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Lista dos melhores filmes do Haiti

Lista dos melhores filmes do Haiti: 9 obras essenciais do cinema haitiano

Linha fina: Conheça uma seleção de filmes que ajudam a compreender o Haiti por diferentes perspectivas, passando por ditadura, memória, desigualdade, terremoto, identidade, resistência, espiritualidade, violência política e a força cultural do povo haitiano.

O cinema haitiano é uma das expressões culturais mais particulares do Caribe. Produzido em condições históricas e econômicas difíceis, muitas vezes com coproduções internacionais e forte participação da diáspora, esse cinema desenvolveu uma linguagem própria para falar sobre identidade, memória, trauma, desigualdade social, migração e resistência.

Esta Lista dos melhores filmes do Haiti reúne nove obras de diferentes períodos e estilos que ajudam a conhecer essa cinematografia. A seleção não pretende estabelecer um ranking absoluto, mas apresentar filmes particularmente relevantes para quem deseja descobrir histórias ambientadas no Haiti ou realizadas por cineastas haitianos.

Entre dramas políticos, documentários, histórias familiares, obras de realismo mágico e comédias policiais, a Lista dos melhores filmes do Haiti mostra que o cinema produzido a partir da experiência haitiana está longe de ser homogêneo.

Lista dos melhores filmes do Haiti: quais são as obras selecionadas?

A seleção inclui:

  1. Haitian Corner
  2. The Man by the Shore
  3. Moloch Tropical
  4. Murder in Pacot
  5. Ayiti Mon Amour
  6. Douvan jou ka leve
  7. Freda
  8. Barikad
  9. Kidnapping Inc.

A diversidade é justamente um dos pontos mais interessantes da lista. Algumas obras abordam diretamente acontecimentos históricos; outras preferem acompanhar personagens comuns e transformar questões sociais em conflitos íntimos.


1. Haitian Corner

Um filme sobre exílio, memória e desejo de vingança

Dirigido por Raoul Peck, Haitian Corner acompanha Joseph Bossuet, um haitiano que deixou o país depois de ser preso e torturado por motivos políticos durante a ditadura.

Vivendo em Nova York, Joseph tenta reconstruir uma existência aparentemente comum. Trabalha, convive com familiares e frequenta um estabelecimento que funciona como ponto de encontro da comunidade haitiana. O passado, porém, volta à superfície quando ele acredita reconhecer entre os frequentadores um dos homens responsáveis por sua tortura.

A partir desse momento, a história deixa de ser apenas um drama sobre imigração e passa a investigar os efeitos psicológicos e sociais da violência política.

O grande mérito do filme está em não transformar a vingança em uma solução simples. Joseph é apresentado como alguém dividido entre o desejo de justiça, a necessidade de seguir adiante e a impossibilidade de simplesmente apagar o passado.

A própria comunidade de imigrantes funciona como uma extensão da memória do país. O espaço conhecido como Haitian Corner reúne pessoas que carregam diferentes versões de uma mesma experiência: o exílio.

Direção e importância histórica

A direção de Raoul Peck estabelece desde cedo uma relação entre o espaço físico e a memória. Nova York não representa apenas liberdade ou recomeço. Para Joseph, a cidade também se torna o lugar onde o passado pode reaparecer.

A obra é especialmente importante para compreender como o cinema haitiano aborda a experiência da diáspora.

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Haitian Corner

O bonequinho começa sentado, observando tudo com atenção. Conforme a história avança, ele levanta devagar, fica tenso e passa boa parte do filme olhando para trás, como se também estivesse tentando descobrir quem entrou pela porta.


2. The Man by the Shore

A infância diante da ditadura

Entre os filmes fundamentais para compreender a relação entre memória e história no cinema haitiano está The Man by the Shore, dirigido por Raoul Peck.

A narrativa acompanha Sarah e sua família durante o regime de François Duvalier, conhecido como Papa Doc. Em vez de construir apenas uma reconstituição política convencional, o filme observa a ditadura através da experiência de uma criança.

Essa escolha altera completamente a perspectiva.

Para uma criança, a violência política não necessariamente aparece primeiro como conceito. Ela surge através de silêncios, desaparecimentos, medo dos adultos, mudanças de comportamento e figuras ameaçadoras.

