos sistemas sonoros começava a alterar a maneira como os estúdios pensavam produção, distribuição e atuação.
Isso torna particularmente interessante observar os Filmes de 1928 atualmente. Muitos deles utilizam recursos que parecem surpreendentemente modernos: montagem acelerada, enquadramentos subjetivos, movimentos de câmera, construção psicológica dos personagens, humor visual e experimentação narrativa.
Outro aspecto importante é que não existe um único estilo associado ao cinema daquele ano. Produções europeias apresentavam experiências formais radicais, enquanto Hollywood combinava espetáculo, melodrama, comédia e narrativa clássica.
Por isso, uma Lista dos melhores Filmes de 1928 não precisa se limitar aos maiores sucessos comerciais. A importância histórica, a inovação visual, a qualidade das interpretações e a influência posterior também são fundamentais.
A Paixão de Joana d’Arc
Dirigido por Carl Theodor Dreyer, A Paixão de Joana d’Arc é frequentemente lembrado como uma das experiências mais intensas do cinema mudo.
A produção dramatiza o julgamento de Joana d’Arc e concentra grande parte de sua força no rosto da protagonista, interpretada por Maria Falconetti. Em vez de transformar a personagem em uma heroína convencional de aventura histórica, Dreyer cria uma experiência claustrofóbica, espiritual e profundamente humana.
Uma direção baseada nos rostos
A característica mais marcante está nos primeiros planos. O diretor utiliza enquadramentos muito próximos para transformar pequenas alterações na expressão de Falconetti em acontecimentos dramáticos.
A ausência de diálogos sonoros não representa uma limitação. Pelo contrário: olhos, lágrimas, movimentos mínimos e expressões faciais assumem a função que posteriormente seria dividida entre diálogo, trilha e atuação.
O espaço também é deliberadamente desconfortável. Os enquadramentos e a montagem criam uma sensação de desorientação, como se Joana estivesse permanentemente cercada por forças que não consegue controlar.
A atuação de Maria Falconetti
Falconetti constrói uma interpretação extremamente contida. Sua personagem não precisa de grandes gestos para transmitir medo, fé, sofrimento e resignação.
É justamente essa contenção que torna a performance tão poderosa. A câmera observa o rosto da atriz durante longos momentos e transforma sua expressão em uma espécie de narrativa paralela.
Temas e significado
O filme aborda fé, poder institucional, perseguição, julgamento e martírio. Também existe uma tensão permanente entre a experiência interior da personagem e a autoridade daqueles que controlam seu destino.
A obra pode ser vista tanto como um drama histórico quanto como uma reflexão sobre o confronto entre indivíduo e instituição.
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de A Paixão de Joana d’Arc
O bonequinho começa sentado tranquilamente, mas rapidamente abandona qualquer postura relaxada. Depois de alguns minutos, está imóvel diante da tela, completamente hipnotizado pelo rosto de Joana, como se tivesse esquecido até de piscar.
A Turba
King Vidor dirigiu A Turba, um drama urbano que acompanha a vida de um homem comum tentando construir uma existência significativa em meio à gigantesca sociedade moderna.
O filme se diferencia porque não depende de reis, criminosos lendários ou grandes aventuras. Seu protagonista é um trabalhador anônimo, alguém cuja vida poderia facilmente desaparecer no meio da multidão.
O homem contra a multidão
A ideia central está presente no próprio conceito do filme: o indivíduo é apenas uma pequena parte de uma sociedade gigantesca.
Vidor utiliza imagens de multidões, edifícios, escritórios e ruas para transmitir essa sensação de anonimato. O personagem principal deseja ser especial, mas o mundo ao redor constantemente o lembra de que milhares de pessoas vivem problemas semelhantes.
Uma abordagem surpreendentemente moderna
A Turba apresenta questões que continuam atuais: trabalho repetitivo, pressão econômica, ambição, casamento, família e a busca por reconhecimento.
