Mendonça e Fux afirmam à PF que não conseguem acessar cópia de celular de Vorcaro
Ministros do STF pediram suporte técnico à Polícia Federal para abrir e analisar os dados extraídos do aparelho de Daniel Vorcaro; material tem cerca de 500 GB e foi distribuído a gabinetes da Corte
Os ministros André Mendonça e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), informaram à Polícia Federal neste sábado (19) que não conseguiram acessar a cópia dos dados extraídos de um celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Os dois magistrados encaminharam ofícios à corporação solicitando auxílio técnico para conseguir abrir e analisar o material.
A cópia entregue aos gabinetes reúne aproximadamente 500 gigabytes de dados. Segundo os documentos encaminhados à Polícia Federal, a dificuldade pode estar relacionada a problemas técnicos na operação dos arquivos ou a algum defeito na mídia disponibilizada aos ministros.
O caso ocorre em meio à disputa dentro do STF sobre o acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos de Vorcaro durante a investigação do Banco Master. Nos últimos dias, mensagens extraídas dos celulares passaram a ser analisadas por ministros da Corte e provocaram novos questionamentos sobre relações mantidas pelo empresário com autoridades e pessoas ligadas ao Judiciário.
Mendonça e Fux afirmam à PF que não conseguem acessar cópia de celular de Vorcaro
André Mendonça e Luiz Fux haviam solicitado acesso à íntegra do conteúdo extraído do celular de Vorcaro. As cópias foram entregues aos gabinetes dos ministros na quinta-feira (17).
Dois dias depois, os magistrados comunicaram à Polícia Federal que ainda não haviam conseguido acessar o material.
Mendonça, que é relator do caso envolvendo o Banco Master no STF, pediu ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que a corporação prestasse auxílio técnico para identificar o problema.
O ministro também solicitou que fosse verificada a integridade da mídia entregue ao gabinete. A medida busca esclarecer se a dificuldade está relacionada ao equipamento ou aos arquivos recebidos ou se há alguma limitação técnica para processar o conteúdo.
Fux apresentou pedido semelhante para conseguir acessar os dados.
Até este sábado, não havia confirmação de que os arquivos tivessem sido perdidos, corrompidos ou alterados. A possibilidade de defeito na mídia é uma hipótese mencionada nos documentos, mas a causa da falha ainda precisava ser determinada tecnicamente.
O material do celular de Vorcaro tem cerca de 500 GB
O volume de dados é um dos aspectos que tornam a análise tecnicamente complexa.
São aproximadamente 500 GB de informações extraídas do aparelho de Daniel Vorcaro. O material foi organizado pela Polícia Federal para permitir a consulta aos diferentes tipos de registros obtidos durante a perícia.
Entre os dados estão conversas, áudios, arquivos e registros de atividades realizados no aparelho.
A Polícia Federal utilizou ferramentas de perícia digital para estruturar o conteúdo e facilitar a localização de informações. O material foi dividido em conjuntos que permitem buscas e análise dos registros extraídos.
O tamanho do acervo, entretanto, não significa que os ministros tenham acesso imediato a uma pasta convencional de arquivos. Dados obtidos por perícia digital podem depender de programas e procedimentos específicos para que possam ser pesquisados e interpretados.
Foi nesse contexto que Mendonça e Fux solicitaram suporte especializado à Polícia Federal.
Mendonça e Fux afirmam à PF que não conseguem acessar cópia de celular de Vorcaro após receberem o material
A entrega das cópias aos ministros ocorreu depois de uma sequência de pedidos dentro do STF.
Cristiano Zanin e Gilmar Mendes haviam recebido anteriormente acesso ao conteúdo extraído do celular. Depois, Mendonça e Fux também solicitaram a íntegra dos dados.
A discussão ganhou força antes da sessão do Supremo que tratou da possibilidade de abertura de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e supostas comunicações com Vorcaro.
Mendonça havia informado anteriormente que mantinha em seu gabinete uma cópia dos dados, mas que o material permanecia lacrado.
A Polícia Federal posteriormente informou que também mantinha os dados sob sua guarda e que poderia fornecer cópias idênticas aos ministros que solicitassem acesso.