O resultado é um drama intimista sobre como uma ditadura invade a vida doméstica.

O poder do olhar infantil

A perspectiva de Sarah permite que acontecimentos históricos sejam percebidos de maneira fragmentada. O espectador sabe que existe uma estrutura política por trás daquela atmosfera de medo, enquanto a personagem tenta compreender o mundo ao seu redor.

Essa abordagem torna o filme particularmente poderoso como representação da memória.

A infância funciona como uma espécie de arquivo emocional. Mesmo quando determinados acontecimentos não são explicados de maneira didática, suas marcas permanecem.

Fotografia e atmosfera

A fotografia trabalha com uma atmosfera pesada, contribuindo para a sensação de insegurança que domina a narrativa. Os ambientes familiares deixam de representar proteção absoluta e passam a carregar a possibilidade de ameaça.

É um filme que exige atenção e disposição para acompanhar uma narrativa mais contemplativa.

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de The Man by the Shore

O bonequinho assiste ao filme escondido atrás do sofá. De vez em quando, coloca apenas os olhos para fora para conferir se o perigo já passou.


3. Moloch Tropical

Poder político transformado em sátira

Moloch Tropical é uma das obras mais contundentes desta Lista dos melhores filmes do Haiti quando o assunto é poder.

Dirigido por Raoul Peck, o filme acompanha um presidente haitiano que se encontra protegido dentro de um palácio fortificado enquanto uma revolta cresce do lado de fora.

A estrutura narrativa concentra praticamente toda a tensão em um único dia. O governante prepara uma grande celebração, mas as notícias vindas das ruas começam a transformar a cerimônia em um espetáculo de paranoia.

O poder, nesse contexto, aparece como uma bolha.

Quanto mais grave fica a situação do país, mais o círculo presidencial tenta manter a aparência de normalidade.

Uma sátira sobre isolamento

O filme utiliza elementos de sátira para observar a distância entre governantes e população.

O palácio torna-se uma metáfora evidente: quanto mais protegido o poder está fisicamente, menos consegue compreender o que acontece fora de seus muros.

A obra também questiona a personalização do poder político. O país inteiro parece depender das decisões de um grupo reduzido de pessoas que, diante da crise, demonstram preocupação principalmente com sua própria sobrevivência.

Direção

Raoul Peck utiliza o espaço fechado para criar uma sensação progressiva de sufocamento. O espectador sabe que existe um país em convulsão, mas acompanha os acontecimentos a partir do ambiente protegido do presidente.

Essa escolha cria um contraste eficaz entre o luxo do palácio e a realidade social que permanece fora de campo.

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Moloch Tropical

O bonequinho começa elegantemente sentado em uma cadeira. No decorrer do filme, perde a postura, afrouxa a gravata e termina procurando uma saída de emergência.


4. Murder in Pacot

O Haiti depois do terremoto de 2010

Murder in Pacot se passa no contexto do devastador terremoto que atingiu o Haiti em janeiro de 2010.

Dirigido por Raoul Peck, o drama acompanha um casal de classe privilegiada que tenta sobreviver em meio aos destroços de sua casa em Port-au-Prince.

Sem recursos suficientes para reconstruir o imóvel, os personagens alugam uma parte ainda habitável da residência para um trabalhador estrangeiro ligado às operações de ajuda humanitária.

A chegada de novos personagens altera completamente o equilíbrio daquele espaço.

Uma casa como retrato de uma sociedade

A residência destruída é muito mais do que um cenário.

Ela representa uma sociedade que perdeu referências anteriores e precisa decidir o que fazer com aquilo que restou.

A presença de estrangeiros envolvidos na ajuda humanitária também introduz uma discussão sobre relações de poder, dependência econômica, classe social e a maneira como desastres podem modificar relações que já eram desiguais.

O filme não transforma o terremoto em simples espetáculo visual. Pelo contrário: concentra-se nas consequências humanas.

Atuações e roteiro

O roteiro aposta principalmente em conflitos entre personagens. O terremoto é o acontecimento que modifica suas vidas, mas os conflitos centrais surgem da convivência forçada.

A casa passa a funcionar como um pequeno laboratório social.

Cada personagem possui interesses próprios e diferentes formas de enxergar a reconstrução do país.