O filme também evita transformar seu protagonista em um herói perfeito. Ele erra, se frustra e toma decisões ruins. É justamente essa imperfeição que aproxima a história do espectador.
A direção utiliza movimentos de câmera e enquadramentos elaborados para transformar a cidade em uma personagem. Em determinadas sequências, o ambiente parece engolir completamente o indivíduo.
Legado
A obra posteriormente ganhou enorme reconhecimento como um dos grandes retratos cinematográficos da vida urbana e da condição do cidadão comum.
Sua visão do cotidiano ajudou a demonstrar que uma história sobre pessoas aparentemente ordinárias poderia possuir a mesma força dramática de uma superprodução histórica.
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de A Turba
O bonequinho começa empolgado, passa alguns momentos preocupado com as contas do protagonista e termina emocionado. No fim, ele olha para a própria vida, encara a tela e solta aquele clássico suspiro de quem percebeu que o filme estava falando sobre ele.
O Vento
Dirigido por Victor Sjöström e estrelado por Lillian Gish, O Vento transforma um fenômeno natural em uma força dramática quase sobrenatural.
A protagonista chega a uma região isolada e passa a enfrentar um ambiente hostil. O vento constante se torna progressivamente uma fonte de medo e desgaste psicológico.
Quando a natureza vira personagem
A grande realização do filme está em fazer o espectador sentir o vento sem que ele possa realmente ouvi-lo.
Areia, roupas, cabelos, portas e objetos em movimento são utilizados para construir uma presença invisível. O ambiente parece estar constantemente atacando os personagens.
A estratégia é simples na aparência, mas extremamente sofisticada cinematograficamente.
Lillian Gish
Gish entrega uma atuação baseada principalmente no corpo e no rosto. Seus movimentos revelam progressivamente o desconforto da personagem.
A atriz consegue fazer com que o espectador acompanhe a transformação de uma mulher inicialmente vulnerável em alguém que precisa encontrar forças para sobreviver às circunstâncias.
Atmosfera
Poucos filmes de sua época utilizaram o espaço de maneira tão eficiente. A paisagem não é apenas um cenário bonito: ela representa ameaça, isolamento e instabilidade.
O resultado é um drama psicológico que funciona mesmo quando a narrativa se reduz ao conflito entre seres humanos e ambiente.
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de O Vento
O bonequinho passa boa parte do filme segurando o próprio chapéu para não perdê-lo. Quando percebe que nem isso resolve, simplesmente se agacha atrás do sofá e continua assistindo de lá.
Marinheiro de Água Doce
Buster Keaton aparece em uma de suas comédias mais famosas em Marinheiro de Água Doce.
O filme mistura romance, conflito familiar e enormes sequências de comédia física, aproveitando o talento de Keaton para transformar situações absurdas em elaboradas peças de engenharia visual.
A comédia de Buster Keaton
O humor de Keaton é baseado em grande parte na reação impassível do personagem diante do caos.
Enquanto tudo desmorona ao redor, ele permanece aparentemente indiferente. A graça surge justamente da diferença entre a expressão serena do protagonista e a dimensão dos problemas enfrentados.
O espetáculo do terceiro ato
A sequência envolvendo uma tempestade e a destruição provocada por ela está entre os momentos mais lembrados do filme.
Construções, objetos e personagens são colocados em movimento em uma sucessão de situações perigosas e engraçadas.
Keaton não dependia apenas de pequenas piadas. Ele construía cenas inteiras como mecanismos cômicos, nas quais cada movimento produzia o seguinte.
Romance e conflito familiar
Por trás das acrobacias existe uma história simples sobre pai e filho, diferenças de personalidade e relacionamento amoroso.
Isso ajuda a manter a comédia emocionalmente acessível mesmo quando a narrativa entra em território completamente absurdo.
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de Marinheiro de Água Doce
O bonequinho começa sorrindo, passa a gritar silenciosamente durante as cenas de perigo e termina completamente empolgado. É impossível ficar parado enquanto uma casa inteira parece ter decidido participar da comédia.