Com a distribuição do conteúdo, diferentes gabinetes passaram a ter cópias do mesmo conjunto de dados.
Quem recebeu cópias dos dados
As cópias do material extraído do aparelho foram encaminhadas a gabinetes de ministros do STF que solicitaram acesso ao conteúdo.
Entre os ministros que receberam ou tiveram cópias disponibilizadas estão André Mendonça, Luiz Fux, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques.
O objetivo da distribuição foi permitir que os magistrados pudessem consultar diretamente o material produzido pela perícia da Polícia Federal.
A dificuldade relatada neste sábado diz respeito especificamente aos gabinetes de Mendonça e Fux, que afirmaram não ter conseguido abrir ou examinar o conteúdo recebido.
O celular de Vorcaro foi apreendido na Operação Compliance Zero
Os dados analisados foram extraídos de um aparelho apreendido pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero.
A investigação apura suspeitas de fraudes e irregularidades relacionadas ao Banco Master, instituição que era comandada por Daniel Vorcaro.
A primeira fase da operação ocorreu em novembro de 2025 e incluiu a apreensão de dispositivos eletrônicos utilizados pelo empresário.
A análise forense desses equipamentos passou a integrar a investigação sobre as operações do banco e sobre as relações mantidas por Vorcaro com empresários, autoridades e outros interlocutores.
A presença de determinada pessoa em mensagens ou registros encontrados em um aparelho não significa, por si só, participação em crime. O conteúdo precisa ser analisado dentro do contexto das conversas, da investigação e das demais provas.
Dados do celular estão no centro de uma disputa no STF
A discussão sobre o acesso aos dados de Vorcaro ganhou dimensão institucional depois que mensagens extraídas dos aparelhos passaram a envolver integrantes ou familiares de ministros do próprio Supremo.
Conversas atribuídas a Vorcaro mencionaram pessoas ligadas a diferentes ministros da Corte.
Entre os casos que ganharam repercussão estão diálogos envolvendo Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, além de referências a pessoas próximas a Kassio Nunes Marques.
Também foram divulgadas informações sobre contatos de Vorcaro com André Mendonça e outras autoridades.
Os episódios provocaram pedidos para que os ministros tivessem acesso à íntegra dos dados, e não apenas a trechos selecionados.
A justificativa para a consulta integral é permitir que os magistrados tenham conhecimento do contexto completo das conversas antes de avaliar informações relacionadas aos procedimentos sob análise.
Por que o acesso integral é relevante
Em investigações envolvendo mensagens eletrônicas, o contexto pode ser determinante para a interpretação de uma conversa.
Uma mensagem isolada pode não revelar quem iniciou o contato, qual era o assunto anterior, qual foi a resposta posterior ou qual era a relação entre os interlocutores.
Por isso, a análise de uma cópia integral permite confrontar trechos específicos com outras informações armazenadas no aparelho.
No caso de Vorcaro, essa questão ganhou importância porque diferentes diálogos passaram a ser utilizados no debate público e institucional sobre suas relações com autoridades.
A disponibilização integral dos dados permite que os ministros examinem o material diretamente, em vez de depender apenas de trechos previamente selecionados.
A dificuldade de acesso não significa perda do conteúdo original
A informação de que Mendonça e Fux não conseguiram acessar as cópias não significa que o celular original tenha desaparecido ou que os dados tenham sido perdidos pela Polícia Federal.
O problema relatado pelos ministros envolve as mídias entregues aos gabinetes.
A Polícia Federal mantém sob custódia os elementos relacionados à investigação, enquanto as cópias distribuídas aos ministros servem para permitir a análise do conteúdo sem necessidade de retirar o material original da guarda da corporação.
Essa separação é importante para a preservação da chamada cadeia de custódia.
A cadeia de custódia reúne procedimentos destinados a registrar e preservar a integridade de uma evidência desde sua apreensão até seu armazenamento, processamento e utilização no processo.
Até o momento, não há confirmação de que a cadeia de custódia dos dados tenha sido comprometida.
