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Primeiras Postagens do Snapchat: os 10 registros mais antigos da história da plataforma

Antes de se transformar em uma das maiores plataformas de comunicação visual do mundo, o Snapchat era um pequeno aplicativo chamado Picaboo, desenvolvido por estudantes de Stanford para enviar fotografias que desapareceriam depois de serem vistas. Mas qual foi o primeiro Snap? Quem o enviou? E o que realmente pode ser recuperado dos primeiros meses da plataforma?

Investigar as primeiras publicações do Snapchat é diferente de investigar praticamente qualquer outra rede social.

No Facebook, Twitter, Reddit, Tumblr ou Instagram, uma parte considerável dos primeiros conteúdos pode ser localizada por meio de páginas, perfis, arquivos ou capturas de tela.

No Snapchat, isso é muito mais difícil.

A razão está no próprio conceito que tornou o serviço famoso:

o conteúdo deveria desaparecer.

Desde seus primeiros protótipos, a proposta era permitir que uma fotografia fosse enviada para outra pessoa e permanecesse disponível apenas durante um período determinado. Depois disso, ela deixaria de estar acessível ao destinatário.

Isso significa que a pergunta “qual foi o primeiro post do Snapchat?” tem uma resposta diferente daquela encontrada em outras plataformas.

Não existe hoje uma sequência pública e verificável dos primeiros Snaps individuais.

O que pode ser reconstruído são os primeiros acontecimentos, documentos, versões do aplicativo, relatos dos primeiros usuários e registros históricos que sobreviveram.

E essa reconstrução revela uma história bastante curiosa.


1. Abril de 2011 — nasce a ideia das fotos que desaparecem

O primeiro registro fundamental da história do Snapchat aconteceu antes de existir o próprio Snapchat.

Em 2011, Reggie Brown, estudante de Stanford, teve a ideia de criar uma maneira de enviar fotografias que não permanecessem para sempre na internet.

Segundo os relatos posteriormente reunidos em documentos e reportagens sobre a origem da empresa, Brown levou a ideia para Evan Spiegel, seu colega em Stanford. Spiegel e Brown posteriormente envolveram Bobby Murphy no desenvolvimento técnico.

A cronologia publicada sobre o Snapchat situa a criação da ideia em abril de 2011.

A ideia parecia simples, mas contrariava uma característica fundamental das redes sociais daquele período.

Facebook, Flickr e outros serviços incentivavam as pessoas a guardar fotografias.

A nova proposta fazia justamente o contrário:

e se algumas fotografias não precisassem ficar guardadas?

Esse conceito seria a base do que posteriormente ficou conhecido como Snap.


2. Primavera de 2011 — o primeiro protótipo não era exatamente o Snapchat

Antes de existir um aplicativo funcionando como o Snapchat moderno, os criadores experimentaram uma versão muito mais rudimentar.

Segundo a reconstrução publicada pela Forbes, a primeira versão era praticamente um site no qual o usuário precisava fazer upload de uma fotografia e configurar um temporizador antes de enviá-la.

O grande salto aconteceu quando a equipe percebeu que o conceito funcionaria muito melhor utilizando a câmera do próprio celular.

A fotografia poderia ser criada dentro do aplicativo.

Não seria necessário:

  1. tirar uma foto;
  2. salvá-la;
  3. abrir outro aplicativo;
  4. fazer upload;
  5. configurar o tempo;
  6. enviar.

O celular já tinha uma câmera.

O aplicativo poderia simplesmente abrir a câmera.

Essa mudança ajudou a transformar uma ideia acadêmica em um produto móvel.


3. 2011 — surge o nome Picaboo

Antes de Snapchat existir, o aplicativo tinha outro nome:

Picaboo

A escolha do nome é atribuída a Reggie Brown nos relatos sobre a criação do produto. Brown também participou da criação do conceito visual original, incluindo o fantasma que posteriormente se tornaria a identidade do Snapchat.

A primeira identidade visual era diferente da atual.

O aplicativo utilizava um fantasma como personagem, posteriormente conhecido como Ghostface Chillah.

A escolha combinava com o próprio conceito do produto.