O Homem da Câmera
Dziga Vertov levou a experimentação cinematográfica a outro nível em O Homem da Câmera.
Em vez de contar uma história convencional, o filme observa uma cidade e seu funcionamento, acompanhando trabalhadores, transporte, indústria, lazer e o próprio processo de produção cinematográfica.
Cinema sobre o próprio cinema
Uma das grandes inovações está no fato de que a câmera não tenta desaparecer.
O espectador vê o cinegrafista trabalhando, a montagem sendo construída e diferentes etapas da produção. O filme transforma o ato de filmar em parte do próprio espetáculo.
Montagem extremamente dinâmica
Vertov utiliza sobreposições, cortes rápidos, diferentes velocidades, enquadramentos inusitados e movimentos de câmera.
A edição cria associações entre imagens que não dependeriam de uma narrativa tradicional.
O resultado é quase uma sinfonia visual da vida moderna.
Por que continua importante?
Muito do cinema experimental posterior encontra algum ponto de contato com as ideias desenvolvidas aqui.
Videoclipes, documentários experimentais, publicidade e filmes ensaísticos podem ser compreendidos de maneira diferente quando se observa o tipo de liberdade formal que O Homem da Câmera já apresentava.
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de O Homem da Câmera
O bonequinho começa sentado normalmente. Cinco minutos depois, está inclinando a cabeça para acompanhar a montagem. Dez minutos depois, já está tentando descobrir como o filme conseguiu fazer determinada imagem aparecer daquele jeito.
O Circo
Charlie Chaplin combina humor, romance, melancolia e espetáculo em O Circo.
O personagem interpretado por Chaplin acaba trabalhando em um circo e rapidamente se transforma na principal atração do espetáculo, embora não compreenda completamente por que o público acha suas desventuras tão engraçadas.
O humor que nasce do fracasso
Chaplin constrói a comédia a partir de situações nas quais o protagonista tenta fazer algo corretamente e acaba produzindo um desastre.
O personagem não é um palhaço porque deseja ser engraçado. Ele é engraçado porque o mundo insiste em colocá-lo em situações absurdas.
Essa diferença é essencial para compreender a força do humor chapliniano.
Humor e emoção
Como em outras obras do diretor, o riso nunca está muito distante da tristeza.
O personagem busca afeto, estabilidade e reconhecimento, mas frequentemente é derrotado pelas circunstâncias.
O circo funciona como espaço perfeito para essa combinação: é um ambiente de alegria pública que pode esconder dificuldades pessoais.
Precisão física
As sequências de comédia dependem de uma precisão impressionante. Pequenos movimentos produzem grandes consequências, e Chaplin controla cuidadosamente o ritmo das cenas.
O filme demonstra por que o cinema mudo não era simplesmente um cinema sem fala. Era uma forma artística que desenvolveu uma linguagem própria.
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de O Circo
O bonequinho passa metade do filme gargalhando e a outra metade enxugando uma lágrima. Quando termina, levanta-se e aplaude sozinho.
O Último Comando
Em O Último Comando, Josef von Sternberg utiliza a história de um antigo general russo para explorar poder, memória, humilhação e identidade.
Emil Jannings interpreta um homem que perdeu a posição social e acaba trabalhando como figurante em uma produção cinematográfica.
A situação ganha uma dimensão dramática quando ele é colocado diante de uma recriação de acontecimentos relacionados ao seu passado.
Cinema dentro do cinema
Um dos aspectos mais interessantes da obra é a relação entre memória e representação.
O personagem está literalmente representando uma situação que, para ele, possui significado real. O set de filmagem passa a funcionar como espaço de confronto com o passado.
Essa estrutura permite que o filme discuta a própria natureza da atuação.
A performance de Emil Jannings
A atuação depende de grandes mudanças emocionais. O personagem passa da dignidade à fragilidade e posteriormente encontra uma espécie de redenção através da encenação.
É uma performance típica de uma época em que expressões corporais mais amplas eram fundamentais para comunicar sentimentos ao público.
