Lista dos melhores Filmes de 1968
Os melhores Filmes de 1968 mostram um dos períodos mais criativos e transformadores da história do cinema, reunindo ficção científica, terror, faroeste, drama histórico, cinema de autor e produções brasileiras que continuam influentes décadas depois.
1968 foi um ano excepcional para o cinema. Enquanto 2001: Uma Odisseia no Espaço redefinia o que uma superprodução de ficção científica poderia fazer, O Bebê de Rosemary transformava o horror psicológico em uma experiência de paranoia e isolamento. No faroeste, Era uma Vez no Oeste levou a linguagem de Sergio Leone a uma dimensão épica, enquanto A Noite dos Mortos-Vivos ajudou a estabelecer os fundamentos do cinema moderno de zumbis.
O período também produziu obras como O Planeta dos Macacos, O Leão no Inverno, O Bandido da Luz Vermelha e Beijos Proibidos, mostrando que a produção cinematográfica daquele ano estava longe de seguir uma única tendência.
Neste guia, reunimos uma seleção de Filmes de 1968 que se destacam pela importância artística, influência histórica, qualidade técnica, força narrativa e capacidade de permanecer relevantes para novas gerações.
Por que 1968 foi tão importante para o cinema?
O ano de 1968 ocupa uma posição singular na história cinematográfica. Hollywood atravessava mudanças profundas, o sistema tradicional de estúdios já não tinha a mesma força de décadas anteriores e uma nova geração de cineastas experimentava formas diferentes de contar histórias.
Ao mesmo tempo, movimentos cinematográficos internacionais continuavam influenciando a linguagem do cinema. O cinema europeu explorava personagens mais ambíguos, estruturas narrativas menos convencionais e uma relação mais livre entre realidade e ficção.
Nos Estados Unidos, a ficção científica e o terror começaram a assumir características mais adultas. O resultado pode ser percebido em 2001: Uma Odisseia no Espaço, O Bebê de Rosemary e A Noite dos Mortos-Vivos.
No Brasil, O Bandido da Luz Vermelha levou a experimentação narrativa a um território radical, incorporando elementos da cultura popular, do jornalismo, do rádio e da televisão.
Por isso, quando se fala em lista dos melhores Filmes de 1968, não basta considerar apenas grandes sucessos comerciais. É necessário observar também o impacto que cada obra provocou em seu gênero e a maneira como ajudou a transformar o cinema.
2001: Uma Odisseia no Espaço
Sinopse
Uma descoberta misteriosa relacionada a um monólito conduz a humanidade a uma jornada que atravessa milhões de anos. No futuro, uma missão espacial é enviada para investigar outro monólito, desta vez localizado nas proximidades de Júpiter.
A expedição envolve os astronautas David Bowman e Frank Poole, além do sofisticado computador HAL 9000.
Análise
Poucos Filmes de 1968 tiveram impacto comparável ao de 2001: Uma Odisseia no Espaço. Stanley Kubrick não tratou a ficção científica simplesmente como uma aventura espacial. O diretor utilizou o gênero para discutir evolução, inteligência, tecnologia, consciência e o lugar da humanidade no universo.
A narrativa deliberadamente deixa algumas respostas em aberto. O espectador precisa interpretar símbolos, imagens e acontecimentos em vez de receber todas as informações de maneira convencional.
Essa característica é fundamental para compreender a importância da obra. 2001: Uma Odisseia no Espaço não tenta apenas mostrar o futuro: tenta provocar uma reflexão sobre a própria condição humana.
Direção e aspectos técnicos
A direção de Stanley Kubrick é extremamente controlada. Os movimentos de câmera são precisos, os enquadramentos possuem função narrativa e o ritmo evita a pressa típica das aventuras espaciais.
A fotografia de Geoffrey Unsworth permanece impressionante, especialmente nas sequências de gravidade artificial, nos interiores da nave e nas imagens do espaço.
A montagem também merece destaque. O famoso corte que conecta um osso lançado ao ar a um objeto tecnológico condensa milhões de anos de evolução humana em uma única transição.
A trilha sonora utiliza compositores clássicos para criar uma experiência grandiosa e, em vários momentos, estranhamente contemplativa.
Curiosidades e legado
A produção utilizou efeitos visuais extremamente sofisticados para sua época. O resultado foi tão convincente que 2001: Uma Odisseia no Espaço continua sendo referência para cineastas interessados em ficção científica.