A fotografia aparecia.

E depois desaparecia.

Era literalmente uma espécie de “agora você vê, agora não vê”.


4. Julho de 2011 — Picaboo chega ao iPhone

Aqui aparece uma pequena divergência nas fontes históricas.

Algumas reconstruções registram 8 de julho de 2011 como a data em que Picaboo entrou no iOS. Outras fontes que preservam informações da antiga App Store registram 13 de julho de 2011 como a primeira disponibilização do aplicativo.

Por isso, o mais seguro é tratar julho de 2011 como o período de lançamento inicial, mencionando a diferença entre os registros.

A própria documentação histórica da Snap confirma a sequência fundamental: o produto começou como Picaboo, um aplicativo de mensagens fotográficas para iOS, em 2011.

Esse é o verdadeiro nascimento do sistema de Snaps.

Mas isso não significa que possamos encontrar o primeiro Snap.


5. O primeiro Snap da história: provavelmente existiu, mas não sobreviveu

Essa é a parte mais importante da investigação.

Não existe atualmente um registro público verificável mostrando:

“Este foi o primeiro Snap enviado na história do Snapchat.”

Isso não significa que o primeiro Snap não possa ter existido.

Ele certamente existiu.

O problema é que o Snapchat foi construído justamente para que esse tipo de conteúdo não permanecesse disponível indefinidamente.

A própria empresa explicou posteriormente que não conseguia visualizar os Snaps enviados pelo serviço, embora pudesse acompanhar sinais indiretos da utilização da plataforma, como mensagens, e-mails e fotografias publicadas em outras redes.

Portanto, não é possível apontar honestamente uma fotografia específica e dizer:

“Esta foi a primeira postagem do Snapchat.”

Seria uma afirmação sem comprovação.


6. Verão de 2011 — os primeiros usuários são recrutados manualmente

Os primeiros usuários não chegaram ao Snapchat através de uma grande campanha publicitária.

A equipe tentou apresentar o produto diretamente para pessoas próximas.

Uma reconstrução da história dos primeiros usuários registra que os fundadores experimentaram diferentes formas de conseguir usuários: amigos, familiares, estudantes de Stanford, pessoas da região, distribuição de folhetos, demonstrações individuais e divulgação informal.

O resultado inicial foi extremamente pequeno.

No fim do verão de 2011, Picaboo tinha apenas 127 usuários, segundo a reconstrução baseada nos primeiros meses do produto e também relatada pela Forbes.

Esse número é especialmente importante para a história das primeiras postagens.

Se havia apenas 127 usuários, as primeiras fotografias estavam circulando dentro de uma comunidade minúscula.

Era praticamente uma rede social privada.


7. O primeiro público do Snapchat estava em Stanford — mas não permaneceu assim

No começo, a equipe naturalmente tentou encontrar usuários entre seus próprios contatos.

A origem em Stanford fez com que estudantes da universidade estivessem entre os primeiros grupos expostos ao aplicativo.

Mas o Snapchat ainda não havia encontrado seu público principal.

O produto existia.

As fotografias podiam ser enviadas.

Elas desapareciam.

Mas quase ninguém estava utilizando o sistema em escala.

Isso criou uma situação curiosa:

o produto funcionava, mas a rede ainda não tinha encontrado a comunidade que faria o produto crescer.

A mudança aconteceria quando adolescentes começaram a utilizar o aplicativo de uma maneira que os próprios criadores não haviam previsto inicialmente.


8. Final de 2011 — os adolescentes começam a transformar o aplicativo

O próprio Snapchat posteriormente explicou o que aconteceu quando a equipe começou a conversar com os primeiros usuários.

Grande parte deles era formada por estudantes do ensino médio.

Eles utilizavam o aplicativo como uma nova forma de passar bilhetes durante as aulas.

Fotografias de professores, caretas e pequenas situações do cotidiano eram enviadas de um estudante para outro.

A empresa percebeu então algo muito importante nos próprios dados de utilização.

A atividade apresentava:

  • picos durante o horário escolar;
  • queda nos fins de semana;
  • circulação intensa de fotografias entre amigos;
  • utilização recorrente por grupos de estudantes.