Poder e decadência
O filme também pode ser interpretado como uma história sobre a instabilidade do poder.
Quem ocupa uma posição privilegiada pode perdê-la rapidamente, e a pessoa que já foi reverenciada pode acabar completamente esquecida.
Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas
O bonequinho de O Último Comando
O bonequinho assiste em silêncio, cada vez mais sério. No final, está emocionado e olhando para a tela com aquela expressão de quem acabou de perceber que estava vendo uma história muito mais triste do que imaginava.
O Porto de Nova York
Josef von Sternberg também dirigiu O Porto de Nova York, um drama criminal ambientado no universo portuário.
A obra apresenta um ambiente marcado por marinheiros, trabalhadores, criminosos e personagens vivendo à margem da respeitabilidade social.
Uma cidade pouco idealizada
Em vez de apresentar Nova York como uma cidade glamourosa, o filme privilegia espaços escuros, portos, bares e ambientes de trabalhadores.
Essa escolha cria uma atmosfera de decadência que seria posteriormente muito explorada pelo cinema policial.
Direção e fotografia
A composição visual trabalha intensamente com sombras e contrastes.
Sternberg demonstra preocupação não apenas com a história, mas também com a textura do ambiente. Os espaços parecem carregados de fumaça, umidade, sujeira e perigo.
A atmosfera é um dos grandes motivos para incluir a obra entre os principais Filmes de 1928.
Influência
O estilo visual de Sternberg seria ainda mais desenvolvido nos anos seguintes, especialmente em trabalhos associados ao cinema criminal e ao melodrama.
Aqui já é possível perceber o interesse do diretor em transformar ambientes urbanos em elementos fundamentais da narrativa.
Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas
O bonequinho de O Porto de Nova York
O bonequinho olha desconfiado para cada esquina, como se esperasse alguém aparecer atrás dele. Quando o filme termina, ele verifica duas vezes se a porta de casa está trancada.
O Homem que Ri
Baseado no romance de Victor Hugo, O Homem que Ri mistura drama, romance, tragédia e elementos de espetáculo.
A produção ficou especialmente conhecida pela aparência do protagonista, Gwynplaine, interpretado por Conrad Veidt.
A imagem de Gwynplaine
O rosto permanentemente deformado do personagem é o elemento visual mais marcante da produção.
Mas o filme não utiliza essa característica apenas para causar estranhamento. A deformidade representa também a maneira como a sociedade transforma uma pessoa em espetáculo.
Gwynplaine é observado antes de ser conhecido.
Melodrama e identidade
A narrativa trabalha com identidade, abandono, diferença social e amor.
O protagonista é simultaneamente vítima e atração pública, o que cria uma contradição central: quanto mais as pessoas se interessam por sua aparência, menos parecem interessadas em quem ele realmente é.
Importância visual
A maquiagem e a caracterização de Conrad Veidt produziram uma imagem extremamente duradoura.
A aparência do personagem também se tornou parte importante da história da cultura visual do século XX, influenciando posteriormente representações de personagens com sorrisos perturbadores.
Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas
O bonequinho de O Homem que Ri
O bonequinho começa curioso, fica assustado com a caracterização de Gwynplaine e passa o restante do filme tentando decidir se deve sentir medo ou pena. No final, escolhe os dois.
Outubro
Sergei Eisenstein e Grigori Aleksandrov dirigiram Outubro, uma das experiências mais importantes da montagem soviética.
O filme dramatiza acontecimentos ligados à Revolução Russa e utiliza a edição como principal instrumento de construção de significado.
A montagem como linguagem
Em Outubro, uma imagem não precisa apenas mostrar algo. Ela pode ser colocada ao lado de outra imagem para criar uma terceira ideia.
Essa concepção de montagem é fundamental para compreender a evolução da linguagem cinematográfica.
Eisenstein utiliza associações visuais, contrastes e repetições para provocar interpretações no espectador.
Um filme historicamente carregado
A produção possui uma dimensão política e propagandística claramente relacionada ao contexto soviético de sua realização.
