Lista dos melhores Filmes de 1959: 10 clássicos que marcaram a história do cinema
De comédias inesquecíveis a dramas existenciais, faroestes, épicos e obras que ajudaram a transformar a linguagem cinematográfica, esta lista dos melhores Filmes de 1959 reúne produções que continuam relevantes décadas depois.
O ano de 1959 foi um dos períodos mais extraordinários da história do cinema. Hollywood ainda trabalhava em grande escala com estrelas, grandes cenários e produções monumentais, enquanto cineastas da Europa, Ásia e América Latina exploravam novas formas de contar histórias. O resultado foi uma safra excepcionalmente diversificada.
Esta lista dos melhores Filmes de 1959 reúne dez obras que se destacam pela qualidade artística, influência, importância histórica e capacidade de permanecer interessantes para o público contemporâneo. Entre elas estão comédias como Quanto Mais Quente Melhor, thrillers como Intriga Internacional, dramas como Hiroshima, Meu Amor, faroestes como Onde Começa o Inferno e o gigantesco épico Ben-Hur.
Mais do que uma coleção de títulos famosos, o cinema de 1959 mostra um momento de transição. A indústria tradicional continuava poderosa, mas uma nova geração de diretores começava a questionar estruturas narrativas, convenções de gênero e maneiras convencionais de representar seus personagens.
Por que 1959 foi tão importante para o cinema?
O final da década de 1950 reuniu tendências diferentes. De um lado, os grandes estúdios investiam em filmes coloridos, widescreen e produções cada vez mais espetaculares para competir com a televisão. De outro, movimentos cinematográficos internacionais buscavam maior liberdade estética e narrativa.
O contraste aparece claramente nesta lista dos melhores Filmes de 1959.
Ben-Hur representa a grandiosidade do cinema de estúdio. Já Os Incompreendidos aposta em uma abordagem muito mais íntima e pessoal.
Quanto Mais Quente Melhor demonstra a força da comédia hollywoodiana, enquanto O Mundo de Apu confirma a crescente importância do cinema indiano no cenário internacional.
Também foi um ano de reconhecimento. Ben-Hur dominou a cerimônia do Oscar referente aos filmes de 1959, conquistando 11 estatuetas, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. Orfeu Negro venceu o Oscar de filme estrangeiro, enquanto Quanto Mais Quente Melhor recebeu seis indicações e venceu na categoria de figurino em preto e branco. (Oscars)
Quanto Mais Quente Melhor
Poucas comédias envelheceram tão bem quanto Quanto Mais Quente Melhor. Dirigido por Billy Wilder, o filme combina humor físico, sátira social, romance, perseguição criminal e uma série de situações absurdas.
A história acompanha Joe e Jerry, dois músicos que testemunham um assassinato cometido por criminosos. Para escapar, eles se disfarçam de mulheres e passam a integrar uma banda feminina que viaja para a Flórida.
O ponto forte está na maneira como Wilder transforma uma premissa potencialmente simples em uma comédia extremamente sofisticada. A troca de identidades permite brincar com sexualidade, aparência, desejo, comportamento social e expectativas de gênero sem abandonar o ritmo de entretenimento.
Marilyn Monroe, Tony Curtis e Jack Lemmon formam um trio central extraordinariamente eficiente. Lemmon, especialmente, transforma a personagem de Jerry em uma fonte praticamente inesgotável de situações cômicas.
A produção tem 121 minutos, fotografia em preto e branco de Charles Lang, montagem de Arthur P. Schmidt e trilha sonora de Adolph Deutsch. (Wikipedia)
Por que continua funcionando?
A resposta está no ritmo. As piadas surgem da situação, dos personagens e das contradições entre aquilo que eles dizem e aquilo que o espectador sabe.
O roteiro também evita transformar seus personagens em simples caricaturas. Por trás das identidades falsas existe uma história sobre desejo, sobrevivência e liberdade.
Nota
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Quanto Mais Quente Melhor
O bonequinho começa a assistir desconfiado, percebe rapidamente que a situação vai sair do controle e termina completamente empolgado, tentando acompanhar todas as mentiras antes que os personagens sejam descobertos.
Intriga Internacional
Alfred Hitchcock entregou em 1959 um dos grandes modelos de thriller de perseguição com Intriga Internacional.
Cary Grant interpreta Roger Thornhill, um publicitário confundido com um agente secreto. A partir desse erro, o protagonista passa a ser perseguido por criminosos e precisa descobrir por que sua identidade foi confundida com a de outra pessoa.