O comportamento dos usuários estava mostrando para os criadores o que o produto realmente era.

Não era simplesmente um aplicativo para enviar fotografias que desapareciam.

Era uma forma de conversar através de fotografias.


9. Final de 2011 — Snapchat passa a ter mais de 1 mil usuários ativos diariamente

A documentação corporativa apresentada pela Snap em seus registros regulatórios mostra outro marco importante.

A empresa registra que, em 2012, o Snapchat já havia ultrapassado a marca de 1 mil usuários ativos diariamente e posteriormente alcançaria mais de 100 mil.

Outra reconstrução histórica coloca o aplicativo em aproximadamente 1.000 usuários ativos diários no final de 2011, antes da aceleração ocorrida no começo de 2012.

Essa fase é importante porque representa a transição entre:

experimento → comunidade → rede social.

E cada novo usuário significava algo diferente de simplesmente instalar um aplicativo.

Para que o Snapchat funcionasse, era necessário que outras pessoas também estivessem ali.

Um usuário enviava um Snap.

Outro recebia.

Respondia com outro Snap.

E a conversa continuava.

A rede começou a produzir seu próprio efeito de crescimento.


10. Setembro de 2011 — Picaboo se transforma em Snapchat

Em setembro de 2011 ocorreu a mudança de nome que entraria para a história.

Picaboo passou a se chamar Snapchat.

A própria empresa afirma em seu histórico que lançou o Snapchat em setembro de 2011, depois de desenvolver o primeiro protótipo durante o verão daquele ano.

A mudança também resolveu um problema importante.

O nome Picaboo já era utilizado por outra empresa, o que levou os criadores a procurar uma nova identidade para o aplicativo.

O novo nome combinava diretamente duas ideias:

Snap + Chat.

Uma fotografia rápida.

Uma conversa.

O conceito ficou mais claro no próprio nome.


Então o primeiro Snapchat já se chamava Snapchat?

Não.

Essa é uma das curiosidades mais importantes da história.

Os primeiros usuários do produto original estavam usando Picaboo.

Portanto, se alguém encontrasse hoje uma fotografia enviada na fase inicial de julho de 2011, tecnicamente ela seria um dos primeiros registros da plataforma antes de ela adotar o nome Snapchat.

Isso também significa que uma pesquisa pelas primeiras “postagens do Snapchat” precisa considerar duas fases:

Fase Picaboo

julho a setembro de 2011

Fase Snapchat

a partir de setembro de 2011

A própria documentação corporativa da Snap mantém essa distinção ao registrar que o Snapchat começou como Picaboo e depois foi renomeado.


A primeira postagem pública do Snapchat que podemos recuperar

Existe uma diferença fundamental entre:

primeiro Snap enviado por um usuário

e

primeiro conteúdo público da empresa sobre o Snapchat.

O segundo pode ser identificado.

Em 9 de maio de 2012, Evan Spiegel publicou o primeiro post no blog oficial da empresa.

O texto ficou conhecido por começar com uma explicação da filosofia do Snapchat e descrevia o serviço não como uma maneira de produzir fotografias perfeitas, mas como uma forma de comunicação espontânea.

Esse documento é extremamente importante porque é uma das primeiras manifestações públicas e oficiais preservadas da própria empresa.

Mas ele não é o primeiro Snap.

É o primeiro registro institucional que podemos recuperar com segurança dentro dessa reconstrução.


O primeiro post do blog do Snapchat

O texto de Evan Spiegel foi publicado em 9 de maio de 2012 e recebeu o título:

“Let’s chat.”

O post ainda está preservado no newsroom oficial da Snap.

Leia o primeiro post do blog do Snapchat — “Let’s chat.”

O documento é particularmente interessante porque Spiegel explica que a equipe havia construído o primeiro protótipo, passado o verão desenvolvendo o produto em Los Angeles e recebido contribuições de amigos e familiares.

Ele também descreve como os criadores descobriram o comportamento dos estudantes do ensino médio.

Ou seja, o documento não registra o primeiro Snap, mas ajuda a reconstruir como os primeiros Snaps estavam sendo usados.