O que Mendonça pediu à Polícia Federal
No ofício enviado neste sábado, André Mendonça informou que seu gabinete não havia conseguido obter acesso efetivo ao material.
O ministro solicitou auxílio técnico operacional para superar o problema e pediu que a Polícia Federal verificasse a integridade da mídia especificamente entregue ao gabinete.
A solicitação tem dois objetivos principais: descobrir a causa da impossibilidade de acesso e permitir que o conteúdo seja analisado.
A manifestação não estabelece que exista defeito na cópia. O documento considera essa possibilidade juntamente com eventuais dificuldades técnicas relacionadas ao processo de acesso aos arquivos.
O pedido de Luiz Fux
Luiz Fux também procurou a Polícia Federal para solucionar a dificuldade.
O ministro recebeu uma cópia integral dos dados e informou que não conseguiu acessar o conteúdo para realizar a análise.
O pedido de assistência ocorre depois que mensagens envolvendo seu filho, Rodrigo Fux, passaram a fazer parte da controvérsia em torno do caso.
A obtenção da íntegra dos dados permite que Fux examine diretamente as conversas e demais registros relacionados ao aparelho.
O que as mensagens de Vorcaro revelaram até agora
A extração do celular produziu um grande volume de informações sobre contatos e comunicações mantidos por Vorcaro.
Parte do conteúdo já divulgado envolve autoridades, familiares de integrantes do Judiciário, empresários e advogados.
Entre os assuntos que passaram a ser discutidos estão contatos entre Vorcaro e pessoas ligadas ao STF, encontros, reuniões e negociações.
Também surgiram registros relacionados ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A existência dessas conversas ou encontros, porém, não permite concluir automaticamente que tenha ocorrido irregularidade. As circunstâncias de cada contato precisam ser examinadas individualmente, e os envolvidos apresentaram diferentes versões sobre as relações mencionadas no material.
O acesso à íntegra do aparelho é justamente uma das medidas que podem permitir uma análise mais ampla do contexto.
A perícia digital e o uso do IPED
A Polícia Federal utilizou o IPED, sigla para Indexador e Processador de Evidências Digitais, na organização do material extraído.
A ferramenta é utilizada para estruturar grandes conjuntos de dados obtidos em perícias digitais, facilitando pesquisas e localização de arquivos e informações.
O conteúdo pode ser separado por categorias e pesquisado por termos específicos, além de permitir o exame de diferentes registros recuperados durante a perícia.
A utilização de ferramentas desse tipo é particularmente importante quando o volume de informações é muito grande.
No caso de Vorcaro, o acervo de aproximadamente 500 GB reúne quantidade significativa de dados e exige processamento adequado para que a consulta seja realizada de forma eficiente.
Por que Mendonça havia mantido uma cópia lacrada
Antes da atual dificuldade técnica, Mendonça havia informado que uma cópia dos dados permanecia em seu gabinete, armazenada em mídia criptografada e lacrada.
O ministro havia argumentado que o conteúdo necessário para uma sessão do STF já estava disponível e que a divulgação integral do celular poderia ampliar a controvérsia em torno do julgamento.
Depois que outros ministros solicitaram acesso ao conteúdo completo, a Polícia Federal informou que poderia disponibilizar cópias idênticas.
A distribuição das mídias acabou permitindo que diferentes integrantes da Corte recebessem o mesmo material.
Agora, Mendonça afirma que o problema está justamente na possibilidade de acessar a cópia encaminhada ao seu gabinete.
Cronologia do caso
Novembro de 2025
A Polícia Federal apreendeu aparelhos de Daniel Vorcaro durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Setembro de 2026
Mensagens extraídas dos aparelhos passaram a ocupar espaço central nas discussões do STF relacionadas ao caso Banco Master e às relações de Vorcaro com autoridades.
11 de setembro
André Mendonça informou que mantinha em seu gabinete uma cópia de segurança dos dados extraídos pela Polícia Federal e que essa cópia permanecia lacrada.
14 de setembro
Cristiano Zanin e Gilmar Mendes receberam acesso ao material disponibilizado pela Polícia Federal.