A premissa permite a Hitchcock trabalhar uma de suas obsessões favoritas: o indivíduo comum colocado dentro de uma situação extraordinária.
O filme dura 136 minutos e conta com fotografia de Robert Burks, montagem de George Tomasini e música de Bernard Herrmann. (Wikipedia)
Direção e suspense
A direção é especialmente eficiente porque o perigo não depende apenas de esconder informações. Hitchcock também permite que o público saiba determinadas coisas antes do protagonista.
A famosa sequência da perseguição em campo aberto demonstra essa filosofia. Em vez de esconder a ameaça na escuridão, o diretor coloca o personagem em um espaço aberto, aparentemente seguro, fazendo o suspense nascer da exposição.
Atuações
Cary Grant conduz o filme com uma mistura de elegância, humor e vulnerabilidade. Eva Marie Saint acrescenta ambiguidade à trama, enquanto James Mason cria um antagonista sofisticado.
Nota
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Intriga Internacional
O bonequinho passa boa parte do filme olhando para trás para verificar se alguém está perseguindo ele. Na sequência do avião, definitivamente perde a calma.
Os Incompreendidos
François Truffaut estreou na direção de longas com Os Incompreendidos, uma obra fundamental para compreender a transformação do cinema francês no final dos anos 1950.
A história acompanha Antoine Doinel, um adolescente incompreendido pelos adultos, enfrentando problemas familiares, escolares e sociais.
O grande mérito do filme é não transformar o garoto em um simples delinquente. Truffaut apresenta suas ações dentro de um contexto de abandono, falta de compreensão e ausência de perspectivas.
A fotografia em preto e branco e a câmera frequentemente próxima do protagonista dão ao filme uma sensação de espontaneidade.
A infância sem idealização
Os Incompreendidos não trata a infância como uma fase automaticamente feliz.
Há momentos de liberdade e descoberta, mas também existem solidão, punição e incompreensão.
O famoso encerramento reforça essa ambiguidade. Em vez de oferecer uma solução convencional, Truffaut termina em um momento de suspensão, deixando o futuro de Antoine aberto à interpretação.
Nota
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Os Incompreendidos
O bonequinho começa sentado na carteira da escola, fica entediado com as regras dos adultos e termina parado diante da tela, completamente pensativo.
Onde Começa o Inferno
Howard Hawks reinventou o faroeste tradicional com Onde Começa o Inferno, produção centrada menos em grandes batalhas e mais na relação entre um pequeno grupo de personagens.
John Wayne interpreta o xerife John T. Chance, que precisa proteger um prisioneiro enquanto aguarda a chegada de ajuda. Dean Martin, Ricky Nelson e Walter Brennan completam o núcleo de personagens que permanece dentro da delegacia diante da ameaça crescente.
O roteiro de Jules Furthman e Leigh Brackett transforma o espaço limitado em uma ferramenta dramática. O espectador sabe exatamente onde estão os personagens e acompanha a pressão aumentando progressivamente.
O valor da amizade
O coração do filme não está apenas no confronto entre xerife e criminosos. A verdadeira força está na confiança construída entre pessoas diferentes.
O personagem de Dean Martin também é importante porque sua trajetória envolve recuperação pessoal. O grupo funciona porque cada integrante possui uma habilidade diferente.
Fotografia e montagem
A fotografia de Russell Harlan valoriza os espaços internos e os ambientes áridos do oeste americano. A montagem de Folmar Blangsted mantém o ritmo sem transformar o filme em uma sucessão de tiroteios.
Nota
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Onde Começa o Inferno
O bonequinho começa tranquilo, pega uma cadeira e se posiciona dentro da delegacia. Conforme os inimigos se aproximam, ele segura a cadeira com as duas mãos.
Hiroshima, Meu Amor
Hiroshima, Meu Amor, dirigido por Alain Resnais e escrito por Marguerite Duras, está entre as experiências mais inovadoras do cinema de 1959.
A narrativa acompanha uma atriz francesa e um arquiteto japonês envolvidos em um relacionamento durante uma breve permanência dela em Hiroshima.
O filme não segue uma estrutura tradicional. Memória, presente, trauma e desejo se misturam constantemente.
A duração é de aproximadamente 90 minutos, com fotografia de Sacha Vierny e Michio Takahashi, montagem de Henri Colpi, Jasmine Chasney e Anne Sarraute e música de Georges Delerue e Giovanni Fusco. (Wikipedia)
Memória como linguagem cinematográfica
Um dos aspectos mais importantes de Hiroshima, Meu Amor é sua maneira de representar lembranças.