A obra recebeu quatro indicações ao Oscar e venceu na categoria de efeitos visuais.
Ficha técnica
- Título brasileiro: 2001: Uma Odisseia no Espaço
- Título original: 2001: A Space Odyssey
- Ano: 1968
- País: Reino Unido e Estados Unidos
- Direção: Stanley Kubrick
- Roteiro: Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke
- Elenco: Keir Dullea, Gary Lockwood e William Sylvester
- Gênero: Ficção científica, aventura e drama
- Duração: aproximadamente 139 minutos
- Fotografia: Geoffrey Unsworth
- Montagem: Ray Lovejoy
- Trilha sonora: seleção de obras clássicas
- Produção: Stanley Kubrick
- Distribuição: Metro-Goldwyn-Mayer
Nota
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de 2001: Uma Odisseia no Espaço
O bonequinho começa sentado, olhando para a tela com curiosidade. Depois de alguns minutos, ele percebe que está diante de algo muito maior do que uma simples aventura espacial. No final, está completamente hipnotizado, tentando entender o significado do monólito.
O Bebê de Rosemary
Sinopse
Rosemary e Guy Woodhouse são um jovem casal que se muda para um antigo edifício de Nova York. Enquanto Guy tenta consolidar sua carreira como ator, Rosemary começa a desconfiar do comportamento dos vizinhos e de acontecimentos cada vez mais estranhos ao redor de sua gravidez.
Por que é um dos melhores Filmes de 1968?
Em lista dos melhores Filmes de 1968, O Bebê de Rosemary ocupa um espaço especial porque o terror nasce muito mais da desconfiança do que da violência explícita.
Roman Polanski constrói uma atmosfera de insegurança progressiva. Rosemary nunca sabe exatamente em quem pode confiar. O apartamento, que deveria representar proteção, transforma-se em uma espécie de prisão.
Mia Farrow sustenta o filme com uma atuação baseada na vulnerabilidade. O espectador acompanha sua personagem enquanto pequenas suspeitas se transformam em uma sensação permanente de ameaça.
Ruth Gordon também se destaca como Minnie Castevet, cuja personalidade aparentemente simpática esconde uma dimensão cada vez mais perturbadora.
Direção, fotografia e som
A direção evita exageros. A câmera observa os acontecimentos com certa distância, tornando situações aparentemente banais progressivamente desconfortáveis.
A fotografia de William A. Fraker utiliza os espaços do apartamento para transmitir isolamento. Corredores, portas e ambientes domésticos passam a funcionar como elementos de suspense.
A trilha de Krzysztof Komeda contribui para a atmosfera inquietante, especialmente pela utilização de uma sonoridade que mistura delicadeza e estranheza.
Temas
O filme aborda controle, maternidade, manipulação, confiança e perda de autonomia.
Uma das grandes forças de O Bebê de Rosemary está justamente na dúvida. O horror não depende somente do sobrenatural, mas também da possibilidade de Rosemary estar cercada por pessoas que sabem muito mais do que ela.
Ficha técnica
- Título brasileiro: O Bebê de Rosemary
- Título original: Rosemary’s Baby
- Ano: 1968
- País: Estados Unidos
- Direção: Roman Polanski
- Roteiro: Roman Polanski
- Elenco: Mia Farrow, John Cassavetes e Ruth Gordon
- Gênero: Terror, suspense e drama
- Duração: aproximadamente 137 minutos
- Fotografia: William A. Fraker
- Montagem: Sam O’Steen
- Trilha sonora: Krzysztof Komeda
- Produção: William Castle
- Distribuição: Paramount Pictures
Prêmios e reconhecimento
Ruth Gordon venceu o Oscar de atriz coadjuvante por sua atuação, em uma das principais premiações relacionadas aos Filmes de 1968.
Nota
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de O Bebê de Rosemary
O bonequinho começa tranquilo, mas logo passa a olhar desconfiado para todos os personagens. Na reta final, está agarrado à poltrona, olhando para a porta como se esperasse que alguém aparecesse a qualquer momento.
Era uma Vez no Oeste
Sinopse
Uma mulher chega a uma região isolada do Oeste americano após o assassinato de sua nova família. Ao mesmo tempo, um misterioso homem conhecido pelo uso de uma gaita cruza seu caminho, enquanto diferentes interesses entram em conflito por causa de uma propriedade e da expansão ferroviária.
O faroeste levado ao limite
Era uma Vez no Oeste representa uma evolução do estilo que Sergio Leone havia desenvolvido anteriormente.
