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Lista dos melhores filmes do Chile

Lista dos melhores filmes do Chile: 15 obras essenciais do cinema chileno

Do cinema político ao drama íntimo, esta lista dos melhores filmes do Chile reúne obras que ajudam a entender a história, a sociedade, a cultura e a força criativa do cinema chileno.

O cinema do Chile construiu uma identidade própria ao transformar momentos históricos, conflitos sociais, dramas familiares, questões políticas e experiências pessoais em filmes de grande impacto. Para quem procura uma lista dos melhores filmes do Chile, há uma variedade impressionante de estilos, períodos e propostas: documentários históricos, dramas políticos, comédias dramáticas, thrillers psicológicos, filmes de formação e obras experimentais.

A produção chilena ganhou projeção internacional especialmente a partir dos anos 2000, quando uma nova geração de cineastas passou a combinar temas locais com uma linguagem cinematográfica capaz de alcançar públicos de diferentes países. Ao mesmo tempo, clássicos produzidos décadas antes continuam fundamentais para compreender a evolução da cinematografia nacional.

Nesta lista dos melhores filmes do Chile, aparecem obras de diferentes épocas e gêneros. Entre os destaques estão Machuca, La batalla de Chile, Largo viaje, El club, Gloria e Una mujer fantástica.

Por que o cinema chileno é tão importante?

A história cinematográfica do Chile é profundamente ligada às transformações políticas e sociais do país. Diferentes gerações de realizadores utilizaram o cinema para registrar acontecimentos históricos, investigar relações de poder e observar as mudanças da sociedade.

O resultado é uma filmografia marcada por diversidade. Há filmes de forte caráter documental, como La batalla de Chile, dramas históricos como Machuca, obras políticas como No, dramas de personagens como Gloria e experiências documentais como Nostalgia da luz.

A cinematografia chilena também se destacou internacionalmente com filmes dirigidos por nomes como Patricio Guzmán, Raúl Ruiz, Andrés Wood, Pablo Larraín e Sebastián Lelio, entre muitos outros.

Lista dos melhores filmes do Chile

A seleção abaixo não pretende transformar a história do cinema chileno em uma competição rígida. A proposta é reunir filmes especialmente importantes por sua qualidade artística, relevância histórica, influência cultural e capacidade de representar diferentes momentos da produção cinematográfica do país.

1. Machuca

Lançado em 2004 e dirigido por Andrés Wood, Machuca acompanha dois garotos de origens sociais muito diferentes durante um período de enorme tensão política no Chile.

A história utiliza a amizade entre os meninos para observar um país dividido. A força do filme está justamente em evitar transformar os acontecimentos históricos em uma simples exposição política. Em vez disso, a transformação nacional é percebida pelos olhos de personagens jovens que inicialmente não compreendem completamente a dimensão do que está acontecendo.

A escola onde os protagonistas estudam funciona como uma espécie de retrato reduzido do Chile. As diferenças econômicas, ideológicas e familiares aparecem gradualmente e interferem na relação entre os personagens.

A direção de Andrés Wood aposta em uma abordagem emocional, mas sem abandonar o contexto histórico. O resultado é um drama de formação no qual a infância funciona como contraponto à violência e à polarização do mundo adulto.

Análise

Um dos maiores méritos de Machuca é mostrar como acontecimentos políticos afetam pessoas comuns. A grande História aparece na experiência cotidiana.

A fotografia também contribui para essa perspectiva, acompanhando os personagens em ambientes escolares, residenciais e urbanos que ajudam a estabelecer diferenças sociais.

Ficha técnica

  • Título brasileiro: Machuca
  • Título original: Machuca
  • Ano: 2004
  • País: Chile
  • Direção: Andrés Wood
  • Roteiro: Roberto Brodsky, Mamoun Hassan e Andrés Wood
  • Gênero: Drama
  • Duração: aproximadamente 121 minutos
  • Elenco: Matías Quer, Ariel Mateluna, Manuela Martelli, Ernesto Malbran, Aline Küppenheim
  • Fotografia: Miguel Ioan Littin-Menz
  • Montagem: Fernando Pardo
  • Produção: Andrés Wood Producciones
  • Temas: infância, desigualdade social, amizade, política e memória histórica

⭐ Avaliação

⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de Machuca

O bonequinho começa sorrindo com a amizade dos protagonistas e termina completamente imóvel, tentando processar tudo o que acabou de testemunhar.