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Murder in Pacot

O bonequinho começa procurando um lugar seguro para sentar e descobre que praticamente todos os cômodos estão emocionalmente desmoronados. Termina sério, pensativo e sem vontade de mexer em nada.


5. Ayiti Mon Amour

Realismo mágico para falar sobre reconstrução

Ayiti Mon Amour, dirigido por Guetty Felin, segue um caminho completamente diferente de boa parte dos dramas políticos associados ao cinema haitiano.

A obra mistura drama e realismo mágico para acompanhar diferentes personagens cinco anos depois do terremoto de 2010.

A narrativa envolve um jovem que desenvolve habilidades extraordinárias, um pescador que busca uma solução para a doença de sua esposa e outras figuras que parecem existir em uma realidade onde o cotidiano e o fantástico se misturam.

Um Haiti visto pela imaginação

A principal característica de Ayiti Mon Amour está justamente na tentativa de escapar de uma representação exclusivamente baseada em sofrimento.

O Haiti aparece como território de dor, mas também como espaço de afeto, fantasia, espiritualidade e possibilidades.

Essa perspectiva é importante porque amplia a representação cinematográfica do país.

Em vez de apresentar apenas destruição, pobreza ou instabilidade política, o filme permite que seus personagens tenham sonhos, desejos e dimensões quase míticas.

Fotografia e atmosfera

A fotografia contribui para essa sensação de estranhamento. A natureza, o mar e os espaços cotidianos ganham importância narrativa.

O filme funciona melhor quando observado como uma experiência sensorial do que como uma história convencional movida por acontecimentos sucessivos.

⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de Ayiti Mon Amour

O bonequinho começa confuso, olha para os lados, percebe que aparentemente existem regras diferentes naquele universo e decide simplesmente relaxar e embarcar na viagem.


6. Douvan jou ka leve

Identidade, memória e saúde mental

Douvan jou ka leve, documentário dirigido por Gessica Généus, ocupa um lugar especial nesta Lista dos melhores filmes do Haiti por sua abordagem profundamente pessoal.

A diretora parte de experiências próprias e de relatos de pessoas próximas para investigar o significado de ser haitiano e questões relacionadas à identidade, espiritualidade, sofrimento e saúde mental.

O ponto de partida é íntimo, mas a reflexão rapidamente se amplia.

Quando o documentário vira autobiografia

A obra nasceu de uma investigação sobre uma mulher próxima da diretora, mas gradualmente tornou-se uma jornada pessoal.

Essa transformação dá ao documentário uma característica particularmente interessante: a cineasta não permanece distante de seu objeto.

Ela participa da investigação e coloca sua própria história em discussão.

Uma visão diferente do Haiti

Douvan jou ka leve também questiona explicações simplistas para determinados sofrimentos vividos pela população.

A espiritualidade, as crenças populares e as interpretações tradicionais convivem com questões sociais e psicológicas.

O documentário evita transformar essas experiências em curiosidade exótica e procura compreender como diferentes formas de interpretar a realidade podem coexistir.

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Douvan jou ka leve

O bonequinho permanece sentado em silêncio, sem pipoca e sem celular. É aquele tipo de filme que faz o sujeito esquecer que estava assistindo a uma produção e começar a pensar na própria vida.


7. Freda

Juventude, pobreza e o dilema entre ficar ou partir

Freda, dirigido por Gessica Généus, é um dos filmes haitianos contemporâneos mais importantes para entender os conflitos de uma geração diante de um país atravessado por dificuldades econômicas e violência.

A protagonista vive com a família em um bairro popular de Port-au-Prince. A família tenta sobreviver administrando um pequeno comércio, enquanto cada integrante enfrenta uma pergunta difícil: permanecer no Haiti ou procurar uma vida fora dele?

Freda, porém, não encara o país apenas como um lugar do qual deseja fugir.

Ela quer acreditar em um futuro possível.

A questão da permanência

Um dos aspectos mais fortes do roteiro é evitar uma resposta simples para a questão da migração.

Partir pode significar segurança e oportunidade, mas também envolve afastamento, perda de identidade e ruptura com a própria comunidade.

Ficar, por outro lado, representa resistência e pertencimento, mas também significa enfrentar condições extremamente difíceis.

O conflito de Freda nasce justamente dessa contradição.