A história do primeiro Snap não pode ser reconstruída como a do primeiro tweet

Essa diferença é fundamental.

No Twitter, por exemplo, é possível localizar o famoso primeiro tweet de Jack Dorsey.

No Reddit, existem registros antigos de posts.

No Tumblr, alguns blogs antigos sobreviveram.

No Snapchat, isso é estruturalmente diferente.

O conteúdo principal da plataforma foi desenhado para desaparecer.

Por isso, uma lista como:

  1. primeiro Snap
  2. segundo Snap
  3. terceiro Snap
  4. quarto Snap
  5. quinto Snap

não pode ser produzida com rigor histórico.

Não existe um arquivo público que permita ordenar essas fotografias.

E tentar preencher essa lista com imagens encontradas aleatoriamente na internet criaria uma falsa precisão.


O que aconteceu com os primeiros Snaps?

Eles simplesmente deixaram de estar disponíveis.

Essa não é uma falha acidental do arquivo.

É justamente o funcionamento para o qual o Snapchat foi criado.

Em seus primeiros anos, a plataforma estabelecia um tempo de visualização para a fotografia. Depois desse período, o Snap desaparecia da experiência normal do destinatário.

Isso fazia parte da proposta central do produto.

O Snapchat chegou inclusive a lidar com uma questão técnica inevitável:

o que acontece se o destinatário fizer uma captura de tela?

A equipe criou um mecanismo que notificava o remetente quando uma captura de tela era realizada. A medida não tornava a fotografia impossível de preservar, mas criava um mecanismo social de aviso.


Por que isso torna o Snapchat um caso único na história das redes sociais?

Porque, paradoxalmente, a ausência dos primeiros posts é uma consequência da própria inovação da plataforma.

No Facebook, o passado era um ativo.

No Snapchat, o desaparecimento era um recurso.

O serviço não estava tentando construir uma biblioteca permanente da vida dos usuários.

Estava tentando reproduzir uma conversa.

Uma pessoa fala.

Outra responde.

A conversa termina.

E não é necessário manter um arquivo completo dela para sempre.

Essa filosofia aparece claramente no primeiro texto oficial de Spiegel, que apresenta o Snapchat como uma forma de comunicação que permite às pessoas serem engraçadas, espontâneas e imperfeitas.


A explosão de 2012

A situação mudou rapidamente.

A reconstrução dos primeiros usuários registra aproximadamente:

  • 127 usuários no fim do verão de 2011;
  • cerca de 2 mil usuários em dezembro de 2011;
  • aproximadamente 20 mil usuários ativos diariamente em janeiro de 2012.

Esses números ajudam a explicar como uma plataforma que praticamente não possuía usuários conseguiu começar a crescer tão rapidamente.

O crescimento veio principalmente através de grupos de amigos.

Um adolescente descobria o aplicativo.

Mandava um Snap para seus amigos.

Os amigos instalavam o aplicativo para responder.

E os novos usuários começavam a enviar Snaps para seus próprios contatos.

O produto possuía uma propriedade particularmente poderosa:

cada usuário ajudava a explicar o produto para o próximo.


A primeira grande prova de que o Snapchat havia encontrado seu público

Em maio de 2012, a plataforma já processava aproximadamente 25 imagens por segundo, segundo a cronologia histórica do Snapchat.

Meses depois, em outubro de 2012, o Snapchat já declarava que os usuários compartilhavam aproximadamente 20 milhões de imagens por dia, equivalente a cerca de 231 imagens por segundo.

A diferença em relação ao verão de 2011 é impressionante.

Poucos meses antes:

127 usuários.

Depois:

milhões de fotografias circulando.

O Snapchat havia deixado de ser um experimento de estudantes.