Por isso, sua importância histórica não está apenas no conteúdo representado, mas também na forma como o cinema pode organizar imagens para produzir uma interpretação específica dos acontecimentos.
Legado cinematográfico
A influência de Eisenstein ultrapassou o cinema soviético.
Sua concepção de montagem tornou-se uma referência fundamental para realizadores interessados na capacidade da edição de produzir ritmo, emoção e significado.
Nota: ⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas
O bonequinho de Outubro
O bonequinho não dorme nem por um segundo. Está ocupado demais tentando entender por que uma imagem aparece imediatamente depois de outra e o que o diretor quer que ele pense sobre isso.
O que os melhores Filmes de 1928 têm em comum?
Apesar das diferenças entre as obras, alguns elementos aparecem repetidamente nesta Lista dos melhores Filmes de 1928.
O primeiro é a confiança na imagem.
Sem depender do diálogo falado, os realizadores precisavam comunicar emoções e informações através de enquadramentos, movimentos, expressões faciais, montagem, cenários e gestos.
Outro elemento é a experimentação.
Enquanto A Paixão de Joana d’Arc utiliza primeiros planos extremos para criar intimidade psicológica, O Homem da Câmera transforma a montagem em protagonista. A Turba observa a vida cotidiana, enquanto Marinheiro de Água Doce demonstra até onde a comédia física poderia chegar.
Também existe uma preocupação recorrente com indivíduos enfrentando forças maiores que eles.
Em O Vento, a natureza se transforma em ameaça. Em A Turba, a sociedade urbana parece engolir o indivíduo. Em O Último Comando, a perda de poder modifica completamente a existência do protagonista.
A transição do cinema mudo para o sonoro
Um dos motivos que tornam 1928 tão fascinante é sua posição cronológica.
O cinema sonoro estava começando a mudar radicalmente a indústria. O público começava a ouvir vozes e efeitos sincronizados, enquanto muitos dos grandes artistas do cinema silencioso ainda desenvolviam uma linguagem visual extremamente sofisticada.
Isso produziu uma situação curiosa.
De um lado, O Circo, Marinheiro de Água Doce e O Vento representam uma forma artística que havia alcançado enorme maturidade.
Do outro, filmes experimentais como O Homem da Câmera mostravam que o potencial do cinema visual ainda estava longe de ser esgotado.
A chegada do som não tornou essas descobertas inúteis. Muitas delas foram incorporadas ao cinema posterior.
A importância da montagem nos Filmes de 1928
A montagem é talvez uma das características que mais distinguem alguns dos grandes Filmes de 1928.
Em uma época na qual o som ainda não era utilizado da maneira que se tornaria habitual, a edição precisava estabelecer ritmo e relações entre imagens.
Outubro leva essa ideia para um território intelectual, usando cortes para associar conceitos.
O Homem da Câmera transforma a montagem em espetáculo.
Já O Circo e Marinheiro de Água Doce demonstram como o corte pode ser usado para aperfeiçoar o timing da comédia.
Essa variedade revela que a montagem já era muito mais do que simplesmente unir cenas.
Os melhores Filmes de 1928 ainda valem a pena?
Sim, especialmente para quem deseja entender como a linguagem cinematográfica foi construída.
O espectador acostumado ao cinema contemporâneo pode estranhar inicialmente a ausência de diálogos falados. Porém, depois dos primeiros minutos, fica mais fácil perceber que os cineastas estavam trabalhando com um vocabulário visual extremamente desenvolvido.
A Paixão de Joana d’Arc é indicada para quem procura um drama psicológico intenso.
A Turba funciona especialmente bem para quem gosta de histórias sobre cotidiano, trabalho e sociedade.
O Vento é uma escolha interessante para quem prefere suspense psicológico e atmosfera.
Marinheiro de Água Doce e O Circo são portas de entrada mais acessíveis para o cinema mudo graças ao humor.