Direção de Gessica Généus

A diretora combina questões políticas e sociais com conflitos familiares.

O resultado é um filme que não trata seus personagens como meros representantes de problemas sociais. Eles possuem desejos, contradições, afetos e escolhas próprias.

Essa dimensão humana é fundamental para a força do longa.

Recepção e festivais

Freda foi selecionado para a mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes de 2021, ampliando a visibilidade internacional do cinema haitiano contemporâneo.

⭐⭐⭐⭐½ 4,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Freda

O bonequinho começa empolgado, mas rapidamente percebe que ninguém naquela família está com a vida resolvida. Termina emocionado, segurando a pipoca com as duas mãos.


8. Barikad

Um retrato do cinema popular haitiano

Barikad, dirigido por Richard Sénécal, representa uma vertente mais popular e diretamente ligada à produção cinematográfica haitiana.

O filme apresenta personagens jovens e conflitos relacionados ao cotidiano, às relações pessoais e às dificuldades sociais.

Além de sua importância como obra de ficção, Barikad ajuda a lembrar que o cinema do Haiti não é formado apenas por produções políticas ou filmes realizados para o circuito internacional de festivais.

Existe também uma tradição de cinema popular, feito para dialogar diretamente com o público local.

Richard Sénécal e uma nova geração

A carreira de Richard Sénécal está ligada a uma geração importante do audiovisual haitiano.

Barikad também ganhou relevância por contar com Gessica Généus no elenco, anos antes de ela se consolidar como diretora e realizar Freda.

Por isso, a obra pode ser observada tanto como um filme de seu período quanto como parte da formação de nomes importantes do cinema haitiano contemporâneo.

⭐⭐⭐½ 3,5 de 5 estrelas

O bonequinho de Barikad

O bonequinho está acordado, animado e acompanhando os conflitos como quem assiste a uma história contada por alguém conhecido da vizinhança.


9. Kidnapping Inc.

Quando a comédia encontra a crise política

Kidnapping Inc. — escrito aqui como Kidnapping Inc. — mostra uma faceta mais recente do cinema haitiano.

Dirigido por Bruno Mourral em seu primeiro longa de ficção, o filme combina comédia criminal, suspense e comentário social.

A trama acompanha dois sequestradores de baixo escalão que recebem a missão de transportar o filho sequestrado de um candidato presidencial. O plano, entretanto, dá errado de maneira catastrófica.

O problema aumenta quando eles precisam encontrar um substituto para a vítima.

Humor em meio ao caos

A principal diferença em relação a muitos dramas haitianos está no tom.

Kidnapping Inc. usa situações absurdas para abordar problemas extremamente concretos.

O humor não elimina a dimensão política. Pelo contrário, torna algumas situações ainda mais desconfortáveis justamente porque o absurdo nasce de uma realidade social reconhecível.

Produção marcada pela realidade

A realização do filme também enfrentou dificuldades relacionadas à situação do Haiti. O projeto passou por interrupções durante sua produção e integrantes da equipe chegaram a ser sequestrados durante as filmagens.

Essa circunstância acrescenta uma camada incomum à história: a própria produção acabou enfrentando situações próximas das que aparecem na ficção.

Uma nova linguagem

A presença de Kidnapping Inc. nesta Lista dos melhores filmes do Haiti também representa a renovação da cinematografia haitiana.

O filme demonstra que é possível discutir política, violência, pobreza, corrupção e insegurança sem abandonar o entretenimento.

⭐⭐⭐⭐ 4 de 5 estrelas

O bonequinho de Kidnapping Inc.

O bonequinho começa rindo, para de rir quando percebe o tamanho da confusão e volta a rir porque percebe que ficar nervoso não vai melhorar a situação.


O que esses filmes revelam sobre o cinema do Haiti?

Uma das principais conclusões proporcionadas por esta Lista dos melhores filmes do Haiti é que não existe uma única maneira de representar o país.

Em Haitian Corner, o foco está na memória do exílio e na violência política.

The Man by the Shore observa a ditadura através da infância.

Moloch Tropical utiliza a sátira para examinar o poder.

Murder in Pacot transforma uma casa destruída pelo terremoto em um espaço para discutir classe e desigualdade.

Ayiti Mon Amour prefere o realismo mágico e a dimensão afetiva.