Os 10 registros mais antigos da história do Snapchat

Como não é possível recuperar os primeiros dez Snaps individuais, a reconstrução historicamente verificável fica assim:

NºData/períodoRegistroO que representa
1Abril de 2011Ideia de fotografias que desaparecemOrigem conceitual do produto
2Primavera de 2011Primeiro protótipoPrimeira implementação da ideia
32011Criação do PicabooPrimeiro nome do aplicativo
4Julho de 2011Lançamento inicial no iOSEntrada do produto no mercado
5Verão de 2011Primeiros 127 usuáriosPrimeira comunidade documentada
6Verão de 2011Primeiros testes com amigos, familiares e estudantesFormação da comunidade inicial
7Setembro de 2011Picaboo vira SnapchatNascimento do nome definitivo
8Final de 2011Cerca de 1 mil usuários ativos diáriosPrimeira expansão mensurável
9Início de 2012Forte adoção entre estudantes do ensino médioDescoberta do principal padrão de uso
109 de maio de 2012Primeiro post oficial do blog, “Let’s chat.”Primeiro grande registro público preservado da empresa

O primeiro Snap poderia ser uma fotografia banal

Existe algo particularmente interessante nessa história.

É perfeitamente possível que o primeiro Snap da história não tenha sido uma fotografia histórica.

Poderia ter sido:

  • uma selfie;
  • uma fotografia de um amigo;
  • uma careta;
  • uma imagem da sala;
  • uma fotografia de um objeto;
  • um teste da câmera;
  • ou simplesmente uma imagem enviada pelos próprios criadores para verificar se o sistema funcionava.

Isso é diferente da narrativa de outras redes sociais, nas quais os primeiros posts são tratados como peças de museu da internet.

No Snapchat, o primeiro conteúdo provavelmente foi exatamente aquilo que o aplicativo pretendia incentivar:

uma fotografia banal que não precisava durar.

E justamente por isso ela desapareceu.


O curioso caso do “primeiro conteúdo” que não era um Snap

Se a pergunta for reformulada para:

“Qual é o primeiro conteúdo do Snapchat que ainda podemos consultar?”

a resposta muda completamente.

O candidato mais sólido é o primeiro texto oficial preservado no blog da empresa, publicado em 9 de maio de 2012.

Primeiro post oficial preservado do Snapchat — “Let’s chat.”

Ele sobrevive porque era um documento público da empresa.

Os Snaps dos usuários, por outro lado, foram projetados para desaparecer.

Essa diferença explica por que a história institucional do Snapchat é muito mais fácil de reconstruir do que a história de suas primeiras fotografias.


O Snapchat começou pequeno demais para parecer uma futura gigante

Um dos aspectos mais interessantes da história é o tamanho inicial da plataforma.

No final do verão de 2011, Picaboo tinha apenas 127 usuários segundo os relatos históricos disponíveis.

O número parece insignificante quando comparado à escala que o serviço atingiria posteriormente.

Mas havia uma característica diferente.

Os usuários não estavam simplesmente consumindo conteúdo.

Eles estavam conversando.

Cada fotografia gerava potencialmente outra fotografia.

E cada nova pessoa adicionada à rede aumentava o número de possíveis conversas.

Esse mecanismo ajudou a transformar uma pequena aplicação de Stanford em uma plataforma de comunicação.


A transformação de fotografia em linguagem

Essa talvez seja a principal inovação dos primeiros meses do Snapchat.

Facebook tratava a fotografia principalmente como publicação.

Instagram transformaria a fotografia em uma forma altamente visual de identidade e descoberta.

O Snapchat começou a transformar a fotografia em linguagem de conversa.

Uma pessoa podia mandar uma imagem em vez de escrever:

“olha isso”.

Podia mandar uma fotografia fazendo uma careta.

Podia mostrar onde estava.

Podia responder visualmente a uma mensagem.

Podia registrar algo que não queria guardar.

A fotografia deixou de ser somente um objeto.

Passou a funcionar como uma frase.


A história controversa dos fundadores

A origem do Snapchat também envolve uma disputa posterior sobre quem criou a ideia.

Durante anos, a narrativa pública foi dominada principalmente por Evan Spiegel e Bobby Murphy.

Reggie Brown posteriormente afirmou que havia criado a ideia das fotografias que desapareciam e participado da criação do nome e do conceito visual.

A disputa chegou aos tribunais.

Em 2014, Brown chegou a um acordo com Spiegel e Murphy por US$ 157,5 milhões e passou a ser reconhecido como um dos autores originais do Snapchat.