O diretor desacelera algumas cenas até o limite da expectativa. Um olhar pode durar vários segundos. Um ruído distante pode se tornar mais importante do que um diálogo. A espera transforma-se em ação.
Henry Fonda, tradicionalmente associado a personagens heroicos, interpreta um homem brutal, criando um contraste particularmente marcante.
Charles Bronson assume o papel do misterioso Harmonica, enquanto Claudia Cardinale interpreta Jill McBain, personagem que progressivamente ganha importância na narrativa.
Fotografia e trilha sonora
A fotografia de Tonino Delli Colli transforma paisagens em elementos narrativos. O Oeste não é apenas um cenário: é um espaço onde uma época está desaparecendo para dar lugar à modernização.
A música de Ennio Morricone é inseparável da identidade da obra. Cada personagem principal possui uma sonoridade própria, fazendo com que a trilha funcione quase como uma extensão psicológica dos protagonistas.
Significado
O filme pode ser interpretado como uma reflexão sobre o fim de uma era. A chegada da ferrovia representa mudanças econômicas e sociais que tornam o velho Oeste progressivamente incompatível com o mundo moderno.
Ficha técnica
- Título brasileiro: Era uma Vez no Oeste
- Título original: C’era una volta il West
- Ano: 1968
- País: Itália e Estados Unidos
- Direção: Sergio Leone
- Roteiro: Sergio Leone e Sergio Donati, com história desenvolvida por Leone, Dario Argento e Bernardo Bertolucci
- Elenco: Claudia Cardinale, Henry Fonda, Charles Bronson e Jason Robards
- Gênero: Faroeste
- Duração: varia conforme a versão, com a versão internacional em torno de 165 minutos
- Fotografia: Tonino Delli Colli
- Montagem: Nino Baragli
- Trilha sonora: Ennio Morricone
- Produção: Fulvio Morsella
- Distribuição: Euro International Films e Paramount Pictures
Nota
⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas
O bonequinho de Era uma Vez no Oeste
O bonequinho começa esperando a ação. Depois percebe que a espera é justamente a ação. No final, está de chapéu, sério e olhando para o horizonte como se tivesse acabado de assistir ao nascimento de uma lenda.
A Noite dos Mortos-Vivos
Sinopse
Após um ataque inesperado em uma região rural, um grupo de pessoas se refugia em uma casa enquanto criaturas aparentemente mortas retornam à vida e cercam o local.
O nascimento do zumbi moderno
Poucas produções tiveram tanta influência sobre o terror quanto A Noite dos Mortos-Vivos.
George A. Romero construiu um filme independente de orçamento extremamente reduzido, mas utilizou limitações financeiras como estímulo criativo.
O preto e branco confere à produção uma aparência documental. A câmera parece registrar acontecimentos que poderiam estar acontecendo em algum lugar próximo.
Mais importante do que os próprios mortos-vivos é o comportamento das pessoas confinadas. O medo provoca conflitos, divergências e decisões equivocadas.
Terror e crítica social
O filme funciona em dois níveis. Como terror, é uma experiência claustrofóbica. Como comentário social, apresenta um grupo incapaz de se unir diante de uma ameaça comum.
A convivência dentro da casa revela diferenças de personalidade, autoridade e confiança. O perigo está do lado de fora, mas os conflitos internos também ameaçam a sobrevivência.
Influência
A linguagem criada por A Noite dos Mortos-Vivos influenciou profundamente o cinema de zumbis e o horror posterior.
Ficha técnica
- Título brasileiro: A Noite dos Mortos-Vivos
- Título original: Night of the Living Dead
- Ano: 1968
- País: Estados Unidos
- Direção: George A. Romero
- Roteiro: George A. Romero e John Russo
- Elenco: Duane Jones, Judith O’Dea, Karl Hardman, Marilyn Eastman e Keith Wayne
- Gênero: Terror
- Duração: aproximadamente 96 minutos
- Fotografia: George A. Romero
- Montagem: George A. Romero
- Trilha sonora: música de biblioteca e elementos sonoros
- Produção: Image Ten
- Distribuição: Continental Distributing
Nota
⭐⭐⭐⭐⭐ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de A Noite dos Mortos-Vivos
O bonequinho começa sentado normalmente. Cinco minutos depois, está embaixo da mesa. Quando percebe que os personagens também estão brigando entre si, decide que talvez os mortos-vivos sejam o menor dos problemas.