Douvan jou ka leve investiga identidade, espiritualidade e sofrimento a partir de uma perspectiva documental.

Freda coloca a juventude diante do dilema entre permanecer e emigrar.

Barikad representa uma vertente popular da ficção haitiana.

E Kidnapping Inc. utiliza o humor e o suspense para transformar a crise contemporânea em entretenimento crítico.

Por que o cinema haitiano é tão ligado à política?

A história do Haiti ajuda a explicar essa característica.

Durante a longa ditadura da família Duvalier, a produção cinematográfica dentro do país enfrentou enormes limitações econômicas, tecnológicas e políticas. A produção local era pequena, e muitos cineastas ligados ao Haiti passaram a trabalhar no exterior.

Por isso, a cinematografia haitiana frequentemente atravessa fronteiras.

Um filme pode ser produzido entre Haiti, França, Canadá ou outros países e ainda assim possuir uma identidade profundamente haitiana.

A diáspora também ocupa papel importante. O exílio não aparece apenas como consequência histórica: ele se torna tema, cenário e experiência compartilhada por personagens de diferentes gerações.

O papel da língua nos filmes haitianos

Outro elemento importante é a presença do crioulo haitiano.

Dependendo da produção, o público pode encontrar crioulo, francês, inglês ou uma combinação dessas línguas.

A escolha linguística não é apenas técnica. Ela também pode indicar classe social, contexto histórico, pertencimento cultural e relação com o exterior.

Por isso, assistir a filmes haitianos em seu idioma original pode oferecer uma percepção diferente das relações entre os personagens.


A importância de Raoul Peck para o cinema haitiano

Entre os nomes mais recorrentes nesta Lista dos melhores filmes do Haiti está Raoul Peck.

O cineasta nasceu em Port-au-Prince e construiu uma filmografia internacional marcada por questões históricas, políticas e sociais.

Sua produção relacionada ao Haiti inclui Haitian Corner, The Man by the Shore, Moloch Tropical e Murder in Pacot.

O interesse de Peck pelo país não se limita a um gênero cinematográfico. Ele transita entre ficção e documentário, usando diferentes formas para investigar memória, poder e acontecimentos históricos.

Sua filmografia demonstra como a experiência haitiana pode ser transformada em narrativas com alcance internacional sem perder a conexão com a história local.


Gessica Généus e a nova geração do cinema haitiano

Se Raoul Peck representa uma geração consolidada, Gessica Généus simboliza uma renovação importante.

Ela aparece como atriz em Barikad, dirige o documentário Douvan jou ka leve e posteriormente realiza Freda.

Essa trajetória é representativa de uma mudança importante: cineastas haitianos passaram a ocupar cada vez mais espaços de criação, interpretação e autoria.

Em Freda, essa perspectiva aparece de maneira particularmente forte porque a história combina problemas nacionais com experiências pessoais e familiares.


Filmes do Haiti precisam necessariamente ser dirigidos no Haiti?

Não.

O conceito de cinema haitiano é mais amplo do que simplesmente verificar onde uma produção foi filmada.

Um filme pode ser considerado parte dessa tradição quando envolve cineastas haitianos, personagens haitianos, histórias ligadas ao país, produção haitiana ou experiências da diáspora.

Isso é particularmente importante porque as limitações econômicas e estruturais históricas do Haiti fizeram com que muitos projetos dependessem de coproduções internacionais.

Assim, reduzir o cinema haitiano aos filmes totalmente produzidos dentro do território nacional excluiria parte importante da própria história cinematográfica do país.


Quais temas aparecem com mais frequência?

A Lista dos melhores filmes do Haiti permite identificar alguns temas recorrentes.

Ditadura e memória

Obras como Haitian Corner e The Man by the Shore investigam as marcas deixadas pela violência política.

Terremoto e reconstrução

Murder in Pacot e Ayiti Mon Amour apresentam diferentes maneiras de pensar o Haiti depois da tragédia de 2010.

Identidade

Douvan jou ka leve transforma a busca pela identidade em elemento central.

Juventude e migração

Freda apresenta uma geração que precisa decidir entre construir uma vida no país ou procurar oportunidades em outro lugar.

Violência e instabilidade

Kidnapping Inc. utiliza o gênero policial para trabalhar a violência e a instabilidade contemporâneas.