Já O Homem da Câmera e Outubro são especialmente interessantes para quem deseja estudar montagem e experimentação cinematográfica.
Ficha técnica resumida dos principais filmes
| Filme | Ano | País | Direção | Gênero |
|---|---|---|---|---|
| A Paixão de Joana d’Arc | 1928 | França | Carl Theodor Dreyer | Drama histórico |
| A Turba | 1928 | Estados Unidos | King Vidor | Drama |
| O Vento | 1928 | Estados Unidos | Victor Sjöström | Drama |
| Marinheiro de Água Doce | 1928 | Estados Unidos | Charles Reisner | Comédia |
| O Homem da Câmera | 1928 | União Soviética | Dziga Vertov | Documentário experimental |
| O Circo | 1928 | Estados Unidos | Charles Chaplin | Comédia dramática |
| O Último Comando | 1928 | Estados Unidos | Josef von Sternberg | Drama |
| O Porto de Nova York | 1928 | Estados Unidos | Josef von Sternberg | Drama criminal |
| O Homem que Ri | 1928 | Estados Unidos | Paul Leni | Drama, romance |
| Outubro | 1928 | União Soviética | Sergei Eisenstein e Grigori Aleksandrov | Drama histórico |
Curiosidades sobre o cinema de 1928
Uma das características mais interessantes daquele período é a coexistência entre produções extremamente populares e trabalhos experimentais.
O mesmo ano que apresentou obras profundamente sofisticadas em termos de montagem também produziu comédias destinadas a grandes públicos.
Outra curiosidade é a quantidade de estilos diferentes desenvolvidos simultaneamente. O cinema americano explorava cada vez mais o espetáculo e a narrativa clássica, enquanto realizadores europeus e soviéticos experimentavam novas maneiras de organizar espaço, tempo e movimento.
Também chama atenção a importância que determinados atores conseguiram alcançar sem utilizar a voz como principal instrumento.
Maria Falconetti, Lillian Gish, Buster Keaton, Charlie Chaplin, Emil Jannings e Conrad Veidt demonstram, cada um à sua maneira, como o rosto e o corpo poderiam sustentar uma narrativa inteira.
O legado dos melhores Filmes de 1928
O maior legado de 1928 talvez esteja na demonstração de que o cinema não dependia de uma única fórmula.
A Paixão de Joana d’Arc prova o poder do rosto humano.
A Turba mostra como a vida cotidiana pode gerar grande drama.
O Vento transforma a natureza em força narrativa.
Marinheiro de Água Doce e O Circo demonstram a precisão da comédia física.
O Homem da Câmera e Outubro expandem as possibilidades da montagem.
Enquanto isso, O Último Comando, O Porto de Nova York e O Homem que Ri revelam diferentes maneiras de explorar decadência, identidade, poder, romance e marginalização.
É justamente essa variedade que faz de 1928 um período tão rico.
Conclusão: por que esta Lista dos melhores Filmes de 1928 continua relevante?
A Lista dos melhores Filmes de 1928 não é apenas uma relação de obras antigas. Ela funciona como uma pequena demonstração de como o cinema já havia desenvolvido uma linguagem sofisticada antes de a fala sincronizada dominar as telas.
Quase cem anos depois, essas produções continuam permitindo observar fundamentos que permanecem presentes no cinema atual: enquadramento, atuação, montagem, ritmo, iluminação, direção de arte, construção de personagens e manipulação das emoções do público.
Para quem nunca explorou o cinema mudo, começar por O Circo ou Marinheiro de Água Doce pode ser uma experiência mais acessível. Para quem procura uma obra visualmente radical, O Homem da Câmera é uma escolha particularmente interessante. Para quem prefere dramas intensos, A Paixão de Joana d’Arc e O Vento mostram a enorme força emocional daquele período.
Em conjunto, os Filmes de 1928 revelam uma cinematografia que estava simultaneamente encerrando uma era e abrindo caminho para muitas das possibilidades que definiriam o cinema moderno.
Por: Alexandre lavrador. Opinião do Blogueiro.
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