O Planeta dos Macacos
Sinopse
Uma missão espacial termina de maneira inesperada quando os astronautas chegam a um planeta desconhecido. Lá, descobrem uma sociedade dominada por macacos inteligentes, enquanto os seres humanos são tratados como criaturas inferiores.
Ficção científica com crítica social
O Planeta dos Macacos combina aventura, ficção científica e crítica social.
A premissa parece simples, mas a narrativa utiliza a inversão de papéis para questionar conceitos de superioridade, preconceito e civilização.
Charlton Heston conduz a história como o astronauta George Taylor, personagem inicialmente convencido da superioridade humana. O contato com a sociedade dos macacos desmonta progressivamente essa visão.
O roteiro também utiliza o mistério como motor narrativo. O público descobre informações sobre aquele mundo ao mesmo tempo que o protagonista.
Maquiagem e direção de arte
A maquiagem criada para os macacos foi um dos grandes destaques técnicos da produção e recebeu reconhecimento especial da Academia.
As caracterizações não servem apenas ao espetáculo. Elas ajudam a tornar a sociedade dos macacos plausível dentro da narrativa.
Ficha técnica
- Título brasileiro: O Planeta dos Macacos
- Título original: Planet of the Apes
- Ano: 1968
- País: Estados Unidos
- Direção: Franklin J. Schaffner
- Roteiro: Rod Serling e Michael Wilson
- Elenco: Charlton Heston, Roddy McDowall, Kim Hunter e Maurice Evans
- Gênero: Ficção científica, aventura e drama
- Duração: aproximadamente 112 minutos
- Fotografia: Leon Shamroy
- Montagem: Hugh S. Fowler
- Trilha sonora: Jerry Goldsmith
- Produção: Arthur P. Jacobs
- Distribuição: 20th Century-Fox
Prêmios
A produção recebeu uma indicação ao Oscar e ganhou um prêmio honorário relacionado à maquiagem de John Chambers.
Nota
⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de O Planeta dos Macacos
O bonequinho começa empolgado com a aventura espacial. Depois fica indignado com o tratamento dado aos humanos. Na conclusão, fica completamente parado, de boca aberta, tentando processar a revelação.
O Leão no Inverno
Sinopse
Durante o Natal de 1183, o rei Henrique II reúne sua família enquanto questões relacionadas à sucessão do trono provocam uma intensa disputa entre os membros da família real.
Drama histórico
Em meio aos grandes espetáculos dos Filmes de 1968, O Leão no Inverno se destaca por fazer do diálogo sua principal arma.
A produção praticamente transforma uma reunião familiar em uma batalha política.
Peter O’Toole interpreta Henrique II com enorme energia, enquanto Katharine Hepburn constrói uma Eleanor de Aquitânia inteligente, provocadora e estrategicamente imprevisível.
Os filhos também participam da disputa, transformando relações familiares em negociações de poder.
Roteiro e atuações
O roteiro de James Goldman é um dos pontos mais fortes. Os diálogos são rápidos, irônicos e frequentemente agressivos.
O resultado é um filme no qual personagens podem estar sorrindo enquanto planejam prejudicar uns aos outros.
Reconhecimento
A produção recebeu quatro Oscars e venceu nas categorias de roteiro adaptado, atriz e trilha sonora.
Ficha técnica
- Título brasileiro: O Leão no Inverno
- Título original: The Lion in Winter
- Ano: 1968
- País: Reino Unido
- Direção: Anthony Harvey
- Roteiro: James Goldman
- Elenco: Peter O’Toole, Katharine Hepburn, Anthony Hopkins, John Castle e Timothy Dalton
- Gênero: Drama histórico
- Duração: aproximadamente 134 minutos
- Fotografia: Douglas Slocombe
- Montagem: John Bloom
- Trilha sonora: John Barry
- Produção: Martin Poll
- Distribuição: AVCO Embassy Pictures
Nota
⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de O Leão no Inverno
O bonequinho chega esperando um drama histórico. Depois de alguns diálogos, pega papel e lápis para tentar acompanhar as alianças, traições e mudanças de estratégia. Termina exausto, mas admirado.
O Bandido da Luz Vermelha
Sinopse
Um criminoso conhecido pelo apelido de Bandido da Luz Vermelha pratica assaltos em São Paulo enquanto se torna objeto de fascínio da imprensa e da população.