Cultura e cotidiano

Barikad ajuda a observar uma dimensão mais popular da produção cinematográfica haitiana.


Ficha técnica resumida dos filmes selecionados

FilmeAnoDireçãoGêneroDuração aproximada
Haitian Corner1987/1988Raoul PeckDrama98 min
The Man by the Shore1993Raoul PeckDrama106 min
Moloch Tropical2009Raoul PeckDrama político106 min
Murder in Pacot2014Raoul PeckDrama130 min
Ayiti Mon Amour2016Guetty FelinDrama / realismo mágico88 min
Douvan jou ka leve2017Gessica GénéusDocumentáriocerca de 52 min
Freda2021Gessica GénéusDrama93 min
Barikad2001/2002Richard SénécalDramacerca de 101 min
Kidnapping Inc.2024Bruno MourralComédia policial / suspense107 min

Qual é o melhor filme para começar?

Para quem nunca teve contato com o cinema haitiano, Freda oferece uma porta de entrada bastante acessível porque combina drama familiar, questões sociais e conflitos contemporâneos.

Quem prefere cinema político pode começar por Moloch Tropical.

Para uma experiência histórica mais concentrada na ditadura, The Man by the Shore é uma escolha importante.

Quem procura uma abordagem mais experimental pode experimentar Ayiti Mon Amour.

Já quem prefere documentários pode começar por Douvan jou ka leve.

Para uma combinação de humor, suspense e comentário social, Kidnapping Inc. oferece uma alternativa bastante diferente.


Final explicado de Freda

Atenção: esta seção contém spoilers.

O encerramento de Freda deve ser entendido menos como uma resposta definitiva sobre o futuro da protagonista e mais como a expressão de um conflito que permanece aberto.

Ao longo da história, Freda precisa lidar com a possibilidade de deixar o Haiti, enquanto sua relação com o país é construída a partir de vínculos familiares, culturais e afetivos.

A questão central não é simplesmente escolher entre ficar ou partir.

O filme apresenta a permanência como um ato de pertencimento e a partida como uma possibilidade de sobrevivência e transformação. Nenhuma das duas alternativas aparece como solução perfeita.

O significado do final está justamente nessa ausência de respostas fáceis.

Freda representa uma geração que deseja um futuro diferente, mas que não necessariamente quer abandonar aquilo que define sua identidade.


Vale a pena conhecer o cinema haitiano?

Sim, especialmente para quem procura cinematografias menos conhecidas fora do circuito comercial.

A principal força desta Lista dos melhores filmes do Haiti está justamente na diversidade. São filmes que não apresentam uma única imagem do país.

Existe o Haiti da memória e da ditadura em Haitian Corner e The Man by the Shore.

Existe o Haiti do poder e da instabilidade em Moloch Tropical.

Existe o Haiti marcado pelo terremoto em Murder in Pacot.

Existe o Haiti imaginativo e espiritual de Ayiti Mon Amour.

Existe o Haiti introspectivo de Douvan jou ka leve.

Existe o Haiti jovem e dividido entre permanecer e emigrar em Freda.

Existe o cinema popular de Barikad.

E existe o Haiti contemporâneo, caótico e surpreendentemente engraçado de Kidnapping Inc..

Conclusão

A Lista dos melhores filmes do Haiti mostra uma cinematografia construída em torno da necessidade de contar histórias próprias.

Mesmo diante de dificuldades históricas para produzir e distribuir filmes, cineastas haitianos encontraram diferentes maneiras de transformar experiências individuais em narrativas universais.

Memória, identidade, migração, desigualdade, violência, espiritualidade, amor, família e resistência atravessam essas obras, mas cada diretor encontra uma linguagem diferente para tratar desses assuntos.

Mais do que uma coleção de filmes sobre tragédias, o cinema haitiano é um cinema sobre pessoas. Seus personagens riem, sofrem, amam, brigam, sonham, partem, permanecem e tentam imaginar um futuro possível.

É justamente essa diversidade de perspectivas que faz desta Lista dos melhores filmes do Haiti um ponto de partida para descobrir uma cinematografia ainda pouco conhecida pelo grande público brasileiro.

Por: Alexandre lavrador. Opinião do Blogueiro.

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