2. La batalla de Chile

Poucos projetos documentais são tão importantes para compreender a história política chilena quanto La batalla de Chile, dirigido por Patricio Guzmán.

Dividida em três partes, a obra registra o período que antecedeu e acompanhou a queda do governo de Salvador Allende e o golpe militar de 1973.

Em vez de reconstruir os acontecimentos apenas posteriormente, o documentário utiliza imagens registradas durante o próprio processo histórico. Isso confere ao filme uma dimensão de testemunho extraordinariamente poderosa.

O trabalho acompanha manifestações, conflitos políticos, debates públicos, trabalhadores, movimentos sociais e acontecimentos que ajudam a compreender a crescente polarização daquele período.

Por que assistir?

La batalla de Chile é particularmente importante para quem deseja compreender o cinema documental como ferramenta de preservação da memória.

Sua relevância não está apenas na qualidade cinematográfica, mas também na quantidade e na natureza dos registros históricos reunidos.

Ficha técnica

  • Título: La batalla de Chile
  • Ano: 1975–1979
  • País: Chile
  • Direção: Patricio Guzmán
  • Gênero: Documentário político e histórico
  • Formato: Trilogia documental
  • Tema central: crise política chilena e golpe de 1973

⭐ Avaliação

⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de La batalla de Chile

O bonequinho começa sentado diante da televisão, mas termina em pé, sério e silencioso, como quem percebeu que estava assistindo a um pedaço da História.


3. Largo viaje

Produzido em 1967 e dirigido por Patricio Kaulen, Largo viaje é uma obra fundamental do cinema chileno.

O filme acompanha um garoto que atravessa Santiago em busca de seu irmão recém-nascido, criando uma jornada que permite observar diferentes ambientes da capital chilena.

Mais do que uma simples aventura infantil, a produção funciona como um retrato social da cidade. A criança atravessa espaços que revelam diferenças econômicas, tradições e aspectos da vida urbana.

Análise

O olhar infantil é fundamental. A cidade ganha proporções quase míticas, enquanto o deslocamento do protagonista permite que o espectador conheça diferentes camadas da sociedade.

O filme também possui importância histórica por representar uma etapa fundamental da evolução do cinema de ficção chileno.

Ficha técnica

  • Título: Largo viaje
  • Ano: 1967
  • País: Chile
  • Direção: Patricio Kaulen
  • Gênero: Drama
  • Tema: infância, cidade e desigualdade social

⭐ Avaliação

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Largo viaje

O bonequinho coloca uma pequena mochila nas costas e passa o filme inteiro correndo atrás do protagonista.


4. El club

Dirigido por Pablo Larraín em 2015, El club reúne quatro padres afastados de suas funções que vivem isolados em uma casa localizada em uma cidade costeira.

A aparente tranquilidade do local desaparece quando a chegada de um novo personagem força os moradores a confrontarem acontecimentos de seus passados.

O filme trabalha com uma atmosfera claustrofóbica e desconfortável. O isolamento físico da casa funciona como representação de um isolamento moral e institucional.

Temas

A obra aborda culpa, poder, silêncio, responsabilidade e mecanismos de proteção institucional. Larraín evita oferecer respostas fáceis e constrói situações nas quais o espectador precisa interpretar as contradições dos personagens.

O humor sombrio também é importante. Momentos absurdos surgem em meio a situações extremamente pesadas, criando um contraste que aumenta o desconforto.

Ficha técnica

  • Título: El club
  • Ano: 2015
  • País: Chile
  • Direção: Pablo Larraín
  • Roteiro: Guillermo Calderón, Daniel Villalobos e Pablo Larraín
  • Gênero: Drama
  • Elenco: Alfredo Castro, Roberto Farías, Alejandro Goic, Jaime Vadell, Alejandro Sieveking
  • Fotografia: Sergio Armstrong
  • Montagem: Sebastián Sepúlveda
  • Trilha sonora: Carlos Cabezas

⭐ Avaliação

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de El club

O bonequinho passa boa parte do filme escondido atrás do sofá, olhando para a tela com a expressão de quem definitivamente não gostaria de morar naquela casa.