Um marco do cinema brasileiro
Entre os grandes Filmes de 1968, O Bandido da Luz Vermelha é um caso particularmente importante.
Rogério Sganzerla construiu uma narrativa fragmentada, barulhenta e deliberadamente caótica. O filme mistura referências de cinema policial, cultura popular, jornalismo, rádio e televisão.
Em vez de apresentar uma história convencional, Sganzerla cria uma espécie de retrato deformado de uma sociedade tomada por violência, espetáculo e informação.
Linguagem
A montagem rápida, os cortes abruptos, as narrações e a utilização de diferentes registros de som fazem com que a produção pareça estar permanentemente mudando de forma.
Paulo Villaça interpreta o protagonista em uma atuação marcada por estranheza e imprevisibilidade.
A obra também marcou a estreia cinematográfica de Sonia Braga.
Importância histórica
O Bandido da Luz Vermelha tornou-se uma das referências mais importantes do cinema brasileiro moderno e está associado ao espírito de experimentação do chamado Cinema Marginal.
Ficha técnica
- Título brasileiro: O Bandido da Luz Vermelha
- Título original: O Bandido da Luz Vermelha
- Ano: 1968
- País: Brasil
- Direção: Rogério Sganzerla
- Roteiro: Rogério Sganzerla
- Elenco: Paulo Villaça, Helena Ignez, Luiz Linhares, Sérgio Hingst e Sonia Braga
- Gênero: Policial, drama e experimental
- Duração: aproximadamente 92 minutos
- Fotografia: Mickio
- Montagem: Silvio Renoldi
- Produção: Urano Filmes
- Distribuição: produção independente
Nota
⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de O Bandido da Luz Vermelha
O bonequinho entra na sessão achando que verá um policial tradicional. Cinco minutos depois, está olhando para todos os lados enquanto tenta entender rádio, televisão, crime, política e cultura popular acontecendo ao mesmo tempo.
Beijos Proibidos
Sinopse
Antoine Doinel deixa o serviço militar e tenta encontrar seu lugar na vida adulta. Entre empregos temporários, investigações e relações amorosas, ele continua demonstrando a imaturidade e o romantismo que caracterizam sua personalidade.
A leveza de François Truffaut
Beijos Proibidos é um dos títulos mais delicados da seleção.
François Truffaut mistura comédia romântica, observação social e melancolia para acompanhar Antoine Doinel em uma fase de transição.
Jean-Pierre Léaud mantém o personagem simultaneamente carismático, confuso e impulsivo.
O humor nasce frequentemente da incapacidade de Antoine de compreender completamente as situações nas quais se envolve.
Estilo visual
A fotografia de Denys Clerval valoriza Paris e transforma a cidade em parte essencial da narrativa.
O filme possui ritmo mais leve do que outros grandes títulos de 1968, mas isso não significa ausência de profundidade. Por trás da comédia existe uma reflexão sobre amadurecimento, desejo e dificuldade de estabelecer relações.
Ficha técnica
- Título brasileiro: Beijos Proibidos
- Título original: Baisers volés
- Ano: 1968
- País: França
- Direção: François Truffaut
- Roteiro: François Truffaut, Claude de Givray e Bernard Revon
- Elenco: Jean-Pierre Léaud, Delphine Seyrig, Claude Jade e Michael Lonsdale
- Gênero: Comédia dramática e romance
- Duração: aproximadamente 91 minutos
- Fotografia: Denys Clerval
- Montagem: Agnès Guillemot
- Trilha sonora: Antoine Duhamel
- Produção: François Truffaut e Marcel Berbert
- Distribuição: Les Artistes Associés
Nota
⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas
O bonequinho de Beijos Proibidos
O bonequinho fica sorrindo durante praticamente toda a sessão. Quando Antoine finalmente parece entender o que está acontecendo, o bonequinho percebe que provavelmente ele vai se meter em outra confusão.
Outros Filmes de 1968 que merecem atenção
A produção daquele ano foi muito maior do que esta seleção. Entre os títulos que também merecem ser lembrados estão Bullitt, Romeu e Julieta, Oliver!, Funny Girl, Rachel, Rachel, Vergonha, A Hora do Lobo e Se….
Essas produções ajudam a demonstrar a diversidade daquele período. Havia espaço para musicais, dramas históricos, thrillers policiais, cinema psicológico, experimentações de linguagem e grandes aventuras.
O que os Filmes de 1968 têm em comum?