O passado não aparece simplesmente como uma sequência de acontecimentos anteriores. Ele invade o presente, altera a percepção dos personagens e modifica o significado das imagens.
Essa abordagem influenciou profundamente o cinema moderno.
Nota
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Hiroshima, Meu Amor
O bonequinho não consegue simplesmente assistir. Ele para várias vezes para pensar sobre as imagens e termina olhando para a tela em silêncio.
O Mundo de Apu
Satyajit Ray encerra sua famosa trilogia de Apu com O Mundo de Apu, drama sobre amor, família, perda e amadurecimento.
Apu é apresentado como um jovem adulto tentando construir uma vida própria. O filme acompanha seu casamento, a chegada do filho e as consequências de uma tragédia familiar.
A duração é de aproximadamente 105 minutos. (Cinémathèque Québécoise)
Um drama baseado em pequenas emoções
A força de O Mundo de Apu está justamente na ausência de exageros.
Ray permite que sentimentos complexos apareçam por meio de gestos, silêncios e situações cotidianas.
A transformação de Apu é gradual. Ele passa de jovem cheio de expectativas para marido, pai e, posteriormente, um homem devastado pela perda.
Nota
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de O Mundo de Apu
O bonequinho assiste sorrindo nas cenas mais leves, mas termina com os olhos marejados e sem coragem de comentar o que acabou de ver.
Ben-Hur
Se Quanto Mais Quente Melhor representa a sofisticação da comédia e Hiroshima, Meu Amor representa a inovação do cinema moderno, Ben-Hur representa a capacidade da indústria cinematográfica de construir um espetáculo gigantesco.
Dirigido por William Wyler, o filme acompanha Judah Ben-Hur, príncipe judeu cuja vida é destruída pela traição de seu antigo amigo Messala.
A história mistura aventura, vingança, escravidão, religião e redenção.
Com 212 minutos, fotografia de Robert L. Surtees e música de Miklós Rózsa, a produção foi uma das maiores realizações técnicas do cinema de seu período. (Wikipedia)
A corrida de quadrigas
A corrida de quadrigas permanece como o grande espetáculo de Ben-Hur.
Sua importância não depende apenas do tamanho da sequência. O momento funciona porque o espetáculo está diretamente ligado ao conflito entre Judah e Messala.
O espectador entende a rivalidade antes mesmo da corrida começar. Por isso, cada movimento dos cavalos e das carruagens possui peso dramático.
Prêmios e importância histórica
Ben-Hur recebeu 11 Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Fotografia, Montagem, Música e Efeitos Especiais. (Oscars)
Nota
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Ben-Hur
O bonequinho precisa de uma poltrona reforçada. Começa impressionado com o tamanho da produção e termina em pé, comemorando a corrida de quadrigas.
Anatomia de um Crime
Otto Preminger levou o drama jurídico para uma zona muito mais ambígua com Anatomia de um Crime.
James Stewart interpreta o advogado Paul Biegler, responsável pela defesa de um homem acusado de matar o responsável por uma agressão contra sua esposa.
O roteiro evita apresentar respostas fáceis. A questão central não é simplesmente descobrir se o acusado é inocente ou culpado, mas entender como diferentes versões dos fatos podem ser utilizadas dentro de um tribunal.
A produção tem cerca de 160 minutos, com fotografia de Sam Leavitt e montagem de Louis R. Loeffler. (AFI Catalog)
Roteiro e ambiguidade
Anatomia de um Crime é especialmente interessante porque transforma o julgamento em um duelo intelectual.
As testemunhas apresentam versões diferentes, os advogados interpretam as evidências e cada argumento altera a percepção do público.
O filme também ficou marcado por tratar de temas considerados delicados para o cinema comercial da época.
Baseado em fatos reais
A história possui ligação com um caso real ocorrido em Michigan em 1952. O autor do romance que serviu de base ao filme era o juiz John D. Voelker, que utilizou um pseudônimo literário e havia atuado como advogado de defesa no caso real. (AFI Catalog)
Nota
⭐⭐⭐⭐⭐ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de Anatomia de um Crime
O bonequinho passa o filme inteiro tentando decidir em quem acreditar. No final, continua com a expressão de quem precisa de mais um depoimento.