5. Gloria

Gloria, dirigido por Sebastián Lelio em 2013, acompanha uma mulher divorciada de 58 anos que tenta equilibrar solidão, desejos, relacionamentos e independência.

A protagonista não é construída como uma personagem definida apenas pela idade. Pelo contrário: o filme enfatiza sua vitalidade, suas inseguranças, suas contradições e sua necessidade de continuar experimentando a vida.

O que torna Gloria especial?

O filme evita o sentimentalismo convencional. Gloria pode ser engraçada, frustrante, vulnerável e determinada na mesma sequência.

A atuação de Paulina García é o centro absoluto da produção, enquanto a direção utiliza ambientes cotidianos para criar uma narrativa íntima.

Ficha técnica

  • Título: Gloria
  • Ano: 2013
  • País: Chile
  • Direção: Sebastián Lelio
  • Roteiro: Sebastián Lelio e Gonzalo Maza
  • Gênero: Drama
  • Elenco: Paulina García, Sergio Hernández, Diego Fontecilla, Fabiola Zamora
  • Fotografia: Benjamín Echazarreta
  • Montagem: Soledad Salfate
  • Trilha sonora: Matthew Herbert

⭐ Avaliação

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Gloria

O bonequinho dança sem vergonha nenhuma. Em alguns momentos ele até parece esquecer que existe uma tela entre ele e a pista de dança.


6. No

No, de Pablo Larraín, utiliza uma campanha publicitária como ponto de partida para abordar o plebiscito chileno de 1988.

Gael García Bernal interpreta René Saavedra, um publicitário que participa da elaboração da campanha favorável ao voto contrário à continuidade de Augusto Pinochet no poder.

O diferencial do filme está na maneira como política e publicidade se misturam. Em vez de transformar a narrativa em uma reconstrução convencional, Larraín acompanha a criação de uma linguagem publicitária capaz de disputar a atenção da população.

Estética

A produção foi filmada utilizando uma estética visual que remete ao material televisivo daquele período. Isso cria uma sensação de autenticidade e aproxima o espectador do universo da campanha.

Ficha técnica

  • Título: No
  • Ano: 2012
  • País: Chile
  • Direção: Pablo Larraín
  • Roteiro: Pedro Peirano
  • Gênero: Drama político
  • Elenco: Gael García Bernal, Alfredo Castro, Antonia Zegers, Luis Gnecco
  • Fotografia: Sergio Armstrong
  • Montagem: Andrea Chignoli
  • Trilha sonora: Carlos Cabezas

⭐ Avaliação

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de No

O bonequinho fica diante da televisão como um garoto de 1988, esperando para descobrir qual será o resultado da campanha.


7. La nana

La nana, dirigido por Sebastián Silva, acompanha Raquel, uma empregada doméstica que trabalha há anos para uma família de classe média.

Quando novas funcionárias começam a ser contratadas para ajudá-la, Raquel reage de maneira cada vez mais hostil.

O filme utiliza situações domésticas para discutir relações de poder, dependência emocional, hierarquia social e necessidade de pertencimento.

Análise

A protagonista é deliberadamente complexa. O comportamento de Raquel pode afastar o espectador, mas também revela uma personagem marcada por isolamento e insegurança.

A mistura de humor e drama impede que a história seja reduzida a uma simples denúncia social.

Ficha técnica

  • Título: La nana
  • Ano: 2009
  • País: Chile
  • Direção: Sebastián Silva
  • Roteiro: Sebastián Silva e Pedro Peirano
  • Gênero: Comédia dramática
  • Elenco: Catalina Saavedra, Claudia Celedón, Mariana Loyola, Alejandro Goic
  • Fotografia: Sergio Armstrong
  • Montagem: Danielle Fillios
  • Trilha sonora: Pedro Subercaseaux

⭐ Avaliação

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de La nana

O bonequinho começa confortável no sofá e termina procurando um lugar seguro para não entrar em nenhuma discussão familiar.