15 de setembro
O STF realizou sessão envolvendo a discussão sobre as mensagens de Vorcaro e a possibilidade de investigação relacionada a Alexandre de Moraes.
16 de setembro
Mendonça e Fux solicitaram acesso à íntegra dos dados do celular.
17 de setembro
A Polícia Federal entregou as cópias aos gabinetes dos dois ministros.
19 de setembro
Mendonça e Fux comunicaram à Polícia Federal que não haviam conseguido acessar o conteúdo e solicitaram suporte técnico.
O que acontece agora
O próximo passo será a atuação técnica da Polícia Federal para verificar por que as cópias não puderam ser abertas ou examinadas pelos gabinetes.
A corporação deverá avaliar se existe alguma incompatibilidade técnica, dificuldade no processamento dos dados ou problema na mídia fornecida.
Também deverá ser verificada a integridade do material recebido pelos ministros.
Caso o problema seja solucionado, Mendonça e Fux poderão iniciar a análise da íntegra dos dados extraídos do aparelho.
Essa análise poderá acrescentar informações ao conjunto de elementos já discutidos no caso Banco Master.
Por enquanto, porém, não há conclusão de que tenha ocorrido falha na extração original ou alteração do conteúdo.
O que está confirmado
Está confirmado que André Mendonça e Luiz Fux receberam cópias dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro e comunicaram à Polícia Federal que não conseguiram acessar o conteúdo.
Também está confirmado que os dois ministros solicitaram auxílio técnico para solucionar a dificuldade.
O material tem aproximadamente 500 GB e foi produzido a partir de um aparelho apreendido durante a Operação Compliance Zero.
Também é confirmado que cópias dos dados foram disponibilizadas a outros ministros do STF.
O que ainda não está esclarecido é a causa exata da impossibilidade de acesso relatada por Mendonça e Fux.
Os documentos apontam duas possibilidades principais: uma dificuldade técnica operacional ou algum problema relacionado à mídia entregue.
Perguntas frequentes sobre Mendonça e Fux e o celular de Vorcaro
O que aconteceu com a cópia do celular de Vorcaro?
André Mendonça e Luiz Fux informaram que seus gabinetes não conseguiram acessar o conteúdo das cópias recebidas e solicitaram assistência técnica à Polícia Federal.
Quantos dados existem no material?
A cópia tem aproximadamente 500 GB de dados extraídos do aparelho.
O celular original de Vorcaro foi perdido?
Não. A dificuldade relatada pelos ministros diz respeito às cópias distribuídas aos gabinetes, não à perda do aparelho original ou dos dados mantidos sob custódia da investigação.
Por que os ministros não conseguem abrir os arquivos?
A causa ainda não foi definida. Os ofícios mencionam a possibilidade de dificuldades técnicas operacionais ou defeito na mídia entregue.
A Polícia Federal vai verificar o problema?
Sim. Mendonça e Fux solicitaram auxílio técnico à corporação para identificar a causa da dificuldade e viabilizar o acesso ao conteúdo.
Quem mais recebeu os dados?
Cópias foram disponibilizadas a outros ministros do STF, entre eles Cristiano Zanin, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques.
O que é a Operação Compliance Zero?
É a investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de irregularidades e fraudes relacionadas ao Banco Master. O celular de Vorcaro foi apreendido no âmbito dessa operação.
O problema de acesso comprova que os dados foram adulterados?
Não. Até o momento, não há confirmação de adulteração. A Polícia Federal deverá verificar tecnicamente a integridade do material e a causa da dificuldade de acesso.
Por que os dados são importantes para o STF?
As informações extraídas do aparelho contêm mensagens, arquivos e registros de comunicação que podem ajudar a esclarecer as relações mantidas por Vorcaro com diferentes pessoas. O conteúdo também está relacionado a discussões atualmente em andamento no Supremo.
O caso agora depende de uma solução técnica para que os ministros possam consultar o material integralmente. Mendonça e Fux afirmam à PF que não conseguem acessar cópia de celular de Vorcaro, e a Polícia Federal deverá auxiliar os gabinetes na verificação das mídias e na abertura dos aproximadamente 500 GB de dados extraídos do aparelho.
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