O Batedor de Carteiras
Robert Bresson transforma uma história aparentemente simples sobre criminalidade em uma investigação psicológica em O Batedor de Carteiras.
Michel é um jovem que começa a praticar furtos e passa gradualmente a encarar essa atividade não apenas como crime, mas como uma espécie de sistema particular de pensamento.
O filme possui aproximadamente 75 minutos e utiliza uma linguagem extremamente econômica. (BFI)
O estilo de Bresson
A direção evita o excesso de dramatização. Gestos, mãos, objetos e movimentos assumem importância enorme.
As cenas de furtos são construídas quase como coreografias. O espectador acompanha os movimentos com atenção, enquanto o protagonista parece cada vez mais distante emocionalmente das consequências de suas ações.
Temas
O filme aborda isolamento, moralidade, culpa e tentativa de justificar comportamentos.
Por isso, O Batedor de Carteiras funciona menos como um suspense policial convencional e mais como um estudo de personagem.
Nota
⭐⭐⭐⭐⭐ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de O Batedor de Carteiras
O bonequinho fica imóvel e silencioso durante quase toda a sessão, observando cuidadosamente cada movimento das mãos dos personagens.
Orfeu Negro
Produção internacional filmada no Brasil, Orfeu Negro transporta a história mitológica de Orfeu e Eurídice para o Rio de Janeiro durante o Carnaval.
Dirigido por Marcel Camus, o filme tem Breno Mello e Marpessa Dawn nos papéis principais. A música é assinada por Luiz Bonfá e Antônio Carlos Jobim, contribuindo diretamente para a identidade da obra.
Com 107 minutos de duração, a produção é uma coprodução entre França, Brasil e Itália. (Wikipedia)
Rio de Janeiro como personagem
Um dos grandes diferenciais de Orfeu Negro é a maneira como o ambiente participa da narrativa.
O Carnaval, a música, os morros, as ruas e a movimentação popular não aparecem apenas como decoração. Eles formam o espaço emocional onde a história acontece.
Música
A trilha sonora é fundamental para a atmosfera do filme. O trabalho de Luiz Bonfá e Antônio Carlos Jobim ajudou a associar definitivamente a produção à música brasileira de seu período.
Reconhecimento
Orfeu Negro venceu o Oscar de filme estrangeiro referente ao ano de 1959. (Oscars)
Nota
⭐⭐⭐⭐⭐ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de Orfeu Negro
O bonequinho começa dançando, continua dançando e, quando percebe a dimensão trágica da história, fica parado olhando para a tela enquanto a música continua.
Outros grandes filmes de 1959
A lista poderia ser ainda maior. O ano também produziu obras como Imitação da Vida, De Repente, no Último Verão, A Ponte da Desilusão, A Grande Guerra, Fogo na Planície, Balada do Soldado, Ervas Flutuantes e A Fonte da Donzela.
A variedade mostra por que qualquer lista dos melhores Filmes de 1959 precisa ser entendida como uma seleção e não como uma classificação absoluta. O período produziu filmes importantes em diferentes países, gêneros e estilos.
O que torna os Filmes de 1959 tão especiais?
Uma das características mais interessantes do cinema daquele ano é a coexistência de linguagens muito diferentes.
O espectador podia encontrar o espetáculo monumental de Ben-Hur, a comédia acelerada de Quanto Mais Quente Melhor, o suspense de Intriga Internacional e a introspecção de Hiroshima, Meu Amor.
Ao mesmo tempo, filmes como Os Incompreendidos apontavam para uma nova geração de cineastas interessados em histórias pessoais.
Essa diversidade é justamente o que faz de 1959 um ano tão rico.
A importância dos diretores
Alfred Hitchcock, Billy Wilder, Howard Hawks, William Wyler, François Truffaut, Alain Resnais, Satyajit Ray, Robert Bresson e outros cineastas apresentavam propostas muito diferentes.
Não havia uma única fórmula para o grande cinema.
Alguns buscavam espetáculo. Outros preferiam silêncio. Alguns trabalhavam com estrelas internacionais. Outros utilizavam atores pouco conhecidos. Alguns contavam histórias lineares; outros fragmentavam tempo e memória.
Essa variedade ajuda a explicar a influência duradoura dos Filmes de 1959.
Qual é o melhor gênero entre os Filmes de 1959?
Não existe uma resposta única, porque o ano foi excepcional em praticamente todos os grandes gêneros.
Para quem gosta de comédia, Quanto Mais Quente Melhor é uma referência.