8. Una mujer fantástica

Una mujer fantástica, dirigido por Sebastián Lelio em 2017, acompanha Marina, uma mulher trans que enfrenta o luto após a morte inesperada de seu companheiro.

A história acompanha as dificuldades impostas por familiares, instituições e convenções sociais, enquanto Marina tenta preservar sua dignidade.

Daniela Vega conduz o filme com uma atuação central e extremamente física. Muitas emoções são transmitidas por gestos, silêncios e olhares.

Reconhecimento internacional

A obra recebeu amplo reconhecimento internacional e venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2018, tornando-se um dos maiores marcos da projeção internacional do cinema chileno.

Também recebeu importantes prêmios em festivais e premiações ibero-americanas.

Ficha técnica

  • Título: Una mujer fantástica
  • Ano: 2017
  • País: Chile, Alemanha, Espanha e Estados Unidos
  • Direção: Sebastián Lelio
  • Roteiro: Sebastián Lelio e Gonzalo Maza
  • Gênero: Drama
  • Elenco: Daniela Vega, Francisco Reyes, Luis Gnecco, Aline Küppenheim
  • Fotografia: Benjamín Echazarreta
  • Montagem: Soledad Salfate
  • Trilha sonora: Matthew Herbert

⭐ Avaliação

⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de Una mujer fantástica

O bonequinho passa por uma montanha-russa emocional: começa curioso, fica triste, se revolta e termina de pé, aplaudindo.


9. Tony Manero

Lançado em 2008, Tony Manero é um dos filmes mais perturbadores de Pablo Larraín.

A narrativa acompanha Raúl Peralta, um homem obcecado pelo personagem interpretado por John Travolta em Saturday Night Fever.

O personagem vive em uma sociedade marcada pela repressão da ditadura chilena, e sua obsessão com a dança funciona como uma espécie de fuga.

Análise

O filme constrói deliberadamente uma atmosfera desagradável. A câmera acompanha Raúl sem tentar torná-lo simpático.

A cultura pop aparece como contraponto irônico à violência política e social do período.

Ficha técnica

  • Título: Tony Manero
  • Ano: 2008
  • País: Chile, Brasil e outros países em coprodução
  • Direção: Pablo Larraín
  • Roteiro: Pablo Larraín, Mateo Iribarren e Alfredo Castro
  • Gênero: Drama psicológico
  • Elenco: Alfredo Castro, Amparo Noguera, Paola Lattus, Héctor Morales
  • Fotografia: Sergio Armstrong
  • Montagem: Andrea Chignoli

⭐ Avaliação

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Tony Manero

O bonequinho não está exatamente assustado. Ele está desconfortável, olhando para os lados e perguntando mentalmente se deveria continuar assistindo.


10. La frontera

Dirigido por Ricardo Larraín em 1991, La frontera acompanha um professor de matemática enviado para uma região isolada do sul do Chile durante o período da ditadura.

A paisagem possui papel fundamental na narrativa. O isolamento geográfico amplia a sensação de confinamento político e pessoal.

Temas

O filme trabalha exílio, autoritarismo, identidade e liberdade. A relação entre o personagem principal e os habitantes da região permite que a história seja observada tanto como drama político quanto como narrativa humana.

⭐ Avaliação

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de La frontera

O bonequinho veste um casaco, olha para a paisagem e fica pensativo diante do isolamento dos personagens.


11. El chacal de Nahueltoro

Produzido em 1969 e dirigido por Miguel Littín, El chacal de Nahueltoro é um dos grandes clássicos do cinema chileno.

Baseado em um caso criminal real, o filme acompanha Jorge del Carmen Valenzuela Torres e aborda sua trajetória até a condenação.

A obra vai além da reconstrução de um crime. A pobreza, a exclusão social, a ausência de oportunidades e a relação entre indivíduo e sistema penal são elementos centrais.

Análise

O filme não transforma o personagem em uma figura simples. Sua trajetória permite questionar como a sociedade lida com violência, marginalização e responsabilidade individual.

É uma obra dura, mas historicamente muito importante.