Apesar da enorme variedade, existe uma característica compartilhada por muitos dos principais Filmes de 1968: a disposição para questionar modelos tradicionais.
2001: Uma Odisseia no Espaço questiona a relação entre humanidade e tecnologia.
O Bebê de Rosemary questiona a confiança e o controle sobre o próprio corpo.
O Planeta dos Macacos questiona a ideia de superioridade humana.
A Noite dos Mortos-Vivos utiliza o horror para colocar pessoas comuns diante de uma crise extrema.
O Bandido da Luz Vermelha desmonta a narrativa policial tradicional.
Era uma Vez no Oeste revisita o próprio mito do faroeste.
Esse caráter questionador ajuda a explicar por que tantas obras de 1968 continuam sendo discutidas.
Lista dos melhores Filmes de 1968: qual é a importância dessas obras hoje?
Revisitar os Filmes de 1968 permite perceber como diferentes cineastas estavam preparando o cinema para as décadas seguintes.
A ficção científica ganhou uma dimensão filosófica com 2001: Uma Odisseia no Espaço. O terror psicológico encontrou uma de suas formas mais sofisticadas em O Bebê de Rosemary. O terror independente encontrou uma linguagem revolucionária em A Noite dos Mortos-Vivos.
O faroeste alcançou uma escala monumental em Era uma Vez no Oeste, enquanto a ficção científica comercial encontrou uma combinação poderosa de entretenimento e crítica em O Planeta dos Macacos.
No cinema brasileiro, O Bandido da Luz Vermelha mostrou que era possível romper radicalmente com estruturas narrativas convencionais.
Qual é o melhor filme de 1968?
A resposta depende do tipo de experiência procurada. Para quem deseja ficção científica contemplativa, 2001: Uma Odisseia no Espaço oferece uma experiência cinematográfica monumental. Para terror psicológico, O Bebê de Rosemary permanece especialmente प्रभावante. Para faroeste, Era uma Vez no Oeste representa uma experiência visual e musical de grande escala.
Já quem procura terror independente pode começar por A Noite dos Mortos-Vivos, enquanto os interessados em ficção científica com crítica social encontram em O Planeta dos Macacos uma escolha particularmente significativa.
Para quem deseja conhecer o cinema brasileiro de vanguarda, O Bandido da Luz Vermelha é uma experiência indispensável.
Vale a pena assistir aos Filmes de 1968?
Sim, especialmente para quem deseja compreender como o cinema moderno chegou a várias das linguagens que continuam presentes atualmente.
Algumas dessas obras exigem paciência. 2001: Uma Odisseia no Espaço possui longos momentos contemplativos. Era uma Vez no Oeste também trabalha com um ritmo deliberadamente lento. O Bandido da Luz Vermelha pode causar estranhamento justamente por sua estrutura fragmentada.
Mas essas características fazem parte da experiência.
Para o espectador moderno, assistir a esses títulos também significa observar a origem de ideias que posteriormente se tornariam comuns no cinema: ficção científica filosófica, terror psicológico, zumbis modernos, anti-heróis, narrativas fragmentadas e protagonistas moralmente ambíguos.
Final explicado: o legado dos Filmes de 1968
Não existe um único final a ser explicado para esta seleção, mas existe uma conclusão possível sobre o conjunto.
Os Filmes de 1968 representam um momento de transição. O cinema clássico ainda estava presente, mas novas formas de narrativa já começavam a ocupar espaço.
2001: Uma Odisseia no Espaço mostrou que uma superprodução poderia ser contemplativa e abstrata. O Bebê de Rosemary provou que o horror poderia funcionar principalmente através da atmosfera. A Noite dos Mortos-Vivos demonstrou a força de uma produção independente. O Planeta dos Macacos aproximou espetáculo e comentário social.
Na Europa, Era uma Vez no Oeste reinventou o faroeste, enquanto Beijos Proibidos mostrou a força de um cinema mais íntimo e humano.
E, no Brasil, O Bandido da Luz Vermelha levou a experimentação cinematográfica para um território próprio.
É justamente essa diversidade que faz de 1968 um ano tão rico. Mais do que produzir uma sequência de clássicos, o período ajudou a ampliar aquilo que o cinema poderia ser.
Para quem procura uma lista dos melhores Filmes de 1968, esses títulos formam um excelente ponto de partida para descobrir uma das fases mais inventivas, ousadas e influentes da sétima arte.
Por: Alexandre lavrador. Opinião do Blogueiro.
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