Para suspense, Intriga Internacional oferece perseguições, espionagem e tensão.
Para faroeste, Onde Começa o Inferno trabalha personagens e amizade.
Para drama psicológico, Hiroshima, Meu Amor é uma experiência muito mais contemplativa.
Para épico histórico, Ben-Hur permanece como uma das produções mais impressionantes do período.
E para quem deseja conhecer o cinema moderno em formação, Os Incompreendidos é uma escolha fundamental.
Filmes de 1959 e a transformação do cinema
O aspecto mais importante dessa produção cinematográfica talvez seja a sensação de mudança.
O cinema clássico ainda estava em plena força, mas as regras começavam a ser questionadas. O protagonista já não precisava ser necessariamente heroico. O final não precisava solucionar tudo. A narrativa podia abandonar a linearidade. A câmera podia observar personagens comuns em situações cotidianas.
Anatomia de um Crime questiona a própria ideia de verdade dentro de um julgamento.
O Batedor de Carteiras mergulha na mente de um personagem moralmente ambíguo.
Hiroshima, Meu Amor desmonta a separação tradicional entre passado e presente.
Os Incompreendidos transforma experiências autobiográficas e observações sobre a juventude em matéria cinematográfica.
Ao mesmo tempo, Quanto Mais Quente Melhor demonstra que inovação também poderia existir dentro de uma produção comercial extremamente divertida.
Ficha técnica geral da seleção
| Filme | Ano | Diretor | País principal | Duração aproximada |
|---|---|---|---|---|
| Quanto Mais Quente Melhor | 1959 | Billy Wilder | Estados Unidos | 121 min |
| Intriga Internacional | 1959 | Alfred Hitchcock | Estados Unidos | 136 min |
| Os Incompreendidos | 1959 | François Truffaut | França | 99 min |
| Onde Começa o Inferno | 1959 | Howard Hawks | Estados Unidos | 141 min |
| Hiroshima, Meu Amor | 1959 | Alain Resnais | França/Japão | 90 min |
| O Mundo de Apu | 1959 | Satyajit Ray | Índia | 105 min |
| Ben-Hur | 1959 | William Wyler | Estados Unidos | 212 min |
| Anatomia de um Crime | 1959 | Otto Preminger | Estados Unidos | 160 min |
| O Batedor de Carteiras | 1959 | Robert Bresson | França | 75 min |
| Orfeu Negro | 1959 | Marcel Camus | França/Brasil/Itália | 107 min |
Os dados de duração e produção variam ocasionalmente conforme versão, restauração ou mercado de exibição, especialmente em obras distribuídas internacionalmente. (Wikipedia)
Vale a pena assistir aos Filmes de 1959?
Sim, especialmente para quem deseja compreender como o cinema chegou à década de 1960.
Os Filmes de 1959 não pertencem todos ao mesmo estilo e justamente por isso funcionam como uma excelente porta de entrada para diferentes tradições cinematográficas.
Quem prefere entretenimento pode começar por Quanto Mais Quente Melhor ou Intriga Internacional.
Quem gosta de faroeste pode escolher Onde Começa o Inferno.
Quem prefere grandes espetáculos pode optar por Ben-Hur.
Já quem procura experiências mais autorais pode explorar Os Incompreendidos, Hiroshima, Meu Amor, O Mundo de Apu ou O Batedor de Carteiras.
Conclusão
A lista dos melhores Filmes de 1959 revela um dos momentos mais férteis da história da sétima arte. O mesmo ano conseguiu reunir grandes espetáculos hollywoodianos, comédias sofisticadas, faroestes de personagens, thrillers de espionagem e experiências cinematográficas que ajudaram a estabelecer uma nova linguagem.
Quanto Mais Quente Melhor continua irresistível pelo humor. Intriga Internacional permanece um modelo de suspense. Os Incompreendidos captura a juventude com rara sensibilidade. Hiroshima, Meu Amor desafia a própria estrutura narrativa. Ben-Hur demonstra o poder do espetáculo cinematográfico, enquanto Orfeu Negro mostra a força internacional da cultura brasileira.
Mais de seis décadas depois, esses filmes continuam sendo estudados, revisitados e descobertos por novas gerações. E talvez esse seja o melhor argumento para colocar 1959 entre os anos mais importantes do cinema: suas grandes obras não ficaram presas ao passado. Elas continuam conversando com o público do presente.
Por: Alexandre lavrador. Opinião do Blogueiro.
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