⭐ Avaliação

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de El chacal de Nahueltoro

O bonequinho permanece sério durante praticamente toda a sessão, sem encontrar espaço para relaxar.


12. Nostalgia da luz

Patricio Guzmán retorna à memória chilena em Nostalgia da luz, documentário de 2010 que conecta astronomia, arqueologia e memória política.

O deserto do Atacama é apresentado como um espaço onde diferentes formas de busca pelo passado coexistem. Astrônomos procuram sinais do universo, enquanto familiares procuram vestígios de pessoas desaparecidas durante a ditadura.

Essa associação é uma das ideias mais poderosas do filme.

Análise

A produção demonstra como o documentário pode funcionar de maneira poética sem abandonar acontecimentos concretos.

O céu e o deserto tornam-se metáforas para memória, tempo e desaparecimento.

⭐ Avaliação

⭐⭐⭐⭐⭐ 5 de 5 estrelas

O bonequinho de Nostalgia da luz

O bonequinho deita no chão, olha para as estrelas e fica em silêncio por alguns minutos depois que os créditos terminam.


13. Caliche sangriento

Caliche sangriento, dirigido por Helvio Soto em 1969, revisita episódios relacionados à Guerra do Pacífico.

O filme combina aventura, drama histórico e crítica política para examinar o comportamento de soldados em meio ao conflito.

Importância histórica

A obra demonstra que o cinema chileno já utilizava o passado histórico para discutir questões contemporâneas antes da grande projeção internacional alcançada pela geração posterior.

⭐ Avaliação

⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de Caliche sangriento

O bonequinho coloca um capacete imaginário e acompanha a marcha pelo deserto sem tirar os olhos da tela.


14. Julio comienza en julio

Dirigido por Silvio Caiozzi em 1979, Julio comienza en julio é ambientado no Chile do início do século XX.

A narrativa acompanha um jovem pertencente a uma família tradicional e utiliza sua passagem para a vida adulta para examinar hierarquia, masculinidade, classe social e costumes da elite rural.

Análise

O filme funciona como retrato de uma sociedade extremamente hierarquizada. Os rituais sociais e familiares são tão importantes quanto os acontecimentos da trama.

Sua reconstrução de época também contribui para a força da obra.

⭐ Avaliação

⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de Julio comienza en julio

O bonequinho aparece vestido com roupa de época, sentado educadamente na poltrona, mas claramente tentando entender as regras daquele mundo.


15. La casa lobo

La casa lobo, lançado em 2018 e dirigido por Cristóbal León e Joaquín Cociña, é uma das experiências visuais mais particulares do cinema chileno contemporâneo.

Inspirado em elementos históricos relacionados à Colônia Dignidad, o filme apresenta uma narrativa de animação experimental na qual paredes, objetos e personagens parecem estar em constante transformação.

Estilo visual

A técnica é um dos grandes diferenciais. A animação utiliza materiais físicos, pintura, desenho, escultura e stop motion para produzir um universo instável.

A própria casa parece viva, modificando-se diante do espectador.

⭐ Avaliação

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de La casa lobo

O bonequinho começa curioso e termina olhando para a parede, desconfiado de que ela pode começar a se mexer a qualquer momento.

Outros filmes chilenos que merecem atenção

Uma lista dos melhores filmes do Chile nunca consegue representar toda a diversidade da cinematografia nacional. Existem muitas outras obras importantes que ajudam a ampliar esse panorama.

Entre elas estão Tres tristes tigres, de Raúl Ruiz; Valparaíso mi amor, de Aldo Francia; El zapato chino, de Cristián Sánchez; Cien niños esperando un tren, de Ignacio Agüero; e Historia de un oso, de Gabriel Osorio.

No cinema mais recente, também se destacam El agente topo, Los colonos, Blanco en blanco, Mala junta e Tarde para morir joven.

O cinema político chileno

Um dos aspectos mais marcantes da cinematografia chilena é sua relação com a política.

Isso não significa que todo filme chileno seja político. Entretanto, a ditadura militar, o golpe de 1973, o governo de Salvador Allende, a redemocratização e as consequências sociais daquele período deixaram marcas profundas na produção audiovisual.