Por isso, quando se escreve a história dos primeiros registros do Snapchat, é importante não apresentar a autoria original como se nunca tivesse sido contestada.

O que é documentado é que Brown, Spiegel e Murphy participaram da fase inicial do produto, enquanto os detalhes sobre a divisão exata das contribuições foram objeto de disputa judicial posterior.


O Snapchat não começou com Stories

Outro erro comum ao pesquisar os primeiros registros da plataforma é misturar o Snapchat original com o serviço que conhecemos hoje.

Em 2011, não existiam:

  • Stories;
  • Discover;
  • Lenses;
  • filtros geográficos;
  • Snap Map;
  • Spotlight;
  • nem várias das ferramentas que posteriormente definiriam a plataforma.

O produto inicial era muito mais simples:

tirar uma fotografia, escolher por quanto tempo ela seria visualizada e enviá-la para outra pessoa.

A própria documentação histórica da Snap registra posteriormente a introdução de vídeo, Stories, Live Stories, Chat, filtros e outros recursos.

O Snapchat original era essencialmente um sistema de mensagens fotográficas efêmeras.


O que aconteceu depois dos primeiros registros?

A evolução foi extremamente rápida.

Em 2012, o Snapchat ultrapassou a marca de 100 mil usuários ativos diariamente e lançou sua versão para Android.

Em 2013, acrescentou vídeo e lançou Stories, mudando novamente a maneira como o conteúdo era consumido.

Em 2014, vieram recursos como filtros, Replay, Chat e a primeira publicidade paga na plataforma.

A partir daí, o Snapchat deixou de ser apenas um aplicativo de fotografias que desapareciam.

Transformou-se em uma plataforma completa de comunicação e publicação visual.


Afinal, quais foram as 10 primeiras postagens do Snapchat?

A resposta rigorosa é:

não podemos saber.

Não existe hoje uma lista pública, completa e verificável dos dez primeiros Snaps enviados.

E isso não acontece porque os historiadores não procuraram suficientemente.

A dificuldade é estrutural.

O Snapchat foi construído para que o conteúdo desaparecesse.

Os primeiros Snaps não foram concebidos como documentos históricos.

Não havia uma página pública contendo:

Snap nº 1
Snap nº 2
Snap nº 3
Snap nº 4

Além disso, os primeiros usuários eram poucos, o produto ainda estava em fase experimental e grande parte da utilização acontecia em conversas privadas.

Consequentemente, qualquer pessoa que apresente hoje uma fotografia específica como “o primeiro Snap da história” precisaria fornecer evidência extraordinariamente forte para sustentar essa afirmação.

Não há essa evidência pública disponível.


O que podemos afirmar com segurança

Podemos, entretanto, reconstruir uma sequência bastante sólida:

abril de 2011: surge a ideia das fotografias que desaparecem.

primavera de 2011: o primeiro protótipo começa a ser desenvolvido.

julho de 2011: Picaboo chega ao iOS, embora as fontes apresentem pequenas diferenças quanto ao dia exato do lançamento.

verão de 2011: o produto ainda possui somente uma pequena comunidade, chegando a aproximadamente 127 usuários.

setembro de 2011: Picaboo passa a se chamar Snapchat.

final de 2011: o aplicativo começa a atingir cerca de mil usuários ativos diariamente.

início de 2012: estudantes do ensino médio passam a utilizar intensamente o serviço como forma de comunicação entre amigos.

9 de maio de 2012: Evan Spiegel publica o primeiro post oficial preservado no blog do Snapchat.

E existe uma ironia perfeita nessa história.

O primeiro Snap do Snapchat pode ter sido perdido para sempre justamente porque o Snapchat funcionava como deveria.

Ele desapareceu.

E talvez essa seja a melhor representação possível dos primeiros dias da plataforma.

Enquanto outras redes sociais construíram sua história armazenando cada vez mais conteúdo, o Snapchat nasceu defendendo uma ideia oposta:

nem tudo precisa durar para sempre para ser importante.

Por: Alexandre lavrador. Opinião do Blogueiro.

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