La batalla de Chile registra diretamente os acontecimentos. Machuca observa seus efeitos sobre crianças e famílias. No transforma o plebiscito de 1988 em drama cinematográfico. Já Tony Manero utiliza uma história individual extremamente perturbadora para representar o ambiente social de uma época.

Essa diversidade de abordagens é uma das principais características do cinema chileno.

O cinema chileno e a memória

A memória também ocupa posição central em várias obras.

Patricio Guzmán desenvolveu uma filmografia particularmente dedicada ao tema. Em Nostalgia da luz, o passado político é relacionado ao trabalho de astrônomos e familiares de desaparecidos.

Em La batalla de Chile, o registro direto dos acontecimentos cria uma espécie de arquivo audiovisual de um período decisivo.

Já Machuca utiliza a memória da infância para transformar um momento histórico em uma experiência pessoal.

O papel da paisagem nos filmes chilenos

A geografia do Chile também aparece de maneira recorrente no cinema.

O país possui uma extensão territorial marcada por contrastes extremos: deserto, montanhas, litoral, regiões rurais e grandes centros urbanos.

Em Nostalgia da luz, o deserto do Atacama adquire dimensão quase filosófica.

Em La frontera, o isolamento geográfico contribui diretamente para o clima da narrativa.

Em Largo viaje, Santiago transforma-se em um grande cenário de descoberta.

A paisagem, portanto, não funciona apenas como pano de fundo. Em muitos casos, ela participa ativamente da construção dramática.

Filmes chilenos que ganharam destaque internacional

A expansão internacional do cinema chileno ocorreu principalmente a partir da circulação de suas obras em festivais e premiações.

Una mujer fantástica representa um dos maiores momentos dessa trajetória ao conquistar o Oscar de melhor filme estrangeiro.

No também alcançou uma marca histórica ao tornar-se o primeiro filme chileno indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Gloria recebeu forte reconhecimento internacional, especialmente pela atuação de Paulina García.

El club ampliou a presença de Pablo Larraín no circuito internacional.

No campo documental, a obra de Patricio Guzmán ajudou a consolidar o Chile como um dos países latino-americanos com tradição particularmente forte no gênero.

O que assistir primeiro?

Para quem nunca teve contato com o cinema chileno, uma boa porta de entrada é Machuca, porque o filme combina uma narrativa acessível com um contexto histórico fundamental.

Quem prefere documentários pode começar por Nostalgia da luz ou La batalla de Chile.

Para uma experiência mais contemporânea, Gloria apresenta um drama pessoal e bastante humano, enquanto Una mujer fantástica combina drama, identidade e questões sociais.

Quem prefere cinema político pode escolher No. Já aqueles que procuram uma experiência mais desconfortável e provocadora podem experimentar El club ou Tony Manero.

Lista dos melhores filmes do Chile: conclusão

Uma lista dos melhores filmes do Chile precisa levar em consideração a enorme diversidade da cinematografia do país. Não existe apenas um estilo de cinema chileno: existem diferentes gerações, linguagens, temas e maneiras de interpretar a realidade.

Machuca transforma a história política em uma experiência de infância. La batalla de Chile preserva acontecimentos decisivos por meio do documentário. Gloria olha para os desejos e conflitos de uma mulher madura. Una mujer fantástica aborda identidade, luto e preconceito. El club investiga poder, culpa e silêncio institucional.

Essa variedade explica por que o cinema chileno ultrapassou as fronteiras do próprio país. São filmes que conseguem partir de histórias especificamente chilenas para discutir questões universais como amizade, memória, desigualdade, família, identidade, violência, envelhecimento, liberdade e poder.

Para quem deseja descobrir a cinematografia do Chile, essa seleção oferece um percurso que atravessa diferentes décadas e estilos. Do cinema clássico ao experimental, do documentário político ao drama íntimo, os filmes reunidos aqui mostram como uma indústria relativamente pequena conseguiu produzir obras de grande alcance cultural e artístico.

Em outras palavras, conhecer os melhores filmes do Chile é também conhecer diferentes capítulos da história e da identidade chilenas através do olhar de seus próprios cineastas.

Por: Alexandre lavrador. Opinião do Blogueiro.

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